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Os Três Mosqueteiros

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Os Três Mosqueteiros

Capítulo 28 · Os Três Mosqueteiros

Capítulo XXVII — A mulher de Athos

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Capítulo XXVII — A mulher de Athos

— Resta agora saber notícias de Athos — disse d’Artagnan ao animado Aramis, depois de pô-lo a par do que se passara na capital desde a partida e de um excelente jantar ter feito um esquecer a tese e o outro o cansaço.

— Acreditais que alguma desgraça lhe tenha acontecido? — perguntou Aramis. — Athos é tão frio, tão bravo e maneja tão habilmente a espada.

— Sim, sem dúvida, e ninguém reconhece melhor que eu a coragem e a habilidade de Athos. Mas prefiro sentir na espada o choque de lanças ao dos bastões. Temo que Athos tenha sido surrado por criadagem. Os criados são gente que bate forte e demora a terminar. Por isso, confesso, gostaria de partir o mais depressa possível.

— Tentarei acompanhar-vos — disse Aramis —, embora não me sinta muito em condições de montar. Ontem experimentei a disciplina que vedes na parede, e a dor impediu-me de continuar o piedoso exercício.

— Também, meu caro amigo, nunca se viu tentar curar um tiro de arcabuz com golpes de açoite. Mas estáveis doente, e a doença enfraquece a cabeça. Por isso vos desculpo.

— E quando partis?

— Amanhã ao amanhecer. Descansai o melhor possível esta noite e amanhã, se puderdes, partiremos juntos.

— Até amanhã, então — disse Aramis. — Pois, por mais de ferro que sejais, deveis precisar de repouso.

No dia seguinte, quando d’Artagnan entrou no quarto de Aramis, encontrou-o à janela.

— O que olhais? — perguntou.

— Por minha fé, admiro aqueles três magníficos cavalos que os moços de estrebaria seguram pelas rédeas. É prazer de príncipe viajar em montarias semelhantes.

— Pois bem, meu caro Aramis, tereis esse prazer, pois um desses cavalos é vosso.

— Ora essa! Qual?

— O que escolherdes entre os três. Não tenho preferência.

— E o rico arreio que o cobre também é meu?

— Sem dúvida.

— Estais brincando, d’Artagnan.

— Não brinco desde que falais francês.

— São para mim esses coldres dourados, essa manta de veludo, essa sela cravejada de prata?

— Para vós mesmo, como o cavalo que empina é meu e o outro que corcoveia é de Athos.

— Com mil diabos! São três animais magníficos.

— Fico lisonjeado de que sejam de vosso gosto.

— Então foi o rei quem vos fez esse presente?

— Com certeza não foi o cardeal. Mas não vos preocupeis de onde vêm. Pensai apenas que um dos três é vossa propriedade.

— Escolho o que o criado ruivo segura.

— Muito bem.

— Viva Deus! — exclamou Aramis. — Isso faz passar o resto da dor. Eu montaria nesse cavalo com trinta balas no corpo. Ah, por minha alma, que belos estribos! Olá, Bazin, vinde aqui, imediatamente.

Bazin apareceu sombrio e lânguido no limiar.

— Lustrai minha espada, endireitai meu feltro, escovai minha capa e carregai minhas pistolas! — disse Aramis.

— Esta última recomendação é inútil — interrompeu d’Artagnan. — Há pistolas carregadas nos coldres.

Bazin suspirou.

— Vamos, mestre Bazin, tranquilizai-vos — disse d’Artagnan. — Ganha-se o reino dos céus em todas as condições.

— O senhor já era tão bom teólogo! — disse Bazin, quase chorando. — Teria se tornado bispo e talvez cardeal.

— Pois bem, meu pobre Bazin, pensa um pouco. De que serve ser homem da Igreja, pergunto? Nem por isso se evita ir à guerra. Vês que o cardeal fará a primeira campanha com o elmo na cabeça e a lança na mão. E o senhor de Nogaret de La Valette, o que dizes? Ele também é cardeal. Pergunta ao lacaio quantas vezes o fez preparar fiapos para curativos.

— Ai! — suspirou Bazin. — Eu sei, senhor. Hoje tudo está virado no mundo.

Enquanto isso, os dois jovens e o pobre lacaio haviam descido.

— Segura-me o estribo, Bazin — disse Aramis.

Aramis lançou-se à sela com a graça e leveza habituais. Mas, depois de algumas voltas e corvetas do nobre animal, o cavaleiro sentiu dores tão insuportáveis que empalideceu e cambaleou. D’Artagnan, que, prevendo o acidente, não o perdera de vista, lançou-se para ele, reteve-o nos braços e conduziu-o ao quarto.

— Está bem, meu caro Aramis. Cuidai-vos — disse. — Irei sozinho procurar Athos.

— Sois homem de bronze — disse Aramis.

— Não, tenho sorte, eis tudo. Mas como vivereis enquanto me esperais? Nada de tese, nada de glosa sobre dedos e bênçãos, não é?

Aramis sorriu.

— Farei versos — disse.

— Sim, versos perfumados com o aroma do bilhete da criada da sra. de Chevreuse. Ensinai prosódia a Bazin, isso o consolará. Quanto ao cavalo, montai-o um pouco todos os dias e isso vos habituará às manobras.

— Oh, quanto a isso, ficai tranquilo — disse Aramis. — Encontrar-me-eis pronto a seguir-vos.

Despediram-se e, dez minutos depois, d’Artagnan, depois de recomendar o amigo a Bazin e à estalajadeira, trotava na direção de Amiens.

Como encontraria Athos? E o encontraria sequer?

A posição em que o deixara era crítica. Ele podia ter sucumbido. Essa ideia, escurecendo-lhe a testa, arrancou-lhe alguns suspiros e fez com que formulasse em voz baixa alguns juramentos de vingança. De todos os amigos, Athos era o mais velho e, por conseguinte, em aparência o menos próximo de seus gostos e simpatias.

Contudo, tinha por aquele fidalgo acentuada preferência. O ar nobre e distinto de Athos, aqueles lampejos de grandeza que de vez em quando brotavam da sombra na qual se mantinha voluntariamente encerrado, aquela invariável igualdade de humor que fazia dele o companheiro mais fácil da terra, aquela alegria forçada e mordente, aquela bravura que se chamaria cega se não fosse resultado do mais raro sangue-frio, tantas qualidades atraíam mais que a estima, mais que a amizade de d’Artagnan. Atraíam sua admiração.

De fato, considerado mesmo ao lado de M. de Tréville, o elegante e nobre cortesão, Athos, nos dias de bom humor, podia sustentar vantajosamente a comparação. Era de estatura média, mas essa estatura era tão admiravelmente moldada e proporcionada que, mais de uma vez, nas lutas com Porthos, fizera curvar o gigante cuja força física se tornara proverbial entre os mosqueteiros. Sua cabeça, com olhos penetrantes, nariz reto e queixo desenhado como o de Bruto, tinha um caráter indefinível de grandeza e graça. Suas mãos, de que não cuidava, faziam o desespero de Aramis, que cultivava as próprias com grande reforço de pasta de amêndoas e óleo perfumado. O som da voz era ao mesmo tempo penetrante e melodioso. Além disso, o que havia de indefinível em Athos, que sempre se fazia obscuro e pequeno, era aquele conhecimento delicado do mundo e dos usos da mais brilhante sociedade, aquele hábito de boa casa que aparecia sem que ele percebesse nos menores atos.

Tratava-se de uma refeição, Athos a ordenava melhor que qualquer homem do mundo, colocando cada conviva no lugar e na posição que os ancestrais lhe haviam dado ou que conquistara por si. Tratava-se de ciência heráldica, Athos conhecia todas as famílias nobres do reino, suas genealogias, alianças, armas e a origem das armas. A etiqueta não tinha minúcias que lhe fossem estranhas. Sabia quais eram os direitos dos grandes proprietários, conhecia a fundo a caça com cães e a falcoaria e, certa vez, conversando sobre essa grande arte, espantara o próprio rei Luís XIII, que entretanto era mestre nela.

Como todos os grandes senhores daquela época, montava e esgrimia com perfeição. Mais ainda: sua educação fora tão pouco negligenciada, mesmo no que diz respeito aos estudos escolásticos, tão raros então entre os fidalgos, que sorria aos fragmentos de latim que Aramis deixava escapar e que Porthos fingia compreender. Duas ou três vezes, para grande espanto dos amigos, acontecera-lhe, quando Aramis cometia algum erro de gramática, recolocar um verbo no tempo e um nome no caso. Além disso, sua probidade era inatacável naquele século em que os homens de guerra transigiam tão facilmente com a religião e a consciência, os amantes com a delicadeza rigorosa de nossos dias e os pobres com o sétimo mandamento de Deus. Athos era, portanto, um homem muito extraordinário.

E, no entanto, via-se aquela natureza tão distinta, aquela criatura tão bela, aquela essência tão fina, voltar insensivelmente para a vida material, como os velhos voltam para o embrutecimento físico e moral. Athos, nas horas de privação, e essas horas eram frequentes, apagava-se em toda a parte luminosa, e seu lado brilhante desaparecia como numa noite profunda.

Então, desaparecido o semideus, mal restava um homem. A cabeça baixa, o olhar apagado, a palavra pesada e difícil, Athos contemplava durante longas horas a garrafa e o copo ou Grimaud, que, acostumado a obedecer-lhe por sinais, lia no olhar atônito do patrão o menor desejo e o satisfazia imediatamente. Se a reunião dos quatro amigos acontecia num desses momentos, uma palavra, escapada com esforço violento, era toda a contribuição de Athos para a conversa. Em compensação, Athos sozinho bebia como quatro, sem que isso aparecesse senão por um franzir mais marcado da sobrancelha e por tristeza mais profunda.

D’Artagnan, cujo espírito investigador e penetrante conhecemos, apesar de todo o interesse em satisfazer a curiosidade sobre esse assunto, ainda não conseguira atribuir causa àquele abatimento nem notar as ocasiões em que surgia. Athos nunca recebia cartas, nunca fazia diligência que não fosse conhecida de todos os amigos.

Não se podia dizer que fosse o vinho que lhe dava aquela tristeza, pois, ao contrário, só bebia para combatê-la, e o remédio, como dissemos, a tornava ainda mais sombria. Não se podia atribuir aquele excesso de humor negro ao jogo, pois, ao contrário de Porthos, que acompanhava com cantos ou palavrões todas as variações da sorte, Athos, quando ganhava, permanecia tão impassível quanto quando perdia. Fora visto, no círculo dos mosqueteiros, ganhar numa noite três mil pistolas, perdê-las até o cinturão bordado de ouro dos dias de gala, ganhar tudo outra vez mais cem luíses, sem que a bela sobrancelha negra subisse ou descesse meia linha, sem que as mãos perdessem a cor nacarada, sem que a conversa, que estava agradável naquela noite, deixasse de ser calma e agradável.

Também não era, como entre nossos vizinhos ingleses, influência atmosférica que lhe escurecia o rosto, pois a tristeza tornava-se em geral mais intensa nos belos dias do ano. Junho e julho eram os meses terríveis de Athos.

No presente, não tinha desgosto. Encolhia os ombros quando lhe falavam do futuro. Seu segredo estava, portanto, no passado, como se dissera vagamente a d’Artagnan.

Aquela tintura misteriosa espalhada por toda a pessoa tornava ainda mais interessante o homem cujos olhos e boca, nem na mais completa embriaguez, jamais haviam revelado coisa alguma, por mais hábeis que fossem as perguntas dirigidas a ele.

— Pois bem — pensava d’Artagnan —, o pobre Athos talvez esteja morto agora, e morto por minha culpa, pois fui eu quem o arrastou para esse caso, cuja origem ignorava, cujo resultado ignorará e do qual não devia tirar proveito algum.

— Sem contar, senhor — respondia Planchet —, que provavelmente lhe devemos a vida. Lembrai-vos de como gritou: “Ao largo, d’Artagnan! Fui preso!” E, depois de disparar as duas pistolas, que barulho terrível fazia com a espada! Dir-se-ia vinte homens, ou melhor, vinte diabos furiosos.

Essas palavras redobravam o ardor de d’Artagnan, que excitava o cavalo, o qual, sem precisar ser excitado, levava o cavaleiro a galope.

Por volta das onze da manhã, avistaram Amiens. Às onze e meia, estavam à porta da estalagem maldita.

D’Artagnan muitas vezes meditara contra o estalajadeiro pérfido uma dessas boas vinganças que consolam só pela esperança. Entrou, portanto, com o feltro sobre os olhos, a mão esquerda no pomo da espada e fazendo o chicote sibilar com a direita.

— Reconheceis-me? — perguntou ao estalajadeiro, que avançava para saudá-lo.

— Não tenho essa honra, monsenhor — respondeu o homem, ainda deslumbrado pelo brilhante equipamento com que d’Artagnan se apresentava.

— Ah, não me conheceis?

— Não, monsenhor.

— Pois bem, duas palavras vos devolverão a memória. O que fizestes daquele fidalgo a quem tivestes a audácia, há cerca de quinze dias, de acusar de moeda falsa?

O estalajadeiro empalideceu, pois d’Artagnan assumira atitude ameaçadora e Planchet modelava-se pelo patrão.

— Ah, monsenhor, não me faleis disso! — exclamou no tom mais choroso. — Ah, Senhor, como paguei caro aquela falta! Ah, infeliz que sou!

— Esse fidalgo, digo-vos, o que aconteceu com ele?

— Dignai-vos escutar-me, monsenhor, e sede clemente. Sentai-vos, por favor!

D’Artagnan, mudo de cólera e inquietação, sentou-se, ameaçador como um juiz. Planchet encostou-se orgulhosamente à poltrona.

— Eis a história, monsenhor — retomou o estalajadeiro, todo trêmulo —, pois agora vos reconheço. Sois quem partiu quando tive aquela infeliz desavença com o fidalgo de quem falais.

— Sim, sou eu. Portanto, vedes que não tendes graça a esperar se não disserdes toda a verdade.

— Queira escutar-me, e sabereis tudo.

— Escuto.

— Eu fora avisado pelas autoridades de que um famoso moedeiro falso chegaria à estalagem com vários companheiros, todos disfarçados como guardas ou mosqueteiros. Vossos cavalos, lacaios, figuras, meus senhores, tudo me fora descrito.

— Depois, depois? — disse d’Artagnan, a quem a palavra “moedeiro falso” aquecia terrivelmente os ouvidos.

— Tomei, portanto, segundo as ordens da autoridade, que me enviou reforço de seis homens, as medidas que julguei urgentes para apoderar-me dos pretensos moedeiros falsos.

— Outra vez! — disse d’Artagnan.

— Perdoai-me, monsenhor, por dizer semelhantes coisas, mas são justamente minha desculpa. A autoridade me assustara, e sabeis que um estalajadeiro deve respeitar a autoridade.

— Mas, outra vez, esse fidalgo, onde está? O que aconteceu? Está morto? Está vivo?

— Paciência, monsenhor, já chegamos. Aconteceu o que sabeis e cujo resultado vossa partida precipitada — acrescentou o estalajadeiro com uma sutileza que não escapou a d’Artagnan — parecia autorizar. Aquele fidalgo, vosso amigo, defendeu-se como desesperado. Seu criado, que por infelicidade imprevista procurara briga com os homens da autoridade disfarçados de moços de estrebaria...

— Ah, miserável! — exclamou d’Artagnan. — Estáveis todos de acordo, e não sei o que me impede de vos exterminar.

— Ai, não, monsenhor, não estávamos todos de acordo, e logo vereis. O senhor vosso amigo, perdoai por não chamá-lo pelo nome honrado que sem dúvida possui, mas ignoramos esse nome, o senhor vosso amigo, depois de pôr dois homens fora de combate com dois tiros de pistola, recuou defendendo-se com a espada, com a qual ainda aleijou um de meus homens e me atordoou com uma pancada de prancha.

— Mas, carrasco, acabarás? — disse d’Artagnan. — Athos, o que aconteceu com Athos?

— Recuando, como disse a monsenhor, encontrou atrás de si a escada da adega. Como a porta estava aberta, puxou a chave para dentro e barricou-se. Como tínhamos certeza de encontrá-lo ali, deixamo-lo livre.

— Sim — disse d’Artagnan. — Não queríeis exatamente matá-lo, apenas prendê-lo.

— Justo Deus! Prendê-lo, monsenhor? Ele próprio se prendeu, juro. Primeiro fizera rude trabalho. Um homem estava morto no lugar e outros dois gravemente feridos. O morto e os feridos foram levados pelos companheiros, e nunca mais ouvi falar de uns nem de outros. Eu próprio, quando recuperei os sentidos, fui procurar o governador, contei-lhe tudo e perguntei o que devia fazer do prisioneiro. Mas o governador pareceu cair das nuvens. Disse que ignorava completamente do que eu falava, que as ordens que eu recebera não vinham dele e que, se tivesse a infelicidade de dizer a alguém que estava envolvido naquela luta, mandaria enforcar-me. Parece que eu me enganara, senhor, que prendera um pelo outro e aquele que deviam prender escapara.

— Mas Athos! — exclamou d’Artagnan, cuja impaciência aumentava diante do abandono em que a autoridade deixava a coisa. — Athos, o que aconteceu?

— Como eu tinha pressa de reparar meus erros para com o prisioneiro — retomou o estalajadeiro —, fui à adega para devolver-lhe a liberdade. Ah, senhor, já não era homem, era diabo. Diante da proposta de liberdade, declarou que era uma armadilha e que, antes de sair, pretendia impor condições. Disse-lhe muito humildemente, pois não escondia de mim a má posição em que me pusera ao lançar mão sobre um mosqueteiro de Sua Majestade, que estava pronto a submeter-me às condições.

“— Primeiro — disse ele — quero que me devolvam meu criado completamente armado.”

“Apressamo-nos em obedecer, pois compreendeis, senhor, estávamos dispostos a fazer tudo o que vosso amigo quisesse. O senhor Grimaud, ele disse esse nome, embora não fale muito, foi, portanto, descido à adega, ferido como estava. O patrão recebeu-o, tornou a barricar a porta e ordenou que permanecêssemos em nossa loja.”

— Mas enfim — exclamou d’Artagnan —, onde está? Onde está Athos?

— Na adega, senhor.

— Como, infeliz, vós o retendes na adega desde então?

— Bondade divina! Nós retê-lo na adega! Não sabeis o que ele faz lá. Ah, se pudésseis fazê-lo sair, senhor, eu vos seria grato por toda a vida e vos adoraria como meu padroeiro.

— Então está lá? Encontrá-lo-ei lá?

— Sem dúvida, senhor. Teimou em ficar. Todos os dias passamos-lhe pão pela abertura, na ponta de um forcado, e carne quando pede. Mas, ai, não é pão nem carne que ele mais consome. Uma vez tentei descer com dois rapazes, mas entrou em fúria terrível. Ouvi o ruído de suas pistolas sendo armadas e do mosquetão que o criado armava. Depois, quando perguntamos quais eram suas intenções, o patrão respondeu que ele e o lacaio tinham quarenta tiros para disparar e que os disparariam até o último antes de permitir que um só de nós pusesse o pé na adega. Então, senhor, fui queixar-me ao governador, que respondeu que eu só tinha o que merecia e que isso me ensinaria a insultar os nobres senhores que se hospedavam em minha casa.

— De modo que, desde então...? — retomou d’Artagnan, não podendo impedir-se de rir do rosto lastimoso do estalajadeiro.

— De modo que, desde então, senhor, levamos a vida mais triste que se possa ver. Pois é preciso saber que todas as provisões estão na adega. Lá está nosso vinho em garrafas e em tonéis, a cerveja, o azeite, as especiarias, o toucinho e os chouriços. Como nos é proibido descer, somos obrigados a recusar bebida e comida aos viajantes, de modo que todos os dias nossa estalagem se perde. Ainda uma semana com vosso amigo na adega e estaremos arruinados.

— E será justo, patife. Não se via por nosso aspecto que éramos gente de qualidade, e não falsificadores?

— Sim, senhor, sim, tendes razão. Mas escutai, escutai, ele está se irritando.

— Sem dúvida o perturbaram — disse d’Artagnan.

— Mas é preciso perturbá-lo! — exclamou o estalajadeiro. — Acabam de chegar dois fidalgos ingleses.

— E então?

— Os ingleses gostam de bom vinho, como sabeis, senhor. Estes pediram o melhor. Minha mulher deve ter solicitado ao senhor Athos permissão para entrar e satisfazer esses senhores, e ele terá recusado como de costume. Ah, bondade divina! O sabá redobra!

D’Artagnan ouvia, de fato, grande barulho do lado da adega. Levantou-se e, precedido pelo estalajadeiro, que torcia as mãos, e seguido por Planchet, que segurava o mosquetão armado, aproximou-se do lugar da cena.

Os dois fidalgos estavam exasperados. Haviam feito longa viagem e morriam de fome e sede.

— Mas é tirania — gritavam em francês muito bom, embora com sotaque estrangeiro — que esse louco não queira deixar a esta boa gente o uso do vinho. Vamos arrombar a porta e, se for demasiado furioso, mataremos o homem.

— Devagar, senhores! — disse d’Artagnan, tirando as pistolas da cintura. — Não matareis ninguém, por favor.

— Bom, bom — dizia atrás da porta a voz calma de Athos. — Deixai entrar um pouco esses comedores de criancinhas e veremos.

Por mais bravos que parecessem, os dois fidalgos ingleses olharam-se hesitantes. Dir-se-ia haver naquela adega um desses ogros famintos, heróis gigantescos das lendas populares, cuja caverna ninguém força impunemente.

Houve um momento de silêncio. Mas por fim os dois ingleses tiveram vergonha de recuar, e o mais briguento desceu os cinco ou seis degraus da escada e deu na porta um pontapé capaz de fender uma muralha.

— Planchet — disse d’Artagnan, armando as pistolas —, encarrego-me do que está em cima. Ocupa-te do que está embaixo. Ah, senhores, quereis batalha? Pois bem, tereis.

— Meu Deus! — exclamou a voz cava de Athos. — Parece-me ouvir d’Artagnan.

— De fato — disse d’Artagnan, elevando a voz —, sou eu mesmo, meu amigo.

— Ah, bom! — disse Athos. — Então trabalharemos esses arrombadores de portas.

Os fidalgos haviam posto a espada na mão, mas se encontravam entre dois fogos. Hesitaram ainda um instante. Contudo, como da primeira vez, o orgulho venceu, e um segundo pontapé fez a porta estalar em toda a altura.

— Afasta-te, d’Artagnan, afasta-te! — gritou Athos. — Vou atirar.

— Senhores — disse d’Artagnan, a quem a reflexão nunca abandonava —, pensai bem. Paciência, Athos. Meteis-vos num mau negócio e sereis crivados. Meu criado e eu vos soltaremos três tiros. Outros tantos virão da adega. Depois ainda teremos as espadas, das quais, garanto, meu amigo e eu usamos razoavelmente. Deixai-me cuidar de vossos negócios e dos meus. Em breve tereis o que beber, dou-vos minha palavra.

— Se restar — resmungou a voz zombeteira de Athos.

O estalajadeiro sentiu um suor frio correr-lhe pelas costas.

— Como, se restar? — murmurou.

— Que diabo! Restará — retomou d’Artagnan. — Ficai tranquilo. Os dois não terão bebido toda a adega. Senhores, embainhai as espadas.

— Pois vós, ponde as pistolas à cintura.

— De bom grado.

E d’Artagnan deu o exemplo. Depois, voltando-se para Planchet, fez sinal para que desarmasse o mosquetão.

Os ingleses, convencidos, embainharam as espadas resmungando. Contaram-lhes a história da prisão de Athos e, como eram bons fidalgos, deram razão contra o estalajadeiro.

— Agora, senhores — disse d’Artagnan —, subi a vosso quarto e, dentro de dez minutos, respondo que vos levarão tudo o que puderdes desejar.

Os ingleses saudaram e saíram.

— Agora que estou sozinho, meu caro Athos — disse d’Artagnan —, abri-me a porta, por favor.

— Imediatamente — respondeu Athos.

Ouviu-se então grande ruído de feixes que se chocavam e vigas que gemiam. Eram as contraescarpas e bastiões de Athos, que o sitiado demolira pessoalmente.

Um instante depois, a porta tremeu e apareceu a cabeça pálida de Athos, que explorou rapidamente os arredores com um olhar.

D’Artagnan lançou-se ao pescoço dele e o abraçou ternamente. Depois quis arrastá-lo para fora daquela morada úmida, e então percebeu que Athos cambaleava.

— Estais ferido? — perguntou.

— Eu? Nem um pouco. Estou bêbado morto, eis tudo, e nunca homem fez melhor o que era preciso para isso. Viva Deus, meu estalajadeiro! Devo ter bebido por minha parte pelo menos cento e cinquenta garrafas.

— Misericórdia! — exclamou o estalajadeiro. — Se o lacaio bebeu apenas metade do patrão, estou arruinado.

— Grimaud é lacaio de boa casa, que não se permitiria a mesma bebida que eu. Bebeu apenas do tonel. Vede, creio que esqueceu de recolocar a torneira. Ouvis? Está correndo.

D’Artagnan desatou a rir, e o riso transformou o calafrio do estalajadeiro em febre ardente.

Ao mesmo tempo, Grimaud apareceu atrás do patrão, o mosquetão no ombro, a cabeça trêmula como os sátiros bêbados dos quadros de Rubens. Estava regado na frente e atrás por um líquido gorduroso que o estalajadeiro reconheceu como o melhor azeite.

O cortejo atravessou a grande sala e instalou-se no melhor quarto da estalagem, que d’Artagnan ocupou por autoridade.

Enquanto isso, o estalajadeiro e a mulher precipitaram-se com lâmpadas na adega, que lhes fora proibida por tanto tempo e onde um espetáculo terrível os esperava.

Além das fortificações nas quais Athos abrira brecha para sair, compostas de feixes, tábuas e barris vazios empilhados segundo todas as regras da arte estratégica, viam-se aqui e ali, nadando em poças de azeite e vinho, os ossos de todos os presuntos comidos. Uma pilha de garrafas quebradas cobria todo o canto esquerdo da adega, e um barril cuja torneira permanecera aberta perdia por ali as últimas gotas de sangue. A imagem da devastação e da morte, como diz o poeta da Antiguidade, reinava como num campo de batalha.

Dos cinquenta chouriços pendurados nas vigas, restavam apenas dez.

Então os uivos do estalajadeiro e da estalajadeira atravessaram a abóbada da adega. O próprio d’Artagnan comoveu-se. Athos nem sequer voltou a cabeça.

Mas à dor sucedeu a raiva. O estalajadeiro armou-se com um espeto e, em desespero, lançou-se no quarto onde os dois amigos se haviam retirado.

— Vinho! — disse Athos, ao vê-lo.

— Vinho! — exclamou o estalajadeiro, estupefato. — Vinho! Mas bebeste mais de cem pistolas! Estou arruinado, perdido, aniquilado!

— Ora — disse Athos —, permanecemos sempre com sede.

— Se apenas tivésseis bebido! Mas quebrastes todas as garrafas.

— Empurrastes-me sobre um monte, e ele desabou. A culpa é vossa.

— Todo meu azeite está perdido!

— O azeite é bálsamo soberano para feridas, e era preciso que o pobre Grimaud tratasse as que lhe fizestes.

— Todos os meus chouriços roídos!

— Há enormidade de ratos nesta adega.

— Pagareis tudo isso! — gritou o estalajadeiro, exasperado.

— Tríplice patife! — disse Athos, erguendo-se.

Mas caiu imediatamente. Acabara de dar a medida das forças. D’Artagnan veio em seu auxílio, levantando o chicote.

O estalajadeiro recuou um passo e começou a chorar.

— Isso vos ensinará — disse d’Artagnan — a tratar com mais cortesia os hóspedes que Deus vos envia.

— Deus? Dizei o diabo!

— Meu caro amigo — disse d’Artagnan —, se ainda nos romperdes os ouvidos, vamos fechar-nos os quatro em vossa adega, e veremos se o estrago é realmente tão grande quanto dizeis.

— Pois bem, sim, senhores — disse o estalajadeiro. — Errei, confesso. Mas todo pecado merece misericórdia. Sois senhores e eu sou pobre estalajadeiro. Tereis piedade de mim.

— Ah, se falas assim — disse Athos —, vais fender meu coração, e lágrimas correrão de meus olhos como o vinho corria de teus tonéis. Não somos tão diabos quanto parecemos. Vamos, vem aqui e conversemos.

