Capítulo 11 A Um Sorriso de Distância · Capítulo 11 de 12
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Capítulo 11

Após uma semana revigorante na Bahia, voltei para São

Paulo com o coração cheio de energia e gratidão. Os dias

de reencontro com a família e a conexão com a natureza

me deram a força necessária para enfrentar os meses

agitados que se aproximavam. Um dia após minha

chegada, já estava prestes a iniciar meu último estágio,

uma etapa crucial no meu último ano de faculdade. Esse

estágio seria em uma casa de repouso, e eu trabalharia

até dois dias antes do casamento religioso, o que

significava que teria muitas responsabilidades e

preparativos para gerenciar nos dois meses seguintes. O

casamento religioso estava planejado para acontecer em

uma chácara deslumbrante, próxima à casa do Júlio.

Visitamos o local alguns meses antes e nos apaixonamos

imediatamente, tornando-o nossa única escolha. O pastor

que celebraria nosso casamento era uma pessoa especial

e querida, o que tornava o evento ainda mais

significativo. Já havíamos encomendado o bolo e os

doces, e todos os fornecedores estavam contratados:

buffet, DJ, cerimonialista, decoradora e maquiadora.

Tudo estava cuidadosamente planejado para garantir que

o dia fosse perfeito. Enquanto eu estava na Bahia, Júlio

aproveitou para escolher seu terno com a mãe e também

escreveu seus votos. Ao chegar em casa, fui recebida

com flores, um gesto carinhoso que aqueceu meu

coração. Compartilhei com Júlio as maravilhas da minha

viagem, e, após uma conversa animada, decidimos

visitar Verônica no final de semana seguinte. Meu

primeiro dia de estágio foi uma experiência única. Ver os

idosos na casa de repouso, embora bem amparados,

longe de suas famílias, me fez refletir sobre a vida e

despertou em mim o desejo de oferecer amor e carinho

àqueles senhores. Pouco tempo depois, fomos à casa de

Verônica, que nos aguardava ansiosa. Ao entrar no

quarto da tia, fiquei aliviada ao vê-la estável, o que

reacendeu minha esperança de ter Verônica e Oscar

presentes no meu casamento. Cheguei a considerar a

possibilidade de levá-la conosco, pois a chácara era

acessível e ela poderia participar da cerimônia em uma

cadeira de rodas.No entanto, percebi que, dadas as

nossas limitações e a necessidade de priorizar o

bem-estar dela, seria inviável. Os dias passaram voando,

e a alegria de viver aquele momento especial coloria

nossa rotina. Quinze dias antes do tão esperado 7 de

setembro, Júlio e eu fomos surpreendidos com um chá de

cozinha, cuidadosamente planejado pela amiga da minha

mãe e minha irmã Patrícia. Cercados de brincadeiras e

risadas, abrimos os presentes, e aquele instante acendeu

minha alma. Minhas tias animaram as atividades, e

celebramos o amor que nos envolvia. Encerramos o dia

felizes com os presentes e envoltos em harmonia,

ansiosos pelo grande dia que se aproximava a cada

instante. E com apenas sete dias para o casamento, a

ansiedade fervilhava dentro de mim. Naquela manhã,

acordei cedo, incapaz de conter a alegria, que me fez

pular da cama antes das sete. A felicidade transbordava,

e eu precisava expressá-la de alguma forma. Com Arthur

e Júlio ainda dormindo, decidi ler minhas cartas do

passado, na esperança de acalmar a ansiedade.Peguei

uma folha de caderno e comecei a escrever uma carta

para meu eu do passado: “Olá, eu do passado! Trago

boas novas do futuro! Estou aqui, às 06:42 da manhã,

debruçada sobre a mesa, incapaz de dormir mais um

pouco devido à ansiedade de te contar... Sim, deu certo!

Há menos de um ano, você encontrou o amor! Ele é

gentil e loucamente apaixonado por você. Arthur o

chama de pai. Hoje, você sente vontade de chorar, mas é

de felicidade. Você está no seu lindo apartamento.

Embora não more mais com a Vê, visita-a todos os

meses. Sua faculdade está quase no fim, e você está no

último estágio. Quero te dizer que valeu a pena manter

aquele fio de esperança. Tudo se ajeitou rapidamente!

Deus foi bondoso, e estamos a sete dias do nosso

casamento, realizando um sonho de infância. Estou tão

feliz que não consegui ficar na cama e vim escrever para

você. Casámos-nos no civil em junho, e tudo tem corrido

maravilhosamente bem. É uma felicidade imensa contar

que tudo deu certo no fim, que o amor existe e ser

verdadeiramente amada é maravilhoso.Graças a você,

estamos a sete dias de um sonho, graças à sua fé em dias

melhores. Encerro aqui, com a mesma fé em novas

conquistas”. Terminei a carta imersa em lágrimas de

felicidade. Logo depois, Arthur e Júlio acordaram, e

assim começamos nosso dia. Entramos na última semana

antes do casamento, e os convidados de outros estados

começaram a chegar aos poucos, com tia Gilda e minha

avó seriam as últimas, previstas para chegar no dia 6,

véspera do casamento. Carregava dentro de mim a

inquietação e a expectativa até o dia 7, questionando se

tudo daria certo. Até ali, tudo havia se encaixado

rapidamente, provando que não existe tempo certo para o

amor. O amor simplesmente acontece, e havia

transformado nossas vidas. Na mesma data do ano

anterior, eu ainda não conhecia Júlio, mas agora estava

prestes a realizar um sonho de menina, construindo um

lar e uma vida. Na semana do casamento, Júlio e eu

escrevemos cartas para nossos padrinhos e pais.

Aproveitei para escrever uma carta para ele, ao vê-lo

escrevendo para mim. Ele me entregaria no dia do

casamento.Combinamos que eu me arrumaria na

chácara, que tinha um quarto para as noivas. Fui à loja

para uma última prova do vestido e, faltando apenas

quatro dias para o casamento, troquei o vestido por um

do mesmo modelo, mas um tamanho menor, que não

precisaria de ajustes. Foi uma troca impulsiva, mas

certeira. A sexta-feira chegou, véspera do casamento, e

já havia começado agitada. Após ir fazer minha unha,

fomos à rodoviária buscar minha avó e tia Gilda.

Enquanto cumprimentava minha avó, uma tia querida,

por nome de Aniela, que havia dito que não poderia vir,

surgiu de surpresa. Ao vê-la, meus olhos se arregalaram,

e corri para abraçá-la. — Eu não acredito! Eu não

acredito! — repetia, chorando de emoção enquanto a

abraçava. Ela, também emocionada, afastou meu cabelo

molhado de lágrimas do rosto e disse: — Você acha que

eu não viria? Tia Ane, como carinhosamente a chamo,

era muito especial para mim. Morei com ela por um ano

antes de ir para São Paulo, e sua presença no meu

casamento era um presente inestimável.Eufóricas e

alegres, fomos para meu apartamento, envolvidas em

conversas sobre como orquestraram aquela surpresa.

Aquele dia foi um prelúdio perfeito para o que estava por

vir, repleto de amor e emoção. Ao chegarmos em casa e

acomodar minhas tias e minha avó, Júlio preparou um

delicioso café, logo deixávamos elas descansando. Em

seguida, nos dirigimos à casa dos pais de Júlio, onde

estavam todas as coisas que havíamos comprado para o

casamento, além dos doces e do bolo, para que, assim,

levássemos até a chácara onde aconteceria o casamento.

Naquela noite, enquanto Júlio e seu pai descarregavam o

carro, aproveitei para passar um tempo com minha mãe e

Sônia, que seria minha madrinha de casamento, ambas já

estavam na chácara. Conversamos animadamente, e elas

estavam encantadas com a beleza do local que

escolhemos para a cerimônia. Cada abraço apertado que

minha mãe me oferecia era repleto de amor e segurança,

e cada sorriso dela, ao contemplar minha felicidade,

despertava em mim uma profunda reflexão.Sua alegria

era quase tangível, uma fonte de luz que enchia o

ambiente. Seu sorriso, constante e sincero, lembrava-me

de que foi através dela que conheci o Júlio, o amor que

transformou minha vida. Minha mãe foi a responsável

por pavimentar o caminho de felicidade que eu trilho

agora, pois foi na igreja que ela erigiu com tanto cuidado

que os olhos do Júlio encontraram meu sorriso pela

primeira vez. O convite carinhoso que ela me fez meses

atrás tornou-se a chave para este momento tão especial,

em que todas as peças do destino se encaixaram

perfeitamente. Imersa em gratidão, recebi uma ligação de

Patrícia. Na casa dela, já havia convidados, e, no meio

do barulho, ouvi sua voz animada: — É amanhã! É

amanhã! — exclamou. — É amanhã! — confirmei,

pulando de felicidade. — Estamos morando na mesma

cidade, nem acredito! — disse ela, contente do outro

lado da linha. — Sim, nem acredito que conseguimos —

respondi. Logo ela informou que chegaria cedo ao sítio,

já que o casamento estava marcado para às três da tarde.

Combinamos que as mulheres da minha família se

arrumariam lá, todas no quarto ao lado do meu. — Onde

vai passar a lua de mel? — perguntou, curiosa. Informei

que passaríamos em uma cabana no interior de Minas.

Desligamos, combinando de nos ver no dia seguinte.

Logo em seguida, mandei uma mensagem para Vê: “Oi,

tudo certo para amanhã, né?”. Vê já havia confirmado

sua presença, mas não custava perguntar novamente. Ela

havia compartilhado que viria cedinho, e a cuidadora,

junto com meu primo, irmão da Vê, cuidaria da tia. A

expectativa e a emoção estavam no ar, e cada detalhe

parecia se encaixar perfeitamente para o grande dia, que

se aproximava e estava agora a algumas horas de

distância.

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