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@eliz_leao

Eliz Leão
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Público
Ele está ali.
Silente, reprime seu arfar.
Comprime e esmaga suas aspirações.
Sem que você perceba,
Ele se imiscui.
Aos poucos, você não vive mais sem.
Te faz sofrer, chorar.
Seu corpo se ressente quando ele não está.
Teu cérebro, luta o tempo todo,
Contra você, contra o mundo.
Te deixa mudo.
Absurdo!
Você, releva, aceita, precisa dele.
Mesmo que ele te machuque.
Normaliza, mesmo que ele te odeie.
E não se engane,
Ele te odeia.
Você é somente lenha para a fogueira que ele quer manter acesa.
E ela queima o mundo!
E o mundo já está a queimar.
Se você não viu, é porque o fogo, ainda não chegou até você.
As vendas que lhe puseram, ainda não caíram.
Quem sai da caverna, nunca mais retorna à ela.
Você já viu a luz , a luz real?
Ela não é daquelas que botam medo, daquelas de quando preso em seu eterno buraco, você observa sua própria sombra.
E ela se torna o teu próprio algoz.
Te mantendo refém.
As sombras, o medo delas e o seu fiel capitalismo.

Eliz Leão
Público
Em português se diz :
Você me faz falta.
Em poesia dizemos:
Meu abrir de olhos,
Ao amanhecer,
Se tornou um hábito,
Já que não me vejo inteira.
E sigo
Pela existência,
De outras pessoas,
Que também amo.
Mas minha alma
Insiste em não despertar,
Naquela parte,
Que somente a ti pertenceu.
Eu sinto seus braços ainda
Quando outrora,
Me rodeavam.
O seu perfume,
Está apenas
Na minha memória
A maciez dos seus cabelos,
Que já roçaram
O canto do meu riso de menina...
O olhar que me encarava
À mesa do café da manhã,
Do almoço
E dos jantares intermináveis
Em frente à tv.
E as manhãs de domingo?
Agora, são somente manhãs.
Assim comos todos os nossos dias,
Se tornaram apenas uma página,
Que o tempo desbota,
Que envelhece, tal e qual
A pele do meu rosto,
Por onde escorrem as lágrimas,
Pelo tempo que não pudemos ter.
Essas rugas,
Que você nunca verá .

Eliz Leão
Ao meu pai.
Público
Imersa
No silencioso
Leito da noite
Ela, a dama
De capa escura
Que leva consigo
De brinde
A lua
Me ganha
Me banha
Me nutre
Do mais puro
Torpor
E do peso
Ascendente
Que paralisa
Meu corpo
E fecha
Meus olhos
Para o mundo
Exterior.

Eliz Leão
Boa noite 
Público
Em português dizemos:
Siga em frente, a vida continua.
Em poesia dizemos:
Mesmo que sua alma carregue o peso de mil lutos,
Mesmo que o peso disso o leve junto
Mesmo que o sorriso deixe sua face
Como o ar dos seus pulmões,
No momento da dor,
Mesmo assim, você sobreviverá.
Assim como o tempo transpõe a qualquer um de nós
Sua hora também virá
E aí, então, a última lágrima
Descerá por sua pele serena
Ao encarar de frente
A derradeira imagem
Que estamparia o fim,
Dentro da tua retina.

Eliz Leão
Público
Ressona em meu ouvido
Sinto a dureza em minhas nádegas
Suas mãos
Transitam no sono .
Semi despertos
Corpos quentes
Entrelaçados .
Me inclino em teu corpo
Beijos que deslizam
No cheiro da pele.
Devagar
Quase tortura.
Hálito quente
Vulva sedenta
Deslizo em teu falo
Gemo .
Meu som acompanha o seu
Minha pele arrepia a tua.
A nossa cama ondula
E toma pra ela
Nossos gritos de amor e gozo.
Meu cheiro misturado ao teu
Corpos e almas nuas .

Eliz Leão
Público
Tange
Com maestria
A alma
Que o guia
Abre a fissura
Descobre
Ensimesmado
Eu diria
Cava fundo
Até o brilho
Que surge de dentro
Arrepia
A pele
E toca
Dilatando a pupila
Tesouro, que irradia
O despertar
Do que morria.

Não somos somente, o que os olhos vêem.

Eliz Leão
Público
Eu amo o cheiro da sua essência
misturada à minha.

O som dos teus beijos, ecoam nos meus lábios

Sua boca marca o instante que a minha alma flutuou junto à Iua.

No compasso infinito do tempo, em que as curvas da tua carne, se moldaram à minha.

Na dança infinda do reverberar dos nossos incessantes corações.

Te amo!

Eliz Leão
@literunico
Público
Que ninguém leia.

Que ninguém leia
Todos os meus anseios
As páginas proferidas em alto e bom som
Os berros trementes que saíram das letras
O choro sentido, que às linhas sangrou.
Que ninguém veja o meu descontrole,
O sentimento tosco que me perspassou.
Que ninguém saiba, da boba centelha
Que me tornou, justo o que sou.
Que a sorte me afague, que ninguém releria
Todos os poemas que das letras jorrou
Enquanto eu sofria, sorria ou gemia
Num canto, ao relento do meu eu, que sobrou.
Quisera um dia, queimar essas estrofes, mal lidas
E malditos pedaços da minha alma proscrita.
Que se queime tudo, ardendo em chumaços
As palavras que o tempo, tão duro ensinou.

Eliz Leão
Público
Ele sabe.
Sabe o dia que ela nasceu
Sabe as coisas que ela ama.
Sabe tudo que ela odeia.
Tudo que a faz chorar e sorrir.
Ele sabe os horários dos médicos, o tamanho das roupas e sapatos.
Ele sabe as vacinas que ela precisa tomar.
Sabe as dores e sabe sanar.
Ele sabe quem são os melhores amigos, o nome da professora, pois participa de cada etapa da vida dela.
Ele a segurou no choro ao tomar vacinas, trocou, deu banho. Cantou pra ela dormir.
Leu pra ela desde a barriga.
Ele sabe seus sonhos e os apoia e incentiva.
Ele já inventou mundos com ela.
Ele deseja um mundo muito melhor, pra ela.
Ele sabe ser pai.
Ele ama ser o pai da nossa menina. Ele é pai dos enteados, até.
Ele sabe o que significa ser.
Amamos você, vida.
Feliz dia.
Você é a pessoa mais importante da nossa vida e conquista esse lugar todos os dias.

Eliz Leão