Leia agora
Suspiros Poéticos e Saudades

Universo da obra

Suspiros Poéticos e Saudades

Capítulo 28 · Suspiros Poéticos e Saudades

Ao Emo Sor José Joaquim da Rocha, etc

28 de 57 ≈ 7 min de leitura
AO ILL E EX SN.
JOSÉ JOAQUIM DA ROCHA,
DIGNATARIO DA IMPERIAL ORDEM DO CRUZEIRO,
DEPUTADO DA EX-ASSEMBLEIA CONSTITUINTE DO BRASIL,
EX-MINISTRO PLENIPOTENCIARIO NAS CORTES DE PARIZ,
E DE ROMA, ETC.

Os serviços que prestastes á Patria; o amor, e o respeito que vos consagram os Brasileiros residentes, em Pariz; o titulo de Pai com que elles vos honram; o seu legitimo pezar, e as lagrimas que vistes correr de seus olhos, no momento em que d’elles vos separastes; que bem previam elles que um vacuo tinha de ficar em seus corações; são os justos motivos que me inspiraram estes mesquinhos versos, que hoje vos offereço. Possam elles ser tão gratos á vossa alma, como a todos nos será grata a vossa lembrança.

Roma, Abril de 1835.

XXVI.
Folga minha alma, quando se me antolha A candida virtude,E Varões dignos de louvor me indica.Eu me prostro a seus pés venerabunde;Que a mente minha, de louvar anciosa,Encomios jamais nega á heroicidade.
Appareça quem já colhêo aromas, Que impura a minha dextraNas aras da lisonja profanára.Descerra os labios, rígida virtude,Dize si ouvidos teus já se irritaram,Si coraste de pejo ao ouvir meus cantos?
Não, não, tu me respondes: fiel sempre Aos sacros meus dictames,Hymnos teceste á Patria, á Liberdade,E a Varões benemeritos, que eu prezo.Canta, canta; que é esse o unico premioDe quem sem egoismo á Patria serve.
Orgam é da verdade a consciencia; E da virtude é orgamO coração que falla, e nunca mente.Firme Varão, immovel nas tormentasQue vezes o Brasil amedrontaram,Rocha, quem no Brasil teu nome ignora?
Tu foste um dos primeiros que firmaram A Independencia nossa.De tua alma o vigor, e o enthusiasmo,Os povos animavam, que te ouviam;E unindo-se em prol da augusta causa,Para ser seu apoio te escolheram.
Quando a injustiça e a ingratidão armadas Os raios da vingançaContra os Varões da Patria fulminaram,Salvo não foste, não; a Patria vio-te,Inda no seu desmaio, com teus filhosInnocentes, marchar ao injusto exilio.
Quem não sabe que a morte te aguardava, Dura, affrontosa morte,Nessa terra, onde algemas se forjavamPara o Brasil escravizar de novo?Quem perfidia tão negra não conhece,E os intentos da cega tyrannia?
Da sorte das Nações só Deos decide. Quando ellas o invocam,E credoras se fazem do que aspiram,Deos um Anjo velar sobre ellas manda;Esse Anjo tutelar não mais as deixa,Esse Anjo é quem contrarios planos burla.
Por milagre desse Anjo salvo foste: Por milagre desse AnjoCem, e cem vezes o Brasil foi salvoDas cruas garras de crueis abutres;Só por milagre d’elle em breve esperoVer o Brasil subir á mór altura.
Oh! que doce é no meio dos perigos De horrenda tempestade,Já languido de fome, e de fadiga,Ver aberta n’uma onda a sepultura,E armada contra sí dura companha,Exclamar: — Tudo soffro pela Patria!
Outro tanto dizer muitos não podem! Digno tu és de inveja!Ah! si invejosos tens, eu os desculpo.Sempre a inveja assim foi; sempre ella investeA quem mais por virtudes se distingue;Sempre villões Arístides tiveram.
Mas quando a imparcial posteridade, Que só a laurea outorgaA quem por acções nobres merecêra,Teus titulos julgar, ella gostosaTecerá teus encomios, e o meu hymnoÁ memoria dos homens será grato.
Quem dêo fulgor ao sol, dêo alma ao homem, Tambem cobrio os camposCo’o brilhante matiz de lindas flores!Nem porque de mil soes mantem a ordem,Deleixa as pequeninas criaturasAo acaso, sem lei, sem um instincto.
Assim o homem digno de tal nome, Que memorandos feitosEm prol da Humanidade praticára,Não despreza as domesticas virtudes;Aquellas de immortal gloria o revestem,Estas o resplendor da gloria esmaltam.
Quantos o Mundo vio Coriolanos, Que o esclarecido nomeInfamaram depois com acções negras?Tu porêm sempre firme, sempre o mesmo,És á Patria fiel, e a vida tuaSempre tem sido de virtude exemplo.

Abril de 1835.

Já não existe; mas seu nome caro a todos os que o conheceram, vivirá na nossa historia. Não ficção poetica, mas realidade encerram estes versos; que na viagem para o lugar do exilio, depois de horrivel tempestade, e já perto de Vigo, elevou-se a tripulação contra o commandante e os passageiros.
Suspiros Poéticos e Saudades

Sinopse

Leia gratuitamente Suspiros Poéticos e Saudades, de Domingos José Gonçalves de Magalhães, obra fundadora do romantismo brasileiro, publicada originalmente em 1836. Texto integral em domínio público preparado em HTML para leitura online no Literunico, com fonte Wikisource validada, 57 unidades, capa nova no padrão Literunico, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Suspiros Poéticos e Saudades

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Suspiros Poéticos e Saudades

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Suspiros Poéticos e Saudades

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Suspiros Poéticos e Saudades Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 28 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Suspiros Poéticos e Saudades

Capa de Suspiros Poéticos e Saudades
Continue a leitura Ao Emo Sor José Joaquim da Rocha, etc Capítulo 28 · 28 de 57 · ≈ 7 min
Todos os capítulos 57 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir