Universo da obra
Universo da obra
Tu, Mãe, com Tua Prole Igual
1
Tu, Mãe, com tua prole igual,
Tu, cadeia variada de diferentes Estados, mas uma só identidade,
Um canto especial, antes de partir, eu cantaria acima de todos os demais,
Para ti, o futuro.
Eu semearia para ti uma semente de Nacionalidade sem fim,
Eu moldaria teu conjunto, incluindo corpo e alma,
Eu mostraria, muito adiante, tua verdadeira União, e como ela pode realizar-se.
Os caminhos para a casa procuro fazer,
Mas deixo aos que virão a própria casa.
Canto a crença e a preparação;
Pois a Vida e a Natureza não são grandiosas apenas em relação ao presente,
Mas ainda maiores pelo que está por vir,
Dessa fórmula canto para ti.
2
Como uma ave forte sobre asas livres,
Jubilosa, fendendo rumo ao céu os mais amplos espaços,
Assim seja o pensamento que eu pensaria de ti, América,
Assim seja o recitativo que eu traria para ti.
Não te traria as fantasias dos poetas de outras terras,
Nem os cumprimentos que por tanto tempo já cumpriram sua função,
Nem rima, nem os clássicos, nem perfume de corte estrangeira ou biblioteca
fechada;
Mas um odor eu traria, como o das florestas de pinheiros do Maine, ou o sopro de
uma pradaria de Illinois,
Com os ares abertos da Virgínia, da Geórgia ou do Tennessee, ou dos planaltos
do Texas, ou das clareiras da Flórida,
Ou do curso negro do Saguenay, ou da vasta expansão azul do Huron,
Com a visão das paisagens de Yellowstone, ou de Yosemite,
E murmurando por baixo, impregnando tudo, eu traria o som marinho do frêmito,
Que ressoa sem cessar dos dois Grandes Mares do mundo.
E para teu sentido mais sutil, refrães mais sutis, temível Mãe,
Prelúdios do intelecto que correspondam a estes e a ti, fórmulas da mente ajustadas
a ti, reais, sãs e amplas como estes e como tu,
Tu! ascendendo mais alto, mergulhando mais fundo do que sabíamos, tu,
União transcendental!
Por ti, o fato a ser justificado, fundido ao pensamento,
O pensamento do homem justificado, fundido a Deus,
Por tua ideia, eis a realidade imortal!
Por tua realidade, eis a ideia imortal!
3
Cérebro do Novo Mundo, que tarefa é a tua,
Formular o Moderno, a partir da incomparável grandeza do moderno,
A partir de ti mesma, abrangendo a ciência, refundir poemas, igrejas, arte,
(Refundi-los, talvez descartá-los, pôr-lhes fim, talvez sua obra esteja feita,
quem sabe?)
Pela visão, pela mão, pela concepção, sobre o fundo do poderoso passado, dos mortos,
Delinear com fé absoluta o poderoso presente vivo.
E contudo tu, cérebro vivo do presente, herdeiro dos mortos, cérebro do Velho Mundo,
Tu, que por tanto tempo permaneceste dobrado como um bebê ainda não nascido em suas dobras,
Tu, por ele tão cuidadosamente preparado durante tanto tempo, talvez apenas o desdobres,
apenas o amadureças,
Para que nele culmines tu, a essência do tempo passado contida em ti,
Seus poemas, igrejas, artes, sem que eles próprios soubessem, destinados
em relação a ti;
Tu, apenas as maçãs, por muito, muito, muito tempo crescendo,
O fruto de todo o Velho amadurecendo hoje em ti.
4
Navega, navega da melhor maneira, navio da Democracia,
Valiosa é tua carga, não é somente o Presente,
O Passado também está armazenado em ti,
Não levas apenas o risco de ti mesma, nem apenas o do continente
ocidental,
O resumo inteiro da Terra flutua sobre tua quilha, ó navio, sustenta-se em teus mastros,
Contigo o Tempo viaja em confiança, as nações anteriores afundam ou
nadam contigo,
Com todas as suas antigas lutas, mártires, heróis, epopeias, guerras, tu
transportas os outros continentes,
Deles, deles tanto quanto teu, é o porto triunfante do destino;
Governa então com mão firme e olhar atento, ó timoneiro, tu
transportas grandes companheiros,
A venerável e sacerdotal Ásia navega hoje contigo,
E a régia Europa feudal navega contigo.
5
Belo mundo de novo e mais soberbo nascimento que se ergue diante de meus olhos,
Como uma ilimitada nuvem dourada enchendo o céu ocidental,
Emblema da maternidade geral elevado acima de tudo,
Forma sagrada daquela que gera filhas e filhos,
De teu fecundo ventre, teus bebês gigantes saindo em procissão incessante,
Emergindo de tal gestação, recebendo e dando continuamente força
e vida,
Mundo do real, mundo dos dois em um,
Mundo da alma, nascido apenas pelo mundo do real, conduzido à
identidade, ao corpo, apenas por ele,
Contudo apenas no princípio, massas incalculáveis de materiais preciosos compostos,
Impulsionadas pelos ciclos da história, enviadas para cá por toda nação, toda língua,
Prontas, reunidas aqui, um mundo mais livre, vasto, elétrico, a ser
construído aqui,
(O verdadeiro Novo Mundo, o mundo da ciência orbital, das morais, das literaturas
por vir,)
Tu, mundo prodigioso ainda indefinido, informe, nem eu te defino,
Como posso penetrar o vazio impenetrável do futuro?
Sinto tua grandeza ominosa, má tanto quanto boa,
Observo-te avançando, absorvendo o presente, transcendendo o passado,
Vejo tua luz iluminando e tua sombra sombreando, como se o globo inteiro,
Mas não me proponho definir-te, mal consigo compreender-te,
Apenas te nomeio, te profetizo, como agora,
Apenas te exclamo!
A ti em teu futuro,
A ti em tua única vida permanente, tua trajetória, tua própria mente desatada,
teu espírito ascendente,
A ti como outro sol igualmente necessário, radiante, em chamas, veloz,
fecundando tudo,
A ti erguida em poderosa alegria e júbilo, em grande hilaridade sem fim,
Dissipando de uma vez a nuvem que por tanto tempo pairou, que por tanto
tempo oprimiu a mente do homem,
A dúvida, a suspeita, o temor da gradual e certa decadência do homem;
A ti em tua prole maior e mais sã de mulheres, homens, a ti em teus
atletas, morais, espirituais, do Sul, do Norte, do Oeste, do Leste,
(A teus seios imortais, Mãe de Todos, cada filha, cada filho,
igualmente querido, para sempre igual,)
A ti em teus próprios músicos, cantores, artistas, ainda não nascidos, mas certos,
A ti em tua riqueza moral e civilização, (sem a qual tua mais altiva
civilização material deverá permanecer vã,)
A ti em teu culto que tudo provê e tudo abrange, a ti não apenas em uma única
bíblia, um único salvador,
Teus salvadores incontáveis, latentes dentro de ti mesma, tuas bíblias incessantes
dentro de ti mesma, iguais a qualquer outra, divinas como qualquer outra,
(Teu curso ascendente formulando-te, não em tuas duas grandes guerras, nem
no crescimento visível de teu século,
Mas muito mais nestas folhas e cantos, teus cantos, grande Mãe!)
A ti numa educação surgida de ti, em professores, estudos, estudantes,
nascidos de ti,
A ti em tuas festas democráticas em massa, teus elevados festivais originais,
óperas, conferencistas, pregadores,
A ti em teu estágio final, (apenas agora concluídos os preparativos, o
edifício preso a firmes alicerces,)
A ti em teus pináculos, intelecto, pensamento, teus mais elevados júbilos
racionais, teu amor e tua aspiração semelhante à de Deus,
Em teus resplandecentes homens e mulheres de letras vindouros, teus oradores de pulmões plenos, teus
bardos sacerdotais, sábios cósmicos,
Estes! estes em ti, (certos de vir,) hoje eu profetizo.
6
Terra que tolera tudo, aceita tudo, não apenas para o bem, tudo é bom
para ti,
Terra que, nos domínios de Deus, será um domínio para ti mesma,
Sob o governo de Deus, será um governo para ti mesma.
(Eis onde surgem três estrelas incomparáveis,
Para serem tuas estrelas natais, meu país, Conjunto, Evolução, Liberdade,
Postas no céu da Lei.)
Terra de fé sem precedentes, fé de Deus,
Teu solo, teu próprio subsolo, inteiramente revolvido,
A terra interior geral, por tanto tempo tão diligentemente coberta, agora enfim,
tal como é, ousadamente exposta,
Aberta por ti à luz do céu, para benefício ou ruína.
Não apenas para o sucesso,
Não para sempre navegar tranquilamente sem interrupção,
A tempestade açoitará teu rosto, a escuridão da guerra e algo pior que a guerra
cobrirá toda a tua extensão,
(Foste capaz da guerra, de seu embate e suas provações? sê capaz da paz, de suas provações,
Pois o embate e a tensão mortal das nações chegam por fim na paz próspera, não na guerra;)
Em muitas máscaras sorridentes a morte se aproximará seduzindo-te, em
enfermidade hás de arder,
O câncer lívido estenderá suas garras hediondas, agarrando-se a teus
seios, buscando ferir-te fundo por dentro,
A tísica pior, a tísica moral, corará teu rosto com rubor febril,
Mas enfrentarás tuas fortunas, tuas doenças, e superarás todas,
Quaisquer que sejam hoje e quaisquer que, com o tempo, possam ser,
Cada uma e todas se erguerão, passarão e cessarão em ti,
Enquanto tu, contornando as espirais do Tempo, de ti mesma ainda
te extraindo, te fundindo,
União equilibrada, natural, mística, tu, (o mortal fundido ao imortal,)
Alçarás voo rumo ao cumprimento do futuro, o espírito do
corpo e da mente,
A alma, seus destinos.
A alma, seus destinos, o real verdadeiro,
(Sentido de todas estas aparições do real;)
Em ti, América, a alma, seus destinos,
Tu, globo de globos! tu, maravilha nebulosa!
Convulsionada por muitos espasmos de calor e frio, (por eles te solidificando,)
Tu, orbe mental, moral, tu, Novo, realmente novo, Mundo Espiritual!
O Presente não te contém, pois para crescimento tão vasto quanto o teu,
Para voo tão incomparável quanto o teu, prole como a tua,
Somente o FUTURO te contém e pode conter-te.
Dois barcos com redes parados diante da praia do mar, inteiramente imóveis,
Dez pescadores esperando, eles descobrem um denso cardume de mossbonkers,
lançam na água as extremidades unidas da rede de arrasto,
Os barcos se separam e remam, cada qual em seu percurso curvo até a
praia, cercando os mossbonkers,
A rede é puxada por um molinete pelos que permanecem em terra,
Alguns pescadores descansam nos barcos, outros ficam
com água pelos tornozelos, firmados em pernas fortes,
Os barcos parcialmente puxados para a areia, a água batendo contra eles,
Espalhados na areia em montes e leiras, bem longe da água,
os mossbonkers malhados de dorso verde.
Tradução integral direta para o português brasileiro da edição final de 1891–1892 de Folhas de Relva, organizada nos 35 livros reais da obra e preservando seus 377 cabeçalhos estruturais.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.