Universo da obra
Universo da obra
A sege parou defronte do mosteiro.
Rompia a manhã. Tão lindo estava o céu, tão balsâmico o ar ao pé do arvoredo do convento, as aves deleitavam tanto o coração, o múrmuro despertar da natureza tão meigos arrobos filtrava ao seio de Maria, que, enlevada em mudo regalo, docemente lhe marejavam nos olhos as lágrimas de um contentamento infantil, se não eram antes o respirar suavíssimo da abafação angustiosa em que penara.
Aberto o portão exterior, frei Antônio entrou com sua cunhada e sobrinha. Algumas religiosas desceram à portaria, e levaram consigo mãe e filha, felicitando esta com grandes júbilos, e inventando graças para a desassombrarem da sua tristeza. Sabiam-lhe bem a magoada vida, e a virtude santa, aquelas servas do Senhor. A Mãe de Jesus, protetora sempre invocada de Maria, tocou talvez o coração das carinhosas freiras que parecem porfiar qual mais mimos e agrados fará à querida hospeda.
Daí a pouco volveu ao mosteiro Fr. Antônio com a família toda. O coronel esmoreceu daquele seu grande ânimo vendo a magreza cadavérica da filha. O velho, alimpando as lágrimas, fez que nenhuns olhos ficassem enxutos. Diante daquela majestosa dor, não houve uma só pessoa que tivesse espírito para consolá-lo. O padre, esse, o que mais ali sofria talvez, abaixava humildemente a cabeça diante de seu irmão, como quem confessa a maior culpa de tamanha desventura.
Uma das religiosas, querendo consolar, censurou sem asperidão, ainda assim, o proceder inumano de Álvaro da Silveira.
Maria fez um gesto de desagrado, e, sentindo amargamente que lho não entendesse a freira condoída, disse:
--Álvaro da Silveira é meu marido, minha senhora. Deus é que julga as nossas ações... Eu preciso a piedade de toda a gente; mas não queria que ela custasse a Álvaro a sua condenação. Meu marido não é mais feliz que eu. Por isso que estou muito certa disto, peço às senhoras desta casa que roguem a Deus por ele, quando lhe rogarem por mim.
Ficaram como assombrados todos os ânimos, e apiedados todos os corações. Ninguém, durante aquele dia, proferiu o nome de Álvaro.
À tarde houve um adeus de muito chorar; mas, ao dia seguinte, lá estavam os irmãozinhos e a mãe da secular, e o tio padre, uns para chorar com ela, outros para distrai-la com as suas inocentes graças.
Leia gratuitamente Lágrimas Abençoadas, de Camilo Castelo Branco, romance em domínio público. Esta edição Literunico apresenta o prefácio e os 96 capítulos reais, em quatro livros, com normalização conservadora para PT-BR moderno.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.