Leia agora
Folhas de Relva

Universo da obra

Folhas de Relva

Capítulo 21 · Folhas de Relva

LIVRO XXI. TOQUES DE TAMBOR

21 de 35 ≈ 69 min de leitura

Primeiro, Ó Canções para um Prelúdio

Primeiro, ó canções para um prelúdio,
Tocai de leve no tímpano retesado o orgulho e a alegria de minha cidade,
Como ela conduziu as demais às armas, como deu o sinal,
Como de imediato, com membros ágeis, sem esperar um momento, ela saltou,
(Ó soberba! Ó Manhattan, minha, sem igual!
Ó a mais forte na hora do perigo, na crise! Ó mais fiel que o aço!)
Como saltaste, como lançaste fora os trajes da paz com
mão indiferente,
Como tua suave música de ópera mudou, e o tambor e o pífano foram ouvidos
em seu lugar,
Como conduziste à guerra, (isso servirá de prelúdio para nós, canções
de soldados,)
Como os toques de tambor de Manhattan conduziram.

Durante quarenta anos eu vira soldados desfilando em minha cidade,
Durante quarenta anos como espetáculo, até que, de súbito, a senhora desta
cidade fervilhante e turbulenta,
Insone entre seus navios, suas casas, sua riqueza incalculável,
Com seu milhão de filhos ao redor, de repente,
No coração da noite, ao receber notícias do sul,
Enfurecida golpeou o pavimento com a mão cerrada.

Um choque elétrico, a noite o sustentou,
Até que, com zumbido ominoso, nossa colmeia ao amanhecer derramou suas miríades.

Das casas então e das oficinas, e através de todas as portas,
Saltaram tumultuosos, e eis! Manhattan armando-se.

Prontos aos toques de tambor,
Os jovens entrando em formação e armando-se,
Os artesãos armando-se, (a colher de pedreiro, a plaina, o martelo
do ferreiro, lançados de lado às pressas,)
O advogado deixando o escritório e armando-se, o juiz deixando o tribunal,
O cocheiro abandonando sua carroça na rua, saltando ao chão, atirando
bruscamente as rédeas sobre o dorso dos cavalos,
O vendedor deixando a loja, o patrão, o guarda-livros, o carregador, todos partindo;
Pelotões reúnem-se por toda parte, por consenso comum, e se armam,
Os novos recrutas, até meninos, os velhos lhes mostram como usar seus
apetrechos, apertam cuidadosamente as correias,
Ao ar livre armando-se, dentro de casa armando-se, o fulgor dos canos dos mosquetes,
As tendas brancas agrupam-se nos acampamentos, sentinelas armadas ao redor,
o canhão ao nascer do sol e de novo ao pôr do sol,
Regimentos armados chegam todos os dias, atravessam a cidade e embarcam
nos cais,
(Como parecem bons marchando até o rio, suados, com
os fuzis sobre os ombros!
Como os amo! como poderia abraçá-los, com seus rostos morenos e
suas roupas e mochilas cobertas de poeira!)
O sangue da cidade levantou-se em armas! em armas! o grito por toda parte,
As bandeiras desfraldadas dos campanários das igrejas e de todos os
edifícios públicos e lojas,
A despedida entre lágrimas, a mãe beija o filho, o filho beija a mãe,
(Reluta a mãe em separar-se, contudo não diz uma palavra para retê-lo,)
A escolta tumultuosa, as fileiras de policiais à frente, abrindo caminho,
O entusiasmo incontido, os vivas selvagens da multidão aos seus favoritos,
A artilharia, os canhões silenciosos brilhantes como ouro, arrastados adiante,
retumbam levemente sobre as pedras,
(Canhões silenciosos, em breve cessareis vosso silêncio,
Em breve desatrelados para iniciar o trabalho vermelho;)
Todo o murmúrio dos preparativos, todo o armamento decidido,
O serviço hospitalar, a estopa, as bandagens e os remédios,
As mulheres oferecendo-se como enfermeiras, o trabalho começado agora a sério,
já não mero desfile;
Guerra! uma raça armada avança! acolhimento à batalha, sem recuar!
Guerra! sejam semanas, meses ou anos, uma raça armada avança para
acolhê-la.

Mannahatta em marcha, e ó, que eu a cante bem!
Ó, por uma vida viril no acampamento.

E a robusta artilharia,
Os canhões brilhantes como ouro, trabalho para gigantes, servir bem aos canhões,
Desatrelem-nos! (já não como nos últimos quarenta anos, para salvas
de mera cortesia,
Ponham neles agora algo além de pólvora e bucha.)

E tu, senhora dos navios, tu, Mannahatta,
Velha matrona desta cidade orgulhosa, amistosa, turbulenta,
Muitas vezes, em paz e riqueza, ficavas pensativa ou franzias discretamente
o cenho entre todos os teus filhos,
Mas agora sorris de alegria, exultante velha Mannahatta.

Mil Oitocentos e Sessenta e Um

Ano armado, ano da luta,
Nada de rimas delicadas ou versos sentimentais de amor para ti, ano terrível,
Não tu como algum pálido poetastro sentado à escrivaninha, balbuciando cadências ao piano,
Mas como um homem forte, ereto, vestido de azul, avançando,
levando o fuzil sobre o ombro,
Com o corpo firme e cartilaginoso, rosto e mãos queimados de sol, uma faca
no cinto ao lado,
Enquanto te ouvia gritando alto, tua voz sonora ressoando através do
continente,
Tua voz masculina, ó ano, erguendo-se entre as grandes cidades,
Entre os homens de Manhattan vi-te como um dos trabalhadores, um dos
moradores de Manhattan,
Ou atravessando a largos passos as pradarias de Illinois e Indiana,
Cruzando rapidamente o Oeste com passo elástico e descendo os Alleghenies,
Ou vindo dos grandes lagos ou da Pensilvânia, ou no convés ao longo
do rio Ohio,
Ou rumo ao sul pelos rios Tennessee ou Cumberland, ou em
Chattanooga, no alto da montanha,
Vi teu passo e vi teus membros fibrosos vestidos de azul, portando
armas, ano robusto,
Ouvi tua voz decidida lançar-se repetidas vezes,
Ano que de repente cantou pelas bocas dos canhões de lábios redondos,
Repito-te, ano apressado, estrondoso, triste, transtornado.

Batei! Batei! Tambores!

Batei! batei! tambores! soprai! clarins! soprai!
Pelas janelas, pelas portas, irrompei como força implacável,
Na igreja solene, e dispersai a congregação,
Na escola onde o aluno estuda;
Não deixeis tranquilo o noivo, nenhuma felicidade deve ter agora com
sua noiva,
Nem paz alguma o lavrador pacífico, arando o campo ou recolhendo
seu grão,
Tão ferozmente rodopiais e golpeais, ó tambores, tão estridentes soprais,
ó clarins.

Batei! batei! tambores! soprai! clarins! soprai!
Sobre o tráfego das cidades, sobre o retumbar das rodas nas ruas;
Há camas preparadas nas casas para os que dormem à noite? nenhum dormente
deve dormir nessas camas,
Nenhuma barganha dos negociantes durante o dia, nenhum corretor ou especulador,
continuariam eles?
Continuariam falando os faladores? tentaria o cantor cantar?
Levantar-se-ia o advogado no tribunal para expor sua causa diante do juiz?
Então ribombai mais depressa, tambores mais pesados, e vós, clarins,
soprareis mais selvagens.

Batei! batei! tambores! soprai! clarins! soprai!
Não façais acordo, não pareis diante de protesto algum,
Não deis atenção ao tímido, nem ao que chora ou reza,
Não deis atenção ao velho que suplica ao jovem,
Que não se ouça a voz da criança, nem os rogos da mãe,
Fazei até os cavaletes estremecerem os mortos onde jazem aguardando
os carros fúnebres,
Tão fortes golpeais, ó tambores terríveis, tão alto soprais, ó clarins.

Partindo de Paumanok, Voo Como um Pássaro

Partindo de Paumanok, voo como um pássaro,
Ao redor e ao redor, para elevar-me e cantar a ideia de tudo,
Tomando o rumo do norte para ali cantar canções árticas,
Para o Canadá, até absorver o Canadá em mim, depois para Michigan,
Para Wisconsin, Iowa, Minnesota, cantar suas canções, (são inimitáveis;)
Depois para Ohio e Indiana cantar as deles, para Missouri, Kansas e
Arkansas cantar as deles,
Para Tennessee e Kentucky, para as Carolinas e Geórgia cantar as deles,
Para o Texas e então subir rumo à Califórnia, vagar aceito por toda parte;
Cantar primeiro, (ao toque do tambor de guerra, se necessário,)
A ideia de tudo, do mundo Ocidental uno e inseparável,
E depois a canção de cada membro destes Estados.

Canção da Bandeira ao Alvorecer

Poeta:
Ó uma nova canção, uma canção livre,
Batendo, batendo, batendo, batendo, por sons, por vozes mais claras,
Pela voz do vento e pela do tambor,
Pela voz da bandeira e pela voz da criança e pela voz do mar e pela voz do pai,
Baixo junto ao chão e alto no ar,
No chão onde pai e criança estão,
No ar acima, para onde seus olhos se voltam,
Onde a bandeira ao alvorecer está batendo.

Palavras! palavras de livros! o que sois?
Palavras não mais, pois escutai e vede,
Minha canção está lá ao ar livre, e devo cantar,
Com a bandeira e o galhardete batendo.

Tecerei o acorde e nele entrelaçarei,
O desejo do homem e o desejo do bebê, entrelaçarei ambos, porei vida,
Porei a ponta faiscante da baioneta, deixarei balas e projéteis zunirem,
(Como alguém que leva um símbolo e uma ameaça longe pelo futuro,
Gritando com voz de trombeta, Despertai e acautelai-vos! Acautelai-vos e despertai!)
Derramarei o verso em correntes de sangue, pleno de vontade, pleno de alegria,
Então o soltarei, o lançarei adiante, para seguir e competir,
Com a bandeira e o galhardete batendo.

Galhardete:

Sobe aqui, bardo, bardo,
Sobe aqui, alma, alma,
Sobe aqui, querida criancinha,
Para voar comigo nas nuvens e nos ventos, e brincar com a luz sem medida.

Criança:

Pai, o que é aquilo no céu que me chama com um dedo comprido?
E o que me diz o tempo todo?

Pai:

Nada, meu bebê, vês no céu,
E nada absolutamente te diz, mas olha, meu bebê,
Olha estas coisas deslumbrantes nas casas, e vê as lojas de
dinheiro se abrindo,
E vê os veículos preparando-se para rastejar pelas ruas com mercadorias;
Estas, ah, estas, como são valorizadas e quanto se trabalha por elas!
Como são invejadas por toda a terra.

Poeta:

Fresco e róseo, o sol vermelho sobe alto,
Adiante flutua o mar no azul distante, correndo por seus canais,
Adiante flutua o vento sobre o peito do mar, avançando para a terra,
O grande vento constante do oeste ou do oeste-sudoeste,
Flutuando tão leve com espuma branca como leite sobre as águas.

Mas não sou o mar nem o sol vermelho,
Não sou o vento de riso de menina,
Nem o vento imenso que fortalece, nem o vento que açoita,
Nem o espírito que sempre açoita o próprio corpo até o terror e a morte,
Mas sou aquilo que invisível vem e canta, canta, canta,
Que murmura nos riachos e dispara em aguaceiros sobre a terra,
Que os pássaros conhecem nos bosques de manhã e à noite,
E que conhecem as areias da praia e a onda sibilante, e aquela bandeira e o galhardete,
Lá no alto batendo e batendo.

Criança:

Ó pai, está viva, está cheia de gente, tem crianças,
Ó agora me parece que está falando com seus filhos,
Eu a ouço, ela fala comigo, ó, é maravilhosa!
Ó, ela se estende, se espalha e corre tão depressa, ó meu pai,
É tão larga que cobre todo o céu.

Pai:

Cessa, cessa, meu tolo bebê,
O que estás dizendo me causa tristeza, muito me desagrada;
Contempla, digo outra vez como os demais, não contemples bandeiras
e galhardetes lá no alto,
Mas contempla os pavimentos bem preparados, e observa as casas de paredes sólidas.

Bandeira e Galhardete:

Fala à criança, ó bardo de Manhattan,
A todos os nossos filhos, ao norte ou ao sul de Manhattan,
Aponta neste dia, deixando todo o resto, para nós acima de tudo,
e contudo não sabemos por quê,
Pois o que somos, meras tiras de pano que de nada servem,
Apenas batendo ao vento?

Poeta:

Ouço e vejo não apenas tiras de pano,
Ouço o passo das tropas, ouço a sentinela desafiadora,
Ouço os gritos jubilosos de milhões de homens, ouço a Liberdade!
Ouço os tambores baterem e as trombetas soarem,
Eu mesmo me movo pelo espaço, erguendo-me veloz, voando então,
Uso as asas da ave terrestre e uso as asas da ave marinha,
e olho para baixo como de uma altura,
Não nego os preciosos resultados da paz, vejo cidades populosas
de riqueza incalculável,
Vejo fazendas sem número, vejo os agricultores trabalhando nos campos ou celeiros,
Vejo artesãos trabalhando, vejo edifícios por toda parte com alicerces lançados,
subindo ou concluídos,
Vejo trens de vagões correndo velozes pelos trilhos, puxados
pelas locomotivas,
Vejo as lojas, os depósitos de Boston, Baltimore, Charleston, Nova Orleans,
Vejo longe no Oeste a imensa extensão de cereais, permaneço algum tempo pairando,
Passo às florestas de madeira do Norte, e novamente à plantação do Sul,
e novamente à Califórnia;
Abrangendo tudo, vejo o incontável proveito, as reuniões atarefadas,
os salários ganhos,
Vejo a Identidade formada por trinta e oito Estados espaçosos e altivos,
(e muitos mais por vir,)
Vejo fortes nas margens dos portos, vejo navios entrando e saindo;
Então, acima de tudo, (sim! sim!) meu pequeno e alongado galhardete,
em forma de espada,
Sobe veloz indicando guerra e desafio, e agora as adriças
o ergueram,
Ao lado de minha bandeira larga e azul, ao lado de minha bandeira estrelada,
Descartando a paz sobre todo o mar e a terra.

Bandeira e Galhardete:

Ainda mais alto, mais forte, bardo! ainda mais longe, mais amplo, rasga!
Não deixes mais que nossos filhos nos julguem apenas riqueza e paz,
Podemos ser terror e carnificina, e agora o somos,
Agora não somos nenhum destes Estados espaçosos e altivos, (nem
quaisquer cinco, nem dez,)
Nem mercado nem depósito somos, nem banco de dinheiro na cidade,
Mas estes e todos, e a terra parda e extensa, e as minas
abaixo, são nossos,
E as praias do mar são nossas, e os rios grandes e pequenos,
E os campos que umedecem, e as colheitas e os frutos são nossos,
Baías e canais e navios entrando e saindo são nossos, enquanto nós, acima de tudo,
Acima da extensão espalhada abaixo, dos três ou quatro milhões de milhas
quadradas, das capitais,
Dos quarenta milhões de pessoas, ó bardo! supremos na vida e na morte,
Nós, nós mesmos, de agora em diante nos ostentamos soberanos, bem no alto,
Não apenas para o presente, mas por mil anos cantando através de ti,
Esta canção para a alma de uma pobre criancinha.

Criança:

Ó meu pai, não gosto das casas,
Nunca serão nada para mim, nem gosto de dinheiro,
Mas subir até lá eu gostaria, ó querido pai, daquela bandeira eu gosto,
Aquele galhardete eu seria e hei de ser.

Pai:

Meu filho, enches-me de angústia,
Ser aquele galhardete seria terrível demais,
Pouco sabes o que ele é neste dia, e depois deste dia, para sempre,
É nada ganhar, mas arriscar e desafiar tudo,
Avançar para ficar à frente das guerras, e ó, tais guerras! o que tens
a ver com elas?
Com paixões de demônios, matança, morte prematura?

Bandeira:

Demônios e morte então canto,
Porei tudo, sim, tudo porei, galhardete em forma de espada para a guerra,
E um prazer novo e extático, e o anseio balbuciado das crianças,
Misturados aos sons da terra pacífica e ao fluido lavar do mar,
E aos navios negros lutando no mar envoltos em fumaça,
E ao frio gelado do muito, muito distante norte, com cedros e pinheiros farfalhantes,
E ao zumbido dos tambores e ao som dos soldados marchando, e ao
sol quente brilhando ao sul,
E às ondas da praia penteando a praia em minha costa Oriental,
e o mesmo em minha costa Ocidental,
E a tudo entre essas costas, e ao meu Mississippi sempre correndo,
com curvas e canais,
E aos meus campos de Illinois, e aos meus campos do Kansas, e aos meus campos do Missouri,
O Continente, entregando toda a identidade sem reservar um átomo,
Derramai-vos! submergi aquilo que pergunta, que canta, com tudo e o fruto de tudo,
Fundindo e contendo, reivindicando, devorando o todo,
Já não com lábio terno, nem com som labial melodioso,
Mas emergindo da noite para sempre, nossa voz já não persuasiva,
Grasnando como corvos aqui ao vento.

Poeta:

Meus membros, minhas veias se dilatam, meu tema enfim está claro,
Bandeira tão larga avançando para fora da noite, canto-te altiva e resoluta,
Irrompo através do lugar onde esperei muito, tempo demais, ensurdecido e cego,
Minha audição e minha língua voltaram a mim, (uma criancinha me ensinou,)
Ouço do alto, ó galhardete de guerra, teu chamado e tua exigência irônicos,
Insensato! insensato! (contudo, de qualquer modo, canto-te,) ó bandeira!
Não és de fato as casas da paz, nem qualquer uma nem toda a
prosperidade delas, (se necessário, terás novamente cada uma dessas
casas para destruí-las,
Não pensavas destruir essas casas valiosas, firmes,
repletas de conforto, construídas com dinheiro,
Poderão então permanecer firmes? nem por uma hora, a menos que tu acima delas
e todas permaneçais firmes;)
Ó bandeira, não és dinheiro tão precioso, não és produto da fazenda,
nem o bom alimento material,
Nem excelentes mercadorias, nem as desembarcadas dos navios nos cais,
Nem os soberbos navios movidos a vela ou a vapor, trazendo e
levando cargas,
Nem maquinaria, veículos, comércio, nem rendas, mas tu, tal como de agora
em diante te vejo,
Subindo para fora da noite, trazendo teu grupo de estrelas,
(estrelas sempre crescentes,)
Tu, divisora do alvorecer, cortando o ar, tocada pelo sol,
medindo o céu,
(Vista com paixão e desejada por uma pobre criancinha,
Enquanto outros permanecem ocupados ou falando com esperteza, para sempre ensinando
economia, economia;)
Ó tu lá no alto! ó galhardete! onde ondulas como uma serpente, sibilando
tão estranhamente,
Fora de alcance, apenas uma ideia, contudo disputada com fúria, arriscando
morte sangrenta, amada por mim,
Tão amada, ó tu, bandeira que conduzes o dia com estrelas trazidas da noite!
Sem valor, objeto dos olhos, acima de tudo e exigindo tudo, (proprietária
absoluta de tudo,) ó bandeira e galhardete!
Eu também abandono o resto, por grande que seja, não é nada, casas,
máquinas não são nada, não as vejo,
Vejo somente a ti, ó galhardete guerreiro! ó bandeira tão larga, com listras,
canto somente a ti,
Batendo lá no alto ao vento.

Erguei-vos, Ó Dias, de Vossas Profundezas Sem Fundo

1
Erguei-vos, ó dias, de vossas profundezas sem fundo, até varrerdes mais alto, mais ferozes,
Por muito tempo, faminta e atlética, minha alma devorou o que a terra me deu,
Por muito tempo vaguei entre os bosques do norte, por muito tempo contemplei o Niágara despejando-se,
Percorri as pradarias e dormi sobre seu peito, atravessei
as Nevadas, atravessei os planaltos,
Subi às rochas imponentes ao longo do Pacífico, naveguei para o mar,
Naveguei através da tempestade, fui revigorado pela tempestade,
Contemplei com alegria as goelas ameaçadoras das ondas,

Observei as cristas brancas onde corriam tão alto, encurvando-se,
Ouvi o vento assobiar, vi as nuvens negras,
Vi de baixo o que se erguia e subia, (ó soberbo! ó selvagem como meu
coração, e poderoso!)
Ouvi o trovão contínuo enquanto bramia depois do relâmpago,
Notei os fios delgados e recortados dos relâmpagos, súbitos e
velozes, perseguindo-se pelo céu em meio ao estrondo;
Estes, e outros como estes, eu, exultante, vi, vi com assombro, contudo pensativo
e soberano,
Todo o poder ameaçador do globo erguido ao meu redor,
Contudo ali, com minha alma, alimentei-me, alimentei-me contente, altivo.

2

Foi bom, ó alma, foi uma boa preparação que me deste,
Agora avançamos para saciar nossa fome latente e mais ampla,
Agora saímos para receber o que a terra e o mar jamais nos deram,
Não atravessamos os poderosos bosques, mas as cidades ainda mais poderosas,
Algo se derrama agora para nós mais do que o Niágara se derrama,
Torrentes de homens, (fontes e regatos do Noroeste, sois de fato
inesgotáveis?)
Que eram, comparadas aos pavimentos e às moradas daqui, aquelas tempestades
das montanhas e do mar?
Que eram, comparadas às paixões que testemunho ao meu redor hoje? teria o mar se erguido?
Teria o vento tocado a flauta da morte sob as nuvens negras?
Eis! de profundezas ainda mais insondáveis, algo mais mortífero e selvagem,
Manhattan erguendo-se, avançando com fronte ameaçadora, Cincinnati, Chicago,
libertadas das correntes;
Que era aquela vaga que vi no oceano? contempla o que vem aqui,
Como sobe com pés e mãos audaciosos, como se lança!
Como o verdadeiro trovão brame depois do relâmpago, como são brilhantes
os clarões do relâmpago!
Como a Democracia, com gesto desesperado e vingativo, avança, revelada
na escuridão por aqueles clarões!
(Contudo, um lamento triste e um soluço baixo, pensei ter ouvido na escuridão,
Numa pausa da confusão ensurdecedora.)

3

Troveja! avança, Democracia! golpeia com golpe vingativo!
E erguei-vos mais alto do que nunca, ó dias, ó cidades!
Estrondai mais pesadas, ainda mais pesadas, ó tempestades! fizestes-me bem,
Minha alma preparada nas montanhas absorve vosso alimento forte e imortal,
Por muito tempo percorri minhas cidades, minhas estradas rurais através de fazendas,
apenas meio satisfeito,
Uma dúvida nauseante, ondulando como serpente, rastejava pelo chão diante de mim,
Precedendo continuamente meus passos, voltando-se muitas vezes para mim,
sibilando baixo com ironia;
As cidades que eu tanto amava abandonei e deixei, corri para as
certezas adequadas a mim,
Faminto, faminto, faminto, pelas energias primordiais e pela
intrepidez da Natureza,
Somente com isso me revigorava, somente disso podia gostar,
Esperei a irrupção do fogo represado, sobre a água e o ar
esperei por muito tempo;
Mas agora já não espero, estou plenamente satisfeito, estou saciado,
Testemunhei o verdadeiro relâmpago, testemunhei minhas cidades elétricas,
Vivi para contemplar o homem irromper e a América guerreira se erguer,
Daqui em diante não buscarei mais o alimento das solitárias regiões selvagens do norte,
Não mais vagarei pelas montanhas nem navegarei pelo mar tempestuoso.

Virgínia, o Oeste

O nobre pai tombado em dias ruins,
Vi-o de mão erguida, ameaçando, brandindo,
(Memórias antigas suspensas, amor e fé suspensos,)
A faca insana contra a Mãe de Todos.

O nobre filho avançando sobre pés fibrosos,
Eu o vi, vindo da terra das pradarias, terra das águas de Ohio e de Indiana,
Para o resgate, o gigante robusto apressar sua numerosa descendência,
Vestida de azul, levando sobre os ombros seus fuzis de confiança.

Então a Mãe de Todos falando com voz calma,
Quanto a ti, Rebelde, (pareceu-me ouvi-la dizer,) por que lutas contra
mim, e por que procuras minha vida?
Quando tu mesma para sempre providencias quem me defenda?
Pois tu me deste Washington, e agora também estes.

Cidade de Navios

Cidade de navios!
(Ó os navios negros! ó os navios ferozes!
Ó os belos navios a vapor e a vela de proas afiadas!)
Cidade do mundo! (pois todas as raças estão aqui,
Todas as terras da terra aqui contribuem;)
Cidade do mar! cidade de marés apressadas e cintilantes!
Cidade cujas marés jubilosas correm ou recuam sem cessar, rodopiando
para dentro e para fora com redemoinhos e espuma!
Cidade de cais e armazéns, cidade de altas fachadas de mármore e ferro!
Cidade orgulhosa e apaixonada, impetuosa, louca, extravagante!
Ergue-te, ó cidade, não apenas para a paz, mas sê de fato tu mesma, guerreira!
Não temas, não te submetas a modelos além dos teus próprios, ó cidade!
Contempla-me, encarna-me como te encarnei!
Nada rejeitei do que me ofereceste, aqueles que adotaste eu adotei,
Bons ou maus, jamais te questiono, amo todos, nada condeno,
Canto e celebro tudo o que é teu, contudo não mais a paz,
Na paz cantei a paz, mas agora o tambor da guerra é meu,
Guerra, guerra vermelha é minha canção por tuas ruas, ó cidade!

A História do Centenário

[Voluntário de 1861-62, no Washington Park, Brooklyn, auxiliando
o Centenário.]
Dá-me tua mão, velho Revolucionário,
O topo da colina está perto, apenas alguns passos, (abram espaço, senhores,)
Subiste bem pelo caminho atrás de mim, apesar de teus cem
e tantos anos,
Podes caminhar, velho, embora teus olhos estejam quase perdidos,
Tuas faculdades ainda te servem, e dentro em pouco preciso que me sirvam.

Descansa enquanto te conto o que significa a multidão ao nosso redor,
Na planície abaixo, recrutas treinam e fazem exercícios,
Ali está o acampamento, amanhã parte um regimento,
Ouves os oficiais dando suas ordens?
Ouves o entrechocar dos mosquetes?
Ora, o que te acontece agora, velho?
Por que tremes e apertas minha mão tão convulsivamente?
As tropas apenas treinam, ainda estão cercadas de sorrisos,
Ao redor delas, bem perto, os amigos bem vestidos e as mulheres,
Enquanto esplêndido e quente o sol da tarde brilha lá do alto,
Verde a folhagem do meio do verão, e fresca sopra a brisa que se demora,
Sobre cidades orgulhosas e pacíficas e o braço de mar entre elas.

Mas o exercício e o desfile acabaram, marcham de volta aos alojamentos,
Apenas ouve essa aprovação das mãos! ouve que aplauso!

Enquanto, seguindo seus caminhos, as multidões agora se separam e dispersam,
mas nós, velho,
Não foi por nada que te trouxe aqui, devemos permanecer,
Tu para falares em tua vez, e eu para ouvir e contar.

[O Centenário]

Quando apertei tua mão não foi de terror,
Mas de repente, derramando-se ao meu redor aqui por todos os lados,
E lá embaixo onde os rapazes treinavam, e pelas encostas onde corriam,
E onde as tendas estão armadas, e em toda parte para onde olhas ao sul
e sudeste e sudoeste,
Sobre colinas, através de baixadas e nas orlas dos bosques,
E ao longo das margens, no lodo (agora aterrado), tudo voltou
e de repente enfureceu-se,
Como há oitenta e cinco anos, não um mero desfile recebido com aplausos de amigos,
Mas uma batalha da qual eu mesmo participei, sim, por mais remoto que seja,
participei dela,
Caminhando então neste topo de colina, neste mesmo chão.

