Leia agora
Histórias da Nossa Terra

Universo da obra

Histórias da Nossa Terra

Capítulo 13 · Histórias da Nossa Terra

Aventuras de Rosinha

13 de 30 ≈ 7 min de leitura

A VENTURAS DE R.OSlNHA Este tl'em é o que paete pat'a Paulo~ perguntou uma menina a .um empregado da estação· de Santos. É, sim. · Porquô ~ Já tenho bilhete para ir nelle. Sózinha ~! Sim, senhor. O homem mirou-a com curiosidade. Ella nilo representava ter mais de doze annos; era baixinha, magra, mas com um modo fieme, ainda que triste a ponto de fazer dó. Entl'ou a pequena para um carro de segunda classe, ageitou a sua trouxinha embaixo elo banco, e quando o trem partiu 1-llSTOHIAS DA 1\0SSA TEHRA limpou as lagrimf!-S que lhe corriam 'em fio pelas faces descoradas. No trem iam muitos immigrantes italianos, desembarcados nesse mesmo dia de um grande vapor transatlantico. Por fortuna, sentou-se ao lado da pobre menina uma senhora sympathica e risonha, que tratou logo de a consolar. Como é que você se chama, minha filha 'I perguntou-lhe ella. A menina respondeu : Chamo-me Rosa. Não tem · paes ~ Não, senhora; soi.I orphã... vivi sempre com minha irmã mais moça, em companhia de minha avó. Esta, emquanto pôde, trabalhou com coragem, obrigandonos a ir á escola todos os dias; de modo que sei alguma coisa e estou habilitada a ganhar a vida. Minha irmà ajurlará vovó nos serviços domesticas, e eu mandar-lhesei de S. Paulo os meus ordenados. Serei caixeira ou florista, ou ama secca, qualquer coisa ... Só do que eu tenho medo é da primeira noite. A \ 'EI\'J'URAS DE ROSII\IIA Se eu morasse em S. Paulo, você ficai'ia em minha casa até achar rumo ... mas eu sigo para Campinas. Tenha força de vontade e não desanime. Quando chegaram á cidade ele S. Paulo, S÷o PAULO.- Rua Direita. era jú noite c fazia frio:.· Passava-se isto em Julho. Rosa pegou na sua trouxa e saíu para a rua, aconchegando ao corpo o seu chalinho ele algodão já muito clesbotaclo. Seguindo sempre os trilhos elos bonds, foi ter ao centro ·da cidade, onde caminhou muito, até quo, jú exhausta, sentou-se nos 1-HSTOHIAS DA :\OSSA TEHH.A deg1·aus da egreja da Sé. Havia garuu, e o nevoPiro era tão espesso que só no dia seguinte foi vista a pob1·ezinhrt, adormecida na escada de pedra, com a :<ua trouxinha sob a cabeça. Um policia foi aco1·dal-a e, notando LjUe ella ardia em feb1·e, levou-a num Cal'rO para a Misericordia. li A Irmã Assumpr;ilo deitou Rosinha em uma cama muito limpa, deu-lhe um calmante, e sentou-se ao lado do Jeito. O medico foi v6l-a e disse que se tratava de uma pneumonia. Quando a doente teve conhecimento de tudo, jú se haviam passado muitas horas. Resignou~se e tratou de obedecer ás enfet·meiras e uo medi<.:o, pa1'a recuperar bem dep1·essa a saúde. Quando entrou em conYales~enr;a, a boa menina ajudam a lm1ã As,umpr;fto a serzir a roupa dos doentes e a cuidar de uma velha impertinente que do1'mia na mesma enfermaria. Chegou o dia em que lhe de1'am alta. A hm:\ Assumpc.ão acompanhou Ro~inha até a porta e, despedindà-se d'ella, disselhe co1n meiguice : SÃo PAUl.o. -Jardim publico. Se não achares onde dormir, volta, que te darei a minha cama. Ili Deixando o hospital, H.osinha foi andando, foi andando, e tinha j(t atravessado muitas ruas bonitas, quando viu reluzir na ;s lllSTURL-\S D..-\ .'\OStiA TEHH.A calçada uma pulseira de ouro cravejada de brilhantes riquíssimos. A menina ergueu a joia e pensou logo em restiluil-a á dona. Mas quem ~eria a dona~ De um lauo e de oulm ua rua alinhavam-se predios elegantes e ella bateu em todo::;, perguntando : 'l'e1'ia alguem d'esla casa . perdido uma joia de valor? Não ... respondiam todos. Senti.ndo-se muito fatigada, Rnsinha . sentou-se ao portão de um bello jardim, mas, mal pousara a spa trouxa, ouviu a voz do jardinei1'0 gl'itando·lhe furioso : ' Que quer Yocê ahi '? Saia ! V á trabalhar I Desr;ulpe ... murmueou Rosinha, envergonhada, sai hoje do hospital e estou muito fraca... Eu vou-me embora ... Nesse instante chegou de l'óra a dona da casa e, sabendo do occorrido, disse bondosamente: Entra; \'ae clrscançar Já dentro ... Ven1 commigo. Antes ele entl'ar, Rosinha perguntou : A VE~'I'UHAS DE H.OSINHA A senhora não teria perdido uma joia ~ Sit~! perdi uma pulseira cravejada ele brilhantes e estou muito impressionada, porque era um mimo de minha mãe! Será esta? disse Rosinha muito contente, mostrando-lhe a pulseira que tinha encontrado na rua. Que fortuna ! é esta mesmo ! ... E a senhora, radiante de alegria, beijou Rosinha. !V Entramm em uma gmnde sala, onde estavam muitas crianças; umas bdncavam, outras, já mais velhas, estudavam peeto de uma mesa. Em pé, com a sua trouxinha na mão, Rosinha esperava ordem para sentar-se. Nunca ella vira tantos objectos bonitos assim reunidos : · q uadms originaes dos nossos melhores pintores, tapetes, mobilias' bellisimas, trabalhadas na propria cidade, cuja riqueza e gosto a atordoavam. Ah! lllS'I'OIUAS DA NOSSA TERRA S. Paulo era realmente uma cidade esplendida! pensava a pobrezinha, encolhendo-se na sua humildade. De repente uma das crianças menores, t1·opec;ando numa cadeira, caiu de bruços e magoou-se nos beiços. Hosa acudiu e consolou a CI'ianc;a, que mesmo por entre lagi'imas SOI'I'iu para clla. Um .dos estudantes, o mais pequeno, morto por ir gozar as delicias do balanço no jardim, á beira elo Tietê, revoltava-se conb'a a difficuldade dos problemas que lhe deixara o professor. Que doçura haveria lá fMa na agua arrepiada por aguella aragem f1'ia que o incitava a con'er como seu cão negro, o formoso Zulú ! Voltando-se pat:a o imüio, elle pediu-lhe que o auxiliasse. All! mas o irmão morria tambem por fugi1' d'aquella sala cheia de livros e respondeu.lhe zombeteiramente : Pede á l-tosa que te ensine! ... O pequeno voltou pai'a a menina um olhar supplice; ella aYançou com um sorriso, e pegando no lapis explicou com a maior facilidade o P''ob1ema. A Vri:NTURAS DE H.081l\'IIA Si Olhavam todos, attonitos, para aquella. menina que assim demonstrava a ::ua applicação. Quando e!Ta acabou de falar a dona da casa exclamou com enthusiasmo : H não te cleixaeei saíi' d'aqui. Quando me restituíste · a pulseira, "i que E STADO DE S,\o PAUI.O. Fazenda modelo. oras uma menina honrada; na maneira por.1ue acudic;te a meu filhinho, mostraste a tua meiguice, e agora acabas ele revela!' grande amor ao estudo. Serás uma oxcellente companheira para meus filhos, e como filha serás tratada. Ahi'a(;a-me. Dias depois, Rosinha mandava do li. lllSTOHJAS DA NOSSA TEHH.\ S. ·Paulo fados recursos para a sua av6zinha, e escrevia-lhe, molhando a carta com lagrimas de alegria : r< Conte com um bom amparo; porque encontrei uma excellente mãe! ''

Histórias da Nossa Terra

Sinopse

Leia gratuitamente Histórias da Nossa Terra, de Júlia Lopes de Almeida, livro brasileiro em domínio público publicado em edição histórica de 1911. Esta edição digital do Literunico organiza contos, cartas e episódios cívico-literários sobre bandeira, língua, família, escola, estados brasileiros, trabalho, República e identidade nacional em 30 capítulos HTML para leitura online, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978656584592081078770956
Histórias da Nossa Terra

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Histórias da Nossa Terra

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Histórias da Nossa Terra

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Histórias da Nossa Terra Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 13 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Histórias da Nossa Terra

Capa de Histórias da Nossa Terra
Continue a leitura Aventuras de Rosinha Capítulo 13 · 13 de 30 · ≈ 7 min
Todos os capítulos 30 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir