Capítulo 8 A Um Sorriso de Distância · Capítulo 8 de 12
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Capítulo 8

Cada momento ao lado de Júlio era uma fonte

inesgotável de alegria. Nossas conversas eram sempre

especiais, e, a cada encontro, a certeza do que queríamos

se solidificava. Os finais de semana, embora breves,

eram intensos e cheios de significado, e a saudade se

tornava uma constante, alimentando o desejo de

estarmos sempre juntos. À medida que entrávamos no

segundo mês de relacionamento, começávamos a

descobrir as pequenas imperfeições um do outro. No

entanto, essas imperfeições eram ofuscadas pelas

inúmeras qualidades que Júlio possuía. Em um final de

semana particularmente marcante, senti a saudade de

forma avassaladora, e as lágrimas vieram pela primeira

vez. Júlio, do outro lado da linha, tentava me acalmar

com sua voz suave e reconfortante. — Calma, amor. Um

dia te levo comigo. A promessa inesperada ressoava em

meus ouvidos enquanto eu, ainda soluçando, tentava

encontrar consolo em suas palavras. — Isso é uma

promessa? Você precisa cumpri-la, entendeu? — insisti,

buscando segurança naquela ideia.Com serenidade, ele

reafirmou: — Pretendo cumpri-la o quanto antes. Foi a

primeira vez que discutimos a possibilidade de

casamento. Júlio estava planejando comprar um

apartamento, e, por coincidência, um primo dele tinha

um à venda. As negociações começaram rapidamente.

Ele enviou seus dados para aprovação do financiamento

bancário, e tudo o que podíamos fazer era cruzar os

dedos e torcer para que desse certo. Enquanto

aguardávamos, o final de ano se aproximava, trazendo

consigo a animação das festividades. Minha irmã Maria

viria nos visitar, acompanhada de suas adoráveis filhas,

trazendo na mala boas risadas e sabores da Bahia. O meu

primeiro natal ao lado do Júlio se aproximava com a

promessa de nós conectamos ainda mais. Entusiasmados

com a chegada de Maria, decidimos, pouco antes do

Natal, fazer um passeio até uma cidade vizinha. A cidade

resplandecia com as luzes natalinas, criando um cenário

de conto de fadas. Esta seria também a primeira viagem

que reuniria minha família e a de Júlio.Após enfrentar

uma longa fila de carros, finalmente conseguimos

estacionar. Ao sairmos do veículo, fomos imediatamente

tomados pelo brilho das luzes de Natal, que enchiam

nossos olhos e aqueciam nossas almas. Crianças e

famílias circulavam maravilhadas pelas atrações que

animavam as avenidas e calçadas, compartilhando

sorrisos e momentos de puro encanto. A noite prometia

ser mágica e inesquecível. A felicidade de minha mãe

era evidente, pois ela tinha suas quatro filhas reunidas ao

seu lado, uma alegria que transpareceu claramente na

fotografia capturada por Júlio. A imagem congelou um

momento de pura união e amor, simbolizando um Natal

que permaneceria em nossas memórias para sempre.

Depois de passearmos bastante e admirarmos a cidade

iluminada, escolhemos um local tranquilo para

finalmente relaxar e comer algo. Enquanto estávamos

sentados à mesa, o telefone de Júlio vibrou

inesperadamente. Era uma notificação da correspondente

bancária. — Amor, é a mensagem do banco — disse

Júlio, com um sorriso que misturava nervosismo e

entusiasmo. — A essa hora?— perguntei, surpresa. Em

seguida, incentivei-o a abrir a conversa. Ele pegou o

celular, visivelmente ansioso. Ao abrir a mensagem,

percebemos que havia um documento em PDF e um

áudio de quase três minutos. — Ai meu Deus —

murmurou Júlio, hesitando entre abrir o áudio ou o

documento. — Vai, abre logo, pelo amor de Deus —

disse eu, com um sorriso nervoso. Finalmente, Júlio

abriu o documento e lá estava o resultado tão aguardado:

APROVADO! Lemos juntos a notícia de que ele havia

conseguido o financiamento, e a magia daquela noite se

tornou ainda mais especial. Pulamos de alegria, nos

abraçamos fortemente e rapidamente compartilhamos a

novidade com amigos e familiares. A celebração foi

instantânea, e o futuro, que até então parecia distante, de

repente ficou muito próximo e real. Com a aprovação

para a compra do apartamento, os planos para o tão

sonhado casamento começaram a ganhar forma. Aquele

momento não era apenas uma conquista financeira, mas

o início de um novo capítulo repleto de sonhos e

esperanças renovadas.Voltamos para casa, ainda

eufóricos com a notícia que aquecia nossos corações.

Mais tarde, naquela noite, conversei com minha irmã

Maria sobre Júlio e sobre como tudo estava acontecendo

rapidamente. Não havíamos completado três meses

juntos, e já falávamos em casamento, com ele prestes a

adquirir um apartamento. Comentei sobre Júlio,

destacando sua gentileza, educação e atenção. Claro,

todos temos nossos defeitos, mas suas qualidades eram

inegáveis e faziam com que cada momento ao seu lado

fosse especial. Embora ache a palavra “defeito” pesada,

diria que são apenas falta de habilidades em

determinadas situações ou convicções. Eu, por exemplo,

não tenho tanta habilidade em esperar, e não considero

isso um defeito. “Defeito” me remete a algo quebrado,

inútil, o que claramente não descreve pessoas. No dia

seguinte, o sol brilhava intensamente, aquecendo o dia,

enquanto Júlio expressava seu carinho através de

mensagens carinhosas. Em uma dessas mensagens, ele

perguntou: — Quer passar o Natal com a minha família?

A proposta era tentadora, mas havia um pequeno desafio

a ser superado. — Difícil, temos três casas para visitar.

Como vamos fazer? — respondi, ponderando sobre a

logística. Após algumas conversas, chegamos à decisão

de alternar entre a casa da minha mãe e a dele no dia 24,

já que ambas estão na mesma cidade. No dia 25,

planejamos almoçar na minha casa, na companhia da Vê

e do Oscar. Nos dias que antecederam o Natal, fiquei na

casa da minha mãe, aproveitando cada instante na

companhia das minhas sobrinhas e da minha irmã.

Sempre adoramos compartilhar momentos especiais

juntas, relembrando nossas aventuras e travessuras de

infância. Aqueles dias eram vibrantes e recheados de

cores, não apenas pela alegria de ter minhas irmãs e

sobrinhas por perto, mas também por estar próxima do

Júlio, com quem me encontrava todos os dias enquanto

eu estava na casa da minha mãe. Esses dias passaram

como um piscar de olhos, e rapidamente chegou o dia

24, a tão esperada véspera de Natal.Naquele dia, após

um breve e caloroso encontro na casa da minha mãe,

partimos para a casa de Júlio. Ao chegarmos, uma

surpresa nos aguardava: debaixo da árvore de Natal,

havia uma bicicleta que Júlio havia comprado para

Arthur. O pequeno, com os olhos brilhando de alegria,

imediatamente começou a pedalar, enquanto todos ao

redor trocavam presentes com entusiasmo. Observando

aquela cena, não pude deixar de refletir sobre como essas

pessoas se tornaram tão especiais em tão pouco tempo.

Era como se eles já estivessem destinados a fazer parte

da minha vida antes mesmo de eu deixar minha terra

natal. Tudo o que estava acontecendo parecia envolto em

uma aura mágica, tão encantadora quanto o sorriso que

dei quando Júlio se apaixonou pela primeira vez. Após o

término das festividades de fim de ano, Júlio nos

surpreendeu com um convite especial: uma viagem para

comemorar nossos três meses juntos.Embora

estivéssemos acostumados a viajar frequentemente com

minhas irmãs e minha mãe para praias e cachoeiras nos

arredores, quase todo final de semana, essa viagem

prometia ser diferente. Júlio estava preparando algo

especial. Partimos para uma praia no interior do Rio de

Janeiro, um lugar de beleza indescritível. Acordamos

cedo e aproveitamos a manhã na praia, sentindo a brisa

do mar e o calor do sol. Quando chegou a hora do

almoço, nos dirigimos a um restaurante encantador à

beira-mar. Enquanto fazíamos o pedido, Júlio se

levantou de repente e disse: — Amor, esqueci a carteira

no carro, vou buscar. — Está certo — respondi, sem

suspeitar de nada, já que o carro estava estacionado ali

perto. Para minha surpresa, Júlio retornou não com a

carteira, mas com um par de alianças de ouro. Seus olhos

brilhavam intensamente, e suas mãos tremiam

levemente. Com a voz embargada pela emoção, ele

declarou: — Eu quero... Quero um sorriso bobo de

manhã. Uma ligação inesperada no meio do seu dia

agitado.Quero conhecer o mundo com você, ver filmes

aleatórios agarradinhos. Quero explorar novos lugares e

sabores. Que sorte teríamos se víssemos o céu cheio de

estrelas de mãos dadas. Quero ver o sol nascer e nosso

amor crescer. Eu quero o mundo com você. Letícia, você

aceita se casar comigo? Segurei sua mão trêmula,

sentindo uma mistura de nervosismo e entusiasmo. Ele

estava ali, diante de mim, me pedindo em casamento. —

Meu Deus! Sim, eu quero viver tudo isso com você, meu

amor. Eu quero me casar com você! Ainda atônita e

transbordando de felicidade, ele me deu um beijo

salgado, com gosto de mar e de pura alegria. Colocou o

anel no meu dedo, seus olhos castanhos brilhando de

emoção. Arthur, ao nosso lado, assistia à cena sem

entender completamente, mas sentindo a magia do

momento. Enquanto admirava o anel em meu dedo, o

garçom chegou com nosso pedido. — Você já tinha

comprado? — perguntei, surpresa. — Sim, minha mãe

foi comigo escolher — respondeu, sorrindo. — Eu te

amo, meu amor — disse, apertando sua mão ainda fria.

Logo o pedido chegou, e eu ainda estava mergulhada em

felicidade. Saboreei o camarão, que tinha gosto de

felicidade e pitadas de amor. Meus olhos não

conseguiam parar de se voltar para a aliança no meu

dedo, risos soltos e olhares que cruzavam com os do

Júlio, que ali na minha frente claramente expressava o

real significado do amor verdadeiro. Desde o princípio, o

Júlio sempre soube o que queria: tornar-me sua mulher.

Ele em nenhum momento até ali hesitou; sempre

demonstrou seus sentimentos através de flores, carinhos

e cuidados, nunca mediu esforços para me fazer feliz.

Ele claramente não só estava disposto a me fazer feliz,

mas também a fazer feliz meu filho, que hoje o chama de

pai. Foram essas pequenas e grandes coisas que fizeram

com que o sim saísse instantaneamente da minha boca.

Mesmo em tão pouco tempo, eu sentia, no profundo do

meu ser, que era ele a pessoa com quem queria dividir

minha vida para sempre. Voltamos para casa no mesmo

dia, meu coração batendo em um ritmo alegre.No

caminho, fomos presenteados com um pôr do sol

magnífico, como se o universo estivesse abençoando

aquele dia inesquecível, encerrando-o com chave de

ouro.

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