Universo da obra
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Nota editorial. Tradução original Literunico, em português brasileiro, preparada a partir do texto inglês em domínio público de David Hume, An Enquiry Concerning Human Understanding. Nesta seção, Hume apresenta os princípios de associação que ligam as ideias no pensamento: semelhança, contiguidade e causa ou efeito.
É evidente que há um princípio de conexão entre os diferentes pensamentos ou ideias do espírito, e que, quando aparecem à memória ou à imaginação, eles introduzem uns aos outros com certo grau de método e regularidade. Em nosso pensamento ou discurso mais sério, isso é tão observável que qualquer pensamento particular que invada o curso regular, ou a cadeia de ideias, é imediatamente notado e rejeitado.
E mesmo em nossos devaneios mais soltos e errantes, até em nossos próprios sonhos, descobriremos, se refletirmos, que a imaginação não correu inteiramente ao acaso, mas que ainda havia uma conexão mantida entre as diferentes ideias que se sucediam.
Se a conversa mais livre e desordenada fosse transcrita, logo se observaria algo que a conectou em todas as suas transições. Ou, quando isso parece faltar, a pessoa que rompeu o fio do discurso ainda poderia informar que girara secretamente em seu espírito uma sucessão de pensamentos que a havia conduzido pouco a pouco para longe do assunto da conversa.
Entre línguas diferentes, mesmo quando não podemos suspeitar da menor conexão ou comunicação, verifica-se que as palavras que exprimem as ideias mais compostas ainda correspondem quase umas às outras. Isso é prova segura de que as ideias simples compreendidas nas compostas foram unidas por algum princípio universal, que exerceu influência igual sobre toda a humanidade.
Embora seja óbvio demais para escapar à observação que diferentes ideias estão conectadas entre si, não encontro filósofo algum que tenha tentado enumerar ou classificar todos os princípios de associação. O assunto, contudo, parece digno de curiosidade.
A mim parece haver apenas três princípios de conexão entre ideias: semelhança, contiguidade no tempo ou no lugar, e causa ou efeito.
Creio que dificilmente se duvidará de que esses princípios sirvam para conectar ideias. Um retrato conduz naturalmente nossos pensamentos ao original. A menção de um cômodo em um edifício introduz naturalmente uma investigação ou conversa sobre os demais. E, se pensamos em uma ferida, dificilmente conseguimos deixar de refletir sobre a dor que se segue a ela.
Mas provar, de modo satisfatório para o leitor, ou mesmo para nós mesmos, que essa enumeração é completa, e que não há outros princípios de associação além desses, talvez seja difícil. Tudo que podemos fazer, nesses casos, é percorrer vários exemplos e examinar cuidadosamente o princípio que une os diferentes pensamentos entre si, sem parar até tornar esse princípio o mais geral possível.
Quanto mais exemplos examinarmos, e quanto mais cuidado empregarmos, mais segurança adquiriremos de que a enumeração que formamos a partir do conjunto é completa e inteira.
Notas de Hume. O retrato ilustra a semelhança. O cômodo ilustra a contiguidade. A ferida ilustra a causa e o efeito.
Por exemplo, contraste ou contrariedade também é uma conexão entre ideias, mas talvez possa ser considerado uma mistura de causação e semelhança. Quando dois objetos são contrários, um destrói o outro, isto é, é causa de sua aniquilação. E a ideia da aniquilação de um objeto implica a ideia de sua existência anterior.
Ensaio filosófico de David Hume sobre experiência, ideias, causalidade, crença, probabilidade, milagres e os limites do entendimento humano. Tradução brasileira Literunico em andamento a partir do texto inglês original em domínio público.\n\nTexto original no Aurora: An Enquiry Concerning Human Understanding - https://literunico.com.br/aurora/93441\nFonte-base: https://www.gutenberg.org/ebooks/9662
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