Capítulo 3 A Um Sorriso de Distância · Capítulo 3 de 12
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Capítulo 3

Os dias iam se passando, e eu me encontrava um pouco

pensativa sobre meu futuro. Sentia o desejo no meu

coração de orar por ele. Recentemente, havia publicado

um livro de poemas cujo tema era “Pequenos Detalhes”.

Decidi fazer uma campanha de oração sozinha, pensando

comigo mesma: todas as noites, durante 30 dias, às 22

horas, irei orar. Esse horário era perfeito, pois minha aula

já teria acabado e meu filho já estaria dormindo. Sem

explicação, eu sabia que os melhores dias da minha vida

estavam bem perto, e estava me preparando para

recebê-los. Sabe quando você sente que algo vai

acontecer? Eu não sei explicar; alguns chamam de

pressentimento, sexto sentido, sei lá. Eu sentia

fortemente dentro de mim, e aquilo já era o suficiente.

Mas eu seguia minha vida: estudava, fazia exercícios

físicos e mantinha minhas orações em um futuro

promissor. Mal sabia que minhas orações já estavam

sendo atendidas. Logo chegou o dia de viajar para a

cidade onde minha mãe morava. Eu era apaixonada por

aquela cidade desde a primeira visita.Havia muitas

árvores, e a conexão com a natureza que existia naquele

lugar me trazia conforto, remetendo-me à paz e

tranquilidade que tínhamos quando eu era criança. Bem

cedo, ao acordar, senti uma paz e uma sensação forte de

que algo estava para acontecer. Ou melhor, eu estava

prestes a dar o sorriso mais apaixonante da minha vida,

fato que até então não era do meu conhecimento.

Naquele dia, cheguei à casa da minha mãe por volta das

21h00, cansada. Afinal, viajar com criança cansa,

mesmo em viagens curtas como aquela, de

aproximadamente 3 horas. Tinha pegado um carro de

aplicativo até a rodoviária, o que levou uns 50 minutos, e

esperei cerca de meia hora pelo ônibus. Depois, fiquei 1

hora e uns 20 minutos no ônibus. Quando cheguei, mal

cum primentei minha mãe, pois já tinha passado do

horário do meu filho dormir. Deitei ao lado dele para

fazê-lo dormir e acabei dormindo também. Era

justamente o último dia para completar a sequência de

30 dias de oração, e esqueci completamente de orar.

Acordei cedinho e já me deparei com o entusiasmo da

minha mãe, que estava animada com a festividade do

dia. — Bom dia! Hoje tem churrasco na casa de uma

irmã da igreja — disse ela, contente. — Bença, Mainha.

Que legal! Eu amo carne, a senhora sabe, né? —

respondi com um sorriso. — Deus te abençoe — ela

disse. Curiosa, perguntei: — Quem vai? — O pessoal da

igreja — ela respondeu, enquanto engolia o café e

concluía: — Lá tem piscina e vai acontecer batismo de

alguns irmãos. Fui contagiada pela empolgação dela. Eu

amava carne e estava ansiosa para conhecer os irmãos da

igreja que deixavam minha mãe tão feliz. Enquanto

tomava meu café, pensamentos intrusos tomaram minha

mente. Pensei comigo: será que vou encontrar o amor da

minha vida na igreja da minha mãe? Será possível? Se

sim, ela deve ter o conhecido primeiro que eu. Fiquei um

tempo meditando. — Que aleatória, Letícia — refleti. A

igreja dela está começando agora, acho que nem deve ter

jovens.Embora, no fundo, eu considerasse a

possibilidade de encontrar alguém especial naquele final

de semana. O ponteiro do relógio estava prestes a marcar

09h00, quando minha mãe perguntou: — Não vai se

arrumar, Letícia? — Vou, mas não está cedo? —

indaguei. Ela respondeu: — A gente vai às 11 horas. —

Ah, sim! — respondi. — Já vou me arrumar e arrumar o

Arthur. Quando deu 11h00, saímos de casa e entramos

no carro. O churrasco aconteceria na rua de cima, mas

Daniel, amigo íntimo da família e irmão da igreja,

passou lá para nos buscar. Chegando lá, observei

atentamente a casa e as pessoas que já estavam

presentes. Após observar rapidamente o local, sentei-me

numa mesa junto com minha mãe. Após um tempinho,

perguntei para minha mãe: — Cadê o pastor? Minha

mãe, num tom de brincadeira, disse: — Ainda não

chegou, ele sempre atrasa. Estava curiosa para conhecer

o pastor que iria abrir a igreja com minha mãe. Pouco

tempo depois, houve um movimento na entrada da casa.

Ainda estava sentada à mesa, quando o pastor chegou,

acompanhado de sua esposa e de um jovem alto com

semblante sério. Assim que o rapaz entrou no local,

meus olhos foram diretamente para ele. Observei-o

brevemente e logo desviei o olhar, pensava comigo

mesma: “Humm”, enquanto um sorriso bobo surgiu no

meu rosto. Será que é “ele”, o motivo das minhas

orações todos esses dias? Não acredito! Ponderei em

silêncio, lembrando que na noite anterior, justamente o

último dia da minha sequência de orações, acabei

dormindo sem orar. “Perdoa-me, Deus”, pensei comigo.

Segundos depois, minha mãe me cutucou, dizendo: —

Olha, Letícia, chegou o pastor e a família da sua esposa.

De imediato, não fui com a cara do pastor. Sua esposa

parecia legal, mas ele me passou uma impressão

negativa. No entanto, logo me distraí com as coisas

acontecendo ao meu redor e perdi o contato visual com o

rapaz que havia chamado minha atenção. Ele se sentou

numa mesa atrás de mim. Naquela manhã de primavera,

o dia estava lindo. Joguei bola com algumas crianças e

com meu filho.Tudo já estava se encaminhando para o

fim, quando a família do pastor veio se despedir. Apenas

acenei e dei um sorriso em forma de cumprimento. Mal

sabia eu que, naquele instante, aquele sorriso

despretensioso seria o ponto chave da nossa história. Tão

pouco imaginava que, em menos de um ano, estaria no

altar ouvindo do amor da minha vida as palavras mais

bonitas que alguém já escreveu para mim. E olha que

não foi de maneira nenhuma intencional, mas, naquele

exato momento, ele se apaixonou de forma genuína e

inexplicável pelo meu despojado sorriso, algo que só

descobriria mais tarde naquele dia. Eu ainda não tinha

chegado em casa, quando uma notificação apareceu no

meu celular. Alguém havia me seguido no Instagram e

respondido a um stories. “Não! Será que é ele?”, pensei

comigo. Ao abrir o aplicativo para ver de quem se

tratava, deparei-me com a mensagem dele. Na

mensagem, ele dizia: “Além de linda, cristã, tem um

sorriso lindo... ainda é escritora”, e terminou com um

emoji de coração nos olhos. Ele continuou: “Desse jeito,

tu me ganha facinho hehe.Brincadeiras à parte, mas é

verdade”. Fiquei um breve momento sorrindo, incrédula.

“Que rápido! Não é possível.” Ver aquelas mensagens

me causou borboletas no estômago. Sorri boba e demorei

alguns minutos para responder. Fiquei sem palavras,

afinal, fui pega de surpresa, pois não tinha trocado

nenhuma palavra com ele no churrasco. Mas logo digitei

para ele, com receio: “Obrigada rsrs, fiquei até sem graça

com tantos elogios”. Logo em seguida, ele digitou: “E

isso é porque eu não te conheço direito. Tenho certeza

que tem muito mais qualidades”, terminou com um

emoji sorrindo. “Claro que não me conhece,” pensei

comigo. “A gente tinha se visto literalmente pela

primeira vez e não tínhamos trocado uma única palavra

até então.» Tentando prolongar a conversa, perguntei:

“Vai para o culto hoje?”. “Vou sim”, ele respondeu e

perguntou em seguida: “Você vai?”. “Vou sim”, disse em

resposta, e ele completou: “Então nos vemos daqui a

pouco kkk”. Escrevi: “Sim rsrs,” terminando aquela

conversa.Ainda perplexa e estranhamente contente,

mostrei a foto dele que tinha na grade do seu Instagram

para minha mãe, e perguntei: — Quem é? Ela deu uma

risada e respondeu: — É o Júlio, ele é irmão da mulher

do pastor, o pastor que está abrindo a igreja comigo.

Perguntei entre sorrisos: — Júlio sabe que sou filha da

pastora dele? — Acredito que não — mainha enfatizou.

— Ele parece ser boa pessoa. Depois de ouvir as

palavras da minha mãe, caminhei até o quarto onde meu

filho dormia e fiquei refletindo. Não me sentia 100%

segura para iniciar um novo relacionamento, e aquele

episódio mais cedo claramente se desenhava para que

isso acontecesse. Estava disposta a dar uma chance ao

amor, finalmente? Mesmo sentindo que, de alguma

forma, ele era a pessoa certa, me questionava se esse era

o momento certo. O sol já estava se pondo quando

comecei a me arrumar. Já tinha preparado meu filho, que

brincava na sala de estar da minha mãe. Meu coração, de

repente, começou a disparar de ansiedade, algo incomum

para mim.Estava ansiosa para chegar ao culto e vê-lo

pessoalmente. Tinha apenas vislumbrado ele antes e

queria conversar de perto. Por volta das 19 horas,

cheguei à igreja. Meus olhos o procuravam, mas sem

sucesso. Sentei-me em uma cadeira numa fileira

localizada no meio da igreja, torcendo para que ele

chegasse logo. Pouco tempo depois, notei que ele havia

chegado e se sentado um pouco mais atrás. Olhei para

ele e sorri gentilmente; ele sorriu de volta, meio

envergonhado. Durante o culto, fui apresentada como

visitante e filha da pastora. Assim que o culto acabou,

cumprimentei alguns irmãos da igreja e fui em direção a

ele. Ele também estava vindo em minha direção.

Comecei a suar frio de nervoso, mas notei que ele

parecia ainda mais nervoso. Após apertarmos as mãos

em cumprimento, ele perguntou: — Então você não é

daqui? — Não — respondi, fazendo sinal com a cabeça.

— Mas tenho planos de vir morar aqui no ano que vem.

Ele claramente ficou contente com a ideia de eu me

mudar para a mesma cidade que a dele.Enquanto ele

falava que morava perto da igreja, mantive meus olhos

fixos nele, gostando da nossa primeira e curta conversa

cara a cara. No entanto, no meio da conversa, fui

surpreendida por alguém me chamando. Assim que virei

de volta e o procurei, meus olhos não o encontraram; ele

tinha ido embora sem ao menos se despedir. Poxa, pensei

comigo, o que eu falei para ele ter saído correndo?

Enquanto caminhava em direção ao carro para ir para a

casa da minha mãe, me questionei: — Será que você é

como aqueles doramas com finais felizes? Nossa história

tinha começado de forma tão inusitada quanto um desses

enredos, repletos de clichês, momentos fofos e até um

pouco constrangedores. Embora eu não gostasse de

clichês na vida real, fiquei intrigada até onde aquilo me

levaria.

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