Natal Poesia Satírica e Versos de Circunstância · Capítulo 13 de 19
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Natal

Neste Natal quisera eu ter a dita

De ir ao teu lado, à sombra do teu vulto, Ao menino Jesus render meu culto

Numa igrejinha simples e catita.

Longe dos faustos deste mundo estulto,

Num idilio de monja e cenobita

Entre os meus braços o teu rosto oculto, Do amor a benção receber bendita.

Da natureza ouvindo a sinfonia.

Lá no Leme, entre as águas e as montanhas Passarmos docemente o inteiro dia.

E à noite, após "complicações" tamanhas Fazermos a consoada numa orgia

De vinho verde, beijos e castanhas.

O sapateiro à namorada:

Que queres, meu amor que eu ponha no teu sapatinho-

Ela, dengosa e sincera:

Uma meia sola.

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1464, 25 dez. 1911. p. 1.

É candidato a governador de Alagoas o sr. Natalício Camboim.

De festa ao febril bulício

Diz Alagoas assim:

Haja fogo... de artifício

Em honra ao meu natalício... Camboim.

Foi apresentada a candidatura do sr. Natalício Camboim à presidência do Alagoas.

Da festa ao febril político

Diz Alagoas assim:

Haja fogo... de artifício

Em honra ao meu natalício. Camboim.

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1465, 26 dez. 1911, p. 1.

Os empregados da repartição de Águas e Esgotos queixam-se aos jornais de que, desde dezembro passado, não recebem ordenado.

Bem percebo as duras mágoas

Destes pobres empregados:

Andam "a seca" os das águas,

E os esgotos "esgotados".

Que o nosso reclame voe

Aos poderes inclementes;

E que o arame enfim se escol

Pelos "canais" competentes...

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1482, 22 jan. 1912, p. 1.

"Foi nomeado agente diplomático do Paraguai o sr.

José Meza."

(Telegrama de Bucnos Aires)

Este, com toda certeza,

No cargo não dará ratas.

Que figurarão fará "Meza"

Na roda dos diplomatas!

"Fortaleza, 6 - É considerado providencial o fato de até hoje não se ter averiguado a morte de alguém do povo no combate de 22 a 24 do mês

passado.

Algumas mortes verificadas foram de simples transeuntes ou de pessoas que estavam em casa."

(Telegrama)

1 A carta não mais ajuntes,

Correspondente que louvo:

Se entre tantos transeuntes

Não havia um só do povo.

É que os mortos, com certeza,

No prélio sangrento e fero,

Se não eram da nobreza,

Faziam parte do clero.

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1498, 8 fev. 1912, p. 1.

"A Federação informa ter sido chamado ao Rio de Janeiro o major Iracema Gomes, parece que por causa do discurso que esse oficial pronunciou por ocasião da instalação da Junta Pró-Menna na cidade do Rio Grande."

(Telegrama)

1 Que lhe seja a viagem plena

De calma e serenidade.

Major, valeu bem a pena

Deixar a Junta Pró-Menna

Por tão bela promenade...

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1516, 26 fev. 1912, p. 1.

"E nessa mistura de italiano e português, contou o padre Rigoni que queria salvar a alma da rapariga."

(d'A Noite)

1 Desejando, afinal, mudar de estado

- os Estados têm feito isso a rigor -

pilhou Maria Rosa um namorado

ao pintar da faneca - um Salvador!

5 Ao saber do namoro, exasperado,

padre Rigoni - amigo e confessor -

procurou evitar esse "atentado", porém nada logrou e... foi-se a flor!

9 O caso vai às oiças da polícia

e o dr. Hugo Braga, com perícia,

consegue liquidar toda a questão 11 E Rigoni confessa sucumbido:

- Não era Salvador, como o marido,

mas, tentara também a... salvação!

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1520, mar. 1912, p. 1.

"Registramos a denúncia levada pelo dr. Filemon Torres, advogado da Light and Power, à polícia, contra dois empregados daquela empresa, acusados de terem dado ali vultosos desfalques."

1 Quando deparo um desses casos fico, não direi satisfeito, mas contente;

a Light, águia feliz e onipotente,

faz de nosso Governo um tico-tico!

5 O povo, moço ou velho, pobre ou rico -

cede, cede com c, benevolente:

e a Light - até do Lloyd é pretendente -

todo o pinto que vê leva no bico!

9 Com direito ou sem ele, a Luz e Força, à luz do dia e à força da chicana,

pilha tudo, por mais que a gente torça.

12 - Tudo, não! Desta vez a luz se empana, vai-se a força e, por mais que ela se estorça, dois agries dão nos pintos da águia ufana!

ZANGÃO

A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1522, 3 mar. 1912, p.

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