Universo da obra
Universo da obra
A fila começava antes do portão Sakurada e dobrava pela avenida sem bondes, seguindo entre postes apagados, vitrines cobertas por tábuas e bicicletas presas umas às outras com correntes enferrujadas. Cada família carregava o próprio recipiente: caixas de madeira, sacos de arroz remendados, panelas antigas, baldes de limpeza com o nome do bairro escrito em tinta grossa. O vento da manhã levantava pó de carvão do chão e grudava nos rostos. Quem tossia tapava a boca com a manga para não perder lugar. Quem caía era empurrado para o lado por mãos que pediam desculpa tarde demais, porque o caminhão imperial já estava parado no pátio e todos sabiam que a carga acabaria antes da última pessoa.
Harauto viu a fila da sacada baixa do palácio, onde o guarda-costas insistira em deixá-lo apenas por alguns minutos. A cidade tinha ficado menor durante o inverno. Tóquio ainda erguia torres, antenas mortas e placas de empresas que um dia venderam futuro, porém o que se movia de verdade eram ombros curvados, carrinhos de mão, cavalos magros e crianças segurando fichas de racionamento com a concentração de quem carregava documentos de herança. A fumaça dos fogões improvisados subia dos bairros próximos em colunas finas, todas da mesma cor escura. O carvão distribuído pelo palácio devia aquecer escolas, postos de abrigo e casas marcadas pela prefeitura. Na prática, cada saco virava disputa antes de tocar o chão.
Um menino perto da grade levantou uma ficha azul e gritou alguma coisa que o vento levou. Tinha talvez oito anos, gorro grande demais, casaco de adulto preso com barbante na cintura. A mulher atrás dele segurava uma panela com as duas mãos e olhava para o caminhão sem piscar. Quando o soldado imperial anunciou que cada família receberia metade da cota prevista, a fila produziu um ruído único, feito de insulto, fome e medo. O menino continuou com a ficha erguida. Um homem tentou passar à frente, tropeçou no balde de uma idosa e recebeu uma cotovelada. Dois guardas avançaram com bastões de bambu. Harauto desceu antes que o capitão pudesse dizer que a sacada ficara perigosa.
No corredor de madeira, servidores carregavam brasas em caixas de metal para manter aquecida a ala do arquivo. O resto do palácio amanhecera frio. As telas de informação penduradas nos salões tinham sido cobertas por pano meses antes, depois que a rede interna falhou pela terceira vez em uma semana e exibiu dados de abastecimento de cinco anos atrás. Agora os comunicados eram pregados em tábuas, escritos à mão por calígrafos que já não trabalhavam para cerimônias. Harauto passou por uma delas e leu a própria ordem da véspera: prioridade ao carvão destinado a enfermarias, creches e abrigos de idosos. A assinatura dele parecia limpa demais para a manhã que o esperava no portão.
Takamori alcançou-o junto à passagem do jardim seco, com o manto cinza fechado até o pescoço e um rolo de mensagens preso sob o braço. O velho conselheiro fazia o possível para caminhar depressa sem entregar pressa. "Alteza, a distribuição deve seguir pelo comando da guarda. Sua presença lá fora pode transformar reclamação em pedido direto." Harauto continuou andando. "Já é pedido direto. Eles estão gritando para minha casa." Takamori respirou pelo nariz, olhando de relance para os guardas que seguiam atrás. "O palácio tem protocolos para isso." Harauto parou apenas o bastante para encará-lo. "O protocolo anunciou meia cota para uma fila inteira. Hoje ele pode esperar no corredor."
Quando Harauto entrou no pátio externo, o primeiro efeito foi silêncio. Não respeito, exatamente. A fila calou porque precisava descobrir se o príncipe vinha distribuir comida ou retirar alguma promessa. Ele vestia roupa simples de inverno, preta, com o crisântemo imperial bordado pequeno no peito. Sem armadura, sem lâmina visível, sem comitiva cerimonial. O capitão da guarda aproximou-se com uma prancheta e tentou explicar a conta: três caminhões retidos no setor norte, dois desviados para hospital militar, um saqueado perto de Ueno, perda total de quase quarenta por cento. Harauto ouviu até o fim e pediu a prancheta. O papel trazia números, carimbos e assinaturas em vermelho. Não trazia a cara do menino com a ficha azul.
"Abram o depósito leste", Harauto disse. O capitão ergueu a cabeça. Takamori, que vinha alguns passos atrás, fechou os dedos sobre o rolo de mensagens. "Alteza, o depósito leste guarda reserva do palácio e do conselho." Harauto olhou para a fila. "Hoje guarda carvão de Tóquio." A ordem correu pelos soldados antes que a dúvida ganhasse forma. Dois portões internos se abriram com rangido longo, expondo sacos empilhados sob lona grossa. Aquela reserva sustentaria audiências, enfermaria interna, cozinha imperial e arquivos por vinte dias. Harauto calculou o custo enquanto via os primeiros sacos serem carregados. O custo parecia menor do que a imagem de guardas batendo em gente faminta diante do portão da família dele.
A fila voltou a respirar em pedaços. A mulher da panela recebeu sua porção e inclinou a cabeça sem sorrir. O menino da ficha azul ficou olhando para Harauto com uma coragem desconfiada, dessas que criança aprende quando adulto demais falha em sequência. "Minha irmã está com febre", ele disse, aproveitando a distração do guarda. "A escola mandou buscar carvão e sopa. A ficha da sopa é amarela. Meu pai vendeu a amarela para comprar remédio." Harauto agachou diante dele, consciente dos olhares que aquilo puxava. "Qual escola?" O menino respondeu o nome de uma escola municipal perto de Hibiya, instalada em um antigo centro de conferências. Harauto entregou a ficha azul a um ajudante e mandou levar carvão e caldo diretamente para lá antes do meio-dia.
Takamori esperou que Harauto se levantasse para falar baixo. "Se fizer isso para uma criança, terá de fazer para cem." Harauto observou os soldados pesando sacos em balanças manuais, corrigindo quantidades com pás pequenas. "Então precisamos saber quais são as cem." O conselheiro apertou a boca, frustrado pela resposta prática. A guarda conseguia conter tumulto; não conseguia enxergar demanda. O palácio mantinha registros de nobres, templos, arsenais e depósitos. Sobre crianças febris em escolas adaptadas, dependia de gritos na rua. Harauto pediu que Minae fosse chamada. Ela conhecia as rotas de mensageiros civis melhor que qualquer oficial, porque crescera correndo nelas antes de o palácio contratar seus pés.
Minae apareceu quinze minutos depois, com o cabelo preso por uma tira vermelha e marcas de carvão no queixo. Tinha dezessete anos, talvez dezoito, ninguém no arquivo concordava sobre a data de nascimento dela porque os registros do bairro tinham queimado em um motim. Usava jaqueta curta de mensageira e trazia uma bolsa cheia de mapas dobrados em quadrados irregulares. "Chamaram?" perguntou, já olhando para o caminhão, para a fila e para o depósito aberto. Harauto explicou a escola, a febre, a sopa vendida por remédio, os bairros sem levantamento. Minae ouviu sem cerimônia. "Posso mandar seis corredores. Oito, se o senhor aceitar usar aprendizes. Eles vão voltar com nomes, não com estimativa bonita."
"Use doze", Harauto disse. Minae franziu a testa. "Não tenho doze bons." Ele apontou para os jovens servidores amontoados junto à escada, todos fingindo utilidade. "Hoje terá." Takamori interveio antes que ela sorrisse. "Servidores do palácio não devem circular em área instável sem escolta." Minae olhou para o conselheiro com uma paciência curta. "Com escolta, ninguém fala a verdade. Acham que vem cobrança depois." Harauto decidiu ali. Os jovens iriam sem uniforme imperial, cada dupla com uma ficha de rota, limite de horário e ponto de retorno. Se algum oficial reclamasse, reclamaria com ele. Minae abriu o primeiro mapa sobre um caixote de carvão e começou a riscar escolas, cozinhas coletivas e enfermarias improvisadas com carvão nas pontas dos dedos.
Enquanto ela trabalhava, um cavalo entrou pelo portão lateral com espuma no focinho e sangue seco no arreio. O mensageiro desceu quase caindo, segurando uma caixa de couro contra o peito. Dois guardas o ampararam. A capa dele trazia o selo de Chiba, rasgado no ombro, e manchas de lama até a cintura. Harauto reconheceu o tipo de viagem antes de ouvir o relato. Estrada fechada, ponte interrompida, posto de controle abandonado. O mensageiro tentou ajoelhar, mas a perna esquerda dobrou de maneira ruim. "Relatório costeiro para Sua Alteza", disse, ofegante. A caixa passou de mão em mão até chegar a Harauto, pesada pelo gelo acumulado nas fivelas.
Dentro havia três cartas e um pacote menor, envolto em pano encerado. A primeira carta vinha do administrador de Chiba: comboios de arroz parados, baterias de porto confiscadas por milícia local, faróis apagados por falta de combustível. A segunda, de um comandante naval, falava de embarcações sem retorno, bússolas com desvio e ondas anormais ao sul. A terceira trazia selo privado, azul escuro, partido na borda. Harauto conhecia aquele selo antes de ver o nome. Aiko usava azul porque dizia que vermelho já pertencia a metade das urgências do império. O pátio desapareceu por um instante atrás da caixa aberta. Ele segurou a carta fechada até perceber que Takamori observava seus dedos.
Harauto abriu o pacote menor primeiro, por disciplina e covardia na mesma medida. Havia uma bússola de bolso, quebrada, com a agulha presa apontando para leste. A peça pertencia ao navio Hoshimaru, enviado semanas antes para escoltar Aiko até o continente. Um bilhete do comandante naval vinha junto, escrito com letras inclinadas pelo frio: instrumento recolhido em bote vazio, vinte e seis milhas além da rota autorizada; nenhum corpo; nenhum sinal de incêndio; água potável intacta; diário de bordo ausente. Harauto leu duas vezes, depois entregou a Takamori. O velho conselheiro perdeu cor no rosto, embora mantivesse a postura. Aiko deixara de ser silêncio. Agora era objeto sobre a palma da mão.
A carta azul tinha apenas quatro linhas. A caligrafia era dela, firme, com os traços finais inclinados para cima. Harauto afastou-se da fila para ler junto ao muro, sem entregar às pessoas do portão uma dor que ainda não sabia usar. Aiko escrevera de próprio punho: Harauto, se esta carta voltar sem mim, procure o Pilar Kuroshio. Não aceite relatório sem mapa de maré. Não confie em quem chamar a perda de acidente antes de contar os instrumentos. Cuide para que o Japão não sobreviva de joelhos. O resto da folha estava vazio, salvo por uma mancha escura perto da dobra. Tinta, óleo ou sangue antigo; perícia diria depois. O coração dele queria decidir antes.
Takamori aproximou-se com cuidado. "A carta deve ir ao arquivo restrito." Harauto dobrou a folha devagar. "Antes, ao almirantado." O conselheiro respondeu que o almirantado estava dividido, com oficiais negociando carvão, comida e proteção de portos sem informar a capital. Harauto guardou a carta dentro da roupa, junto ao peito, não por gesto romântico, e sim porque todas as mesas ao redor já pareciam pequenas demais para ela. "Então reunimos quem ainda responde." Takamori baixou a voz. "Se a princesa desapareceu, a cidade não pode saber hoje. A fila já está no limite." Harauto olhou para o menino da ficha azul, que agora recebia uma caneca de caldo trazida por uma cozinheira. "A cidade sabe reconhecer limite sem nossa ajuda."
O capitão da guarda trouxe nova dificuldade: dois homens tinham sido detidos tentando puxar sacos do depósito antes da pesagem. Um deles era soldado de folga, o outro professor da escola Hibiya. A solução antiga seria prisão exemplar. Harauto pediu os nomes, ouviu as explicações e mandou que ambos descarregassem carvão sob vigilância até o fim da distribuição. O capitão estranhou. "Sem cela?" Harauto respondeu olhando para as mãos do professor, rachadas de frio. "Depois de carregarem, quero saber por que um professor precisa roubar combustível diante do palácio." A decisão desagradou ao soldado de folga, ao capitão e a Takamori por razões diferentes. A Harauto desagradou menos que perder duas pessoas úteis para uma cadeia cheia.
Minae voltou ao caixote com a primeira lista parcial, escrita em papel barato. Três escolas sem calefação. Uma enfermaria com vinte e quatro idosos. Duas cozinhas coletivas usando madeira de móveis quebrados. Um abrigo de estação com recém-nascidos. Ela falava rápido, sem arrumar as frases para parecer relatório. Harauto pediu que repetisse os bairros, e Takamori anotou com caligrafia impecável. Ao ouvir o nome de uma enfermaria abandonada pelo governo municipal, o conselheiro hesitou. "Esse prédio foi condenado." Minae apontou o carvão no mapa. "Condenado pelo engenheiro ou por quem não quis levar cama até lá?" Takamori não respondeu. Harauto mandou separar parte da reserva para a enfermaria e enviar técnicos antes do anoitecer.
Ao meio-dia, a distribuição ainda continuava, e o pátio imperial já tinha perdido a compostura cerimonial que fotógrafos antigos amavam. Lona no chão, sacos abertos, guardas sujos até o cotovelo, servidores discutindo rotas, cozinheiras enchendo canecas, crianças dormindo sentadas contra o muro depois de comer. Harauto ficou de pé perto da balança principal, recebendo reclamações que antes morreriam em balcões intermediários. Uma mulher pediu notícia do marido preso em Ueno. Um ferreiro pediu autorização para recolher trilhos sem uso. Um monge pediu óleo para cremar corpos acumulados no templo. Cada pedido exigia nome, lugar, data, resposta. A manhã consumiu dele a ilusão de que governar acontecia em sala fechada.
O Imperador Akihito mandou chamá-lo no começo da tarde. Harauto subiu ao pavilhão interno com a roupa marcada de pó escuro e a carta de Aiko ainda guardada. O pai estava sentado junto ao braseiro pequeno, coberto por manta grossa, lendo o relatório de Chiba que Takamori já lhe enviara. A doença estreitara o rosto do imperador sem reduzir a autoridade dos olhos. "Você abriu o depósito leste", disse. Harauto confirmou. "E transformou mensageiros do palácio em fiscais de miséria." Harauto esperou a censura. O pai fechou o relatório. "Demorou." A palavra atingiu o príncipe com mais força do que repreensão. Akihito tossiu, recebeu chá de um criado e apontou para a cadeira diante dele.
Harauto entregou a bússola quebrada e a carta azul. O imperador leu sentado, sem pedir ajuda para aproximar a folha dos olhos. Quando terminou, manteve a carta sobre os joelhos por alguns segundos, olhando para a mancha escura perto da dobra. "Aiko sempre escolheu palavras que obrigam movimento", disse. Harauto sentou-se apenas na borda da cadeira. "O que é o Pilar Kuroshio?" Akihito virou a bússola na mão. "Um projeto que nos prometeram quando ainda fingiam que energia era assunto técnico. Correntes marítimas, campos de pressão, extração em grande escala. O conselho recusou participar oficialmente. Outros países recusaram em público e financiaram em segredo." O imperador fechou a bússola. "Se Aiko citou o Pilar, o navio dela viu coisa maior que pirata."
A resposta trouxe nome, não alívio. Harauto pensou nas cartas de Chiba, na agulha travada, nos faróis apagados e na fila do carvão. Tudo parecia pertencer à mesma máquina faminta, uma que moía energia em uma ponta e gente na outra. "Vou para Chiba", disse. Akihito levantou os olhos. Takamori, que permanecia junto à porta, deu um passo involuntário. "A capital precisa de você aqui", argumentou o conselheiro. Harauto colocou a carta sobre a mesa, aberta entre os três. "A capital precisa saber se o mar engoliu Aiko, se alguém tomou o Hoshimaru ou se o Pilar Kuroshio está puxando o resto do país pelo fundo." O pai não o interrompeu. Isso assustou mais que oposição.
