Amor da pátria Histórias da Nossa Terra · Capítulo 19 de 30
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Amor da pátria

AMOR. DA PATR.IA + + No dia em gue entrei para o collegio, em Março de 1845, disse o velho dr. Henrique a seu neto Jorge, presenciei uma scena de que iámais me esquecerei. Frequentava eu uma escola em Maceió, onde nasci. Como chovesse, eramos poucos na aula. Sentia-me á vontade, porque, graças aos desvelos de minha mãe, eu já sabia ler alguma coisa e contar menos mal. Eram onze horas e escreviamos todos o nosso bastardo em cadernos ou louzas quando, sentindo rumor de passos, erguemos o olhar com curiosidade. Era um soldado que entrava com um pequeno rachitico pela mão; queria matriculai-o, e, em quanto o · mestre lhe escrevia o nome, a edade e a · filiação no registro da escola, . o soldado aneJiava os cabellos negros e encaracolados do filho. EsTADO DE A LAGOAs. Trecho de ~lacei ó. Concluídos os apontamentos, o soldado disse : Senhor professor, ha poucos Jias que eu abracei meu riJho; r1uasi que o não conhecia, e expiico-Jhe isto para que o senhor comprehenda a minha intenção. Quando pal'ti pam o Rio Gmnde do Sttl, ÁMOR UA PATHIA !li deixei aqui no norte minha mulhet' doente e meu filho com dois mezes apenas. " Eu era um simples soldado raso e ella, que não tinha recursos e era fraca passou grandes privações : por isso o menino não se desenvolveu. MACEIÓ. Pra~·a da Matriz. ::::ú depois de acabada esta maldita g~1erra foi que voltei para casa, esperando ler a consolacão de encontrar nella um rapaz forte, bello, alegre e desembaraçado, capaz de, mais tarde, empunhar a minha espada e defender a honra da nossa patria com a valentia e o denodo de um verdadeir•l soldado. HJ8TURJAS DA NOSSA TERRA « Tive uma desillusão amarga quando depar'ei com meu filho, com estes hombros contrafeitos e este rostinho murcho de r,riança criada sem sangue nem aiegria. )) O soldado parou, com a voz embargada pela dôr; o rapazinho, humilhado, tinha os olhos cheios de Jagrimas, as faces rubras de pejo e via-se que1 sob a 1roupinha parda que vestia, touo o seu miseravel corpo de aleijado estremecia numa angustia_ dolorosíssima. O professor então disse alto, como se falasse a nós tod.os : Não é só com a espada que se póde elevar ·o nome da patria! As artes, a scie.ncia, as industrias, a ·agricultur'a, são mais bellos e mais vastos campDs de batalha, onde nos fica muitas vezes o coração a bem da terra que nos foi berço. Na historia fulguram com mais límpido brilho nomes de poetas que de generaes. A gloria de um povo nào está em see guerreiro, em saber matar; mas exactamente em saber evitar a guerra, sempre com brio, ordem, amor' ao trabalho, e Ai\IOH DA PATRIA !HJ consciencia do seu valor. Ninguem teme affrontas quando tenha a justiça do seu lado! Vá tranqui!Jo; tmbalharei paea gue seu filho seja um digno cidadão d'esta MACEIÓ. Ru~ 15 de :Novembro. toi'ra, que é Não sei monto, como no&

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