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Folhas de Relva

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Folhas de Relva

Capítulo 33 · Folhas de Relva

LIVRO XXXIII. CANTOS DE DESPEDIDA

33 de 35 ≈ 24 min de leitura

À Medida que o Tempo se Aproxima

À medida que o tempo se aproxima, uma nuvem se adensa,
Um temor além, não sei de quê, me escurece.

Eu partirei,
Percorrerei os Estados por algum tempo, mas não posso dizer para onde nem por quanto tempo,
Talvez em breve, algum dia ou noite, enquanto eu estiver cantando, minha voz
cesse de súbito.

Ó livro, ó cantos! deverá tudo então reduzir-se apenas a isto?
Deveremos mal alcançar este nosso começo? e contudo é
suficiente, ó alma;
Ó alma, aparecemos de modo inequívoco, isso é suficiente.

Anos do Moderno

Anos do moderno! anos do não realizado!
Vosso horizonte se ergue, vejo-o abrindo-se para dramas mais augustos,
Não vejo apenas a América, não apenas a nação da Liberdade, mas outras nações
preparando-se,
Vejo entradas e saídas tremendas, novas combinações, a solidariedade
das raças,
Vejo essa força avançando com poder irresistível sobre o palco do mundo,
(Terão as velhas forças, as velhas guerras, desempenhado seus papéis? estarão encerrados os atos
que lhes cabiam?)
Vejo a Liberdade, completamente armada, vitoriosa e muito altiva,
com a Lei de um lado e a Paz do outro,
Um trio estupendo, todos saindo contra a ideia de casta;
Que desfechos históricos são estes de que tão rapidamente nos aproximamos?
Vejo homens marchando e contramarchando em velozes milhões,
Vejo quebradas as fronteiras e divisas das velhas aristocracias,
Vejo removidos os marcos dos reis europeus,
Vejo neste dia o Povo começando a estabelecer seus marcos, (todos os outros cedem;)
Nunca se fizeram perguntas tão incisivas como neste dia,
Nunca o homem médio, sua alma, foi mais enérgico, mais semelhante a um Deus,
Eis como ele impele e impele, não deixando repouso às massas!
Seu pé ousado está em toda parte, na terra e no mar, ele coloniza o
Pacífico, os arquipélagos,
Com o navio a vapor, o telégrafo elétrico, o jornal, as
máquinas de guerra em larga escala,
Com estes e as fábricas que se espalham pelo mundo, ele entrelaça toda
geografia, todas as terras;
Que sussurros são estes, ó terras, correndo à vossa frente, passando sob
os mares?
Estarão todas as nações comungando? haverá apenas um coração para o globo?
Estará a humanidade formando-se em massa? pois eis que os tiranos tremem, as coroas empalidecem,
A terra, inquieta, confronta uma nova era, talvez uma guerra divina geral,
Ninguém sabe o que acontecerá em seguida, tais presságios enchem os dias e as noites;
Anos proféticos! o espaço à frente, enquanto caminho, enquanto em vão tento
penetrá-lo, está cheio de fantasmas,
Feitos ainda não nascidos, coisas que logo serão, projetam suas formas ao meu redor,
Esta corrida e este ardor inacreditáveis, esta estranha febre extática de sonhos,
ó anos!
Vossos sonhos, ó anos, como me penetram! (não sei
se durmo ou desperto;)
A América e a Europa realizadas empalidecem, retirando-se na sombra atrás de mim,
O não realizado, mais gigantesco que nunca, avança, avança sobre mim.

Cinzas de Soldados

Cinzas de soldados do Sul ou do Norte,
Enquanto medito retrospectivo, murmurando um canto em pensamento,
A guerra recomeça, novamente aos meus sentidos vossas formas,
E novamente o avanço dos exércitos.

Silenciosos como névoas e vapores,
De seus túmulos nas trincheiras ascendendo,
Dos cemitérios por toda a Virgínia e o Tennessee,
De cada ponto da bússola, saindo dos incontáveis túmulos,
Em nuvens levadas pelo ar, em grandes miríades, ou grupos de dois ou três ou
um a um, eles vêm,
E silenciosamente se reúnem ao meu redor.

Agora não soeis nota alguma, ó trompetistas,
Não à frente de minha cavalaria desfilando sobre cavalos fogosos,
Com sabres desembainhados e reluzentes, e carabinas junto às coxas, (ah,
meus bravos cavaleiros!
Meus belos cavaleiros de rosto bronzeado! que vida, que júbilo e orgulho,
Com todos os perigos, eram vossos.)

