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Eline Vere

Universo da obra

Eline Vere

Capítulo 8 · Eline Vere

Capítulo VIII

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Capítulo VIII

Era cinco de dezembro, e desde a manhã cedo reinara durante todo o dia entre os van Erlevoort uma agitação misteriosa, uma excitação alegre, sussurros jubilosos, inquietos esconderijos longe de olhos curiosos.

Pouco depois das sete da noite chegaram os Verstraeten; os dois primos, Jan e Karel, que haviam participado dos tableaux, vinham com eles. Depois chegaram os van Raat e Eline, seguidos da velha Madame van Raat e de Paul; Henk, porém, e Jan Verstraeten não entraram no salão, mas desapareceram misteriosamente num pequeno armário onde Marie e Lili já haviam deixado um pacote de trajes.

No grande salão, Madame van Erlevoort recebia seus convidados, acolhidos com júbilo pelos pequenos van Ryssel e por Hector; e nem Mathilde nem a senhorita Frantzen conseguiam deter o barulho ensurdecedor.

— Ora, por que vocês não trouxeram Ben? — perguntou Madame van Erlevoort a Betsy, indignada.

— De fato, madame, Ben é pequeno demais; tem apenas três anos, lembre-se, e hoje ficará muito tarde.

— Ele poderia ter voltado com nossa Martha. É uma pena; eu tinha uma coisa para ele que lhe cairia perfeitamente — disse Madame van Erlevoort, em tom de desapontamento.

No salão em frente, onde as moças, com Otto, Paul e Etienne, conversavam e riam, houve um movimento, e os pequenos van Ryssel ergueram os olhos com curiosidade nervosa. Martha acabava de entrar e, sorrindo, dissera alguma coisa a Frédérique.

— Agora, crianças e todas as boas pessoas — gritou Frédérique, com expressão digna —, silêncio! São Nicolau chegou e quer saber se pode entrar. Vocês concordam, mamãe?

Todos se mantiveram o mais sérios possível, entre muitos olhares furtivos aos pequenos van Ryssel. Enquanto isso, São Nicolau fez sua aparição em sua túnica branca e longa capa vermelha ornada de galão dourado. Tinha cabelos e barbas longos e brancos, e na cabeça trazia uma mitra dourada.

Com grande dignidade fez sua entrada na sala, apoiado no báculo, e atrás dele vinha o pajem negro, vestido com um traje que aqueles que haviam presenciado os recentes tableaux na casa dos Verstraeten provavelmente reconheceriam. As três criadas e Willem os seguiram como retaguarda e permaneceram na sala, observando. Os adultos todos se inclinaram, com um sorriso consciente, diante de monsenhor bispo.

São Nicolau murmurou uma saudação e, quase tropeçando na túnica imensamente comprida, caminhou até o sofá onde a velha Madame van Raat e Madame Verstraeten estavam sentadas, cercadas por Madame van Erlevoort, sr. Verstraeten, Mathilde, Betsy e Otto. Ninguém se incomodou em levantar-se, e Madame van Erlevoort recebeu o ilustre visitante com um sorriso da maior familiaridade.

— Por que vovó não se levanta? — sussurrou Ernestine, admirada, erguendo para Marie o rostinho delicado e inteligente. — Pensei que ela fosse se levantar quando entrasse um senhor tão velho e estranho.

— Mais, écoute donc, comme elle est fine! — sussurrou Marie a Eline, que estava ao seu lado.

Mas Eline não ouviu; ria com Paul e Etienne de São Nicolau, cuja túnica certamente estava caindo, e já lhe cobria inteiramente os pés, enquanto uma mecha de cabelo louro se tornava visível entre as madeixas grisalhas e a mitra. Então São Nicolau ergueu sua voz profunda e cheia e, com um puxão enérgico, prendeu a túnica no cinto, fazendo sinal aos pequenos van Ryssel para que se aproximassem.

Eles não estavam inteiramente seguros daquela história, mas, quando São Nicolau tomou uma das sacolas das mãos de seu pequeno criado e, abrindo-a, começou a espalhar o conteúdo pelo chão, os rostos das crianças se iluminaram de alegria; esqueceram o medo e, todos juntos, atiraram-se ao chão, tropeçando em Hector, para apanhar o que pudessem encontrar — biscoitos de gengibre, figos, nozes, laranjas, chocolate.

— Apanhem, apanhem — gritou São Nicolau, encorajando-os —, ainda temos muito mais; olhem aqui! Vamos, meninos grandes, vocês também não querem alguma coisa?

Os primos Verstraeten não esperaram por segundo convite e se juntaram à disputa.

— A senhora guarda para mim, vovó? — gritou Nico, despejando uma torrente de guloseimas no colo da avó. — Então vou buscar mais!

— Nico, Nico! — protestou Mathilde.

— Não faz mal — disse Madame van Erlevoort, bondosamente.

São Nicolau e o pequeno pajem sacudiram seus grandes sacos, que aos poucos haviam ficado cada vez mais murchos, e viraram-nos do avesso, como prova de que estavam completamente vazios.

— Oh, agora vamos para a sala de jantar! — gritou Ernestine, saltando e batendo as mãozinhas de prazer.

— Oh, sim; para as nossas mesinhas! — acrescentou Johan.

Todos se levantaram e seguiram o Santo e as crianças até o pequeno salão; as moças riam disfarçadamente da peruca de São Nicolau, que escorregava, mas o Santo gritou aos criados e a Willem:

— Depressa, abram as portas; rápido!

As portas de dobrar foram abertas, e as crianças irromperam na sala bem iluminada onde, em lugar da mesa de jantar, estavam agora quatro mesinhas; em cada uma delas jazia um nome em letras de chocolate, e sobre cada uma se erguia uma torre de brinquedos.

Os Verstraeten e os van Raat sussurraram aos criados, e seus presentes para os pequenos também foram trazidos, um a um — aros, chicotes, bolas, soldadinhos de chumbo e uma vaca que dava leite. Enquanto isso, São Nicolau e seu pequeno pajem se retiraram; e, como já era quase oito e meia, Mathilde considerou que estava na hora de encerrar a brincadeira. Mas nem com a ajuda da senhorita Frantzen ela conseguiria atingir seu objetivo com muita rapidez.

As crianças se atrapalharam ao tentar juntar brinquedos e guloseimas; do bolso de Ernestine caiu uma chuva de nozes no chão; os soldadinhos de chumbo de Johan não conseguiam voltar para a caixa, e Lientje com seu aro e Nico com uma trombeta correram pela sala, seguidos por Hector, sem se preocuparem muito com o restante de sua propriedade, espalhada por todos os lados.

— Vamos, crianças — gritou Mathilde —, depressa agora; está chegando a hora de dormir.

Mas eles não ouviam nada; os pequenos van Ryssel, loucos de alegria, corriam de um lado para outro, espalhando na mais selvagem desordem os brinquedos que os outros haviam reunido, e Frédérique juntou-se à brincadeira, tomando Nico às costas, enquanto ele fazia dela um cavalo e lhe batia nas costas com o chicote. Os pequenos Verstraeten também correram atrás de Tina e Johan, pelo vestíbulo de mármore, fazendo uma debandada furiosa com suas botinhas.

Mathilde apertou as mãos em desespero. Ninguém lhe dava atenção. A senhorita Frantzen ajudava a criada com os brinquedos, e as moças riam com Paul e Etienne. Felizmente, avistou Otto, que conversava com Betsy e Madame Verstraeten, e caminhou até ele, tomando-lhe a mão.

— Oh, pelo amor de Deus, Otto, ajude-me; as crianças realmente precisam ir para a cama, e nem sequer me escutam. Mamãe também não ajuda nem um pouco.

Madame van Erlevoort, de fato, naquele momento estava no outro cômodo, muito ocupada em encher de leite, água e açúcar o serviço de chá de brinquedo de Lientje, enquanto a velha Madame van Raat e o sr. Verstraeten observavam a cena com grande divertimento.

— Ah, entendo; Otto terá de fazer outra vez o papel de bicho-papão — disse ele, bem-humorado.

— Não, não de bicho-papão; mas, de verdade, vou enlouquecer se você não vier me socorrer. Já viu criaturas tão incontroláveis como esses meus filhos, Betsy? Você vem, Otto?

Betsy riu.

— É melhor o senhor ir afirmar sua autoridade de tio, sr. van Erlevoort — disse Madame Verstraeten.

Otto acompanhou Mathilde, primeiro até Freddie.

— Vamos, Freddie, Nico precisa ir para a cama. Vamos, Nico, depressa; amanhã você poderá cavalgar outra vez nas costas da titia. Para baixo, Hector!

— Você não tem nada a ver com minhas costas, está ouvindo? — disse Freddie. — Está ouvindo, vovozinho? Vamos, Niek, o vovozinho diz que precisamos parar.

Nico obedeceu, fazendo beiço, enquanto pedia sua trombeta. Otto foi ao vestíbulo, onde conteve os dois mais velhos em sua corrida desenfreada.

— Vamos, Tine e Jo; mamãe quer que vocês vão para a cama agora. Não sejam desobedientes, senão vão deixar mamãe zangada.

— Quanta coisa ganhamos este ano, tio! — gritou Ernestine, sem fôlego.

Mathilde entrou no vestíbulo, conduzindo Nico e Lientje pela mão.

— Imagine só, lá estava mamãe, tranquilamente brincando de tomar chá com Tine — disse ela, e seu rosto desesperado fez Otto sorrir. — De verdade, se fosse meia-noite, mamãe...

— Mamãe, querida, não devemos dar boa-noite primeiro a todo mundo? — gritou Johan.

— Não, não! — exclamou Mathilde, tomada de terror, segurando firme as mãozinhas. — Eu darei boa-noite a todos por vocês. Obrigada, Otto.

Ela lhe fez um aceno amistoso, e ele respondeu com outro, com seu sorriso cordial e seus olhos francos. Então Mathilde levou as crianças para cima.

— Então a senhora suporta todo esse barulho e tumulto? — perguntou a velha Madame van Raat a Madame van Erlevoort; e olhou para ela sorrindo, mas admirada, com seus olhos tristes e sem brilho.

Houve uma calma súbita depois do êxodo das crianças.

Deixaram a sala de jantar, onde os brinquedos ainda estavam espalhados; o aposento foi fechado, e os convidados passaram ao salão duplo, onde Madame van Erlevoort serviu o chá.

— Se consigo suportar, madame? Eu me sinto reviver com isso; isso me rejuvenesce. Preciso da vida da juventude em torno de mim. Nunca passei tempo mais triste do que quando minhas filhas e meu filho Théodore se casaram, embora ainda me restassem três filhos. Mas preciso ver esses pequenos seres esvoaçando ao meu redor; nada mantém a gente em condição mais luminosa do que sua alegria selvagem. Posso servir-lhe outra xícara?

Madame van Raat entregou a xícara e invejou Madame van Erlevoort por sua vivacidade juvenil em meio aos cabelos grisalhos.

Comparou-a consigo mesma e com sua própria solidão melancólica, cujo efeito sentia com força dobrada depois de sua antiga vida de felicidade sem nuvens; sua existência presente se destacava em contraste cruel com a velhice cercada de alegria daquela avó feliz.

— E a senhora não sabe como lamento ver tão pouco os seis de Théodore. O rapaz é apaixonado pela vida no campo e não quer nem ouvir falar quando tento persuadi-lo a vir morar na Haia.

— Sua filha na Inglaterra tem apenas um filho, não tem? — perguntaram Madame Verstraeten e Madame van Stralenburg.

Madame van Erlevoort inclinou-se para Madame Verstraeten e sussurrou algo misterioso em seu ouvido, enquanto, em resposta ao sr. Verstraeten, que lhe acenava sorrindo, piscou os olhos com malícia.

Em seguida, Madame van Erlevoort contou como os pequenos van Ryssel haviam colocado seus sapatos na véspera, quando Henk e Jan Verstraeten entraram, ambos sorrindo, e Henk com o rosto muito vermelho. Mathilde também voltou, e muitas coisas agradáveis foram contadas sobre as crianças.

De repente, houve uma campainhada furiosa na porta da casa. Todos os olhos se voltaram para a porta quando ela se abriu. Willem, Truitje e Rika, entre os três, arrastaram para dentro da sala uma grande caixa, levando-a até Madame van Erlevoort.

— Oh! — exclamou Frédérique. — É a caixa de Londres!

Madame van Erlevoort informou a Madame van Raat que todos os anos, em São Nicolau, seu genro Howard lhe enviava uma grande caixa contendo alguma coisa para todos. Willem, armado de pé de cabra e torquês, e auxiliado por Etienne, retirou os parafusos e pregos. Todos ficaram atentos, e começou a chuva de presentes. Eline fez uma pequena pilha com os seus.

Oh, como a estavam mimando, declarou ela, radiante de sorrisos.

Da mão de Martha, Eline tomou outro pacote; desfez devagar o barbante, procurando cautelosamente ao redor algum selo, alguma letra solta ou cifra que lhe desse uma pista do remetente. Mas nada encontrou dessa espécie; o endereço dizia apenas: “Mdlle. E. Vere”.

Era um estojo de couro cinza; abriu-o, perguntando-se quem poderia tê-lo enviado. Dentro, repousando sobre veludo cinza, jazia um leque de madrepérola lindamente entalhada. Ela o tomou e o abriu devagar; fitou-o com admiração.

— Bucchi! — disse baixinho, ao ler o nome do pintor na parte inferior. — Bucchi!

O leque era, de fato, pintado pelo artista italiano: uma fantasia de rosas e fadas sobre fundo de cetim marfim.

— De quem pode vir isto? — disse ela. — Que esplêndido!

Todos se levantaram, todos se comprimiram em torno de Eline, que mantinha o leque cuidadosamente aberto, e o presente precioso atraiu admiração geral. Eline estava espantada. De Madame van Raat recebera um conjunto de perfumes, isso ela sabia; de Henk e Betsy...

— Betsy querida, devo agradecer a você por isto? — perguntou, levantando-se.

Betsy sacudiu a cabeça.

— Parole d’honneur, não fui eu, Eline.

É claro que recebera uma pulseira de Betsy e Henk; mas quem, então, enviara aquele leque?

— Seria de... Vincent, talvez? — perguntou.

— De Vincent? Não, não; de onde você tirou essa ideia agora? Que rapaz faria um presente desses? Deixe-me vê-lo.

Eline lhe entregou o leque.

— É realmente magnífico — disse Betsy.

Eline sacudiu a cabeça, completamente sem pista. Enquanto isso, o leque passava de mão em mão, e Eline examinava atentamente o rosto de cada um, mas não conseguia colher o menor sinal em ninguém.

De repente, porém, Frédérique ergueu a cabeça, com uma expressão de surpresa no rosto. Recompôs-se depressa e, com aparente indiferença, aproximou-se de Eline.

— Posso ver o estojo por um instante? — perguntou.

Eline lhe entregou o estojo, e Frédérique examinou e apalpou avidamente o couro cinza e o veludo cinza.

— Você tem a menor ideia de quem poderia ter me enviado isso? — perguntou Eline, erguendo os braços num desespero fingido.

Frédérique deu de ombros e pousou o estojo.

— Não... de verdade, não sei — disse, com certa frieza; e olhou com alguma curiosidade para os olhos cor de avelã de Eline.

Uma antipatia indefinível pareceu-lhe irradiar daqueles olhos de gazela e esconder-se naquele desespero fingido diante do doador desconhecido. Ela não lançou outro olhar ao leque admirado por todos e, durante o resto da noite, ficou mais quieta do que jamais estivera.

A torrente de presentes cessara.

Madame van Erlevoort pediu aos convidados que deixassem seus dois salões terrivelmente desarrumados, cheios de papel, palha, farelo e lixo, quando Willem mais uma vez abriu as portas da sala de jantar, e a mesa, já posta para a ceia, pareceu bastante alegre e convidativa.

Foi uma ceia alegre e animada. O sr. Verstraeten divertia Madame van Erlevoort e Betsy, entre as quais estava sentado, com suas piadas, e Mathilde, ao lado de Betsy, muitas vezes se juntava às risadas.

Henk, sentado entre a mãe e a tia, não queria nada; enquanto Otto e Eline estavam profundamente empenhados numa conversa, e Etienne tagarelava ruidosamente com Lili e Marie.

— Freddie, como você está quieta, chère amie — disse Paul, ao se apoderar de uma salada de lagosta, procurando em vão fazer falar sua pequena vizinha, em geral bastante animada. — Talvez não tenha recebido presentes suficientes a seu gosto?

— Quieta? Eu estou quieta? Como pode dizer uma coisa dessas? — respondeu Freddie, e começou a tagarelar com uma animação avassaladora, que soava como eco da de Etienne.

Mas ainda havia algo de artificial nisso; sua risada nem sempre era franca; e de vez em quando ela lançava um olhar furtivo para Eline, sentada ali, brilhante em sua beleza, em conversa viva com Otto.

Sim, havia algo muito fascinante nela, algo do encanto de uma sereia; seus belos olhos sonhadores semicerravam-se quando ria, enquanto a linha suave dos lábios delicados se perdia em duas pequenas covinhas. E aquelas belas mãos, aparecendo tão brancas por entre a renda negra e os laços vermelho-escuros do corpete, e aquele diamante de aspecto coquete, uma única pedra brilhante, tremendo como uma gota de cristal no tule negro em torno de sua garganta.

Sim, Frédérique a achava enfeitiçante; mas, ainda assim, não podia evitar: achava-a antipática; e, quase com ansiedade, seus olhos seguiam os de Otto, cujo olhar parecia cravado na sereia.

Enquanto isso, porém, continuava rindo e conversando com Paul, com Etienne, Lili e Marie; e a velha Madame van Raat declarou, do outro lado da mesa, que o arquiduende da alegria da família sustentava perfeitamente sua reputação.

O champanhe corria para as taças, e o sr. Verstraeten bebeu um brinde à anfitriã eternamente jovem, com seus belos cabelos brancos, e agradeceu-lhe com um beijo pela noite divertida.

Eline e Otto beberam juntos a algum brinde cujas palavras Frédérique não conseguiu ouvir, e que de bom grado teria dado seu melhor presente para compreender; mas, ainda assim, não perguntou.

— Etienne, que barulho você está fazendo! — gritou, com certa impaciência, para o irmão, que, com toda a força dos pulmões, cantava alguma coisa sobre — “Buvons jusqu’à la lie!” — enquanto seu copo quase derramava o conteúdo sobre o prato de Lili.

Mas, tão logo o disse, arrependeu-se; por que os outros não haveriam de se divertir, se ela não podia?

A ceia terminou; as carruagens esperavam pelos convidados, que partiram um a um, carregados dos presentes que cada qual recebera.

Mathilde sentia-se cansada e logo subiu, enquanto Madame van Erlevoort e Otto arrumavam juntos os presentes.

— Em que estado ficaram os quartos! — disse Frédérique, chutando para o lado uma caixa de papelão.

Então se aproximou da mesa; ah, onde estava o leque? Eline o levara consigo. Depois beijou a mãe e Otto, despenteou de brincadeira os cabelos de Etienne e levou seus presentes para cima.

Devagar se despiu, tão devagar que o ar frio a fez estremecer. E, ao se enfiar trêmula sob os cobertores, tornou a ver Eline diante de si, em toda a sua graça enfeitiçante, de renda negra, sorrindo para Otto.

Tudo começou a girar diante de seus olhos, como um caleidoscópio confuso — Henk, vestido de São Nicolau, com a túnica caindo, Jan Verstraeten como o pequeno pajem, a caixa de Londres, o leque de Bucchi.

Eline Vere

Sinopse

Romance de Louis Couperus, marco da literatura holandesa fin-de-siècle, em tradução brasileira Literunico preparada a partir da tradução inglesa de J. T. Grein, em domínio público. A edição acompanha o percurso íntimo de Eline entre salões, afetos, hesitações e a corrosão silenciosa de uma sensibilidade excessiva.

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LITEBN-978655093177830883983056
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