Sim, este é o chão,
Meus olhos cegos, enquanto falo, o contemplam novamente povoado pelos túmulos,
Os anos recuam, pavimentos e casas imponentes desaparecem,
Fortes rústicos aparecem outra vez, os velhos canhões reforçados por aros são montados,
Vejo as linhas de terra elevada estendendo-se do rio à baía,
Observo a extensão das águas, observo os terrenos altos e as encostas;
Aqui ficamos acampados, também era esta época do verão.

Enquanto falo, lembro-me de tudo, lembro-me da Declaração,
Foi lida aqui, todo o exército em formação, foi lida para nós aqui,
Cercado por seu estado-maior, o General estava no centro, ergueu
a espada desembainhada,
Ela cintilou ao sol, à vista de todo o exército.

Foi um ato audacioso então, os navios de guerra ingleses tinham acabado de chegar,
Podíamos observar na baía inferior onde estavam ancorados,
E os transportes apinhados de soldados.

Mais alguns dias, e desembarcaram, e então a batalha.

Vinte mil foram trazidos contra nós,
Uma força veterana equipada com boa artilharia.

Não conto agora toda a batalha,
Mas uma brigada, cedo pela manhã, recebeu ordem de avançar para enfrentar
os casacas-vermelhas,
Dessa brigada conto, e como marchou com firmeza,
E por quanto tempo e quão bem permaneceu diante da morte.

Quem pensas que marchava firme e severamente diante da morte?
Era a brigada dos homens mais jovens, dois mil ao todo,
Recrutada na Virgínia e em Maryland, e a maioria conhecida pessoalmente
pelo General.

Garbosamente avançaram com passo rápido rumo às águas de Gowanus,
Até que, de súbito, inesperados, por desfiladeiros através dos bosques,
alcançados durante a noite,
Os britânicos avançaram, contornando pelo leste, disparando ferozmente
seus canhões,
Aquela brigada dos mais jovens ficou isolada e à mercê do inimigo.

O General os observava desta colina,
Fizeram repetidas tentativas desesperadas para romper o cerco,
Então se apertaram uns contra os outros, muito compactos, sua bandeira
voando no centro,
Mas ó, das colinas, como os canhões os rarefaziam e rarefaziam!

Ainda me causa náusea, aquela matança!
Vi a umidade formar-se em gotas no rosto do General.
Vi como torcia as mãos de angústia.

Enquanto isso, os britânicos manobravam para nos atrair a uma batalha campal,
Mas não ousávamos confiar nas chances de uma batalha campal.

Combatemos em destacamentos,
Saindo em investidas, combatemos em vários pontos, mas em cada um a sorte
estava contra nós,
Nosso inimigo avançando, ganhando vantagem com firmeza, empurrou-nos de volta
às fortificações nesta colina,
Até que nos voltamos ameaçadores aqui, e então nos deixou.

Assim se foi a brigada dos homens mais jovens, dois mil
ao todo,
Poucos retornaram, quase todos permanecem em Brooklyn.

Aquela foi, aqui, a primeira batalha de meu General,
Nenhuma mulher observava nem havia sol em que se aquecer, não terminou
em aplausos,
Ninguém bateu palmas aqui então.

Mas na escuridão, na névoa, sobre o chão sob uma chuva fria,
Cansados, naquela noite jazíamos derrotados e sombrios,
Enquanto, com desprezo, riam muitos senhores arrogantes acampados diante de nós,
Bem ao alcance da audição, festejando, tilintando taças de vinho
por sua vitória.

Assim, opaco e úmido, passou outro dia,
Mas na noite desse dia, a névoa se erguendo, a chuva cessando,
Silencioso como um fantasma, enquanto julgavam tê-lo seguro, meu
General recuou.

Vi-o junto ao rio,
Lá embaixo, junto à balsa iluminada por tochas, apressando o embarque;
Meu General esperou até que todos os soldados e feridos tivessem atravessado,
E então, (era pouco antes do nascer do sol,) estes olhos pousaram nele
pela última vez.

Todos os outros pareciam tomados de desalento,
Muitos sem dúvida pensavam em capitulação.

Mas quando meu General passou por mim,
Enquanto permanecia em seu barco e olhava para o sol nascente,
Vi algo diferente de capitulação.

[Desfecho]

Basta, termina a história do Centenário,
Os dois, passado e presente, intercambiaram-se,
Eu mesmo, como elo, como cancioneiro de um grande futuro, falo agora.

E é este o chão que Washington pisou?
E estas águas que diariamente atravesso sem pensar são as águas que ele atravessou,
Tão resoluto na derrota quanto outros generais em seus mais orgulhosos triunfos?

Devo copiar a história e enviá-la ao leste e ao oeste,
Devo preservar aquele olhar tal como brilhou sobre vós, rios de Brooklyn.

Vede, quando a volta anual retorna, os fantasmas retornam,
É 27 de agosto e os britânicos desembarcaram,
A batalha começa e volta-se contra nós, contemplai através da fumaça
o rosto de Washington,
A brigada da Virgínia e de Maryland marchou para interceptar
o inimigo,
Foram isolados, artilharia assassina das colinas dispara sobre eles,
Fileira após fileira cai, enquanto sobre eles a bandeira pende em silêncio,
Batizada naquele dia nas feridas sangrentas de muitos jovens.
Na morte, na derrota e nas lágrimas de irmãs e mães.

Ah, colinas e encostas de Brooklyn! percebo que sois mais valiosas
do que vossos proprietários supunham;
Em vosso meio permanece um acampamento muito antigo,
Permanece para sempre o acampamento daquela brigada morta.

Cavalaria Atravessando um Vau

Uma linha em longa formação onde serpenteiam entre ilhas verdes,
Seguem um curso sinuoso, suas armas cintilam ao sol, escutai
o entrechocar melodioso,
Contemplai o rio prateado, nele os cavalos que espirram água demoram-se,
param para beber,
Contemplai os homens de rostos pardos, cada grupo, cada pessoa uma imagem,
o repouso despreocupado nas selas,
Alguns emergem na margem oposta, outros acabam de entrar no vau, enquanto,
Escarlates e azuis e brancas como neve,
As bandeirolas-guia tremulam alegremente ao vento.

Bivaque na Encosta de uma Montanha

Vejo agora diante de mim um exército em marcha fazendo alto,
Abaixo, um vale fértil estende-se, com celeiros e os pomares do verão,
Atrás, os lados em terraços de uma montanha, abruptos, em lugares elevando-se muito,
Recortados, com rochas, com cedros agarrados, com formas altas vistas de modo sombrio,
As numerosas fogueiras do acampamento espalhadas perto e longe, algumas bem no alto
da montanha,
As formas sombrias de homens e cavalos, avultando, enormes, tremeluzentes,
E acima de tudo o céu, o céu! longe, longe do alcance, cravejado,
irrompendo, as estrelas eternas.

Um Corpo de Exército em Marcha

Com sua nuvem de escaramuçadores à frente,
Ora com o som de um único tiro estalando como um chicote, ora com uma
descarga irregular,
As fileiras fervilhantes avançam e avançam, as densas brigadas avançam,
Cintilando tenuemente, labutando sob o sol, os homens cobertos de poeira,
Em colunas sobem e descem pelas ondulações do terreno,
Com artilharia entremeada, as rodas retumbam, os cavalos suam,
Enquanto o corpo de exército avança.

Junto à Chama Vacilante do Bivaque

Junto à chama vacilante do bivaque,
Uma procissão serpenteia ao meu redor, solene e doce e lenta, mas
primeiro observo,
As tendas do exército adormecido, o contorno indistinto dos campos e bosques,
A escuridão iluminada por pontos de fogo aceso, o silêncio,
Como um fantasma, perto ou longe, uma figura ocasional movendo-se,
Os arbustos e as árvores, (quando ergo os olhos parecem estar furtivamente
me observando,)
Enquanto em procissão serpenteiam pensamentos, ó pensamentos ternos e prodigiosos,
Da vida e da morte, do lar e do passado e dos amados, e dos que
estão distantes;
Uma procissão solene e lenta ali enquanto me sento no chão,
Junto à chama vacilante do bivaque.

Vem dos Campos, Pai

Vem dos campos, pai, aqui está uma carta de nosso Pete,
E vem à porta da frente, mãe, aqui está uma carta de teu querido filho.

Eis, é outono,
Eis onde as árvores, de verde mais profundo, mais amarelas e mais vermelhas,
Refrescam e adoçam as aldeias de Ohio com folhas tremulando ao
vento moderado,
Onde maçãs maduras pendem nos pomares e uvas nas videiras enredadas em latadas,
(Sentes o cheiro das uvas nas videiras?
Sentes o trigo-sarraceno onde há pouco as abelhas zumbiam?)

Acima de tudo, eis o céu tão calmo, tão transparente depois da chuva, e
com nuvens prodigiosas,
Abaixo também, tudo calmo, tudo vital e belo, e a fazenda prospera bem.

Lá embaixo, nos campos, tudo prospera bem,
Mas agora vem dos campos, pai, vem ao chamado da filha.
E vem à entrada, mãe, vem imediatamente à porta da frente.

Tão depressa quanto pode, ela se apressa, algo ominoso, seus passos tremendo,
Não se demora para alisar os cabelos nem ajeitar a touca.

Abre depressa o envelope,
Ó, esta não é a letra de nosso filho, contudo seu nome está assinado,
Ó, uma mão estranha escreve por nosso querido filho, ó alma da mãe ferida!
Tudo flutua diante de seus olhos, lampeja em negro, ela capta apenas
as palavras principais,
Frases partidas, ferimento de bala no peito, escaramuça de cavalaria,
levado ao hospital,
No momento muito fraco, mas logo estará melhor.

Ah, agora a figura solitária diante de mim,
Em meio a todo o fervilhante e rico Ohio, com todas as suas cidades e fazendas,
De rosto branco e enfermiço e cabeça entorpecida, quase desfalecida,
Apoia-se no batente de uma porta.

Não sofras tanto, querida mãe, (a filha recém-crescida fala entre
soluços,
As irmãzinhas se amontoam ao redor, mudas e consternadas,)
Vê, queridíssima mãe, a carta diz que Pete logo estará melhor.

Ai, pobre rapaz, nunca estará melhor, (nem talvez precise
estar melhor, aquela alma valente e simples,)
Enquanto elas permanecem em casa junto à porta, ele já está morto,
O único filho está morto.

Mas a mãe precisa ficar melhor,
Ela, de corpo esguio, dentro em pouco vestida de negro,
De dia suas refeições intocadas, depois à noite dormindo aos sobressaltos, despertando muitas vezes,
Despertando à meia-noite, chorando, ansiando com um único e profundo anseio,
Ó, que pudesse retirar-se sem ser notada, silenciosa escapar da vida e retirar-se,
Para seguir, procurar, estar com seu querido filho morto.

Estranha Vigília Mantive no Campo Certa Noite

Estranha vigília mantive no campo certa noite;
Quando tu, meu filho e meu camarada, tombaste ao meu lado naquele dia,
Apenas um olhar te lancei, que teus queridos olhos devolveram com um olhar que
nunca esquecerei,
Um toque de tua mão na minha, ó rapaz, estendida enquanto jazias no chão,
Então avancei veloz na batalha, a batalha de forças equilibradas,
Até tarde da noite, dispensado, ao lugar enfim novamente encontrei meu caminho,
Encontrei-te tão frio na morte, querido camarada, encontrei teu corpo, filho de
beijos correspondidos, (nunca mais na terra correspondidos,)
Descobri teu rosto à luz das estrelas, estranha a cena, fresca soprava
a brisa moderada da noite,
Por longo tempo ali, então, permaneci em vigília, ao meu redor se estendendo indistinto
o campo de batalha,
Vigília prodigiosa e vigília doce ali na noite fragrante e silenciosa,
Mas nenhuma lágrima caiu, nem sequer um suspiro prolongado, por longo, longo tempo contemplei,
Então, parcialmente reclinado sobre a terra, sentei-me ao teu lado, apoiando
o queixo nas mãos,
Passando horas doces, horas imortais e místicas contigo, queridíssimo
camarada, nenhuma lágrima, nenhuma palavra,
Vigília de silêncio, amor e morte, vigília por ti, meu filho e meu soldado,
Enquanto silenciosamente as estrelas avançavam no alto, a leste novas estrelas
subiam furtivamente,
Vigília final por ti, bravo rapaz, (não pude salvar-te, veloz foi tua morte,
Amei-te fielmente e cuidei de ti em vida, creio que certamente
nos encontraremos de novo,)
Até o último prolongamento da noite, exatamente quando surgiu a aurora,
Envolvi meu camarada em seu cobertor, cobri bem seu corpo,
Dobrei bem o cobertor, ajeitando-o cuidadosamente sobre a cabeça e
cuidadosamente sob os pés,
E ali e então, banhado pelo sol nascente, depositei meu filho em sua
cova, em sua cova rudemente escavada,
Encerrando assim minha estranha vigília, vigília de noite e campo de batalha indistinto,
Vigília pelo rapaz dos beijos correspondidos, (nunca mais na terra correspondidos,)
Vigília pelo camarada morto velozmente, vigília que nunca esqueço, como, enquanto o dia
clareava,
Ergui-me do chão frio e envolvi bem meu soldado em seu cobertor,
E o enterrei onde caiu.

Uma Marcha nas Fileiras Duramente Acossadas, e a Estrada Desconhecida

Uma marcha nas fileiras duramente acossadas, e a estrada desconhecida,
Um percurso através de um bosque cerrado, com passos abafados na escuridão,
Nosso exército derrotado com perdas severas, e o sombrio remanescente recuando,
Até que, depois da meia-noite, cintilam diante de nós as luzes de um edifício mal iluminado,
Chegamos a um espaço aberto no bosque e paramos junto ao edifício mal iluminado,
É uma grande igreja antiga no cruzamento das estradas, agora hospital improvisado,
Entrando apenas por um minuto, vejo uma cena além de todas as imagens e
poemas jamais feitos,
Sombras do negro mais profundo, mais profundo, apenas iluminadas por velas e lampiões móveis,
E por uma grande tocha de piche imóvel, com chama vermelha e selvagem e
nuvens de fumaça,
À luz deles, multidões, grupos de formas vejo vagamente no chão, algumas
deitadas nos bancos,
A meus pés, mais distintamente, um soldado, apenas um rapaz, em risco de
morrer sangrado, (foi atingido no abdômen,)
Estanco temporariamente o sangue, (o rosto do jovem é branco como um lírio,)
Então, antes de partir, percorro a cena com os olhos, desejoso de absorvê-la inteira,
Rostos, variedades, posturas além de qualquer descrição, a maioria na escuridão,
alguns deles mortos,
Cirurgiões operando, auxiliares segurando luzes, o cheiro de éter,
odor de sangue,
A multidão, ó, a multidão das formas ensanguentadas, o pátio lá fora também repleto,
Alguns sobre o chão nu, alguns sobre tábuas ou macas, alguns suando
no espasmo da morte,
Um grito ou brado ocasional, as ordens ou chamados gritados pelo médico,
O brilho dos pequenos instrumentos de aço captando o fulgor
das tochas,
Estes retomo enquanto canto, vejo novamente as formas, sinto o odor,
Então ouço lá fora as ordens dadas, Formem, meus homens, formem;
Mas primeiro me inclino sobre o rapaz moribundo, seus olhos se abrem, ele me oferece um meio sorriso,
Então os olhos se fecham, fecham-se calmamente, e saio veloz para a escuridão,
Retomando, marchando, sempre na escuridão marchando, adiante nas fileiras,
Ainda marchando pela estrada desconhecida.

Uma Cena no Acampamento no Alvorecer Cinzento e Indistinto

Uma cena no acampamento no alvorecer cinzento e indistinto,
Quando saio de minha tenda tão cedo, insone,
Quando caminho devagar no ar fresco e frio pela trilha próxima à tenda-hospital,
Vejo três formas deitadas em macas, trazidas para fora e ali abandonadas,
Sobre cada uma se estende o cobertor, amplo cobertor de lã pardacenta,
Cobertor cinzento e pesado, dobrando-se, cobrindo tudo.

Intrigado, paro e permaneço em silêncio,
Então, com dedos leves, do rosto do mais próximo apenas
levanto primeiro o cobertor;
Quem és tu, homem idoso tão esquálido e sombrio, de cabelos bem grisalhos,
e carne toda afundada ao redor dos olhos?
Quem és tu, meu querido camarada?
Então passo ao segundo, e quem és tu, meu filho e querido?
Quem és tu, doce rapaz de faces ainda viçosas?
Então ao terceiro, um rosto nem infantil nem velho, muito sereno, como de
belo marfim branco-amarelado;
Jovem, creio conhecer-te, creio que este rosto é o rosto do
próprio Cristo,
Morto e divino e irmão de todos, e aqui novamente ele jaz.

Enquanto Penosamente Vagueava pelos Bosques da Virgínia

Enquanto penosamente vagueava pelos bosques da Virgínia,
Ao som das folhas farfalhantes chutadas por meus pés, (pois era outono,)
Observei ao pé de uma árvore a sepultura de um soldado;
Mortalmente ferido e enterrado durante a retirada, (todos podiam facilmente
compreender,)
A parada de uma hora ao meio-dia, quando, de pé! não há tempo a perder, contudo este sinal deixado,
Numa tabuleta rabiscada e pregada à árvore junto à sepultura,
Audaz, cauteloso, leal, e meu amoroso camarada.

Por longo, longo tempo medito, então prossigo vagando em meu caminho,
Muitas estações mutáveis ainda por vir, e muitas cenas da vida,
Contudo, às vezes, através da estação e da cena mutáveis, abruptamente, sozinho, ou
na rua apinhada,
Surge diante de mim a sepultura do soldado desconhecido, surge a inscrição
rude nos bosques da Virgínia,
Audaz, cauteloso, leal, e meu amoroso camarada.

Não o Piloto

Não se incumbiu o piloto de levar seu navio ao porto,
embora repelido e muitas vezes frustrado;
Nem o desbravador que penetra cansado e por longo tempo no interior,
Ressequido pelos desertos, gelado pelas neves, molhado pelos rios, persevera até
alcançar seu destino,
Mais do que eu me incumbi, ouvido ou ignorado, de compor
uma marcha para estes Estados,
Como chamado de batalha, despertando para as armas, se necessário, daqui a anos,
daqui a séculos.

