Primeira Parte — VIII
Por considerar que o idéal da raça consiste na sua robusteza, tanto fisica como intelectual, fala-nos Michelet de Magdalena Nizeli, mãi fecunda, de quem ainda hoje existe um retrato na capital da Suissa, em Museu ou casa oficial. Filha de um fidalgo de Berna, essa forte criatura fazia um dia com as suas criadas barrelas na fonte quando por ela passou um joven pa
trício que de subito parou a admirala. Filho de uma casa tambem' nobre, mas inimigo da sua, hostilidade pelo menos tão profunda como a dos Montégus e Capuletos (do Romeu e Julieta), qualquer aproximação lhes pareceria absurda, se o rapaz não se tivesse apaixonado no primeiro instante. O desembaraço e o vigor com que a moça batia e torcia o linho caseiro, a carnação dura e rosada do seu corpo de deusa virginal, fizeramno prever que dela se originariam homens fortes como ursos e sem mais demora correu ao palácio do inimigo a pedir-lhe a filha em casamento. O amor, ou antes, o desejo de
selecção da raça, congraçou as familias desunidas. À sociedade moderna não basta esse idéal de robustez corpórea, que a literatura romantica estragou mas que recomeça a florescer agora por intromissão e uso de sports, ela exige tambem a robustez intelectual, a orientação que a leve para um futuro de paz e de tranquilidade. Para isso é principalmente precizo instruir a mulher sobre os seus deveres para com a criança. As mãis analfabetas, as mãis frivolas, todas as que não têm emfim a seu lado, na doçura do proprio lar, quem lhes diga numa vóz persuasiva os regulamentos a que devem sujeitar a sua vida' desde o é
momento da concepção até a hora dilacerante da maternidade, que admira que entreguem á simples mão do acaso a escultura viva do ser em que a palavra de Deus se perpetúa e vibra?! Crescei e multiplicai-vos. Mas para que as gerações se multipliquem em harmonia com a ordem divina deverão ser concebidas com amor e criadas com júbilo! Para as mãis que não compreendem que penhor sagrado é para elas um filho, é que a sciencia moderna escreve livros de eloquente singeleza e bem intencionada elucidação. Nenhuma bibliotheca de mulher deve sentir a falta dessas obras maternais, nunca suficientemente disseminadas
entre o povo. O homem é um animal de duas naturezas: uma feita pelo sangue, outra pelo habito. A mãi desprevenida póde com uma estragar a outra, se não tiver tacto natural para as associar convenientemente. Qual de nós, mãis que nada aprendemos, deixará de se sentir arguida pela própria consciencia ante qualquer erro dos filhos? Compreendemos então que para guiar bem precizariamos antes ter sido mais esclarecidas. Por isso, tudo que se possa fazer em benefício da mãi, será feito em favor da humanidade. Ela é o cálice de sangue com que a natureza saúda o porvir do mundo.