Universo da obra
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O AVÔ A poucos kilometros da ciJade de Manáos existe uma ·casa pequena, ce1'cada de pés frondosos de cacáo, por onde, · como grandes cobras verdes, se enlac:am e sobem as ha~tes da bauuilha cheirosa. Nessa casa mora uma família muito tjuerida pela vizinhanc;a. O avo, natural de Aracajú, é muito intelligente e grande conhecedor das nossas terras; a filha, uma amazonense serena e bonJosa, cose para as cl'ianças, prepara os seus jantares de tartaruga com todo o esmero, e ,·ive cantando como um sabiá. Mas o bonito de Yêr-se é quando, ao cair da tarde, o velho sergipano, á sombra das suas queridas arvores, com um rlos ne- l!is IIISTOH.I.·\S DA :\O::iSA TEHHA tos sobre os joellws e os outros ú rod~, Josata a falat' elas suas lembt'anças e do seu lar paterno na foz do Cotinguiba. As ,·ezes diz-lhes versos; fala das sa- ::\.1.'\NÃOS. O monumento do Amazona~ e o Thealro. tyras de Gt·egorio de Mattos, dos episodios de Santa RiLa Durão, dos idyllios de Gonzaga, e dos poemas incligenas de Gonçalves Dias e com vo;, tão clara e cantante recita os versos, que a f'amilia fica embevecida e extatica. 0 A\'Ô Estes nomes, diz elle muitas vezes, são elos mais gloriosos ela nossa historia. É a litteratura ele um paiz que revela a sua grandeza e o seu cultivo. Tudo EsTADO DO AMAZONAS. -Arredores de_ Manáos. passa, e tudo se perderia nas névoas elo tempo, se não fosse o livro, o livro onde se condensa a alma elas nações, e que nos ensina o respeito pelo passado. b: a nossa litteratura ni'í.o é mesquinha; li!SJ'ORlAS !JA :-IOSSA TllHRA nenhum paiz da America a tem melho!'. Haveis de lêr os eomanc.es de Alencar, de um ameeicanismo sem par', e haveis de lêr' depois os poetas e os prosadores cl'esta ge: ração, para que possaes comprehencler bem os altos destinos ela 11os.sa patria. Nenhum paiz elo mundo, que arne as artes e por ellÇLs peleje, póde deixar ele ser bem queriçlo! Cantam as cigarras; voam em bando as borbo)etas, e no horizonte o -sol vermelho e grande afunda nas impetuosas aguas elo Amazonas a sua auréola formidavel. O velho sergipano recita ainda versos musicaes, deliciosos ... Pontilha-se de luzes o céo. São as estrellas; o Cruzeiro do Sul abre os seus braços de oirro ... ~ s6 então o velho leva nos braços o neto adoernecido, e deita-o nà rêde de ·embira, onde talvez · o pequeno sonhe que ha ele ser poeta um dia e que então tambem elle honraeá a patria com poemas de sentimento e ele enthusiasmo ci\•ico. Meu Hduw·do. Cruzeiro do Sul, 4 de Dezembro. É de uma nocu porçâo da Pafria que fe escrew estas linhas, ·(lssegurondo te que tinh.amos r·azão, nós r/ois, quando, nas férias do anno passado, le11do aquelle curioso RoBINSON CRUSOÉ, imaginaoomos que der;eria constituir para o homem um r(os seus nu'llwres orgulhos o tr'Cllisformar pai:::es incultos e barbaros em nacleos pacíficos e ciloilizados. Sentados um ao lado do outro, com os olhos fitos ácidamcnte na mesma pagina d'ess(' lit'ro aTJenturoso, que de pai::res d('sertos a audacia da nossa imaginação descobriu pw·a os façanhas do nosso espirito creador f Os pPrt~ gos das ilhas mysteriosas, cobertas de w·;:;es e ele Jraguedos, onde os vagalhões rebentas· sem com estrondo, "" fer(/s uicassem, mas 1-'-!I~TOHIA~ D \ :-;ro::;SA TERitA onde nâo houcesse pora abrigo r/o lt~unem 11em um tellwiro púdre de palmrr 011 de sapé, 1).<1111 para a sua alimentaçrZo o 111ini111o pé de r·ouoe, sorria-nos melhor que tod11s IIS rique- :as e todas as lwnra~ quC' nris pudesse otferecer o nosso jilfuro, precistn r/entro de umrr sociedade nutrida pela wnúi~rlo, o e,r;oismo e a lt!J[ll'or·risia dos pocos. O J'rtcto rfe tUtl(ji·ogat· em l(lll mllr desr·r11dwcido e ir ter ~enli-morto~ ,, IIIÍS 11 wna praia agrPs/e, .porá·ia-rws · W/111 rl'e.-.:sos delicias srí resercar/(1,- ao~ eleitos riu Jr~t'ltuw. Pmu/o-tws no logw· 1/e _ RobinR0/1, r; r{(( n/ as cc.~es 11ssegunímo~ r.t/11. ao outro r;ue 1'111 irfellticas circwnslancirrs quafqaer rfe 11ôs dois jm·ia muito mais rfo que eí!e f'r>.~ ' Lembrasi('? Teriamos constrn 1ir/o cirlacles r·om "rdu'i('Cfuras ousar/i:;siiii((S, ct'('(lr/o leis !Wrxts, estuhelecrdo rr oidu r/'ou(ra fôrma · 11111is bel h .. I'!fdi.Jmente, nem ftt nem eu r·ontaoamus soír. da Ci/S(I r·oi!f!Jrtacel em que tinhamos !Wsr·ido e im1ws oirienr/o sem se11tir a cir/a. Jifal r/iria en que cuites rfe pas:mdos r{o.~e me~'es, lwná rfe partir riu Rio r/(' Ju-
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