O estalajadeiro aproximou-se com inquietação.

— Vem, digo, e não tenhas medo — continuou Athos. — No momento em que ia pagar-te, eu colocara minha bolsa sobre a mesa.

— Sim, monsenhor.

— Essa bolsa continha sessenta pistolas. Onde está?

— Depositada no cartório, monsenhor. Tinham dito que era moeda falsa.

— Pois bem, manda devolver minha bolsa e guarda as sessenta pistolas.

— Mas monsenhor sabe que o cartório não solta o que segura. Se fosse moeda falsa, ainda haveria esperança, mas infelizmente são moedas boas.

— Arranja-te com eles, meu bravo. Isso não me diz respeito, ainda mais porque não me resta uma libra.

— Vejamos — disse d’Artagnan. — O antigo cavalo de Athos, onde está?

— Na cavalariça.

— Quanto vale?

— Cinquenta pistolas no máximo.

— Vale oitenta. Pega-o e tudo estará resolvido.

— Como! Vendes meu cavalo? — disse Athos. — Vendes meu Bajazet? E em que farei campanha? Em Grimaud?

— Trago-te outro — disse d’Artagnan.

— Outro?

— E magnífico! — exclamou o estalajadeiro.

— Então, se há outro mais belo e mais jovem, pega o velho. E vinho!

— Qual? — perguntou o estalajadeiro, inteiramente reanimado.

— Aquele que está no fundo, perto das ripas. Ainda restam vinte e cinco garrafas. Todas as outras quebraram quando caí. Traz seis.

— Esse homem é um tonel! — disse o estalajadeiro à parte. — Se ficar apenas quinze dias aqui e pagar o que beber, restabelecerei meus negócios.

— E não esqueças — continuou d’Artagnan — de levar quatro garrafas do mesmo aos dois senhores ingleses.

— Agora — disse Athos —, enquanto esperamos o vinho, conta-me, d’Artagnan, o que aconteceu com os outros.

D’Artagnan contou-lhe como encontrara Porthos na cama com uma torção e Aramis à mesa entre dois teólogos. Quando terminava, o estalajadeiro voltou com as garrafas pedidas e um presunto que, felizmente para ele, permanecera fora da adega.

— Está bem — disse Athos, enchendo o próprio copo e o de d’Artagnan. — Eis por Porthos e Aramis. Mas vós, meu amigo, o que tendes e o que vos aconteceu pessoalmente? Acho-vos com ar sinistro.

— Ai — disse d’Artagnan —, é que sou o mais infeliz de nós.

— Tu, infeliz, d’Artagnan! — disse Athos. — Vejamos, como és infeliz? Conta-me.

— Mais tarde — disse d’Artagnan.

— Mais tarde? E por que mais tarde? Porque acreditas que estou bêbado, d’Artagnan? Guarda isto: nunca tenho as ideias mais claras do que no vinho. Fala, sou todo ouvidos.

D’Artagnan contou sua aventura com a sra. Bonacieux.

Athos escutou sem mover uma sobrancelha. Depois, quando terminou:

— Misérias, tudo isso — disse Athos. — Misérias.

Era a palavra de Athos.

— Dizeis sempre “misérias”, meu caro Athos — disse d’Artagnan. — Isso vos cai muito mal, a vós que nunca amastes.

O olho morto de Athos inflamou-se de repente, mas foi apenas um relâmpago. Tornou-se apagado e vago como antes.

— É verdade — disse tranquilamente. — Nunca amei.

— Vedes, então, coração de pedra, que fazeis mal em ser duro para nós, corações ternos.

— Corações ternos, corações furados — disse Athos.

— O que dizeis?

— Digo que o amor é uma loteria em que aquele que ganha, ganha a morte. Sois muito feliz por ter perdido, acreditai, meu caro d’Artagnan. Se tenho um conselho a dar-vos, é perder sempre.

— Ela parecia amar-me tanto!

— Parecia.

— Oh, ela me amava.

— Criança! Não há homem que não tenha acreditado, como vós, que a amante o amava, e não há homem que não tenha sido enganado pela amante.

— Exceto vós, Athos, que nunca tivestes uma.

— É verdade — disse Athos depois de um momento de silêncio. — Nunca tive. Bebamos.

— Mas então, filósofo que sois — disse d’Artagnan —, instruí-me, sustentai-me. Preciso saber e ser consolado.

— Consolado de quê?

— De minha desgraça.

— Vossa desgraça faz rir — disse Athos, encolhendo os ombros. — Eu teria curiosidade de saber o que diríeis se vos contasse uma história de amor.

— Acontecida convosco?

— Ou com um de meus amigos. Que importa?

— Contai, Athos, contai.

— Bebamos. Faremos melhor.

— Bebei e contai.

— De fato, pode-se fazer isso — disse Athos, esvaziando e enchendo o copo. — As duas coisas combinam muito bem.

— Estou ouvindo — disse d’Artagnan.