Nem vós, tambores, nem na alvorada ao romper do dia,
Nem o longo toque alarmando o acampamento, nem sequer o toque abafado para o sepultamento,
Nada de vós desta vez, ó tambores que levais meus tambores guerreiros.

Mas apartado de tudo isso e dos mercados da riqueza e do passeio apinhado,
Admitindo ao meu redor camaradas próximos, invisíveis aos demais e sem voz,
Os mortos exaltados e vivos outra vez, o pó e os destroços vivos,
Entoo este canto de minha alma silenciosa em nome de todos os soldados mortos.

Rostos tão pálidos, de olhos maravilhosos, tão queridos, aproximai-vos ainda mais,
Chegai perto, mas não faleis.

Fantasmas de incontáveis perdidos,
Invisíveis aos demais, doravante tornai-vos meus companheiros,
Segui-me sempre, não me abandoneis enquanto eu viver.

Doces são as faces floridas dos vivos, doces são as vozes
musicais que ressoam,
Mas doces, ah, doces são os mortos com seus olhos silenciosos.

Queridíssimos camaradas, tudo terminou e há muito passou,
Mas o amor não terminou, e que amor, ó camaradas!
Perfume erguendo-se dos campos de batalha, subindo do fedor.

Perfuma, portanto, meu canto, ó amor, amor imortal,
Permite-me banhar as lembranças de todos os soldados mortos,
Envolve-os em mortalhas, embalsama-os, cobre-os por inteiro com terno orgulho.

Perfuma tudo, torna tudo salutar,
Faz estas cinzas nutrirem e florescerem,
Ó amor, resolve tudo, fecunda tudo com a química derradeira.

Dá-me inesgotável, faz de mim uma fonte,
Para que eu exale amor de mim onde quer que vá, como um orvalho perene e úmido,
Pelas cinzas de todos os soldados mortos do Sul ou do Norte.

Pensamentos

1
Destes anos canto,
Como passam e passaram através de dores convulsas, como através de
partos,
Como a América ilustra o nascimento, a juventude musculosa, a promessa, a segura
realização, o sucesso absoluto, apesar do povo, ilustra
o mal tanto quanto o bem,
A luta veemente, tão feroz, pela unidade em si mesmo,
Como tantos ainda se apegam desesperadamente aos modelos desaparecidos, casta, mitos,
obediência, coerção e infidelidade,
Como poucos veem os modelos chegados, os atletas, os Estados do Oeste, ou
veem liberdade ou espiritualidade, ou mantêm alguma fé nos resultados,
(Mas vejo os atletas, e vejo os resultados da guerra, gloriosos
e inevitáveis, e eles novamente conduzindo a outros resultados.)

Como surgem as grandes cidades, como as massas Democráticas, turbulentas,
voluntariosas, como eu as amo,
Como o turbilhão, a disputa, a luta do mal com o bem, o
ressoar e repercutir, continuam e continuam,
Como a sociedade espera informe, e por algum tempo fica entre coisas terminadas
e coisas começadas,
Como a América é o continente das glórias, e do triunfo da
liberdade e das Democracias, e dos frutos da sociedade, e
de tudo o que foi começado,
E como os Estados são completos em si mesmos, e como todos os triunfos
e glórias são completos em si mesmos, para conduzir adiante,
E como estes meus e dos Estados por sua vez serão
convulsionados, e servirão a outros partos e transições,
E como todas as pessoas, visões, combinações, também as massas democráticas,
servem, e como cada fato, e a própria guerra, com todos os seus horrores,
serve,
E como agora ou a qualquer tempo cada um serve à requintada transição da morte.

2

De sementes caindo no solo, de nascimentos,
Da firme concentração da América, terra adentro, para cima, rumo a
lugares inexpugnáveis e fervilhantes,
Do que Indiana, Kentucky, Arkansas e os demais serão,
Do que poucos anos revelarão ali em Nebraska, Colorado, Nevada
e os demais,
(Ou ao longe, subindo pelo Pacífico Norte até Sitka ou Aliaska,)
Do que a folhagem da América prepara, e do que
são todas as visões, Norte, Sul, Leste e Oeste,
Desta União soldada em sangue, do solene preço pago, dos
perdidos sem nome sempre presentes em minha mente;
Do uso temporário de materiais em favor da identidade,
Do presente, passando, partindo, do crescimento de homens mais completos
que quaisquer até agora,
De tudo descendo em declive até onde a fresca e livre doadora, a mãe, o
Mississippi flui,
De poderosas cidades interiores ainda não mapeadas nem suspeitadas,
Dos nomes novos e bons, dos desenvolvimentos modernos, das
propriedades rurais inalienáveis,
De uma vida livre e original ali, de dieta simples e sangue limpo e
doce,
De agilidade, rostos majestosos, olhos claros e físico perfeito ali,
De imensos resultados espirituais em anos futuros no extremo Oeste, de ambos os lados dos
Anahuacs,
Destes cantos, bem compreendidos ali, (feitos para aquela região,)
Do desprezo nativo pela grosseria e pelo lucro ali,
(Ó, ele espreita em mim noite e dia, o que é afinal o lucro para a selvageria
e a liberdade?)

Canto ao Pôr do Sol

Esplendor do dia terminado, flutuando e me preenchendo,
Hora profética, hora que resume o passado,
Inflando minha garganta, tu, média divina,
Tu, terra e vida, até brilhar o último raio, eu canto.

Boca aberta de minha alma proferindo alegria,
Olhos de minha alma vendo perfeição,
Minha vida natural louvando fielmente as coisas,
Corroborando para sempre o triunfo das coisas.

Ilustre cada um!
Ilustre aquilo a que chamamos espaço, esfera de espíritos incontáveis,
Ilustre o mistério do movimento em todos os seres, até no menor inseto,
Ilustre o atributo da fala, os sentidos, o corpo,
Ilustre a luz passageira, ilustre o pálido reflexo sobre
a lua nova no céu ocidental,
Ilustre tudo quanto vejo ou ouço ou toco, até o fim.

Bem em tudo,
Na satisfação e no aprumo dos animais,
No retorno anual das estações,
Na hilaridade da juventude,
Na força e no viço da maturidade,
Na grandeza e no requinte da velhice,
Nas soberbas perspectivas da morte.

Maravilhoso partir!
Maravilhoso estar aqui!
O coração, a jorrar o sangue igual e inocente!
Respirar o ar, que delícia!
Falar, caminhar, tomar algo pela mão!
Preparar-me para dormir, para o leito, olhar minha carne rosada!
Ter consciência de meu corpo, tão satisfeito, tão amplo!
Ser este incrível Deus que sou!
Ter saído entre outros Deuses, estes homens e mulheres que amo.

Maravilhoso como celebro a vós e a mim mesmo,
Como meus pensamentos brincam sutilmente com os espetáculos ao redor!
Como as nuvens passam silenciosas sobre a cabeça!
Como a terra dispara e dispara! e como o sol, a lua, as estrelas disparam e disparam!
Como a água brinca e canta! (certamente está viva!)
Como as árvores se erguem e permanecem de pé, com troncos fortes, com galhos
e folhas!
(Certamente há algo mais em cada árvore, alguma alma viva.)

Ó assombro das coisas, até da menor partícula!
Ó espiritualidade das coisas!
Ó frase musical fluindo através de eras e continentes, agora alcançando
a mim e à América!
Tomo vossos fortes acordes, entremeio-os e alegremente os transmito
adiante.

Eu também canto o sol, anunciado ou ao meio-dia, ou como agora, poente,
Eu também pulso pelo cérebro e pela beleza da terra e de todos os
crescimentos da terra,
Eu também senti o chamado irresistível de mim mesmo.

Enquanto descia a vapor pelo Mississippi,
Enquanto vagava pelas pradarias,
Enquanto vivi, enquanto olhei através de minhas janelas, meus olhos,
Enquanto saí pela manhã, enquanto contemplei a luz rompendo no leste,
Enquanto me banhei na praia do Mar Oriental, e novamente na praia
do Mar Ocidental,
Enquanto percorri as ruas da Chicago interior, quaisquer ruas que tenha percorrido,
Ou cidades ou bosques silenciosos, ou mesmo entre as cenas da guerra,
Onde quer que tenha estado, carreguei-me de contentamento e triunfo.

Canto até o fim as igualdades modernas ou antigas,
Canto os finais sem fim das coisas,
Digo que a Natureza continua, a glória continua,
Louvo com voz elétrica,
Pois não vejo uma única imperfeição no universo,
E não vejo uma única causa ou resultado lamentável por fim no universo.

Ó sol poente! embora a hora tenha chegado,
Ainda gorjeio sob ti, se ninguém mais o faz, adoração sem atenuação.

Como Também nos Teus Portais, Morte

Como também nos teus portais, morte,
Entrando em teus domínios soberanos, obscuros, ilimitados,
Às lembranças de minha mãe, à fusão divina, à maternidade,
A ela, sepultada e partida, contudo não sepultada, não partida de mim,
(Vejo novamente o rosto calmo e benigno, ainda fresco e belo,
Sento-me junto à forma no caixão,
Beijo e beijo convulsivamente outra vez os doces lábios velhos, as faces,
os olhos fechados no caixão;)
A ela, a mulher ideal, prática, espiritual, de tudo na terra,
vida, amor, para mim a melhor,
Gravo uma linha monumental, antes de partir, entre estes cantos,
E ponho aqui uma lápide.

Meu Legado

O homem de negócios, vasto adquiridor,
Depois de anos assíduos examinando resultados, preparando-se para partir,
Deixa casas e terras a seus filhos, lega ações, mercadorias,
fundos para uma escola ou hospital,
Deixa dinheiro a certos companheiros para comprarem lembranças, recordações de pedras preciosas
e ouro.

Mas eu, examinando minha vida, encerrando-a,
Sem nada para mostrar nem legar de seus anos ociosos,
Nem casas nem terras, nem lembranças de pedras preciosas ou ouro para meus amigos,
Contudo certas recordações da guerra para vós, e depois de vós,
E pequenas lembranças de acampamentos e soldados, com meu amor,
Uno e lego neste feixe de cantos.

Pensativa, Contemplando Seus Mortos

Pensativa, contemplando seus mortos, ouvi a Mãe de Todos,
Desesperada, contemplando os corpos dilacerados, as formas que cobriam os campos de batalha,
(Quando o último canhão cessou, mas o cheiro da fumaça da pólvora permaneceu,)
Enquanto chamava sua terra com voz pesarosa ao caminhar,
Absorve-os bem, ó minha terra, gritou ela, ordeno-te que não percas meus
filhos, não percas um átomo,
E vós, rios, absorvei-os bem, recebendo seu querido sangue,
E vós, lugares locais, e vós, ares que flutuais acima, leves e impalpáveis,
E todas vós, essências do solo e do crescimento, e vós, profundezas de meus rios,
E vós, encostas das montanhas, e os bosques onde o sangue de meus queridos filhos,
gotejando, avermelhou,
E vós, árvores, até vossas raízes, para legardes a todas as árvores futuras,
Absorvei meus mortos, sejam do Sul ou do Norte, absorvei os corpos de meus jovens,
e seu precioso, precioso sangue,
Que, guardando fielmente em confiança para mim, devolvei-me muitos
anos depois,
Em essência invisível e no aroma da superfície e da relva, séculos depois,
Nos ares soprados dos campos, devolvei-me novamente meus queridos, dai-me
meus heróis imortais,
Exalai-os para mim séculos depois, respirai-me a respiração deles, não deixeis que um
átomo se perca,
Ó anos e túmulos! Ó ar e solo! Ó meus mortos, um doce aroma!
Exalai-os, morte perene e doce, anos, séculos depois.

Acampamentos Verdes

Não somente aqueles acampamentos brancos, velhos camaradas das guerras,
Quando, ordenados a avançar, depois de longa marcha,
Com os pés doloridos e cansados, assim que a luz enfraquece paramos para a noite,
Alguns de nós tão fatigados, carregando o fuzil e a mochila, caindo
adormecidos onde estamos,
Outros armando as pequenas tendas, e os fogos acesos começam a cintilar,
Postos avançados de sentinelas dispostos ao redor, alertas através da escuridão,
E uma palavra fornecida como senha, cuidadosos com a segurança,
Até que, ao chamado dos tambores ao amanhecer, batendo alto,
Erguemo-nos revigorados, passada a noite e o sono, e retomamos nossa
jornada,
Ou seguimos para a batalha.

Eis os acampamentos das tendas verdes,
Que os dias de paz continuam enchendo, e os dias de guerra continuam enchendo,
Com um exército místico, (também ele recebeu ordem de avançar? também ele apenas
para por algum tempo,
Até que passem a noite e o sono?)

Agora, naqueles acampamentos verdes, em suas tendas salpicando o mundo,
Nos pais, filhos, maridos, esposas, neles, nos velhos e jovens,
Dormindo sob a luz do sol, dormindo sob a luz da lua, contentes
e silenciosos ali por fim,
Contempla o poderoso campo de bivaque e acampamento de espera de todos,
De todos os corpos e generais, e do Presidente sobre todos os corpos e
generais,
E de cada um de nós, ó soldados, e de cada um e de todos nas fileiras em que lutamos,
(Ali, sem ódio, todos nós, todos nos encontramos.)

Pois em breve, ó soldados, nós também acampamos em nosso lugar nos
acampamentos de bivaque verdes,
Mas não precisamos providenciar postos avançados, nem palavra para a senha,
Nem tambor para tocar o tambor da manhã.

O Soluço dos Sinos [Meia-Noite, 19-20 de setembro de 1881]

O soluço dos sinos, a súbita notícia da morte por toda parte,
Os adormecidos despertam, a comunhão do Povo,
(Muito bem conhecem aquela mensagem na escuridão,
Muito bem retornam, respondem dentro de seus peitos, seus cérebros, as
tristes reverberações,)
O toque e o clangor apaixonados, cidade a cidade, unindo-se, soando, passando,
Essas batidas do coração de uma Nação durante a noite.

Enquanto se Aproximam do Fim

Enquanto se aproximam do fim,
Daquilo que subjaz aos cantos precedentes, de meus objetivos neles,
Da semente que procurei plantar neles,
Do júbilo, doce júbilo, através de tantos anos, neles,
(Por eles, por eles vivi, neles minha obra está feita,)
De muitas aspirações queridas, de muitos sonhos e planos;
Através do Espaço e do Tempo fundidos num canto, e da identidade eterna e fluente,
À Natureza que os abrange, abrangendo Deus, ao jubiloso
todo elétrico,
Ao sentido da Morte, e aceitando, exultando na Morte por sua vez,
o mesmo que na vida,
A entrada do homem para cantar;
Para vos reunir compactamente, ó vidas separadas e diversas,
Para pôr em comunhão as montanhas, rochas e rios,
E os ventos do norte, e as florestas de carvalhos e pinheiros,
Contigo, ó alma.

Júbilo, Companheiro de Bordo, Júbilo!

Júbilo, companheiro de bordo, júbilo!
(Satisfeito em minha alma, diante da morte grito,)
Nossa vida está encerrada, nossa vida começa,
O longo, longo ancoradouro deixamos,
O navio está livre por fim, ele salta!
Velozmente toma seu rumo para longe da costa,
Júbilo, companheiro de bordo, júbilo.

A Necessidade Não Dita

A necessidade não dita, jamais concedida pela vida e pela terra,
Agora, viajante, navega para buscá-la e encontrá-la.

Portais

Que são os portais do conhecido senão para ascender e entrar no Desconhecido?
E que são os portais da vida senão para a Morte?

Estes Cânticos

Estes cânticos entoados para alegrar minha passagem pelo mundo que vejo,
Para completá-los, dedico-os ao Mundo Invisível.

Agora, Final para a Costa

Agora, final para a costa,
Agora, terra e vida, final e despedida,
Agora, Viajante, parte, (muito, muito ainda te está reservado,)
Muitas vezes te aventuraste pelos mares,
Navegando cautelosamente, estudando as cartas,
Retornando devidamente outra vez ao porto e à amarra;
Mas agora obedece a teu querido desejo secreto,
Abraça teus amigos, deixa tudo em ordem,
Não retornando mais ao porto e à amarra,
Parte em teu cruzeiro sem fim, velho Marinheiro.

Até Mais!

Para concluir, anuncio o que vem depois de mim.

Lembro-me de ter dito antes que minhas folhas sequer brotassem,
Que eu ergueria minha voz jubilosa e forte em referência às consumações.

Quando a América fizer o que foi prometido,
Quando por estes Estados caminharem cem milhões de pessoas soberbas,
Quando os demais se afastarem para dar lugar a pessoas soberbas e contribuírem para elas,
Quando linhagens das mães mais perfeitas designarem a América,
Então, para mim e para os meus, nossa devida frutificação.

