Capítulo 2 A Um Sorriso de Distância · Capítulo 2 de 12
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Capítulo 2

As coisas já não eram mais as mesmas quando abri os

olhos pela manhã. No entanto, percebi que essa mudança

não havia ocorrido de forma drástica; ela se desenrolou

gradualmente, seguindo um ritmo quase imperceptível.

As transformações acontecem assim, de maneira sutil,

pouco a pouco, sem que nos demos conta, lentamente e

incessantemente. E, de repente, em questão de segundos,

me dei conta de que nada, absolutamente nada,

permanecia como antes. Fui envolvida pela mudança,

mesmo sem querer, e eu mesma já não era a mesma.

Com o passar do tempo, muitas coisas mudaram dentro

de mim. Já estava na fase adulta, mas ainda carregava

em meu ser aquela mesma essência de garota sonhadora

de quando era criança. A facilidade de sorrir ainda me

acompanhava, embora eu tenha aprendido, ao longo dos

meus 26 anos, que as coisas não eram tão fáceis como

imaginava quando era pequenina. As brigas bestas de

irmãos foram substituídas por desilusões amorosas, que

não tinham a mesma prontidão de resolução de quando

se é criança.A dureza e a correria da capital me faziam

relembrar memórias da vida tranquila que havia ficado

há anos de distância. Eu já estava morando em São

Paulo, com minha prima Vê e o Oscar, os quais

considero meus segundos pais. Minha mãe e minhas

duas irmãs, Patrícia e Deise, moravam no interior da

capital paulista, que era consideravelmente perto de

mim. Estava longe apenas do meu pai, que ainda morava

na Bahia, com meus outros dois irmãos, Maria e

Estevinho. Já havia me tornado mãe do meu querido

filho, Arthur, e também era tia das minhas adoráveis

sobrinhas, Eloah e Heloisa. Nossa querida vovó havia se

tornado uma estrelinha, mas ela seguia viva em nossos

corações e manifesta em nossas memórias. Após me

tornar mãe solo, a responsabilidade de encontrar alguém

especial se multiplicou, afinal, não se tratava apenas do

meu futuro, mas também do futuro do meu filho. Para

me apaixonar, precisaria ser alguém realmente especial.

Para ser sincera, estava tranquila quanto a isso. Graças a

Deus, eu tinha todo o apoio do mundo.A Vê e o Oscar,

dindos do Arthur, além de darem muito amor,

proporcionavam todo o conforto e muitos mimos

possíveis. Além disso, podia contar com a rede de apoio

da minha mãe e das minhas irmãs. Eu teria bastante

tempo e calma para escolher uma pessoa para me

relacionar, o que não era meu foco no momento. A Um

Sorriso de Distância Estava focada na faculdade e na

minha carreira de escritora independente, privilégios do

século 21. Numa noite fria de agosto, enquanto escrevia

poemas, criei um em particular que descrevia

nitidamente minha paixão pelo meu sorriso. Sim, sou

apaixonada por ele. Uma coisa valiosa que aprendi ao

longo dos anos é que você precisa se apaixonar por si

mesmo, se amar e se cuidar, afinal de contas, você é seu

próprio lar. Meu sorriso sempre foi minha porta de

entrada, e frequentemente fazia poesia sobre ele.

Manifestei assim:

Ela sorria porque era sorridente, a vida não era leve,

mas ela sorria contente. Ela sorria quando alguém lhe

dava bom-dia, Ao abraçar sua mãe, conversar com sua

tia.Ela sorria nas dificuldades, sabia que o mundo tinha

muita maldade, mas dentro de si algo sorria. Ela sorria,

não que a vida fosse perfeita, mas ela sorria com toda

sua beleza, alma e compaixão. Ela sorria para o vizinho,

para o mendigo, até para o seu João, que falava mal do

seu irmão. Ela sorria em pensamento e com seu olhar

atento estendia a mão. Um dia, eu vi aquela menina,

com tanta alegria que encheu meu coração. Enquanto

ela sorria, encantava a multidão.

Assim que terminei e revisei meu pensamento expresso

em verso, empolgada, liguei para minha mãe. Após dois

toques, ela atendeu ao telefone. — Oi, minha filha —

disse ela ao atender. — Atendeu depressa — questionei

entre risadas e, em seguida, cumprimentei: — Bença,

mainha. A senhora não vai acreditar, fiz um poema lindo

sobre meu sorriso. Recitei meu poema para ela, que,

muito orgulhosa, comentou: — Muito lindo! Será que

podemos ter a presença dessa ilustre escritora na

inauguração da minha igreja? — brincou ela. — Igreja?

— indaguei confusa.— Sim, vou abrir uma igreja com o

pastor aqui perto de onde moro. — Legal! Não sabia —

respondi. Até onde eu sabia, minha mãe fazia cultos na

garagem da casa dela. Abrir uma igreja era um avanço.

Ela sempre foi boa em liderança e comunicação era o

forte dela. Falar de Jesus é o grande chamado da vida

dela. — Claro que sim — respondi, contente, e logo

perguntei: — Quando vai ser? E ela foi me explicando

calmamente: — As festividades iniciarão em 30 de

setembro, dando início a um final de semana cheio de

atividades. Concordei e confirmei minha presença de

imediato. Eu não sabia na época, mas aquele convite,

embora aparentemente normal, logo após escrever um

poema sobre meu sorriso, dava início a uma sequência

de acontecimentos interligados. Algo magnífico estava

para acontecer. No fim das contas, não é todo dia que se

encontra o verdadeiro amor. O convite viria em outro

momento se não fosse aquele; obviamente, minha mãe

mais cedo ou mais tarde, iria me convidar.Mas o que

mais me chamou a atenção é que foi exatamente naquela

circunstância, como um roteiro de filme, como se algo

maior e lindo já estivesse predestinado a acontecer e

tudo estivesse meticulosamente conectado com meu

sorriso. O amor estava a um sorriso de distância e só

precisava estar lá para sorrir.

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