Universo da obra
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MEU PAE Ulule a ventania, chova ou l'aça sol, ú hora determinada pelo seu trahalho, meu pac, esteja forte OU esteja combalido, diz Ulll adeus á família e sae de casa. Começo a perceber que isso deva ser um sacrificio para elle, que já não é moço e· se sujei La a trabalhos demorados e penosos para mantet' a família ao abrigo das necessidades... Mas porque me não c.lisse elle pela sua bocca o que só agma me ó dado adivinhar? Eu teria e3perdiçaclo tão fngt'atamente horas de estudo, se ·[iValiasse o que custavam a meu pae os livros, os papeis, os lapis que me dava e a roupinha asseada com que me apresentava na escola, e o calçado que eu maltratava sem cuidado, tudo adquirido com o suor elo seu rosto? l<:u tel'ia desprezado ao almoço o prato de feijão, com o pretexto de já ter comido na vespera a mesma coisa, ou abandonado um pedaço ele pão, por não ser do peoprio dia? Nào ! Se não achasse taes alimentos rieliciosos, calat'-me-ía, ao menos, dando graças áquelle que para eu não tee fome labutava lá fóra desde · manhã até ao anoitece!' ... Ah! como sou feliz em poclee penetear sózinho na alma geande e nobee . cl'este amigo unico, que clespieia poe mim a sua ultima camisa, que se cl"eixal'ia matar paea poupar-me a viela, e que entretanto não cessa ele apontar-me rudemente o ~eabalho, o trabalho a que elle mesmo succumbe, corno o unico elemento puro de felicidade na terea! .Meu querido pae. Rio de Janeiro. Eram cinco horas da manhã quando lwn/em entrei com os meus· condiscipúlos num trem do Corcovado. Os professores, para nos pdrem á oontade, demonstravam muito bom humor. Não ha nada que_ approxime os alumnos dos mestres como a alegria! O proprio director parecict ter deixado fechada num dos armarias da bibliotheca a severidade, qt~e o faz tão respeitado de nós todos, para nos apparecer como um irmão mais velho, sem constrangimento. Tomei a . liberdade de lhe dar ama fldr silvestre, que elle poz logo na lapella. Era uma cl'essas fldres ela Qiwresma, de um róixo ~iolento e br·illwnte, qtte são et gloria da nossa floresta nos mezes de JV!arço e de Abril. Desde o oalle poetico das Laranjeiras, onde tomdmos o trem, até o alto das Pai- neil·as, as nossas exclamações de entlwsiasmo e de alegria explodiam ante as bel/e- :oas da estrada. Em P ailwiras· fi.~emo8 ama estação de Ires horas, que passaram como Ires minutos, wbindo depois ao cume da montanha . Que maraoitlw, me a pae ! Não tentarei descrever- lhe o que se oê lá do alto, porque nem ·isso caberia numa simples carta, nem a minha incxperiencia me permittil"ia dw·-1/w uma uaga idéa de semélhanle espectacalo. Baste que llw diga que esta carta é wn des_abajo das minhas impressões; acosiumarlo como estou a cmijiar-lh'as todas, nrio sabrria guardar estas para mim s6. No embeoecimenlo do assombro, eu nâo oasaca falar, contemplando attonitp tantas maracilltas. Percebendo a minlw comrnoçâo, o direclor pànsou-me .a mâo no lwmbro e disse : « Totla esta /erra que vemos, mati- .eada por cuLturas di(ferenles, era ha qttafrocenlos annos matto cerrado, aridas Í·estingas , pantanos e ltj.ucaes. O homem que então subissl' a estas alfrtras s6 oe1·ia neste quadro, o mais bel/o do manrlo , a pujança da nalurea selcagem !
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