Capítulo 4 A Um Sorriso de Distância · Capítulo 4 de 12
Obra Menu

Capítulo 4

Eu já estava sentada à mesa, jantando com minha mãe,

quando recebi uma mensagem dele: “Desculpa ter saído

sem me despedir rsrs”, escreveu ele, seguido de uma

pergunta: “Você vai ficar aqui na cidade até quando?”.

Subitamente perdi apetite, e fui para o quarto

respondê-lo com calma. Escrevi: “Está desculpado, vou

embora na segunda. Mas eu venho aqui sempre”. Assim

que enviei, vi que ele estava digitando. Segundos depois,

meu celular notificou: “Ahh sim, então ainda temos

tempo de sair para fazer alguma coisa, caso queira.

Vamos sair para comer alguma coisa amanhã à noite?”.

“Que bom que você vem sempre”, ele concluiu. Ao ler

aquelas mensagens, meu estômago borbulhava de

felicidade. Pensei: que rápido! Na minha cabeça,

imaginava que só sairíamos juntos na minha próxima

visita à minha mãe, isso se nossas conversas fluíssem. Já

era sábado e minha passagem estava comprada para

segunda cedo. Ele não perdeu tempo e já me convidou

para sair. Ele parecia ser uma pessoa decidia, apesar de

ter saído correndo na nossa última conversa.Respondi:

“Está certo”. Mesmo receosa com a velocidade de como

tudo se encaminhava. No entanto estava gostando da

nossa conversa, apesar da gente morar uns 80 km de

distância, tinha planos de morar na mesma cidade que a

dele no próximo ano, e quem sabe valeria a pena, afinal,

ele só estava me convidando para sair. Perguntei:

“Depois do culto, né?”. No dia seguinte era domingo, o

último dia da festividade na igreja da minha mãe. “Isso,

depois do culto”, ele confirmou. “OK”, eu disse. “Você

gosta de massas?”, ele perguntou. Respondi que sim. Em

seguida, ele digitou: “Vou pensar em algum lugar para a

gente ir. Caso não tenha restaurante aberto, você, como

estudante de nutrição, o que gosta de comer? Rsrs”.

Respondi: “Não conheço muito aqui, gosto de comer

comida”, respondi como uma boa estudante de Nutrição

(risos). Conversamos bastante, descobri que ele era

formado em Direito, tinha 27 anos, gostava de acampar e

se aventurar subindo montanhas, conhecendo lugares

incríveis. À medida que o conhecia, admirava-o ainda

mais.Depois de um tempo, acabei pegando no sono.

Acordei no outro dia com uma mensagem sua no meu

celular, desejando-me “Bom dia”, e por fim combinamos

de ir a uma pizzaria depois do culto. Perguntei: “Você

sabe onde minha mãe mora? Vou deixar meu filho aqui

em casa depois do culto”. “Respondendo sua pergunta,

eu sei onde sua mãe mora, sim. A gente pode passar lá

pra deixar o Arthur”, ele disse. “Mas ela sabe que a

gente vai sair?”, perguntou, surpreso. “Combinado”,

respondi. “Pode ser que ela demore. Ah, e sim, ela sabe,

pois vai ficar com o Arthur.” Passei o dia inteiro

ponderando todas as possibilidades e o que poderia

acontecer no nosso primeiro encontro. Já se

encaminhava para as três da tarde, quando Daniel, amigo

da família, chegou à casa da minha mãe. — Letícia tem

um encontro? — perguntou em tom de brincadeira. — O

que tem isso? — indaguei, levantando a sobrancelha.

Minha mãe respondeu, sorrindo e me encarando: — Ela

vai na Pizzaria Augusta.— Eh, Arthurzinho, sua mãe

vai, sim — Daniel falou, passando a mão no cabelo do

Arthur enquanto ele brincava. Então perguntei um pouco

animada: — A senhora fica com o Arthur? É depois do

culto. — Fico, sim — ela respondeu, sorrindo para

Daniel. Já era de tarde e estávamos nos arrumando para

ir ao culto. Aquele seria o último dia de festividade, e

minha irmã ia cantar com a banda dela. Estava animada.

Um pouco antes de ir para a igreja, notei que meu filho

estava um pouco para baixo, no início de uma gripe.

Fiquei preocupada, pois ele já tinha tido uma convulsão

uma vez por conta da febre, e fiquei inquieta e atenta a

ele. Ao chegar na igreja, logo avistei o Júlio, vestindo

um suéter azul marinho. Ele estava muito lindo nesse

dia, seu sorriso era acolhedor e seus olhos brilhavam

como se ele carregasse um sol em seu olhar. Meu Deus!

Meu estômago borbulhava de ansiedade para o culto

acabar e termos nosso primeiro encontro. Quando o culto

estava quase chegando ao fim, notei que meu filho

estava um pouco quente.Fiquei preocupada, pois como

poderia ir a um encontro e deixar meu filho com febre

em casa? Claro, ele estaria aos cuidados da minha mãe,

mas mesmo assim, estava fora de cogitação deixá-lo

doente em casa. Ao mesmo tempo, ficava aflita, pois

queria muito sair com o Júlio. “O que eu faço?”, pensei

comigo mesma, torcendo para o culto acabar logo para ir

para casa dar medicamento para meu filhote de gente,

como eu carinhosamente o chamava. Ao terminar o

culto, conversei com o Júlio e pedi para ele me levar à

casa da minha mãe, que era perto dali. Contei que achava

que meu filho estava com febre e que eu iria para casa

dar o medicamento para ele e fazê-lo dormir antes de

minha mãe chegar para ficar com ele. Assim foi. Antes

de eu entrar no carro, ele, todo cuidadoso, abriu a porta

para mim. Trocamos poucas palavras no trajeto, apenas

algumas palavras soltas. Ao descer, convidei-o para

entrar na casa da minha mãe, mas ele se recusou, pois

estaríamos sozinhos e poderia parecer estranho para a

pastora dele, que no caso era minha mãe.Ele decidiu

ficar no carro, na porta, até minha mãe chegar. Aquele

gesto de cuidado e compreensão me tocou

profundamente. Júlio demonstrou respeito e

consideração, o que só aumentou minha admiração por

ele. Entrei em casa, peguei um termômetro e... 38 graus,

meu filho estava com febre. Fiquei aflita, dividida entre

ir ou não. No dia seguinte, de manhã, voltaria para São

Paulo. Se não fosse naquela noite, quando seria? Estava

com passagem comprada para viajar para a Bahia na

semana seguinte. Enquanto dava o medicamento para

meu filho, pensava no que dizer para Júlio. Não queria ir

e deixar meu filho com febre. Minha mãe me mandou

uma mensagem: “Letícia, já estou indo. O pessoal do

som estava demorando para desmontar. Cadê o Júlio?”.

“Está lá fora, dentro do carro, esperando. Ele não quis

descer”, respondi e acrescentei: “Mainha, o Arthur tá

com febre. Não quero ir. O que a senhora acha?”. “Você

deu o remédio para ele?” ela digitou. “Sim, ele já está

dormindo”, respondi. Ela disse: “Vai, menina, deixa de

ser boba.Ele já está dormindo, vai ficar tudo bem. Você

precisa de alguém que te ame e que te cuide. Quem sabe

não é ele? Eu vou ficar com o Arthur. Qualquer coisa, eu

te aviso”. Essas palavras foram decisivas. Resolvi ir,

mesmo com medo. A pizzaria ficava a uns dez minutos

da casa da minha mãe. O Arthur já estava dormindo e

medicado. O máximo que poderia acontecer era ele

acordar e minha mãe me ligar, e eu voltaria. Insegura,

mandei uma mensagem para Júlio: “Mainha já está

vindo, ufa!”. Ele respondeu: “Sim, acabou de passar

aqui”. Quando o pessoal chegou em casa, corri até minha

mãe e falei: — O Arthur está dormindo. Qualquer coisa,

me liga. Confesso que fiquei com receio, mas fui

confiando que tudo daria certo. O Arthur já estava

medicado e dormindo. Além disso, a oportunidade de

conhecer melhor Júlio era algo que eu não queria deixar

passar. Ao entrar no carro, contei para ele que o Arthur

estava com febre e perguntei se ele poderia me levar à

farmácia, pois queria comprar um remédio, já que

viajaríamos cedo na manhã seguinte.Ele prontamente

concordou. Depois de passarmos na farmácia, seguimos

para a Pizzaria Augusta para jantar. Pelo horário, não

havia muitas opções legais abertas. Após estacionar o

carro, ele perguntou: — Pode esperar um pouco? — Sim

— respondi, meio envergonhada. Enquanto esperava,

notei que ele deu a volta no carro e veio em minha

direção. Ao abrir a porta onde eu estava, ele disse: —

Agora sim, pode descer. Fiquei corada e impressionada

com seu cavalheirismo. Em seguida, ele estendeu sua

mão em minha direção. Seus braços eram longos, com

veias saltadas. Ao sentir sua mão tocar a minha, meu

coração disparou, e meu semblante ganhou um sorriso

envergonhado. Entramos na pizzaria, e o clima estava

agradável. Logo fomos levados a uma mesa. Enquanto

ele escolhia as opções no cardápio, eu o observava com

mais calma. Seus olhos eram de um castanho claro, e me

apaixonei de forma serena, com brilho nos olhos e um

sorriso envergonhado nos lábios, antes mesmo de

completarmos o pedido. Ele olhou para mim e

perguntou: — Que pizza você gosta?— Margarita e de

bacon — respondi. — Pode ser metade de cada? — ele

perguntou, sorrindo, enquanto meu celular tocava. —

Pode sim! — completei. — Vou ver esta mensagem,

pode ser importante. — Claro! — ele disse

imediatamente, fixando seus olhos em mim enquanto

pegava o celular. — É minha irmã Patrícia — afirmei.

“Estamos aqui na casa de mainha. O Arthur está

dormindo. Fica em paz. Como está aí? Acabei de medir a

temperatura dele e está com 36 graus, não está com

febre, não.” Após ler aquelas mensagens, fiquei mais

tranquila e pude voltar para o meu encontro. — Ufa!

Meu filho não está mais com febre — disse, aliviada.

Júlio respondeu: — Sério? Graças a Deus. E me

perguntou em seguida: — Quer tomar o quê? — Pode

ser um suco de laranja — respondi, sorrindo. Trocamos

risadas e conversamos bastante sobre nós, tentando nos

conhecer melhor. A pizza chegou, e estava maravilhosa.

Após o garçom nos servir, perguntei calmamente: —

Como você me encontrou? E o que chamou sua atenção?

E Júlio explicou de forma serena e contínua: —

Apaixonei-me pelo seu sorriso em frações de segundos.

Pode-se dizer que foi amor à primeira vista, ou melhor,

amor ao primeiro sorriso. Quando a vi sorrindo pela

primeira vez, a sensação que tive foi como se estivesse

admirando uma das mais belas paisagens, uma

verdadeira obra de arte. Pensei comigo mesmo: esse

sorriso supera facilmente as sete maravilhas do mundo

antigo e moderno. É esse sorriso que quero admirar para

a vida toda. — Sério? — interrompi-o e continuei: —

Mas eu não estava sorrindo para você. Ele respondeu

com um sorriso suave: — Eu sei, mas isso não importa.

A beleza do seu sorriso transcendeu qualquer

direcionamento. Foi como se ele tivesse sido destinado a

mim, mesmo sem intenção. E naquele momento soube

que precisava conhecê-la melhor. Ao chegar em casa, a

primeira coisa que fiz foi procurar você no Instagram.

Não foi difícil, pois encontrei seu perfil através do Insta

da igreja. Assim que comecei a te seguir, pude admirar

um pouco mais do seu sorriso através das fotos.Mesmo

com um frio na barriga, resolvi te mandar uma

mensagem, e, para minha surpresa, você respondeu

rapidamente. Dei um gole no suco, tentando encontrar

palavras, pois ele havia me deixado sem palavras pela

segunda vez naquela noite. Enquanto eu buscava algo

para dizer, ele, meio desconcertante, comentou: — Foi

olhar teu sorriso e meu coração errou as batidas. Fiquei

um tempo sorrindo em silêncio, olhando para ele, e então

respondi: — Enquanto meus olhos conseguirem alcançar

você, sorrirei. Ele era realmente bom com as palavras, e

a dúvida se ele as cumpriria pairava no ar, como uma

expectativa silenciosa. Aquele momento era especial,

pois estávamos criando uma história que ambos

desejávamos que continuasse a ser escrita. Que

profundo, pensei comigo mesma. O mais curioso é que

conheço ele há apenas um dia e já estou tão apaixonada.

Mal comi um pedaço de pizza, e comentei: — Estou

cheia. Normalmente consigo comer dois pedaços, mas

hoje, com a emoção do primeiro encontro, mal consegui

terminar um, empurrando com o suco.— Estou cheio

também — ele disse, concordando. Ele apertou

levemente minha mão, e meus olhos imediatamente se

voltaram para nossas mãos entrelaçadas. Levantei meus

olhos calmamente, e, antes que eu pudesse articular

alguma palavra, ele perguntou: — Quer mais alguma

coisa? — Não — respondi, acenando com a cabeça. —

Vou pedir a conta — ele disse, enquanto fazia um gesto

para chamar o garçom. O garçom se aproximou e

perguntou: — Vai levar para viagem? — Sim — ele

respondeu. A pizza era realmente deliciosa, mas a

emoção do momento nos impediu de comer menos da

metade. Após ele pegar a pizza e pagar a conta, saímos

de mãos dadas em direção à saída. Poucos passos após

cruzarmos a porta, ele me puxou gentilmente e me deu

nosso primeiro beijo. Fui pega de surpresa, mas foi uma

surpresa boa, daquelas que fazem o coração acelerar e o

mundo ao redor parecer desaparecer por um instante.

Naquele momento, eu estava gritando de alegria por

dentro: “Ainda bem que você veio, que beijo

maravilhoso ele tem!”.Eu imaginava que nos

beijaríamos naquela noite, mas logo assim, na saída, foi

um recorde. Ele era rápido, pensei comigo, enquanto nos

dirigíamos até seu carro. Ele prontamente abriu a porta

para mim novamente e, após entrarmos, olhou nos meus

olhos e se aproximou lentamente, depositando mais um

beijo suave em meus lábios. Ficamos ali por um tempo,

trocando sorrisos e beijos, até que comentei: — Vamos?

Amanhã vou viajar cedo. — Vamos, vou te deixar na sua

mãe — ele disse, olhando nos meus olhos enquanto

ajeitava meus cabelos atrás da orelha. — Posso ir com

você? — perguntou, dando-me um beijo e completando:

— Para São Paulo, digo. Após sorrir, perguntei: — Você

iria? Percebi que seus olhos, fixados nos meus, se

voltaram para o meu sorriso, e ele, seriamente, disse: —

Desde a primeira vez que te olhei, decidi que iria de bom

grado para qualquer lugar que você quisesse ir. Parece

loucura, mas quem se importa com a loucura do amor

hoje em dia?Quero viver o teu sorriso neste tempo tão

corrido, dar abraços longos, sorrisos sinceros e olhares

que dizem mais do que palavras. — Nossa, que lindo!

Você gosta de me deixar sem palavras, Júlio César. —

Vamos? — ele disse, ajeitando-se no banco do carro e

começando a dirigir. Ele me levou até a casa da minha

mãe, já era por volta da meia-noite. Nos despedimos e eu

disse: — Assim que chegar em casa, avisa. Ao partir, no

silêncio do pós-encontro, pensei comigo mesma,

empolgada: “Eu sou mais feliz desde que a gente virou

‘nós’”. Ao chegar na casa da minha mãe, descendo as

escadas, avistei minha irmã Patrícia, acompanhada do

seu esposo e os amigos da banda deles, comendo pizza.

— Bonito! — eles disseram, e eu sorri, meio enver

gonhada, tentando desviar o foco. Perguntei: — Cadê o

Arthur? — Está dormindo com mainha — respondeu mi

nha irmã, que logo me puxou animada para o quarto. —

Me conta! — disse ela, empolgada. — Foi perfeito —

respondi, entre sorrisos e pulos estranhos de emoção. —

Letícia do céu, eu não acredito!— disse ela, me

sacudindo e perguntando: — Tu estás apaixonada? Meu

sonho se realizou. Sorrimos, nos abraçamos e contei por

alto como foi. Após compartilhar com minha irmã, entrei

no quarto onde minha mãe já estava deitada. Deitei ao

lado dela e falei: — Está dormindo? — Não — ela

respondeu sonolenta, e perguntou: — Como foi? —

Mainha, foi perfeito. A gente foi na Pizzaria Augusta, ele

abriu a porta do carro, puxou a cadeira para eu sentar. O

beijo dele é maravilhoso! Ela riu, contente. Após dar um

beijo nela, disse: — Vou arrumar minha mala. Arthur

continuava dormindo ao lado dela. Já estava quase

terminando, quando chegou uma mensagem do Júlio:

“Acabei de chegar em casa”. “Que bom, estou

terminando de arrumar a mala” — escrevi. “Não

arrume”, ele respondeu. Em seguida, mandou:

“Brincadeira, mas espero que em breve você esteja aqui

novamente”. Respondi: “Estarei”. Após isso, avisei que

iria dormir e dei boa noite. Ele informou que dormiria

também.Já estava deitada, pensando em como aquele

final de semana tinha sido doido e bom ao mesmo

tempo. Era incrível como em tão pouco tempo tantas

emoções e momentos especiais puderam se desenrolar,

deixando um sorriso no meu rosto enquanto eu

adormecia.

1/1
Menu

Fazer anotação