Athos recolheu-se e, à medida que se recolhia, d’Artagnan via-o empalidecer. Chegara àquele período da embriaguez em que os bebedores vulgares caem e dormem. Ele sonhava em voz alta sem dormir. Aquele sonambulismo da embriaguez tinha algo de assustador.

— Quereis absolutamente? — perguntou.

— Eu vos peço — disse d’Artagnan.

— Então seja feito como desejais. Um de meus amigos, um de meus amigos, entendei bem, não eu — disse Athos, interrompendo-se com um sorriso sombrio —, um dos condes de minha província, isto é, do Berry, nobre como um Dandolo ou um Montmorency, apaixonou-se aos vinte e cinco anos por uma jovem de dezesseis, bela como os amores. Através da ingenuidade da idade aparecia um espírito ardente, espírito não de mulher, mas de poeta. Ela não agradava, embriagava. Vivia num pequeno burgo, perto do irmão, que era pároco. Os dois haviam chegado à região e vinham não se sabia de onde. Mas, vendo-a tão bela e o irmão tão piedoso, ninguém pensava em perguntar de onde vinham. De resto, dizia-se que eram de boa origem. Meu amigo, senhor da região, poderia seduzi-la ou tomá-la à força, conforme quisesse. Era o senhor. Quem viria em auxílio de dois estrangeiros, dois desconhecidos? Infelizmente, era homem honrado. Casou-se com ela. O tolo, o simplório, o imbecil!

— Mas por que, se a amava? — perguntou d’Artagnan.

— Esperai — disse Athos. — Levou-a ao castelo e fez dela a primeira dama da província. E é preciso fazer-lhe justiça, ela mantinha perfeitamente sua posição.

— E então? — perguntou d’Artagnan.

— Pois bem, um dia em que caçava com o marido — continuou Athos em voz baixa e falando muito depressa —, ela caiu do cavalo e desmaiou. O conde lançou-se em seu auxílio e, como ela sufocava nas roupas, abriu-as com o punhal e descobriu-lhe o ombro. Adivinhai o que tinha no ombro, d’Artagnan — disse Athos, soltando grande gargalhada.

— Como posso saber? — perguntou d’Artagnan.

— Uma flor-de-lis — disse Athos. — Era marcada!

E Athos esvaziou de um só gole o copo que segurava.

— Horror! — exclamou d’Artagnan. — O que me dizeis?

— A verdade, meu caro. O anjo era um demônio. A pobre jovem roubara.

— E o que fez o conde?

— O conde era grande senhor. Tinha em suas terras direito de baixa e alta justiça. Acabou de rasgar as roupas da condessa, amarrou-lhe as mãos atrás das costas e enforcou-a numa árvore.

— Céu! Athos! Um assassinato! — exclamou d’Artagnan.

— Sim, um assassinato, nada mais — disse Athos, pálido como a morte. — Mas parece que me deixam sem vinho.

Athos pegou pelo gargalo a última garrafa restante, levou-a à boca e esvaziou-a de um só gole, como faria com um copo comum.

Depois deixou a cabeça cair entre as duas mãos. D’Artagnan permaneceu diante dele, tomado de horror.

— Isso me curou das mulheres belas, poéticas e apaixonadas — disse Athos, erguendo-se e sem pensar em continuar o apólogo do conde. — Que Deus vos conceda o mesmo. Bebamos!

— Então ela morreu? — balbuciou d’Artagnan.

— Por Deus! — disse Athos. — Mas estendei o copo. Presunto, patife! — gritou. — Não podemos mais beber.

— E o irmão? — acrescentou timidamente d’Artagnan.

— O irmão? — retomou Athos.

— Sim, o padre.

— Ah, procurei saber dele para enforcá-lo por sua vez, mas tomara a dianteira e deixara a paróquia na véspera.

— Souberam ao menos quem era aquele miserável?

— Sem dúvida, primeiro amante e cúmplice da bela, digno homem que fingira ser padre talvez para casar a amante e assegurar-lhe fortuna. Espero que tenha sido esquartejado.

— Oh, meu Deus! Meu Deus! — fez d’Artagnan, inteiramente atordoado pela horrível aventura.

— Comei deste presunto, d’Artagnan. É excelente — disse Athos, cortando uma fatia e pondo-a no prato do jovem. — Que pena não haver ao menos quatro como este na adega. Eu teria bebido mais cinquenta garrafas.

D’Artagnan já não podia suportar a conversa, que o teria enlouquecido. Deixou a cabeça cair entre as mãos e fingiu adormecer.

— Os jovens já não sabem beber — disse Athos, olhando-o com piedade. — E, no entanto, este é dos melhores!

Os Três Mosqueteiros

Sinopse

Tradução brasileira de Os Três Mosqueteiros, romance de aventura de Alexandre Dumas sobre honra, amizade, intriga política e duelos na França do século XVII. Edição consolidada pelo projeto Literunico / Copa.

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