Ano que Tremeu e Cambaleou Sob Mim

Ano que tremeu e cambaleou sob mim!
Teu vento de verão era bastante quente, contudo o ar que eu respirava me congelava,
Uma escuridão espessa caiu através da luz solar e me escureceu,
Devo mudar minhas canções triunfantes? disse a mim mesmo,
Devo realmente aprender a cantar os frios cantos fúnebres dos frustrados?
E os hinos sombrios da derrota?

O Curador de Feridas

1
Um velho curvado, venho entre rostos novos,
Retomando anos ao olhar para trás em resposta às crianças,
Vem, conta-nos, velho, dizem os jovens e as donzelas que me amam,
(Incitado e irado, eu pensara em soar o alarme e instigar uma guerra implacável,
Mas logo meus dedos me faltaram, meu rosto se inclinou e me resignei,
A sentar-me junto aos feridos e acalmá-los, ou vigiar em silêncio os mortos;)
Daqui a anos, destas cenas, destas paixões furiosas, destes acasos,
De heróis insuperáveis, (era um lado tão valente? o outro era igualmente valente;)
Agora testemunha de novo, pinta os mais poderosos exércitos da terra,
Daqueles exércitos tão velozes, tão prodigiosos, o que viste para nos contar?
O que permanece contigo por último e mais profundamente? dos estranhos pânicos,
Dos combates duramente travados ou dos cercos tremendos, o que permanece mais profundamente?

2

Ó donzelas e jovens que amo e que me amais,
O que perguntais de meus dias, vossa fala repentinamente recorda as coisas mais estranhas,
Soldado alerta, chego depois de longa marcha coberto de suor e poeira,
No momento exato chego, mergulho na luta, grito alto no
ímpeto da carga vitoriosa,
Entro nas fortificações capturadas, contudo eis, como um rio de curso veloz, elas se dissipam,
Passam e se vão, dissipam-se, não me detenho nos perigos dos soldados nem
nas alegrias dos soldados,
(Lembro-me bem de ambos, muitas as provações, poucas as alegrias, contudo eu estava contente.)

Mas em silêncio, nas projeções dos sonhos,
Enquanto prossegue o mundo do ganho, da aparência e da alegria,
Tão depressa se esquece o que terminou, e as ondas apagam as marcas da areia,
Com os joelhos dobrados, volto e entro pelas portas, (enquanto vós lá no alto,
Quem quer que sejais, segui sem ruído e tende coração firme.)

Levando as bandagens, a água e a esponja,
Direto e veloz vou aos meus feridos,
Onde jazem sobre o chão, trazidos depois da batalha,
Onde seu sangue inestimável avermelha a relva e o solo,
Ou às fileiras da tenda-hospital, ou sob o hospital coberto,
Às longas fileiras de catres subindo e descendo de cada lado retorno,
De cada um e de todos, um depois do outro, me aproximo, não omito nenhum,
Um auxiliar segue segurando uma bandeja, leva um balde de resíduos,
Logo cheio de panos coagulados e sangue, esvaziado e novamente cheio.

Avanço, paro,
Com os joelhos dobrados e a mão firme para tratar feridas,
Sou firme com cada um, as dores são agudas, contudo inevitáveis,
Um volta para mim seus olhos suplicantes, pobre rapaz! nunca te conheci,
Contudo creio que neste momento não poderia recusar morrer por ti, se isso
te salvasse.

3

Adiante, adiante prossigo, (abri-vos, portas do tempo! abri-vos, portas do hospital!)
Trato a cabeça esmagada, (pobre mão enlouquecida, não arranques a bandagem,)
Examino o pescoço do cavalariano com a bala atravessada de lado a lado,
A respiração estertora duramente, o olho já quase vidrado, contudo a vida
luta com força,
(Vem, doce morte! deixa-te persuadir, ó bela morte!
Por misericórdia, vem depressa.)

Do coto do braço, da mão amputada,
Desfaço a estopa coagulada, retiro o tecido morto, lavo a secreção e o sangue,
Para trás, sobre o travesseiro, o soldado se curva com o pescoço arqueado e a cabeça
tombando de lado,
Seus olhos estão fechados, seu rosto está pálido, não ousa olhar para o
coto ensanguentado,
E ainda não olhou para ele.

Trato uma ferida no flanco, profunda, profunda,
Apenas mais um ou dois dias, pois vê o corpo todo consumido e afundando,
E vê o semblante amarelo-azulado.

Trato o ombro perfurado, o pé com ferimento de bala,
Limpo aquele com uma gangrena corrosiva e pútrida, tão nauseante,
tão repulsiva,
Enquanto o auxiliar permanece atrás, a meu lado, segurando a bandeja e o balde.

Sou fiel, não cedo,
A coxa fraturada, o joelho, a ferida no abdômen,
Estas e outras trato com mão impassível, (contudo, no fundo de meu peito,
um fogo, uma chama ardente.)

4

Assim, em silêncio, nas projeções dos sonhos,
Voltando, retomando, abro caminho pelos hospitais,
Aos machucados e feridos acalmo com mão suave,
Sento-me junto aos inquietos durante toda a noite escura, alguns são tão jovens,
Alguns sofrem tanto, recordo a experiência doce e triste,
(Muitos braços amorosos de soldados cruzaram e repousaram sobre este pescoço,
Muitos beijos de soldados habitam estes lábios barbudos.)

Por Muito, Tempo Demais, América

Por muito, tempo demais, América,
Percorrendo estradas todas planas e pacíficas, aprendeste apenas com alegrias e
prosperidade,
Mas agora, ah, agora, aprender com crises de angústia, avançando,
agarrando-te ao destino mais terrível e sem recuar,
E agora conceber e mostrar ao mundo o que teus filhos
em massa realmente são,
(Pois quem além de mim já concebeu o que teus filhos em massa
realmente são?)

Dá-me o Esplêndido Sol Silencioso

1
Dá-me o esplêndido sol silencioso, com todos os seus raios plenamente deslumbrantes,
Dá-me a fruta outonal madura e vermelha do pomar,
Dá-me um campo onde cresça a relva não ceifada,
Dá-me um caramanchão, dá-me a uva enredada na latada,
Dá-me milho e trigo frescos, dá-me animais movendo-se serenos, ensinando
contentamento,
Dá-me noites perfeitamente quietas, como nos altos planaltos a oeste do
Mississippi, e eu olhando para as estrelas,
Dá-me, fragrante ao nascer do sol, um jardim de belas flores onde eu possa
caminhar sem ser perturbado,
Dá-me para o matrimônio uma mulher de hálito doce de quem eu jamais me cansaria,
Dá-me uma criança perfeita, dá-me, apartado do ruído do
mundo, uma vida doméstica rural,
Dá-me cantarolar canções espontâneas, recluso, sozinho, apenas para meus próprios ouvidos,
Dá-me solidão, dá-me a Natureza, dá-me novamente, ó Natureza, tuas sanidades
primordiais!

Exigindo possuir estas coisas, (cansado da excitação incessante e
torturado pela luta da guerra,)
Pedindo sem cessar para obtê-las, erguendo-se em clamores de meu coração,
Enquanto ainda peço incessantemente, contudo permaneço ligado à minha cidade,
Dia após dia e ano após ano, ó cidade, percorrendo tuas ruas,
Onde me manténs acorrentado por certo tempo, recusando-te a me libertar,
Contudo dando até me saciares, enriquecido de alma, dás-me rostos para sempre;
(Ó, vejo aquilo de que procurei escapar, confrontando-me, invertendo meus clamores,
Vejo minha própria alma esmagando sob os pés aquilo que pediu.)

2

Conserva teu esplêndido sol silencioso,
Conserva teus bosques, ó Natureza, e os lugares tranquilos junto aos bosques,
Conserva teus campos de trevo e capim-rabo-de-gato, e teus milharais e pomares,
Conserva os campos floridos de trigo-sarraceno onde as abelhas do Nono Mês zumbem;
Dá-me rostos e ruas, dá-me estes fantasmas incessantes e
intermináveis ao longo das calçadas!
Dá-me olhos intermináveis, dá-me mulheres, dá-me camaradas e
amantes aos milhares!
Deixa-me ver novos todos os dias, deixa-me segurar novos pela mão todos os dias!
Dá-me tais espetáculos, dá-me as ruas de Manhattan!
Dá-me a Broadway, com os soldados marchando, dá-me o som
das trombetas e tambores!
(Os soldados em companhias ou regimentos, alguns partindo, corados
e imprudentes,
Alguns, terminado seu tempo, retornando com fileiras rarefeitas, jovens, contudo muito
velhos, gastos, marchando, sem notar coisa alguma;)
Dá-me as praias e os cais densamente orlados de navios negros!
Ó, tais coisas para mim! ó, uma vida intensa, repleta até a saciedade e variada!
A vida do teatro, do bar, do enorme hotel, para mim!
O salão do navio a vapor! a excursão apinhada para mim! a
procissão de tochas!
A brigada compacta a caminho da guerra, com carroças militares empilhadas
seguindo-a;
Pessoas, intermináveis, fluindo, com vozes fortes, paixões, espetáculos,
As ruas de Manhattan com suas pulsações poderosas, com tambores batendo como agora,
O coro interminável e ruidoso, o farfalhar e o entrechocar dos mosquetes, (até
a visão dos feridos,)
Multidões de Manhattan, com seu turbulento coro musical!
Rostos e olhos de Manhattan para sempre para mim.

Canto Fúnebre para Dois Veteranos

O último raio de sol
Cai levemente do sábado concluído,
Sobre o pavimento aqui, e mais além está contemplando,
Uma cova dupla recém-aberta.

Eis, a lua ascendendo,

Vindo do leste, a redonda lua prateada,
Bela sobre os telhados, lúgubre, lua fantasma,
Lua imensa e silenciosa.

Vejo uma procissão triste,

E ouço o som dos clarins de registro pleno se aproximando,
Todos os canais das ruas da cidade eles inundam,
Como com vozes e lágrimas.

Ouço os grandes tambores golpeando,

E os pequenos tambores rodopiando constantes,
E cada golpe dos grandes tambores convulsivos
Me atravessa por inteiro.

Pois o filho é trazido com o pai,

(Nas primeiras fileiras do feroz assalto eles caíram,
Dois veteranos, filho e pai, tombaram juntos,
E a cova dupla os aguarda.)

Agora mais próximos sopram os clarins,

E os tambores golpeiam mais convulsivos,
E a luz do dia sobre o pavimento já se apagou por completo,
E a vigorosa marcha fúnebre me envolve.

No céu oriental, erguendo-se flutuante,

O vasto fantasma pesaroso move-se iluminado,
(É o grande rosto transparente de alguma mãe,
Tornando-se mais luminoso no céu.)

Ó vigorosa marcha fúnebre, tu me agradas!

Ó lua imensa, com teu rosto prateado, tu me acalmas!
Ó meus dois soldados! ó meus veteranos seguindo para o enterro!
O que possuo também vos dou.

A lua vos dá luz,

E os clarins e os tambores vos dão música,
E meu coração, ó meus soldados, meus veteranos,
Meu coração vos dá amor.

Sobre a Carnificina Ergueu-se Profética uma Voz

Sobre a carnificina ergueu-se profética uma voz,
Não desanimeis, a afeição ainda resolverá os problemas da liberdade,
Aqueles que se amam se tornarão invencíveis,
Ainda tornarão Colúmbia vitoriosa.

Filhos da Mãe de Todos, ainda sereis vitoriosos,
Ainda rireis com desprezo dos ataques de todo o restante da terra.

Nenhum perigo deterá os amantes de Colúmbia,
Se necessário, mil se imolarão severamente por um só.

Um de Massachusetts será camarada de um missouriano,
Um do Maine e outro da quente Carolina, e outro do Oregon serão
três amigos unidos,
Mais preciosos uns para os outros do que todas as riquezas da terra.

A Michigan chegarão ternamente perfumes da Flórida,
Não os perfumes das flores, mas outros mais doces, levados para além da morte.

Será costumeiro nas casas e ruas ver a afeição viril,
Os mais intrépidos e rudes tocarão levemente rosto contra rosto,
O esteio da Liberdade serão os amantes,
A continuidade da Igualdade serão os camaradas.

Estes vos atarão e unirão mais firmemente do que aros de ferro,
Eu, extático, ó parceiros! ó terras! com o amor dos amantes vos uno.

(Esperáveis ser mantidos unidos por advogados?
Ou por um acordo num papel? ou por armas?
Não, nem o mundo, nem qualquer ser vivo, se manterá assim coeso.)

Vi o Velho General Encurralado

Vi o velho General encurralado,
(Velho como era, seus olhos cinzentos ainda brilhavam na batalha como estrelas,)
Sua pequena força estava agora completamente cercada em suas fortificações,
Pediu voluntários para atravessar as linhas inimigas, emergência desesperada,
Vi cem ou mais saírem das fileiras, mas dois ou três
foram escolhidos,
Vi-os receber suas ordens em separado, escutaram com atenção, o
ajudante estava muito grave,
Vi-os partir alegremente, arriscando livremente a vida.

A Visão do Artilheiro

Enquanto minha esposa dorme ao meu lado, e as guerras terminaram há muito,
E minha cabeça repousa no travesseiro em casa, e passa a meia-noite vazia,
E através da quietude, através da escuridão, ouço, apenas ouço, a
respiração de meu bebê,
Ali no quarto, quando desperto do sono, esta visão se impõe sobre mim;
O combate começa ali e então numa fantasia irreal,
Os escaramuçadores começam, rastejam cautelosamente à frente, ouço o
estalo irregular! estalo!
Ouço os sons dos diferentes projéteis, o curto t-h-t! t-h-t!
das balas de fuzil,
Vejo os obuses explodindo e deixando pequenas nuvens brancas, ouço os
grandes obuses guinchando enquanto passam,
A metralha como o murmúrio e o zumbido do vento através das árvores,
(tumultuoso agora o combate se enfurece,)
Todas as cenas junto às baterias se erguem novamente em detalhes diante de mim,
O estrondo e a fumaça, o orgulho dos homens por suas peças,
O artilheiro-chefe alinha e mira sua peça e escolhe uma espoleta
com o tempo correto,
Depois de disparar, vejo-o inclinar-se de lado e olhar ansiosamente ao longe para observar o efeito;
Em outra parte ouço o grito de um regimento em carga, (o jovem coronel
desta vez conduz pessoalmente, com a espada brandida,)
Vejo as brechas abertas pelas descargas inimigas, (rapidamente preenchidas, sem demora,)
Respiro a fumaça sufocante, então as nuvens achatadas pairam baixas,
ocultando tudo;
Agora uma estranha pausa por alguns segundos, nenhum tiro disparado de qualquer dos lados,
Então o caos recomeça mais alto do que nunca, com chamados ansiosos e
ordens dos oficiais,
Enquanto de alguma parte distante do campo o vento leva até meus ouvidos
um grito de aplauso, (algum êxito especial,)
E sempre o som dos canhões, longe ou perto, (despertando até nos
sonhos uma exultação diabólica e toda a antiga alegria enlouquecida nas
profundezas de minha alma,)
E sempre a infantaria apressando-se para mudar de posição, baterias,
cavalaria, movendo-se para cá e para lá,
(Os que caem, os que morrem, não observo, os feridos gotejando sangue e vermelhos
não observo, alguns mancam para a retaguarda,)
Fuligem, calor, correria, ajudantes de campo galopando ou correndo a toda velocidade,
Com o crepitar das armas leves, o s-s-t de advertência dos fuzis,
(estes em minha visão ouço ou vejo,)
E bombas explodindo no ar, e à noite os foguetes de cores variadas.

Etiópia Saudando as Cores

Quem és tu, mulher escura, tão antiga, quase inumana,
Com tua cabeça de lã branca e turbante, e os pés ossudos descalços?
Por que, erguendo-te aqui à beira da estrada, saúdas as cores?

(É enquanto nosso exército atravessa as areias e os pinhais da Carolina,
Da porta de tua cabana tu, Etiópia, vens ao meu encontro,
Enquanto sob o valente Sherman marcho rumo ao mar.)

Meu senhor há cem anos de meus pais me separou,
Menina pequena, apanharam-me como se apanha a fera selvagem,
Então para cá, através do mar, o cruel negreiro me trouxe.

Nada mais ela diz, mas, demorando-se o dia inteiro,
Balança a cabeça de turbante erguida altivamente, e revolve o olho sombrio,
E faz reverências aos regimentos, aos guiões que passam.

Que há, mulher fatídica, de olhos turvos, quase inumana?
Por que balanças a cabeça envolta no turbante amarelo, vermelho e verde?
São tão estranhas e maravilhosas as coisas que vês ou viste?

Não É a Juventude que Me Pertence

Não é a juventude que me pertence,
Nem a delicadeza, não sei entreter o tempo com conversa,
Desajeitado no salão, nem dançarino nem elegante,
No círculo dos doutos sentado constrangido e calado, pois o saber
não me convém,
Beleza, conhecimento, não me convêm, mas há duas ou três coisas
que me convêm,
Alimentei os feridos e acalmei muitos soldados moribundos,
E, nos intervalos da espera ou em pleno acampamento,
Compus estas canções.

Raça de Veteranos

Raça de veteranos, raça de vencedores!
Raça do solo, pronta para o conflito, raça da marcha conquistadora!
(Não mais raça da credulidade, raça de ânimo perseverante,)
Raça que doravante não reconhece lei alguma senão a lei de si mesma,
Raça da paixão e da tempestade.

Mundo, Presta Bem Atenção

Mundo, presta bem atenção, estrelas de prata desvanecendo,
Tom leitoso rasgado, umidade branca desprendendo-se,
Trinta e oito carvões, funestos e ardentes,
Escarlate, significativo, aviso de não tocar,
Agora e doravante tremulam destas praias.

Ó Rapaz das Pradarias de Rosto Bronzeado

Ó rapaz das pradarias de rosto bronzeado,
Antes de vires ao acampamento vieram muitos presentes bem-vindos,
Vieram elogios e dádivas e alimento nutritivo, até que enfim entre
os recrutas,
Vieste tu, taciturno, sem nada para dar, nós apenas nos olhamos,
Quando eis que me deste mais que todas as dádivas do mundo.

Olha para Baixo, Bela Lua

Olha para baixo, bela lua, e banha esta cena,
Derrama suavemente os fluxos do nimbo noturno sobre rostos medonhos, inchados, roxos,
Sobre os mortos de costas, com os braços lançados para os lados,
Derrama teu nimbo sem medida, lua sagrada.

Reconciliação

Palavra acima de todas, bela como o céu,
Belo que a guerra e todos os seus feitos de carnificina devam com o tempo
perder-se por completo,
Que as mãos das irmãs Morte e Noite incessantemente e com suavidade
lavem de novo, e sempre de novo, este mundo sólido;
Pois meu inimigo está morto, um homem divino como eu está morto,
Olho para onde jaz, de rosto branco e imóvel no caixão, aproximo-me,
Inclino-me e toco de leve com os lábios o rosto branco no caixão.

Quão Solene, Um a Um [Cidade de Washington, 1865]

Quão solene, um a um,
Enquanto as fileiras retornam gastas e suadas, enquanto os homens passam por onde estou,
Enquanto os rostos aparecem como máscaras, enquanto olho os rostos estudando as máscaras,
(Enquanto ergo os olhos desta página e estudo a ti, caro amigo,
quem quer que sejas,)
Quão solene o pensamento de minha alma sussurrando a cada um nas fileiras,
e a ti,
Vejo por trás de cada máscara que assombro, uma alma irmã,
Ó, a bala jamais poderia matar o que realmente és, caro amigo,
Nem a baioneta apunhalar o que realmente és;
A alma! vejo teu eu, tão grande quanto qualquer um, tão bom quanto o melhor,
Esperando seguro e contente, aquilo que a bala jamais poderia matar,
Nem a baioneta apunhalar, ó amigo.

Enquanto Eu Jazia com a Cabeça em Teu Colo, Camarada

Enquanto eu jazia com a cabeça em teu colo, camarada,
Retomo a confissão que fiz, retomo o que disse a ti e ao ar livre,
Sei que sou inquieto e torno os outros inquietos,
Sei que minhas palavras são armas cheias de perigo, cheias de morte,
Pois confronto a paz, a segurança e todas as leis estabelecidas, para
desestabilizá-las,
Sou mais resoluto porque todos me negaram do que jamais poderia ter sido
se todos me houvessem aceitado,
Não dou atenção nem jamais dei à experiência, às advertências,
às maiorias ou ao ridículo,
E a ameaça do que chamam inferno é pouco ou nada para mim,
E o atrativo do que chamam céu é pouco ou nada para mim;
Caro camarada! confesso que te incitei a seguir comigo, e ainda
te incito, sem a menor ideia de qual seja nosso destino,
Ou se seremos vitoriosos, ou totalmente subjugados e derrotados.

Delicado Feixe

Delicado feixe! bandeira de vida fecunda!
Cobrindo todas as minhas terras, margeando todas as minhas praias!
Bandeira da morte! (como te observei avançando através da fumaça da batalha!
Como te ouvi bater e farfalhar, tecido desafiador!)
Bandeira cerúlea, bandeira solar, salpicada pelos orbes da noite!
Ah, minha beleza prateada, ah, meu branco lanoso e meu carmesim!
Ah, cantar tua canção, minha poderosa matrona!
Minha sagrada, minha mãe.

A Certo Civil

Pediste-me rimas dulcíssimas?
Buscaste as rimas pacíficas e lânguidas do civil?
Achaste tão difícil seguir o que cantei outrora?
Ora, outrora eu não cantava para que me seguisses, para que compreendesses,
nem canto agora;
(Nasci da mesma matéria de que nasceu a guerra,
O estrépito do corpo de tambores é sempre música doce para mim, amo
a elegia marcial,
Com seu lento lamento e pulsação convulsiva conduzindo o funeral do oficial;)
Que importa a alguém como tu um poeta como eu? portanto deixa minhas obras,
E vai embalar-te com o que consegues compreender, e com melodias de piano,
Pois não embalo ninguém, e jamais me compreenderás.

Eis, Vitoriosa nos Cumes

Eis, Vitoriosa nos cumes,
Onde tu, de fronte poderosa, contemplas o mundo,
(O mundo, ó Libertad, que em vão conspirou contra ti,)
Liberta de suas incontáveis tramas sitiantes, depois de frustrá-las todas,
Dominante, com o sol deslumbrante ao teu redor,
Tremulas agora incólume em saúde e florescimento imortais, eis, nestas
horas supremas,
Não te trago, cantando, poema orgulhoso, nem verso extasiado de domínio,
Mas um feixe contendo a escuridão da noite e feridas que gotejam sangue,
E salmos dos mortos.

Espírito Cuja Obra Está Cumprida [Cidade de Washington, 1865]

Espírito cuja obra está cumprida, espírito de horas terríveis!
Antes de partires, deixa que se desvaneçam de meus olhos tuas florestas de baionetas;
Espírito dos temores e dúvidas mais sombrios, (ainda assim sempre avançando
sem vacilar,)
Espírito de tantos dias solenes e tantas cenas selvagens, espírito elétrico,
Que, com voz murmurante, através da guerra agora encerrada, como um
fantasma incansável esvoaçaste,
Despertando a terra com hálito de chama, enquanto batias e batias o tambor,
Agora, enquanto o som do tambor, oco e áspero até o fim,
reverbera ao meu redor,
Enquanto tuas fileiras, tuas fileiras imortais, retornam, retornam das batalhas,
Enquanto os mosquetes dos jovens ainda se apoiam sobre seus ombros,
Enquanto olho as baionetas eriçadas sobre seus ombros,
Enquanto essas baionetas inclinadas, florestas inteiras delas surgindo
à distância, aproximam-se e passam, regressando para casa,
Movendo-se em marcha constante, oscilando de um lado a outro, à direita e à esquerda,
Subindo e descendo uniformemente, de leve, enquanto os passos marcam o compasso;
Espírito de horas que conheci, todo vermelho febril num dia, mas pálido como a morte no seguinte,
Toca minha boca antes de partires, aperta meus lábios,
Deixa-me tuas pulsações de fúria, lega-as a mim, enche-me de
correntes convulsivas,
Que elas abrasem e empolem meus cantos quando tiveres partido,
Que nestas canções te deem a conhecer ao futuro.

Adeus a um Soldado

Adeus, ó soldado,
Tu das rudes campanhas, (que partilhamos,)
Da marcha rápida, da vida no acampamento,
Do ardente confronto das frentes opostas, da longa manobra,
Das batalhas rubras com sua matança, o estímulo, o vigoroso jogo terrível,
Encanto de todos os corações valentes e viris, os cortejos do tempo por ti
e por teus semelhantes todos preenchidos,
Com a guerra e a expressão da guerra.

Adeus, caro camarada,
Tua missão está cumprida, mas eu, mais belicoso,
Eu mesmo e esta minha alma combativa,
Ainda comprometidos com nossa própria campanha,
Por estradas inexploradas, ladeadas de emboscadas e adversários,
Através de muitas derrotas acerbas e muitas crises, muitas vezes frustrados,
Aqui marchando, sempre marchando adiante, uma guerra a travar, sim, aqui,
A batalhas mais ferozes e graves dou expressão.

Volta-te, Ó Libertad

Volta-te, ó Libertad, pois a guerra terminou,
Dela e de tudo, doravante expandindo-te, sem mais duvidar, resoluta,
varrendo o mundo,
Volta-te das terras retrospectivas que registram as provas do passado,
Dos cantores que cantam as glórias arrastadas do passado,
Dos cantos do mundo feudal, dos triunfos dos reis, da escravidão, das castas,
Volta-te para o mundo, para os triunfos reservados e vindouros, abandona esse
mundo voltado para trás,
Deixa aos cantores de outrora, dá-lhes o passado que se arrasta,
Mas o que resta, resta aos cantores para ti, as guerras por vir são para ti,
(Eis como as guerras do passado devidamente te serviram, e as guerras
do presente também te servem;)
Então volta-te, e não te alarmes, ó Libertad, volta teu rosto imortal
Para onde o futuro, maior que todo o passado,
Rápida e seguramente se prepara para ti.

Ao Solo Fermentado que Eles Pisaram

Ao solo fermentado que eles pisaram, chamando, canto pela última vez,
(Saindo definitivamente de minha tenda, soltando, desatando as cordas da tenda,)
No frescor do ar da manhã, nos circuitos e panoramas que se estendem longe,
mais uma vez devolvidos à paz,
Aos campos ardentes e emanativos e aos panoramas sem fim mais além, ao
Sul e ao Norte,
Ao solo fermentado de todo o mundo Ocidental, para que ateste minhas canções,
Às colinas dos Alleghenies e ao incansável Mississippi,
Às rochas canto chamando, e a todas as árvores nas matas,
Às planícies dos poemas de heróis, às pradarias que se espalham amplas,
Ao mar distante e aos ventos invisíveis, e ao ar são e impalpável;
E, respondendo, todos eles contestam, (mas não com palavras,)
A terra comum, testemunha da guerra e da paz, reconhece em silêncio,
A pradaria me estreita contra si, como o pai ao largo peito estreita o filho,
O gelo e a chuva do Norte que me iniciaram nutrem-me até o fim,
Mas cabe ao sol quente do Sul amadurecer plenamente minhas canções.

Folhas de Relva

Sinopse

Tradução integral direta para o português brasileiro da edição final de 1891–1892 de Folhas de Relva, organizada nos 35 livros reais da obra e preservando seus 377 cabeçalhos estruturais.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978657992047977741151761
Folhas de Relva

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Folhas de Relva

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Folhas de Relva

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Folhas de Relva Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 21 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Folhas de Relva

Capa de Folhas de Relva
Continue a leitura LIVRO XXI. TOQUES DE TAMBOR Capítulo 21 · 21 de 35 · ≈ 69 min
Todos os capítulos 35 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir