Leia agora
Sarças de Fogo

Universo da obra

Sarças de Fogo

Capítulo 1 · Sarças de Fogo

O Julgamento de Frinéia

Mnezarete, a divina, a pálida Frinéia,

Comparece ante a austera e rígida assembléia

Do Areópago supremo. A Grécia inteira admira

Aquela formosura original, que inspira

E dá vida ao genial cinzel de Praxíteles,

De Hiperides à voz e à palheta de Apeles.

Quando os vinhos, na orgia, os convivas exaltam

E das roupas, enfim, livres os corpos saltam,

Nenhuma hetera sabe a primorosa taça,

Transbordante de Cós, erguer com maior graça,

Nem mostrar, a sorrir, com mais gentil meneio,

Mais formoso quadril, nem mais nevado seio.

Estremecem no altar, ao contemplá-la, os deuses,

Nua, entre aclamações, nos festivais de Elêusis...

Basta um rápido olhar provocante e lascivo:

Quem na fronte o sentiu curva a fronte, cativo...

Nada iguala o poder de suas mios pequenas:

Basta um gesto, - e a seus pés roja-se humilde Atenas...

Vai ser julgada. Um véu, tornando inda mais bela

Sua oculta nudez, mal os encantos vela,

Mal a nudez oculta e sensual disfarça.

cai-lhe, espáduas abaixo, a cabeleira esparsa...

Queda-se a multidão. Ergue-se Eutias. Fala,

E incita o tribunal severo a condená-la:

"Elêusis profanou! É falsa e dissoluta,

Leva ao lar a cizânia e as famílias enluta!

Dos deuses zomba! É ímpia! é má!" (E o pranto ardente

Corre nas faces dela, em fios, lentamente...)

"Por onde os passos move a corrupção se espraia,

E estende-se a discórdia! Heliastes! condenai-a!"

Vacila o tribunal, ouvindo a voz que o doma...

Mas, de pronto, entre a turba Hiperides assoma,

Defende-lhe a inocência, exclama, exora, pede,

Suplica, ordena, exige... O Areópago não cede.

"Pois condenai-a agora!" E à ré, que treme, a branca

Túnica despedaça, e o véu, que a encobre, arranca...

Pasmam subitamente os juizes deslumbrados,

- Leões pelo calmo olhar de um domador curvados:

Nua e branca, de pé, patente à luz do dia

Todo o corpo ideal, Frinéia aparecia

Diante da multidão atônita e surpresa,

No triunfo imortal da Carne e da Beleza.

Sarças de Fogo

Sinopse

Sarças de Fogo, de Olavo Bilac, é uma coletânea clássica da poesia brasileira em domínio público disponível gratuitamente no Literunico para leitura online em HTML. Esta edição digital organiza 29 poemas com fonte pública validável na Wikisource, espelhos de conteúdo completos e metadados preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Sarças de Fogo

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Sarças de Fogo

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias de Sarças de Fogo

Adquira Relíquias do Livro como colaboração ao autor e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Sinopse do universo · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo