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Folhas de Relva

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Folhas de Relva

Capítulo 34 · Folhas de Relva

LIVRO XXXIV. AREIAS AOS SETENTA

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Mannahatta

Retomado o nome apropriado e nobre de minha cidade,
Nome aborígine escolhido, de maravilhosa beleza e sentido,
Uma ilha fundada em rocha, praias onde sempre alegremente se quebram as ondas
do mar que vêm, vão, se apressam.

Paumanok

Beleza marinha! estendida e aquecendo-se ao sol!
De um lado, teu oceano interior te banha, amplo, com comércio abundante,
vapores, velas,
E do outro te acaricia o vento do Atlântico, feroz ou suave, cascos imensos
deslizando escuros ao longe.
Ilha de doces regatos de água potável, ar e solo saudáveis!
Ilha da praia salgada, da brisa e da salmoura!

Do Cabo Montauk

Estou como sobre o bico de alguma águia poderosa,
Absorvendo o mar a leste, contemplando, (nada além de mar e céu,)
As ondas revoltas, a espuma, os navios ao longe,
A inquietação selvagem, as cristas brancas, recurvas, esse ímpeto incessante
das ondas que entram,
Buscando para sempre as praias.

Aos Que Fracassaram

Aos que fracassaram, em vasta aspiração,
Aos soldados sem nome caídos à frente, na vanguarda,
Aos engenheiros serenos, devotados, aos viajantes ardentes demais, aos pilotos
em seus navios,
A tantas canções e pinturas elevadas sem reconhecimento, eu ergueria
um monumento coberto de louros,
Alto, alto acima dos demais, a todos os ceifados antes do tempo,
Possuídos por algum estranho espírito de fogo,
Extintos por uma morte prematura.

Um Canto ao Encerrar os Sessenta e Nove

Um canto ao encerrar os sessenta e nove, uma recapitulação, uma repetição,
Meus versos em alegria e esperança prosseguindo sobre o mesmo,
Sobre vós, ó Deus, Vida, Natureza, Liberdade, Poesia;
Sobre ti, minha Terra, teus rios, pradarias, Estados, tu, Bandeira matizada que amo,
Tua totalidade inteira preservada, do norte, sul, leste e oeste, todos
os teus elementos;
Sobre mim mesmo, o coração jovial ainda batendo em meu peito,
O corpo arruinado, velho, pobre e paralisado, a estranha inércia
caindo como um sudário ao meu redor,
Os fogos ardentes no fundo de meu sangue lento ainda não extintos,
A fé não diminuída, os grupos de amigos amorosos.

Os Soldados Mais Valentes

Valentes, valentes foram os soldados (hoje altamente celebrados) que sobreviveram
à luta;
Mas os mais valentes avançaram para a frente e caíram, sem nome, desconhecidos.

Uma Caixa de Tipos

Esta mina latente, estas vozes ainda não lançadas, poderes apaixonados,
Ira, argumento, ou louvor, ou esgar cômico, ou prece devota,
(Não apenas nonpareil, breviário, bourgeois, corpo grande,)
Estas ondas oceânicas que podem ser despertadas para a fúria e a morte,
Ou acalmadas para o repouso, o sol lustroso e o sono,
Adormecidas dentro das pálidas lâminas.

Enquanto Me Sento Aqui a Escrever

Enquanto me sento aqui a escrever, enfermo e envelhecido,
Não é meu menor fardo que a obtusidade dos anos, as queixas,
As sombras ingratas, dores, letargia, constipação, o tédio choramingante,
Possam infiltrar-se em minhas canções tardias.

Meu Canário

Julgávamos grandioso, ó alma, penetrar os temas dos livros poderosos,
Absorvendo funda e plenamente pensamentos, peças, especulações?
Mas agora, de ti para mim, pássaro engaiolado, sentir teu gorjeio jubiloso,
Enchendo o ar, o quarto solitário, a longa manhã,
Não é igualmente grandioso, ó alma?

Perguntas ao Meu Septuagésimo Ano

Aproximando-te, chegando, curioso,
Tu, espectro obscuro, incerto, trazes vida ou morte?
Força, fraqueza, cegueira, mais paralisia e mais grave?
Ou céus plácidos e sol? Ainda agitarás as águas?
Ou talvez me cortarás de vez? Ou me deixarás aqui como agora,
Embotado, semelhante a um papagaio e velho, insistindo com voz rachada, guinchando?

Os Mártires de Wallabout

Maiores que a memória de Aquiles ou Ulisses,
Muito, muito mais para ti que o túmulo de Alexandre,
Aquelas carroçadas de velhas cinzas de ossuário, escamas e lascas de ossos mofados,
Outrora homens vivos, outrora coragem resoluta, aspiração, força,
As pedras de passagem até ti, hoje e aqui, América.

O Primeiro Dente-de-Leão

Simples e fresco e belo, surgindo ao fim do inverno,
Como se artifício algum de moda, negócios, política, jamais houvesse existido,
Saindo de seu recanto ensolarado de relva abrigada, inocente, dourado, sereno
como a aurora,
O primeiro dente-de-leão da primavera mostra seu rosto confiante.

América

Centro de filhas iguais, filhos iguais,
Todos, todos igualmente queridos, crescidos, por crescer, jovens ou velhos,
Forte, ampla, bela, duradoura, capaz, rica,
Perene com a Terra, com a Liberdade, a Lei e o Amor,
Uma Mãe grandiosa, sã, altaneira, sentada,
Entronizada no diamante do Tempo.

Memórias

Como são doces os silenciosos traçados para trás!
As errâncias como em sonhos, a meditação dos tempos antigos retomada,
seus amores, alegrias, pessoas, viagens.

Hoje e Tu

Os vencedores designados num jogo longamente estendido;
O curso do Tempo e das nações, Egito, Índia, Grécia e Roma;
Todo o passado, com todos os seus heróis, histórias, artes, experiências,
Seu acervo de canções, invenções, viagens, mestres, livros,
Recolhido para agora e para ti, pensar nisso!
Toda a herança convergindo em ti!

Depois do Esplendor do Dia

Depois que se vai o esplendor do dia,
Somente a noite escura, escura mostra a meus olhos as estrelas;
Depois do clangor do órgão majestoso, ou do coro, ou da banda perfeita,
Silenciosa, atravessando minha alma, move-se a verdadeira sinfonia.

Abraham Lincoln, Nascido em 12 de Fevereiro de 1809

Hoje, de cada um e de todos, um sopro de prece, um pulso de pensamento,
À memória Dele, ao nascimento Dele.

Escolhas dos Espetáculos de Maio

Pomares de macieiras, todas as árvores cobertas de flores;
Campos de trigo atapetados perto e longe de verde-esmeralda vital;
O frescor eterno, inesgotável, de cada começo de manhã;
A névoa amarela, dourada, transparente, do cálido sol da tarde;
Os lilases ascendentes, com profusão de flores roxas ou brancas.

Dias Alciônicos

Não somente do amor bem-sucedido,
Nem da riqueza, nem da honrada meia-idade, nem das vitórias da política ou da guerra;
Mas quando a vida declina, e todas as paixões turbulentas se acalmam,
Quando matizes magníficos, vaporosos, silenciosos cobrem o céu da tarde,
Quando suavidade, plenitude, repouso, impregnam o corpo como um ar mais fresco e balsâmico,
Quando os dias assumem uma luz mais branda, e a maçã por fim pende
verdadeiramente acabada e indolentemente madura na árvore,
Então os mais fecundos, mais tranquilos, mais felizes dias de todos!
Os meditativos e venturosos dias alciônicos!

FANTASIAS EM NAVESINK

[I] O Piloto na Névoa

Subindo a vapor as corredeiras do norte, (uma velha lembrança do São Lourenço,
Um súbito clarão de memória retorna, não sei por quê,
Aqui esperando o nascer do sol, olhando desta colina;)
De novo é bem de manhã, uma névoa pesada luta com a alvorada,
De novo a embarcação trêmula, laboriosa, me faz guinar, avanço entre
rochedos salpicados de espuma que quase me tocam,
De novo observo, lá na popa, o pequeno e esguio timoneiro indígena
Surgir na névoa, de fronte erguida e mão governante.

[II] Se Eu Tivesse a Escolha

Se eu tivesse a escolha de equiparar os maiores bardos,
De traçar-lhes os retratos, majestosos, belos, e rivalizar à vontade,
Homero com todas as suas guerras e guerreiros, Heitor, Aquiles, Ájax,
Ou Hamlet de Shakespeare, enredado em dor, Lear, Otelo, as belas damas de Tennyson,
O melhor metro ou engenho, ou conceito seleto manejado em rima perfeita,
deleite dos cantores;
Tudo isso, tudo isso, ó mar, eu trocaria de bom grado,
Se me transferisses a ondulação de uma única onda, seu segredo,
Ou soprasses um só sopro teu sobre meu verso,
E ali deixasses teu aroma.

[III] Vós, Marés de Incessante Elevação

Vós, marés de incessante elevação! vós, poder que realiza esta obra!
Vós, força invisível, centrípeta, centrífuga, através da vastidão do espaço,
Relação do sol, da lua, da terra e de todas as constelações,
Quais são as mensagens que por vós chegam a nós das estrelas distantes? qual a de Sírio?
qual a de Capela?
Que coração central, e vós o pulso, vivifica tudo? que ilimitado
conjunto de tudo?
Que sutil desvio e significado há em vós? que chave de tudo em
vós? que fluida, vasta identidade,
Mantendo o universo com todas as suas partes como um só, como navegando num navio?

[IV] Fim da Vazante, e a Luz do Dia Declina

Fim da vazante, e a luz do dia declina,
Frescor marinho perfumado avançando para terra, aromas de junco e sal chegando,
Com tantas vozes semicompreendidas elevadas dos remoinhos,
Tantas confissões abafadas, tantos soluços e palavras sussurradas,
Como de falantes distantes ou ocultos.

Como são varridos para baixo e para fora! como murmuram!
Poetas sem nome, artistas maiores que quaisquer outros, com projetos amados e perdidos,
O amor sem resposta, um coro das queixas da idade, as últimas palavras da esperança,
O grito desesperado de algum suicida, para longe, rumo ao ermo sem limites, e
nunca mais voltar.

Então, rumo ao esquecimento!
Avante, avante, e cumpri vossa parte, ó maré que sepulta e vaza!
Avante em vosso tempo, ó furioso desaguar!

[V] E Contudo Não Somente Vós

E contudo não somente vós, crepúsculo e vazante sepultadora,
Nem somente vós, projetos perdidos, nem fracassos, aspirações;
Eu conheço, divinos enganadores, a aparência de vosso encanto;
Devidamente por vós, de vós, a maré e a luz outra vez, devidamente giram as dobradiças,
Devidamente as partes dissonantes necessárias se contrapõem, fundem-se,
Tecendo de vós, do Sono, da Noite, da própria Morte,
O ritmo do Nascimento eterno.

[VI] Orgulhosa, a Enchente Entra

Orgulhosa, a enchente entra, bradando, espumando, avançando,
Longamente se mantém no alto, com o peito amplo avolumando-se,
Tudo pulsa, dilata-se, as fazendas, matas, ruas das cidades, trabalhadores trabalhando,
Velas grandes, gáveas, bujarronas aparecem ao largo, galhardetes
de fumaça dos vapores, e sob o sol da manhã,
Carregados de vidas humanas, alegremente os que partem, alegremente os
que chegam,
Ostentando de tantos mastros a bandeira que amo.

[VII] Por Aquela Longa Visão das Ondas

Por aquela longa visão das ondas, chamado de volta a mim mesmo, retomado em mim mesmo,
Em cada crista alguma luz ou sombra ondulante, alguma retrospectiva,
Alegrias, viagens, estudos, panoramas silenciosos, cenas efêmeras,
A longa guerra passada, as batalhas, cenas de hospital, os feridos e os mortos,
Eu mesmo através de cada fase transcorrida, minha juventude ociosa, a velhice próxima,
Meus sessenta anos de vida somados, e mais, e passados,
Medido por algum grande ideal, sem intenção, o todo um nada,
E talvez ainda alguma gota no conjunto do plano de Deus, alguma
onda, ou parte de onda,
Como uma das vossas, ó oceano multitudinário.

[VIII] Então, Por Último

Então, por último, colhido destas praias, desta colina,
De vós, ó marés, o sentido humano místico:
Somente pela vossa lei, por vosso fluxo e refluxo, envolvendo-me do mesmo modo,
O cérebro que dá forma, a voz que entoa esta canção.

Dia da Eleição, Novembro de 1884

Se eu precisasse nomear, ó Mundo Ocidental, tua cena e espetáculo mais poderosos,
Não seriam as tuas, Niágara, nem vós, pradarias sem limites, nem
teus enormes rasgos de cânions, Colorado,
Nem tu, Yosemite, nem Yellowstone, com todas as suas espasmódicas
espirais de gêiseres subindo aos céus, aparecendo e desaparecendo,
Nem os cones brancos do Oregon, nem o cinturão dos poderosos lagos de Huron, nem
a corrente do Mississippi:
Esta humanidade do hemisfério em ebulição, como agora, eu nomearia, a pequena
voz serena vibrando, o dia em que a América escolhe,
(Seu coração não está no escolhido, o ato em si é o principal, a
escolha quadrienal,)
A extensão do Norte e do Sul despertada, litoral e interior,
do Texas ao Maine, os Estados das Pradarias, Vermont, Virgínia, Califórnia,
A chuva final de votos do Leste ao Oeste, o paradoxo e o conflito,
Os incontáveis flocos de neve caindo, (um conflito sem espadas,
Contudo maior que todas as antigas guerras de Roma, ou as do moderno Napoleão:) a
escolha pacífica de todos,
Para o bem ou o mal da humanidade, acolhendo as probabilidades sombrias, a escória:
Espuma e fermenta o vinho? isso serve para purificá-lo, enquanto o coração
arqueja, a vida incandesce:
Essas rajadas e ventos tempestuosos conduzem navios preciosos,
Encheram as velas de Washington, Jefferson, Lincoln.

Com Lábios Roucos e Altivos, Ó Mar!

Com lábios roucos e altivos, ó mar!
Onde dia e noite percorro tua praia açoitada pela arrebentação,
Figurando a meus sentidos tuas variadas e estranhas sugestões,
(Vejo e escuto claramente tua conversa e conferência aqui,)
Tuas tropas de corredores de crinas brancas correndo para a meta,
Teu rosto amplo, sorridente, salpicado pelas covinhas cintilantes do sol,
Teu cenho meditativo e tua escuridão, teus furacões soltos,
Tua indomabilidade, caprichos, obstinação;
Grandioso como és acima dos demais, tuas muitas lágrimas, uma carência em teu contentamento
desde toda a eternidade,
(Nada senão as maiores lutas, injustiças, derrotas poderia tornar-te
o maior, nada menor poderia fazê-lo,)
Teu estado solitário, algo que sempre buscas e buscas, e contudo
nunca alcanças,
Certamente algum direito negado, alguma voz, em enorme fúria monótona, de
um amante da liberdade aprisionado,
Algum vasto coração, como o de um planeta, acorrentado e se esfolando nessas ondas,
Pelo longo avolumar, e espasmo, e respiração arquejante,
E o raspar rítmico de tuas areias e ondas,
E o silvo de serpente, e as selvagens explosões de riso,
E os tons graves de um distante rugido de leão,
(Soando, apelando ao ouvido surdo do céu, mas agora, em relação por uma vez,
Um fantasma na noite teu confidente por uma vez,)
A primeira e última confissão do globo,
Extravasando, murmurando dos abismos de tua alma,
A história da paixão cósmica elementar,
Tu a contas a uma alma irmã.

Morte do General Grant

Enquanto, um a um, se retiram os atores elevados,
Daquela grande peça no palco eterno da história,
Aquele ato lívido e parcial de guerra e paz, de velho e novo em confronto,
Travado entre ira, medos, sombrios desalentos e longas esperas;
Tudo passado, e desde então recuando em incontáveis sepulturas, abrandando-se,
Vencedores e vencidos, os de Lincoln e os de Lee, agora tu com eles,
Homem dos dias poderosos, e à altura dos dias!
Tu, vindo das pradarias! emaranhada, de muitas veias e difícil foi tua parte,
Para admiração foi ela representada!

Red Jacket (Visto do Alto)

Sobre esta cena, este espetáculo,
Oferecido hoje pela moda, pelo saber, pela riqueza,
(Nem apenas por capricho, há alguns grãos do sentido mais profundo,)
Talvez, no alto, (quem sabe?) das formas misturadas das nuvens distantes,
Como alguma velha árvore, ou rocha ou penhasco, vibrante com sua alma,
Produto direto do sol, das estrelas, da terra da Natureza, uma figura humana altaneira,
Em camisa de caça feita de névoa, armado com o rifle, um sorriso meio irônico
curvando seus lábios fantasmagóricos,
Como um dos fantasmas de Ossian, contempla lá de cima.

Monumento a Washington, Fevereiro de 1885

Ah, não este mármore, morto e frio:
Expandindo-se muito além de sua base e de seu fuste, as zonas redondas circundando,
abrangendo,
Tu, Washington, pertences ao mundo inteiro, a todos os continentes, não
somente a ti, América,
À Europa também, em cada parte, castelo de senhor ou choupana de trabalhador,
Ou Norte gelado, ou Sul abrasador, ao africano, ao árabe em sua tenda,
A velha Ásia está ali com sorriso venerável, sentada entre suas ruínas;
(Saúda o antigo o novo herói? é apenas o mesmo, o herdeiro
legítimo, perpetuamente continuado,
O coração e o braço indomáveis, provas da linhagem jamais rompida,
Coragem, vigilância, paciência, fé, as mesmas, mesmo na derrota
não derrotadas, as mesmas:)
Onde quer que navegue um navio, ou se construa uma casa em terra, ou de dia ou de noite,
Pelas ruas das cidades fecundas, dentro ou fora, fábricas ou fazendas,
Agora, ou por vir, ou passado, onde vontades patrióticas existiram ou existem,
Onde quer que a Liberdade, equilibrada pela Tolerância, guiada pela Lei,
Esteja de pé ou se erga, ali está teu verdadeiro monumento.

Dessa Tua Garganta Alegre

Dessa tua garganta alegre, vindo do ártico árido e vazio,
Guardarei a lição, pássaro solitário, que eu também acolha as rajadas geladas,
Mesmo o frio mais profundo, como agora, pulso entorpecido, cérebro sem vigor,
Velhice encerrada em terra dentro de sua baía de inverno, (frio, frio, ó frio!)
Estes cabelos nevados, meu braço fraco, meus pés congelados,
Para eles tomo tua fé, tua regra, e a gravo até o fim;
Não somente as zonas do verão, não somente os cantos da juventude ou as cálidas marés do sul,
Mas retido por placas lentas, comprimido no gelo do norte, o cúmulo
dos anos,
Também estes canto com coração alegre.

Broadway

Que marés humanas apressadas, de dia ou de noite!
Que paixões, ganhos, perdas, ardores, nadam em tuas águas!
Que redemoinhos de mal, ventura e tristeza avançam contra ti!
Que curiosos olhares interrogativos, lampejos de amor!
Esgar, inveja, desdém, desprezo, esperança, aspiração!
Tu, portal, tu, arena, tu, das miríades de longas filas e grupos!
(Pudessem tuas lajes, meios-fios, fachadas, contar suas histórias inimitáveis;
Tuas janelas ricas, e hotéis enormes, tuas calçadas largas;)
Tu, dos intermináveis pés que deslizam, se requebram, se arrastam!
Tu, como o próprio mundo multicolorido, como a vida infinita, fecunda,
zombeteira!
Tu, espetáculo e lição mascarados, vastos, indizíveis!

Para Obter a Cadência Final das Canções

Para obter a cadência final das canções,
Para penetrar o saber mais íntimo dos poetas, conhecer os poderosos,
Jó, Homero, Ésquilo, Dante, Shakespeare, Tennyson, Emerson;
Para discernir os matizes mutáveis e delicados do amor, do orgulho e da dúvida,
para compreender verdadeiramente,
Para abranger tudo isso, a última faculdade aguda e o preço de entrada,
A velhice, e o que ela traz de todas as experiências do passado.

O Velho Lobo do Mar Kossabone

Muito distante no passado, parente pelo lado de minha mãe,
O velho lobo do mar Kossabone, eu lhes contarei como morreu:
(Fora marinheiro a vida inteira, tinha quase noventa anos, vivia com sua
neta casada, Jenny;
Casa numa colina, com vista da baía próxima, e do cabo distante, e
da extensão até o mar aberto;)
No fim das tardes, nas horas da noite, por muitos anos seu
costume regular,
Sentado em sua grande poltrona junto à janela,
(Às vezes, na verdade, durante metade do dia,)
Observando a chegada e a partida dos navios, murmurava consigo mesmo,
e agora o encerramento de tudo:
Um brigue que lutava para partir, certo dia, impedido por muito tempo, correntes cruzadas
e muitos rumos errados,
Por fim, ao cair da noite, recebe corretamente a brisa, toda a sua sorte mudando,
E velozmente curvando-se ao redor do cabo, entrando orgulhosamente na escuridão,
fendendo-a, enquanto ele observa,
“Está livre, segue para seu destino”, essas foram as últimas palavras, quando
Jenny chegou, ele estava sentado ali, morto,
O holandês Kossabone, velho lobo do mar, parente pelo lado de minha mãe, muito distante no passado.

O Tenor Morto

Como se descesse novamente pelo palco,
Com chapéu espanhol e plumas, e andar inimitável,
De volta das lições esmaecidas do passado, eu chamaria, contaria e reconheceria,
Quanto recebi de ti! a revelação da voz cantante por ti!
(Tão firme, tão líquida e suave, outra vez aquele timbre trêmulo, viril!
A voz cantante perfeita, a mais profunda de todas para mim, a lição, prova
e teste de tudo:)
Como por aquelas melodias destiladas, como os ouvidos arrebatados, minha
alma, absorvendo
O coração de Fernando, o chamado apaixonado de Manrico, o de Ernani, o do doce Gennaro,
Desde então acolho, ou procuro acolher, transmutando-os em meus cantos,
O cantabile liberto da Liberdade, do Amor e da Fé,
(Como a correlação do perfume, da cor, da luz do sol:)
Desses, por esses, com esses, uma linha apressada, tenor morto,
Uma folha de outono levada pelo vento, caída na sepultura que se fecha, na terra lançada pela pá,
Em memória de ti.

Continuidades

Nada jamais se perde realmente, nem pode perder-se,
Nenhum nascimento, identidade, forma, nenhum objeto do mundo.
Nem vida, nem força, nem coisa visível alguma;
A aparência não deve frustrar, nem a esfera deslocada confundir teu cérebro.
Amplos são o tempo e o espaço, amplos os campos da Natureza.
O corpo, lento, envelhecido, frio, as brasas deixadas por fogos anteriores,
A luz nos olhos tornada fraca, há de flamejar outra vez;
O sol agora baixo no oeste nasce para manhãs e meios-dias contínuos;
Aos torrões congelados sempre retorna a lei invisível da primavera,
Com relva e flores e frutos de verão e milho.

Yonnondio

Uma canção, um poema em si mesmo, a própria palavra uma elegia,
Em meio às regiões selvagens, às rochas, à tempestade e à noite invernal,
Para mim, as sílabas evocam quadros tão nebulosos, tão estranhos;
Yonnondio, vejo, longe no oeste ou no norte, uma ravina sem limites, com
planícies e montanhas escuras,
Vejo enxames de chefes vigorosos, pajés e guerreiros,
Como nuvens fugidias de fantasmas, passam e se vão no crepúsculo,
(Raça das matas, das paisagens livres e das cataratas!
Nenhum quadro, poema, relato, transmitindo-os ao futuro:)
Yonnondio! Yonnondio! sem serem retratados, desaparecem;
O hoje cede lugar e se apaga, as cidades, fazendas, fábricas se apagam;
Um som abafado e sonoro, uma palavra lamentosa, é levada pelo ar
por um momento,
Depois vazio e desaparecido e imóvel, e inteiramente perdido.

Vida

Sempre a alma humana não desencorajada, resoluta, em luta;
(Fracassaram exércitos anteriores? então enviamos novos exércitos, e novos outra vez;)
Sempre o mistério com que se trava combate, de todas as eras da terra, antigas ou novas;
Sempre os olhos ansiosos, os vivas, as mãos que aplaudem em saudação, o alto
aplauso;
Sempre a alma insatisfeita, curiosa, por fim não convencida;
Lutando hoje do mesmo modo, combatendo do mesmo modo.

“Indo a Algum Lugar”

Minha amiga de ciência, minha mais nobre amiga mulher,
(Agora sepultada numa tumba inglesa, e esta é uma folha de memória por sua querida causa,)
Encerrou nossa conversa: “A soma, concluindo tudo o que sabemos do antigo ou moderno
saber, das intuições profundas,
“De todas as Geologias, Histórias, de toda a Astronomia, de toda a Evolução,
de toda a Metafísica,
“É que todos seguimos avante, avante, acelerando lentamente, seguramente melhorando,
“A vida, a vida uma marcha sem fim, um exército sem fim, (nenhuma parada, senão
quando devidamente superada,)
“O mundo, a raça, a alma, no espaço e no tempo os universos,
“Todos dirigidos como convém a cada um, todos certamente indo a algum lugar.”

Pequeno o Tema de Meu Canto

Pequeno o tema de meu Canto, contudo o maior, a saber, o Próprio Eu,
uma pessoa simples, separada. Isso canto para uso do Novo Mundo.
A fisiologia completa do homem, da cabeça aos pés, eu canto. Não apenas a fisionomia,
nem somente o cérebro, é digna da Musa; afirmo que a Forma completa
é muito mais digna. A Mulher em igualdade com o Homem, eu canto.
Nem cesso no tema do Próprio Eu. Pronuncio a palavra do
moderno, a palavra Em-Massa.
Meus Dias eu canto, e as Terras, com o intervalo que conheci da infeliz Guerra.
(Ó amigo, quem quer que sejas, chegando finalmente aqui para começar, sinto
através de cada folha a pressão de tua mão, que retribuo.
E assim, em nossa jornada, percorrendo a estrada, mais de uma vez, e
unidos, prossigamos.)

Verdadeiros Conquistadores

Velhos agricultores, viajantes, trabalhadores (não importa quão aleijados ou curvados,)
Velhos marinheiros, vindos de tantas viagens perigosas, tempestades e naufrágios,
Velhos soldados de campanhas, com todas as suas feridas, derrotas e cicatrizes;
Basta que tenham sobrevivido, os que não recuaram diante da longa vida!
De suas lutas, provações, combates, terem saído, seja como for,
só nisso,
Verdadeiros conquistadores acima de todos os demais.

Os Estados Unidos aos Críticos do Velho Mundo

Aqui primeiro os deveres de hoje, as lições do concreto,
Riqueza, ordem, viagem, abrigo, produtos, abundância;
Como na construção de algum edifício variado, vasto, perpétuo,
De onde inevitavelmente se erguerão, com o tempo, os telhados altaneiros, as lâmpadas,
As sólidas torres firmemente plantadas, disparando altas para as estrelas.

O Pensamento Que Tudo Acalma

Que, prosseguindo em seu curso, sejam quais forem as especulações dos homens,
Em meio às escolas, teologias, filosofias mutáveis,
Em meio às ruidosas apresentações novas e antigas,
As silenciosas leis vitais, os fatos, os modos da terra redonda continuam.

Agradecimentos na Velhice

Agradecimentos na velhice, agradecimentos antes que eu parta,
Pela saúde, pelo sol do meio-dia, pelo ar impalpável, pela vida, a mera vida,
Pelas preciosas memórias que sempre perduram, (de ti, minha querida mãe, de ti,
pai, de vós, irmãos, irmãs, amigos,)
Por todos os meus dias, não somente os de paz, também os dias de guerra,
Pelas palavras gentis, carícias, presentes de terras estrangeiras,
Pelo abrigo, vinho e alimento, pela doce apreciação,
(Vós, distantes, indistintos desconhecidos, jovens ou velhos, incontáveis, não especificados,
leitores amados,
Nunca nos encontramos, nem jamais nos encontraremos, e contudo nossas almas se abraçam, longa,
estreita e longamente;)
Pelos seres, grupos, amor, atos, palavras, livros, pelas cores, formas,
Por todos os homens valentes e fortes, homens devotados, resistentes, que avançaram
em auxílio da liberdade, em todos os anos, em todas as terras,
Por homens mais valentes, mais fortes, mais devotados, (um louro especial antes que eu parta,
aos escolhidos da guerra da vida,
Os artilheiros da canção e do pensamento, os grandes artilheiros, os
líderes da dianteira, capitães da alma:)
Como soldado regressado de uma guerra encerrada, como viajante entre miríades,
diante da longa procissão retrospectiva,
Agradecimentos, jubilosos agradecimentos! agradecimentos de soldado, de viajante.

Vida e Morte

Os dois antigos e simples problemas, para sempre entrelaçados,
Íntimos, esquivos, presentes, frustrados, enfrentados.
Insolúveis para cada era sucessiva, transmitidos,
À nossa hoje, e nós os transmitimos do mesmo modo.

A Voz da Chuva

E quem és tu? perguntei à chuva que caía suave,
Que, por estranho que pareça, deu-me uma resposta, aqui traduzida:
Sou o Poema da Terra, disse a voz da chuva,
Eterna, elevo-me impalpável da terra e do mar sem fundo,
Para o céu, de onde, vagamente formada, inteiramente mudada, e
contudo a mesma,
Desço para banhar as secas, os átomos, as camadas de poeira do globo,
E tudo o que nelas, sem mim, seria apenas semente, latente, ainda não nascida;
E para sempre, de dia e de noite, devolvo a vida à minha própria origem,
e a purifico e embelezo;
(Pois a canção, saindo de seu lugar de nascimento, depois de cumprida, errante,
Considerada ou não, devidamente retorna com amor.)

Logo Estará Aqui o Contraste do Inverno

Logo estará aqui o contraste do inverno;
Logo estas ligaduras geladas se soltarão e derreterão, mais um pouco,
E ar, solo, onda, tudo será impregnado de suavidade, florescimento e
crescimento, mil formas se erguerão
Destes torrões mortos e frios como de baixas sepulturas.

Teus olhos, ouvidos, todos os teus melhores atributos, tudo o que reconhece
a beleza natural,
Despertarão e se encherão. Perceberás os simples espetáculos, os
delicados milagres da terra,
Dentes-de-leão, trevos, a relva esmeralda, os primeiros aromas e flores,
O medronheiro sob os pés, o verde-amarelo do salgueiro, a ameixeira e a cerejeira
em flor;
Com estes, o tordo-americano, a cotovia e o tordo, cantando suas canções, o
pássaro-azul adejante;
Pois tais são as cenas que a peça anual apresenta.

Sem Esquecer o Passado

Sem esquecer o passado,
Hoje, ao menos, toda a contenda submersa, a paz, a fraternidade erguidas;
Como sinal recíproco, nossas mãos do Norte e do Sul
Depositem sobre as sepulturas de todos os soldados mortos, do Norte ou do Sul,
(Não somente pelo passado, mas por significados para o futuro,)
Coroas de rosas e ramos de palmeira.

O Veterano Moribundo

Em meio a estes dias de ordem, conforto, prosperidade,
Em meio às canções correntes de beleza, paz, decoro,
Lanço uma reminiscência, (provavelmente vos ofenderá,
Eu a ouvi em minha infância;) há mais de uma geração,
Um estranho velho selvagem, combatente sob o próprio Washington,
(Grande, valente, asseado, de sangue quente, pouco falante, um tanto espiritualista,
Combatera nas fileiras, combatera bem, atravessara toda a
Guerra Revolucionária,)
Jazia morrendo, filhos, filhas, diáconos da igreja, cuidando dele amorosamente,
Aguçando a percepção, os ouvidos, para suas palavras murmuradas, entreouvidas:
“Deixem-me voltar outra vez aos meus dias de guerra,
Às visões e cenas, à formação da linha de batalha,
Aos batedores adiante em reconhecimento,
Aos canhões, à sombria artilharia,
Aos ajudantes de ordens galopando, levando comandos,
Aos feridos, aos caídos, ao calor, à expectativa,
Ao cheiro forte, à fumaça, ao ruído ensurdecedor;
Fora com vossa vida de paz! com vossas alegrias da paz!
Devolvam-me minha antiga e selvagem vida de batalha!”

Lições Mais Fortes

Aprendeste lições somente com os que te admiravam, eram
ternos contigo e abriam passagem para ti?
Não aprendeste grandes lições com os que te rejeitam e
se firmam contra ti? ou que te tratam com desprezo,
ou disputam contigo a passagem?

Um Pôr do Sol na Pradaria

Ouro estriado, castanho-avermelhado e violeta, prata deslumbrante, esmeralda, fulvo,
Toda a amplitude da terra e o poder multiforme da Natureza entregues
por uma vez às cores;
A luz, o ar inteiro possuídos por elas, cores até agora desconhecidas,
Sem limite, sem confim, não somente o céu do Oeste, o alto meridiano,
Norte, Sul, tudo,
Pura cor luminosa combatendo as sombras silenciosas até o fim.

Vinte Anos

Lá embaixo, no antigo cais, na areia, sento-me, conversando com um recém-chegado:
Embarcara menino e inexperiente, e partira navegando, (tomado por alguma súbita,
veemente ideia;)
Desde então, vinte anos e mais giraram e giraram,
Enquanto ele circundava e circundava o globo, e agora retorna:
Como mudou o lugar, todos os antigos marcos desapareceram, os pais mortos;
(Sim, regressa para ancorar de vez, estabelecer-se, tem uma
bolsa bem cheia, nenhum lugar lhe serve senão este;)
O pequeno barco que o trouxe a remo da chalupa, agora preso pela amarra eu vejo,
Ouço as ondas batendo, a quilha inquieta, o balanço sobre a areia,
Vejo os apetrechos de marinheiro, o saco de lona, a grande caixa guarnecida de latão,
Examino o rosto todo moreno como fruto e barbado, a estrutura robusta e forte,
Vestida em seu traje castanho-avermelhado de bom tecido escocês:
(Então qual a história contada desses vinte anos? E quanto ao futuro?)

Botões de Laranjeira pelo Correio, da Flórida

Uma prova menor que a do velho Voltaire, contudo maior,
Prova deste tempo presente, e de ti, de tua vasta extensão, América,
À minha simples cabana do Norte, entre nuvens e neve lá fora,
Trazidos em segurança por mil milhas de terra e maré,
Há uns três dias brotando vivos em seu próprio solo,
Agora aqui desdobrando sua doçura por meu quarto,
Um ramo de botões de laranjeira vindo pelo correio da Flórida.

Crepúsculo

As suaves e voluptuosas sombras narcóticas,
O sol recém-partido, a luz ávida dissipada, (eu também em breve
partirei, dissipado,)
Uma névoa, nirvana, repouso e noite, esquecimento.

Vós, Minhas Folhas Escassas Que Ainda Perduraís

Vós, minhas folhas escassas que ainda perdurais nos ramos próximos do inverno,
E eu, alguma árvore bem podada de campo ou fileira de pomar;
Vós, sinais diminutos e desolados, (não mais o rubor de maio, ou a florada
do trevo de julho, nenhum grão de agosto agora;)
Vós, hastes pálidas de bandeira, galhardetes sem valor, retardatários do tempo,
Contudo minhas folhas mais queridas à alma, confirmando todas as demais,
As mais fiéis, mais resistentes, últimas.

Não Somente Ramos Magros e Latentes

Não somente ramos magros e latentes, ó canções! (escamosos e nus, como
garras de águias,)
Mas talvez para algum dia ensolarado, (quem sabe?) alguma primavera futura, algum
verão, irrompendo,
Em folhas verdes, ou sombra protetora, em frutos nutritivos,
Maçãs e uvas, os robustos galhos das árvores surgindo, o ar fresco,
livre, aberto,
E amor e fé, como rosas perfumadas em flor.

O Imperador Morto

Hoje, com a cabeça e os olhos inclinados, tu também, Colúmbia,
Menos pela poderosa coroa abatida em dor, menos pelo Imperador,
Exalas tua verdadeira condolência, envias por muitas milhas de mar salgado,
Lamentando um bom velho, um pastor fiel, patriota.

Como a Chama de Sinal dos Gregos

Como a chama de sinal dos gregos, narrada por registros antigos,
Ergueu-se do topo da colina, como aplauso e glória,
Acolhendo na fama algum veterano especial, herói,
Com tom rosado avermelhando a terra a que servira,
Assim eu, do alto da praia de Mannahatta orlada de navios,
Ergo bem alto uma tocha acesa para ti, Velho Poeta.

O Navio Desmantelado

Em alguma lagoa sem uso, alguma baía sem nome,
Em águas lentas, solitárias, ancorado perto da praia,
Um velho navio, sem mastros, cinzento e golpeado, inutilizado, acabado,
Após viagens livres por todos os mares da terra, por fim puxado e
firmemente amarrado,
Jaz enferrujando, apodrecendo.

Agora, Canções Precedentes, Adeus

Agora, canções precedentes, adeus, por todos os nomes, adeus,
(Comboios de uma linha cambaleante em tantas estranhas procissões, carroças,
De altos e baixos, com intervalos, de anos mais velhos, da meia-idade ou da juventude,)
“Em Navios Fechados, ou Tu, Velha Causa, ou Poetas por Vir,
Ou Paumanok, Canção de Mim Mesmo, Cálamo, ou Adão,
Ou Batei! Batei! Tambores! ou Ao Solo Levedado que Pisaram,
Ou Capitão! Meu Capitão! Kosmos, Anos de Areia Movediça, ou Pensamentos,
Tu, Mãe, com Tua Prole Igual”, e muitas, muitas outras não especificadas,
Da fibra de meu coração, de minha garganta e língua, (o sangue quente
e pulsante de minha vida,
O impulso e a forma pessoais para mim, não apenas papel, tipos automáticos
e tinta,)
Cada canção minha, cada enunciação do passado, tendo sua longa, longa
história,
De vida ou morte, ou ferida de soldado, de perda ou segurança da pátria,
(Ó céu! que clarão e desencadeado comboio sem fim de tudo! comparado
de fato a isso!
Que miserável retalho, mesmo o melhor de todos!)

Um Sereno Anoitecer

Depois de uma semana de angústia física,
Inquietação e dor, e calor febril,
Ao se encerrar o dia, chegam a calma e o sossego,
Três horas de paz e repouso tranquilizador do cérebro.

Os Cumes Fulgurantes da Velhice

O toque da chama, o fogo iluminador, a visão mais elevada por fim,
Sobre cidade, paixão, mar, sobre pradaria, montanha, bosque, sobre a própria terra,
Os aéreos, diversos, mutáveis matizes de tudo, no crepúsculo que se extingue,
Objetos e grupos, orientações, rostos, reminiscências;
A visão mais serena, o ocaso dourado, claro e amplo:
Tanto na atmosfera, nos pontos de vista, nas situações de onde
observamos,
Revelado somente por eles, tanto (talvez o melhor) antes não considerado;
As luzes de fato vindas deles, os cumes fulgurantes da velhice.

Depois da Ceia e da Conversa

Depois da ceia e da conversa, depois de concluído o dia,
Como um amigo que prolonga sua retirada final dos amigos,
Adeus e Adeus repetindo com lábios comovidos,
(Tão difícil para sua mão soltar aquelas mãos, não mais se encontrarão,
Não mais para a comunhão de tristeza e alegria, de velhos e jovens,
Uma jornada que se estende ao longe o espera, para não mais voltar,)
Evitando, adiando a separação, buscando afastar a última palavra
ainda que só um pouco,
Mesmo à porta de saída voltando-se, recomendações supérfluas chamando para trás,
mesmo enquanto desce os degraus,
Algo para prolongar um minuto adicional, sombras do anoitecer aprofundando-se,
Despedidas, mensagens diminuindo, mais indistintos o rosto e a forma do que parte,
Logo perdidos para sempre na escuridão, relutante, ó tão relutante em partir!
Loquaz até o último instante.

Folhas de Relva

Sinopse

Tradução integral direta para o português brasileiro da edição final de 1891–1892 de Folhas de Relva, organizada nos 35 livros reais da obra e preservando seus 377 cabeçalhos estruturais.

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LITEBN
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