Akihito pediu que Takamori trouxesse o mapa costeiro antigo, o de papel encerado guardado desde antes do isolamento. Enquanto o conselheiro saía, o imperador falou baixo o suficiente para que só Harauto ouvisse. "Você cresceu dentro de muros porque eu acreditei que preservar a linhagem preservaria o país. Hoje uma criança precisou gritar no portão para você descobrir a escola dela. Não repita minha fé em paredes." Harauto ficou imóvel. O pai raramente confessava erro; quando fazia, entregava junto uma tarefa. "Vá a Chiba com poucos homens. Leve a mensageira de mapas. Leve alguém que saiba ouvir quem vende ficha de sopa. Se encontrar Aiko, traga-a. Se encontrar a verdade, traga primeiro."
Ao fim da tarde, Harauto voltou ao pátio. A fila diminuíra, mas ainda dobrava o portão. Minae dormia sentada sobre um caixote, a cabeça encostada na própria bolsa, até despertar com o som dos passos dele. "Mais rota?" perguntou, antes de lembrar com quem falava. Harauto entregou a ela uma cópia simples do litoral entre Tóquio e Chiba. "Partimos antes do amanhecer. Preciso de caminho que evite bloqueios, pontes quebradas e postos controlados por milícia." Minae olhou o mapa, depois a roupa suja do príncipe, depois o palácio atrás dele. "O senhor sabe andar em rua sem guarda demais?" Harauto quase sorriu. "Vou aprender depressa." Ela enfiou o mapa na bolsa. "Então não use esse brasão na estrada."
À noite, quando o último saco foi entregue e os portões se fecharam, o pátio ficou coberto de pó, marcas de rodas e fichas perdidas. Harauto recolheu uma ficha azul do chão, dobrada ao meio, talvez caída do bolso de alguém que enfim conseguira levar carvão para casa. Guardou-a junto da carta de Aiko, separada por uma dobra de roupa para não manchar o papel dela. Do alto da muralha, Tóquio parecia feita de pequenos fogos domésticos, cada um defendendo um quarto, uma sopa, uma febre, uma noite a menos no frio. Ao sul, além das torres apagadas, o mar não aparecia. Mesmo assim, Harauto teve a impressão concreta de que ele se aproximava.
No quarto, antes de dormir por poucas horas, Harauto retirou da parede uma espada cerimonial que nunca tinha saído do palácio e a deixou sobre a mesa. Depois pegou uma faca curta de cozinha, uma capa sem brasão e botas gastas usadas por mensageiros. A escolha pareceu insultar toda a educação recebida, e justamente por isso pareceu correta. Aiko mandara procurar mapa de maré, instrumentos e Pilar Kuroshio. A cidade mandara olhar para a fila antes de falar em império. O pai mandara desconfiar de paredes. Harauto apagou a lamparina com os dedos e ficou no escuro, ouvindo a madeira do palácio estalar no frio. Pela primeira vez naquele inverno, o último príncipe do Japão não esperou a manhã chegar até ele. Preparou-se para ir encontrá-la na estrada.
Num Japão de um mundo futurista em ruínas, onde a energia virou privilégio e o império se sustenta apenas na memória, o jovem príncipe Harauto tenta manter viva uma nação esquecida pelo tempo. Quando o céu começa a ruir e a Terra se desfaz sob seus pés, o planeta é dividido e lançado em um novo mundo, um território de gigantes, onde civilizações colossais caminharão entre os destroços da humanidade. Separado da esposa, Aiko, que enfrentava seus próprios perigos em mares desconhecidos, Harauto precisa entender se ainda há algo a governar... ou apenas sobreviver. Uma distopia poética sobre o fim de um mundo, o nascimento de outro, e a luta por dignidade em tempos de colapso, com críticas sociais e analogias com a realidade
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