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Histórias da Nossa Terra

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Histórias da Nossa Terra

Capítulo 26 · Histórias da Nossa Terra

O avô

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O AVÔ A poucos kilometros da ciJade de Manáos existe uma ·casa pequena, ce1'cada de pés frondosos de cacáo, por onde, · como grandes cobras verdes, se enlac:am e sobem as ha~tes da bauuilha cheirosa. Nessa casa mora uma família muito tjuerida pela vizinhanc;a. O avo, natural de Aracajú, é muito intelligente e grande conhecedor das nossas terras; a filha, uma amazonense serena e bonJosa, cose para as cl'ianças, prepara os seus jantares de tartaruga com todo o esmero, e ,·ive cantando como um sabiá. Mas o bonito de Yêr-se é quando, ao cair da tarde, o velho sergipano, á sombra das suas queridas arvores, com um rlos ne- l!is IIISTOH.I.·\S DA :\O::iSA TEHHA tos sobre os joellws e os outros ú rod~, Josata a falat' elas suas lembt'anças e do seu lar paterno na foz do Cotinguiba. As ,·ezes diz-lhes versos; fala das sa- ::\.1.'\NÃOS. O monumento do Amazona~ e o Thealro. tyras de Gt·egorio de Mattos, dos episodios de Santa RiLa Durão, dos idyllios de Gonzaga, e dos poemas incligenas de Gonçalves Dias e com vo;, tão clara e cantante recita os versos, que a f'amilia fica embevecida e extatica. 0 A\'Ô Estes nomes, diz elle muitas vezes, são elos mais gloriosos ela nossa historia. É a litteratura ele um paiz que revela a sua grandeza e o seu cultivo. Tudo EsTADO DO AMAZONAS. -Arredores de_ Manáos. passa, e tudo se perderia nas névoas elo tempo, se não fosse o livro, o livro onde se condensa a alma elas nações, e que nos ensina o respeito pelo passado. b: a nossa litteratura ni'í.o é mesquinha; li!SJ'ORlAS !JA :-IOSSA TllHRA nenhum paiz da America a tem melho!'. Haveis de lêr os eomanc.es de Alencar, de um ameeicanismo sem par', e haveis de lêr' depois os poetas e os prosadores cl'esta ge: ração, para que possaes comprehencler bem os altos destinos ela 11os.sa patria. Nenhum paiz elo mundo, que arne as artes e por ellÇLs peleje, póde deixar ele ser bem queriçlo! Cantam as cigarras; voam em bando as borbo)etas, e no horizonte o -sol vermelho e grande afunda nas impetuosas aguas elo Amazonas a sua auréola formidavel. O velho sergipano recita ainda versos musicaes, deliciosos ... Pontilha-se de luzes o céo. São as estrellas; o Cruzeiro do Sul abre os seus braços de oirro ... ~ s6 então o velho leva nos braços o neto adoernecido, e deita-o nà rêde de ·embira, onde talvez · o pequeno sonhe que ha ele ser poeta um dia e que então tambem elle honraeá a patria com poemas de sentimento e ele enthusiasmo ci\•ico. Meu Hduw·do. Cruzeiro do Sul, 4 de Dezembro. É de uma nocu porçâo da Pafria que fe escrew estas linhas, ·(lssegurondo te que tinh.amos r·azão, nós r/ois, quando, nas férias do anno passado, le11do aquelle curioso RoBINSON CRUSOÉ, imaginaoomos que der;eria constituir para o homem um r(os seus nu'llwres orgulhos o tr'Cllisformar pai:::es incultos e barbaros em nacleos pacíficos e ciloilizados. Sentados um ao lado do outro, com os olhos fitos ácidamcnte na mesma pagina d'ess(' lit'ro aTJenturoso, que de pai::res d('sertos a audacia da nossa imaginação descobriu pw·a os façanhas do nosso espirito creador f Os pPrt~ gos das ilhas mysteriosas, cobertas de w·;:;es e ele Jraguedos, onde os vagalhões rebentas· sem com estrondo, "" fer(/s uicassem, mas 1-'-!I~TOHIA~ D \ :-;ro::;SA TERitA onde nâo houcesse pora abrigo r/o lt~unem 11em um tellwiro púdre de palmrr 011 de sapé, 1).<1111 para a sua alimentaçrZo o 111ini111o pé de r·ouoe, sorria-nos melhor que tod11s IIS rique- :as e todas as lwnra~ quC' nris pudesse otferecer o nosso jilfuro, precistn r/entro de umrr sociedade nutrida pela wnúi~rlo, o e,r;oismo e a lt!J[ll'or·risia dos pocos. O J'rtcto rfe tUtl(ji·ogat· em l(lll mllr desr·r11dwcido e ir ter ~enli-morto~ ,, IIIÍS 11 wna praia agrPs/e, .porá·ia-rws · W/111 rl'e.-.:sos delicias srí resercar/(1,- ao~ eleitos riu Jr~t'ltuw. Pmu/o-tws no logw· 1/e _ RobinR0/1, r; r{(( n/ as cc.~es 11ssegunímo~ r.t/11. ao outro r;ue 1'111 irfellticas circwnslancirrs quafqaer rfe 11ôs dois jm·ia muito mais rfo que eí!e f'r>.~ ' Lembrasi('? Teriamos constrn 1ir/o cirlacles r·om "rdu'i('Cfuras ousar/i:;siiii((S, ct'('(lr/o leis !Wrxts, estuhelecrdo rr oidu r/'ou(ra fôrma · 11111is bel h .. I'!fdi.Jmente, nem ftt nem eu r·ontaoamus soír. da Ci/S(I r·oi!f!Jrtacel em que tinhamos !Wsr·ido e im1ws oirienr/o sem se11tir a cir/a. Jifal r/iria en que cuites rfe pas:mdos r{o.~e me~'es, lwná rfe partir riu Rio r/(' Ju-

Histórias da Nossa Terra

Sinopse

Leia gratuitamente Histórias da Nossa Terra, de Júlia Lopes de Almeida, livro brasileiro em domínio público publicado em edição histórica de 1911. Esta edição digital do Literunico organiza contos, cartas e episódios cívico-literários sobre bandeira, língua, família, escola, estados brasileiros, trabalho, República e identidade nacional em 30 capítulos HTML para leitura online, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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