Carta I Histórias da Nossa Terra · Capítulo 5 de 30
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Carta I

CA H'l'A 1 As aguas do Atlant(co extendiam-se para o mysterio de um horizonte desconlte- ~ido, e por entre a mallm't'a e as w·eor·es secttlares, as cobras e as flechas indigenas siloaoam moriife1'amente. Foram precisos incalcalaBeis sacrificios par'a. formar· zsso que ahi está em baixo e que é pr'oducio do homem cioilisado. Olha: aquelle casarão branco, Caminho de fcn·o do Corcomdo. acolá, é wn asylo que dá pão, roupa I' l'nsino a cenienç,s de crianças pobres. . . Aquelle . edificio além é o hospício dos doidos, feito oara aitenuar e ctÚ'ar o peior dos soifrioientos ... Acolá é um cemiterio, onde a pie- dade esparge jlóref, e crases abrem os braços muna bençam tranquilla. L á em baixo, no sopé do Pão de Àssucar, é a Escola il1ilitar, que apercebe a mocidade pw·a a dqjeza da patria; aquelle grande edificio qllaclrangular é ·o Instituto elos Cegos, que nelle aprendem ojjicios, artes e sciencias qtw os distrahem_ da sua infelicidade... Como o Instituto dos Cegos ha o dos Surdos-il1udos, e o Instituto P asteur, que salr;a de uma morte lwrrenda creaturas atacadas pela rair;a. Em todos os bairros da cidade h a collegios, lwspitaes, asylos, estabelecimentos de sciencias, de artes, de amparo, onde r;elhos, enfermos e crianças rt!CI'bem beneficio e instrucçüo, sem saber de quem . A humanidade é bóa ... Como c>és, o Rio de Janeiro é uma grande capital, a mais bella do mundo pela sna posição iopographica e uma das mais pacificas, porque é uma das que mais tr·abalham. Toda a sua superficie, para mais de mil oit.ocentos e nor;enta e dois kilometros 'quadrados, com mais de setenta mil casas, e col'tada de trilhos e de · ruas onde o pooo, simples e sociacel, labuta vigorosamente. Olha para a sua sem T'irJall milhas, mais bandeiras de CARTA I bahia. . . obseroa-llw a belle:;a Tem umas quarenta e cinco ou menos... Nella tremulam todas as nacionalidades. Nà B.10 DE JANEIRO. Entrada da Batra. Guanabara ha ilhas que são como canteiros em jardins, outras habitadas e grandes, como a do Gooernador, que é a maior, a de Paquetâ, à das Cobms, a do Bom-Jesus, com o Asylo dos Inoaüdos da Pafria, e inuitas, mtâtas outras ... D' este lado o mar infinito ... os pharóes ... as fortale::as ... d'este outro as serras... os r:alles . .. os campos .. . e em toda a parte apparecendo e manrfestando-se o calor do homem I Aqui, a locomotiva rasga a ferra, jw·a os montes, leoa par·a deante a civilisaçâo que tudo ape1j'eiç6a ... Além, lá no horL,onte, que Já nâo I! mysterioso, wn lransatlantico wfa em demanda do nosso porto ... Com este céo azul, tão illuminado, com este mar e um porto tão jrãnco e tão beÚo, com estas montanhas . de teia pltaniasticog recortes e teia lindas córes, este canto do mundo li'm o dà·eito ele se Julgar privilegiado de 'Deus I Se Mem de Sá resuscitasse agora e olhasse d' aqui para esta cidade coalhada de chaminés ele fabricas, de torres de egreJas, de tell!ados de asylos e de hospitaes nâo te parece que deveria ficar contente?... " Sim, parecia·me ; e nunca a cidade se me afigurou tâo grandiosa, nem a sua alma tâo pB1Jeita, como á clam luz cl'aquel/e dia inoloidaoet, em que só tice um pe::rar· : o ele o nâo abraçar·, meu querido pae I Seu filho Anthero.

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