Avancei por direito próprio,
Cantei o corpo e a alma, a guerra e a paz cantei, e
os cantos da vida e da morte,
E os cantos do nascimento, e mostrei que há muitos nascimentos.

Ofereci meu estilo a todos, viajei com passo confiante;
Enquanto meu prazer ainda está pleno, sussurro: Até mais!
E tomo a mão da jovem e a mão do jovem pela última vez.

Anuncio pessoas naturais a surgir,
Anuncio a justiça triunfante,
Anuncio liberdade e igualdade sem concessões,
Anuncio a justificação da franqueza e a justificação do orgulho.

Anuncio que a identidade destes Estados é uma única identidade,
Anuncio a União cada vez mais compacta, indissolúvel,
Anuncio esplendores e majestades que tornarão insignificante toda a política anterior
da terra.

Anuncio a adesividade, digo que será ilimitada, desatada,
Digo que ainda encontrarás o amigo que procuravas.

Anuncio um homem ou uma mulher chegando, talvez sejas tu, (Até mais!)
Anuncio o grande indivíduo, fluido como a Natureza, casto,
afetuoso, compassivo, plenamente armado.

Anuncio uma vida que será copiosa, veemente, espiritual, ousada,
Anuncio um fim que encontrará sua translação com leveza e júbilo.

Anuncio miríades de jovens, belos, gigantescos, de sangue doce,
Anuncio uma raça de velhos esplêndidos e selvagens.

Ó mais espessos e mais velozes, (Até mais!)
Ó, aglomerando-vos perto demais de mim,
Prevejo demais, isso significa mais do que pensei,
Parece-me que estou morrendo.

Apressa-te, garganta, e soa teu último som,
Saúda-me, saúda os dias mais uma vez. Faz ressoar o velho grito mais uma vez.

Gritando elétrico, usando a atmosfera,
Lançando olhares ao acaso, absorvendo cada coisa à medida que a noto,
Avançando veloz, mas pousando por pouco tempo,
Entregando curiosas mensagens envoltas,
Centelhas ardentes, semente etérea caindo na terra,
Eu mesmo sem saber, obedecendo à minha missão, jamais ousando questioná-la,
Deixando para eras e eras ainda o crescimento da semente,
Às tropas que se erguem da guerra, promulgando elas as tarefas que estabeleci,
Às mulheres legando certos sussurros de mim mesmo, o afeto delas
explicando-me com mais clareza,
Aos jovens oferecendo meus problemas, não sou um indolente, ponho à prova o músculo
de seus cérebros,
Assim passo, por breve tempo vocal, visível, contrário,
Depois, um eco melodioso, buscado com paixão, (a morte tornando-me
verdadeiramente imortal,)
O melhor de mim então, quando já não visível, pois para isso estive
incessantemente me preparando.

Que mais há, para que eu me atrase, pare e me agache estendido com
a boca aberta?
Há uma única despedida final?
Meus cantos cessam, eu os abandono,
De trás da tela onde me escondi avanço pessoalmente somente até ti.

Camarada, isto não é um livro,
Quem toca isto toca um homem,
(É noite? estamos aqui juntos, a sós?)
Sou eu quem seguras e quem te segura,
Salto das páginas para teus braços, a morte me chama para fora.

Ó, como teus dedos me entorpecem,
Tua respiração cai ao meu redor como orvalho, teu pulso embala os tímpanos
de meus ouvidos,
Sinto-me imerso da cabeça aos pés,
Delicioso, basta.

Basta, ó ato improvisado e secreto,
Basta, ó presente deslizante, basta, ó passado condensado.

Querido amigo, quem quer que sejas, recebe este beijo,
Dou-o especialmente a ti, não me esqueças,
Sinto-me como alguém que terminou o trabalho do dia e se retira por algum tempo,
Recebo agora novamente uma de minhas muitas translações, de meus avatares
ascendendo, enquanto outros sem dúvida me aguardam,
Uma esfera desconhecida, mais real do que sonhei, mais direta, lança
raios despertadores ao meu redor, Até mais!
Lembra-te de minhas palavras, talvez eu volte novamente,
Amo-te, afasto-me dos materiais,
Sou como alguém sem corpo, triunfante, morto.

Folhas de Relva

Sinopse

Tradução integral direta para o português brasileiro da edição final de 1891–1892 de Folhas de Relva, organizada nos 35 livros reais da obra e preservando seus 377 cabeçalhos estruturais.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978657992047977741151761
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