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Investigação Sobre o Entendimento Humano

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Investigação Sobre o Entendimento Humano

Capítulo 7 · Investigação Sobre o Entendimento Humano

Seção VII - Da ideia de conexão necessária

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Nota editorial. Tradução original Literunico, em português brasileiro, preparada a partir do texto inglês em domínio público de David Hume, An Enquiry Concerning Human Understanding.

Seção VII - Da ideia de conexão necessária

Parte I

48. A grande vantagem das ciências matemáticas sobre as morais consiste nisto: que as ideias das primeiras, sendo sensíveis, são sempre claras e determinadas; a menor distinção entre elas é imediatamente perceptível; e os mesmos termos permanecem sempre expressivos das mesmas ideias, sem ambiguidade nem variação. Um oval nunca é confundido com um círculo, nem uma hipérbole com uma elipse. O isósceles e o escaleno distinguem-se por limites mais exatos do que vício e virtude, certo e errado. Se algum termo é definido em geometria, a mente prontamente, por si mesma, substitui, em todas as ocasiões, a definição pelo termo definido; ou mesmo, quando nenhuma definição é empregada, o próprio objeto pode ser apresentado aos sentidos e, por esse meio, ser apreendido de modo estável e claro. Mas os sentimentos mais sutis da mente, as operações do entendimento, as várias agitações das paixões, embora realmente distintos em si mesmos, escapam-nos facilmente quando examinados pela reflexão; e não está em nosso poder trazer de volta o objeto original tantas vezes quantas temos ocasião de contemplá-lo. Desse modo, a ambiguidade é gradualmente introduzida em nossos raciocínios; objetos semelhantes são prontamente tomados uns pelos outros; e a conclusão acaba ficando muito distante das premissas.

Pode-se afirmar com segurança, contudo, que, se considerarmos essas ciências sob uma luz adequada, suas vantagens e desvantagens quase se compensam e reduzem ambas a um estado de igualdade. Se a mente conserva com maior facilidade as ideias da geometria claras e determinadas, precisa, por outro lado, levar adiante uma cadeia de raciocínio muito mais longa e intrincada e comparar ideias muito mais distantes umas das outras para alcançar as verdades mais abstrusas dessa ciência. E, se as ideias morais são propensas, sem extremo cuidado, a cair em obscuridade e confusão, as inferências são sempre muito mais curtas nessas investigações, e os passos intermediários que conduzem à conclusão muito menos numerosos do que nas ciências que tratam de quantidade e número. Na realidade, mal há uma proposição em Euclides tão simples que não consista de mais partes do que as encontradas em qualquer raciocínio moral que não descambe em quimera e afetação. Quando seguimos os princípios da mente humana por alguns poucos passos, podemos muito bem dar-nos por satisfeitos com nosso progresso, considerando quão cedo a natureza interpõe uma barreira a todas as nossas investigações acerca das causas e nos reduz ao reconhecimento de nossa ignorância. O principal obstáculo, portanto, ao nosso aperfeiçoamento nas ciências morais ou metafísicas é a obscuridade das ideias e a ambiguidade dos termos. A principal dificuldade na matemática é a extensão das inferências e o alcance do pensamento requeridos para formar qualquer conclusão. E, talvez, nosso progresso na filosofia natural seja sobretudo retardado pela falta de experimentos e fenômenos adequados, que frequentemente são descobertos pelo acaso e nem sempre podem ser encontrados, quando necessários, mesmo pela investigação mais diligente e prudente. Como a filosofia moral parece até aqui ter recebido menos aperfeiçoamento do que a geometria ou a física, podemos concluir que, se há alguma diferença a esse respeito entre essas ciências, as dificuldades que obstruem o progresso da primeira requerem cuidado e capacidade superiores para serem superadas.

49. Não há ideias que ocorram na metafísica mais obscuras e incertas do que as de poder, força, energia ou conexão necessária, das quais é a todo momento necessário tratar em todas as nossas investigações. Procuraremos, portanto, nesta seção, fixar, se possível, o significado preciso desses termos e assim remover alguma parte da obscuridade de que tanto se queixa nesta espécie de filosofia.

Parece ser uma proposição que não admite muita disputa que todas as nossas ideias não são senão cópias de nossas impressões ou, em outras palavras, que nos é impossível pensar em algo que não tenhamos antes sentido, seja por nossos sentidos externos, seja pelos internos. Procurei[10] explicar e provar essa proposição e expressei minha esperança de que, por sua adequada aplicação, os homens possam alcançar maior clareza e precisão nos raciocínios filosóficos do que até agora puderam atingir. Ideias complexas talvez possam ser bem conhecidas por definição, que nada mais é do que uma enumeração daquelas partes ou ideias simples que as compõem. Mas, quando levamos as definições até as ideias mais simples e ainda encontramos alguma ambiguidade e obscuridade, que recurso então possuímos? Por que invenção podemos lançar luz sobre essas ideias e torná-las completamente precisas e determinadas ao nosso olhar intelectual? Produzi as impressões ou sentimentos originais dos quais as ideias são copiadas. Essas impressões são todas fortes e sensíveis. Não admitem ambiguidade. Não apenas se apresentam em plena luz por si mesmas, como também podem lançar luz sobre suas ideias correspondentes, que jazem na obscuridade. E por esse meio talvez possamos alcançar um novo microscópio ou espécie de ótica, mediante a qual, nas ciências morais, as ideias mais diminutas e simples possam ser tão ampliadas que caiam prontamente sob nossa apreensão e sejam tão bem conhecidas quanto as ideias mais grosseiras e sensíveis que possam ser objeto de nossa investigação.

[10] Seção II.

50. Para nos tornarmos plenamente familiarizados, portanto, com a ideia de poder ou conexão necessária, examinemos sua impressão; e, para encontrar a impressão com maior certeza, busquemo-la em todas as fontes das quais ela possa ser derivada.

Quando olhamos ao nosso redor para os objetos externos e consideramos a operação das causas, nunca somos capazes, em um único caso, de descobrir qualquer poder ou conexão necessária; qualquer qualidade que ligue o efeito à causa e torne o efeito uma consequência infalível da causa. Encontramos apenas que um efetivamente, de fato, segue ao outro. O impulso de uma bola de bilhar é acompanhado pelo movimento da segunda. Isso é tudo o que aparece aos sentidos externos. A mente não sente nenhum sentimento nem impressão interna dessa sucessão de objetos. Consequentemente, não há, em qualquer caso único e particular de causa e efeito, nada que possa sugerir a ideia de poder ou conexão necessária.

Desde a primeira aparição de um objeto, jamais podemos conjeturar que efeito resultará dele. Mas, se o poder ou energia de alguma causa fosse descobrível pela mente, poderíamos prever o efeito mesmo sem experiência e, de início, pronunciar-nos com certeza sobre ele, apenas pela força do pensamento e do raciocínio.

Na realidade, não há parte alguma da matéria que, por suas qualidades sensíveis, revele qualquer poder ou energia, ou nos dê fundamento para imaginar que possa produzir alguma coisa ou ser seguida por qualquer outro objeto que pudéssemos denominar seu efeito. Solidez, extensão, movimento: essas qualidades são todas completas em si mesmas e jamais apontam para qualquer outro evento que possa resultar delas. As cenas do universo estão continuamente mudando, e um objeto segue outro em sucessão ininterrupta; mas o poder da força que põe em ação toda a máquina nos é inteiramente oculto e jamais se descobre em nenhuma das qualidades sensíveis dos corpos. Sabemos que, de fato, o calor acompanha constantemente a chama; mas qual é a conexão entre ambos, não temos sequer espaço para conjeturar ou imaginar. É impossível, portanto, que a ideia de poder possa ser derivada da contemplação dos corpos em casos singulares de sua operação; porque corpo algum jamais revela qualquer poder que possa ser a origem dessa ideia.[11]

[11] O sr. Locke, em seu capítulo sobre o poder, diz que, descobrindo pela experiência que há várias novas produções na natureza e concluindo que deve haver em algum lugar um poder capaz de produzi-las, chegamos finalmente, por esse raciocínio, à ideia de poder. Mas raciocínio algum pode jamais dar-nos uma ideia simples nova, original; como esse próprio filósofo confessa. Isso, portanto, jamais pode ser a origem dessa ideia.

51. Já que, portanto, os objetos externos, tal como aparecem aos sentidos, não nos dão ideia de poder ou conexão necessária, por sua operação em casos particulares, vejamos se essa ideia deriva da reflexão sobre as operações de nossa própria mente e é copiada de alguma impressão interna. Pode-se dizer que estamos a todo momento conscientes de um poder interno, ao sentirmos que, pelo simples comando de nossa vontade, podemos mover os órgãos do corpo ou dirigir as faculdades da mente. Um ato de volição produz movimento em nossos membros ou suscita uma nova ideia em nossa imaginação. Conhecemos essa influência da vontade pela consciência. Daí adquirimos a ideia de poder ou energia; e temos certeza de que nós mesmos e todos os outros seres inteligentes possuem poder. Essa ideia, então, é uma ideia de reflexão, uma vez que surge da reflexão sobre as operações de nossa própria mente e sobre o comando que a vontade exerce tanto sobre os órgãos do corpo quanto sobre as faculdades da alma.

52. Examinaremos agora essa pretensão; e, primeiro, no que diz respeito à influência da volição sobre os órgãos do corpo. Essa influência, podemos observar, é um fato que, como todos os outros acontecimentos naturais, só pode ser conhecido pela experiência e nunca pode ser previsto a partir de qualquer energia ou poder aparente na causa, que conecte a causa ao efeito e torne este uma consequência infalível daquela. O movimento do nosso corpo segue-se ao comando de nossa vontade. Disso estamos conscientes a todo momento. Mas os meios pelos quais isso é efetuado, a energia pela qual a vontade realiza operação tão extraordinária, disso estamos tão longe de ter consciência imediata que isso deve escapar para sempre à nossa mais diligente investigação.

Pois, primeiro: há em toda a natureza algum princípio mais misterioso do que a união da alma com o corpo, pela qual uma substância supostamente espiritual adquire tal influência sobre uma material que o pensamento mais refinado é capaz de pôr em movimento a matéria mais grosseira? Se fôssemos capacitados, por um desejo secreto, a remover montanhas ou controlar os planetas em sua órbita, essa autoridade extensa não seria mais extraordinária nem mais além de nossa compreensão. Mas, se pela consciência percebêssemos algum poder ou energia na vontade, teríamos de conhecer esse poder; teríamos de conhecer sua conexão com o efeito; teríamos de conhecer a união secreta da alma e do corpo e a natureza de ambas as substâncias, pela qual uma é capaz de atuar, em tantos casos, sobre a outra.

Em segundo lugar, não somos capazes de mover todos os órgãos do corpo com a mesma autoridade, embora não possamos apontar razão alguma além da experiência para tão notável diferença entre uns e outros. Por que a vontade exerce influência sobre a língua e os dedos, mas não sobre o coração ou o fígado? Essa questão jamais nos embaraçaria se estivéssemos conscientes de um poder no primeiro caso e não no último. Então perceberíamos, independentemente da experiência, por que a autoridade da vontade sobre os órgãos do corpo é circunscrita dentro de limites tão particulares. Estando nesse caso plenamente familiarizados com o poder ou força pelos quais ela opera, também saberíamos por que sua influência alcança precisamente tais fronteiras e não vai além.

Um homem subitamente acometido de paralisia na perna ou no braço, ou que recentemente perdeu esses membros, frequentemente procura, de início, movê-los e empregá-los em seus ofícios habituais. Aqui ele está tão consciente do poder de comandar tais membros quanto um homem em perfeita saúde está consciente do poder de pôr em ação qualquer membro que permaneça em seu estado e condição naturais. Mas a consciência nunca engana. Consequentemente, nem num caso nem no outro estamos jamais conscientes de qualquer poder. Aprendemos a influência de nossa vontade apenas pela experiência. E a experiência apenas nos ensina como um evento segue constantemente a outro, sem nos instruir sobre a conexão secreta que os liga e os torna inseparáveis.

Em terceiro lugar, aprendemos pela anatomia que o objeto imediato do poder no movimento voluntário não é o próprio membro que é movido, mas certos músculos, nervos e espíritos animais e, talvez, algo ainda mais diminuto e mais desconhecido, por meio dos quais o movimento é sucessivamente propagado antes de atingir o membro cujo movimento é o objeto imediato da volição. Pode haver prova mais certa de que o poder pelo qual toda essa operação é realizada, longe de ser diretamente e plenamente conhecido por um sentimento interno ou pela consciência, é, no mais alto grau, misterioso e ininteligível? Aqui a mente quer um certo evento. Imediatamente outro evento, desconhecido para nós mesmos e totalmente diferente daquele pretendido, é produzido. Esse evento produz outro, igualmente desconhecido; até que, por uma longa sucessão, o evento desejado é produzido. Mas, se o poder original fosse sentido, teria de ser conhecido; se conhecido, também seu efeito teria de ser conhecido, já que todo poder é relativo ao seu efeito. E, vice-versa, se o efeito não é conhecido, o poder não pode ser conhecido nem sentido. Como, de fato, poderíamos estar conscientes de um poder de mover nossos membros, quando não temos tal poder, mas apenas o de mover certos espíritos animais, que, embora produzam por fim o movimento de nossos membros, operam de modo inteiramente além de nossa compreensão?

Podemos, portanto, concluir do todo, espero, sem temeridade, embora com segurança, que nossa ideia de poder não é copiada de nenhum sentimento nem consciência de poder em nós mesmos quando damos origem ao movimento animal ou aplicamos nossos membros ao uso e ofício que lhes são próprios. Que seu movimento segue o comando da vontade é matéria de experiência comum, como outros acontecimentos naturais; mas o poder ou energia pelos quais isso é efetuado, como em outros acontecimentos naturais, é desconhecido e inconcebível.[12]

[12] Pode-se pretender que a resistência que encontramos nos corpos, obrigando-nos frequentemente a exercer nossa força e convocar todo o nosso poder, dá-nos a ideia de força e poder. É esse nisus, ou esforço vigoroso, do qual estamos conscientes, a impressão original da qual essa ideia é copiada. Mas, primeiro, atribuímos poder a um vasto número de objetos nos quais jamais podemos supor que ocorram essa resistência ou esse exercício de força: ao Ser Supremo, que jamais encontra resistência; à mente em seu comando sobre suas ideias e membros, no pensamento e no movimento comuns, em que o efeito segue imediatamente a vontade, sem qualquer esforço nem convocação de força; à matéria inanimada, que não é capaz desse sentimento. Em segundo lugar, esse sentimento de um esforço para superar resistência não tem conexão conhecida com qualquer evento: o que o segue, nós o conhecemos pela experiência; mas não poderíamos conhecê-lo a priori. Deve-se, contudo, confessar que o nisus animal que experimentamos, embora não possa fornecer ideia exata e precisa de poder, entra muito na ideia vulgar e imprecisa que se forma dele.

53. Afirmaremos, então, que estamos conscientes de um poder ou energia em nossa própria mente quando, por um ato ou comando de nossa vontade, fazemos surgir uma nova ideia, fixamos a mente em sua contemplação, voltamo-la de todos os lados e por fim a dispensamos por alguma outra ideia, quando pensamos tê-la examinado com suficiente exatidão? Creio que os mesmos argumentos provarão que até esse comando da vontade não nos dá nenhuma ideia real de força ou energia.

Primeiro, deve-se admitir que, quando conhecemos um poder, conhecemos precisamente aquela circunstância na causa pela qual ela é capaz de produzir o efeito; pois essas coisas se supõem sinônimas. Devemos, portanto, conhecer tanto a causa quanto o efeito e a relação entre ambos. Mas pretendemos estar familiarizados com a natureza da alma humana e a natureza de uma ideia, ou com a aptidão de uma para produzir a outra? Trata-se de uma verdadeira criação, uma produção de algo a partir do nada, o que implica um poder tão grande que pode parecer, à primeira vista, além do alcance de qualquer ser menor que o infinito. Ao menos deve-se admitir que tal poder não é sentido, nem conhecido, nem mesmo concebível pela mente. Sentimos apenas o evento, a saber, a existência de uma ideia consequente a um comando da vontade; mas o modo como essa operação é realizada, o poder pelo qual é produzida, está inteiramente além de nossa compreensão.

Em segundo lugar, o comando da mente sobre si mesma é limitado, assim como seu comando sobre o corpo; e esses limites não são conhecidos pela razão, nem por algum conhecimento da natureza da causa e do efeito, mas apenas pela experiência e observação, como em todos os outros acontecimentos naturais e na operação dos objetos externos. Nossa autoridade sobre nossos sentimentos e paixões é muito mais fraca do que aquela sobre nossas ideias; e mesmo esta última autoridade é circunscrita dentro de limites muito estreitos. Pretenderá alguém indicar a razão última desses limites, ou mostrar por que o poder é deficiente num caso e não noutro?

Em terceiro lugar, esse autocomando é muito diferente em tempos diferentes. Um homem com saúde possui mais dele do que alguém enfraquecido pela doença. Somos mais senhores de nossos pensamentos pela manhã do que à noite; em jejum, mais do que após uma refeição farta. Podemos dar alguma razão para essas variações, exceto a experiência? Onde, então, está o poder de que pretendemos estar conscientes? Não há aqui, seja numa substância espiritual, seja numa material, ou em ambas, algum mecanismo secreto ou estrutura de partes do qual o efeito depende e que, sendo-nos inteiramente desconhecido, torna o poder ou energia da vontade igualmente desconhecido e incompreensível?

A volição é certamente um ato da mente com o qual estamos suficientemente familiarizados. Refleti sobre ela. Considerai-a por todos os lados. Encontrais nela algo semelhante a esse poder criador pelo qual ela faz surgir do nada uma nova ideia e, com uma espécie de Fiat, imita a onipotência de seu Criador, se me é permitido assim falar, que chamou à existência todas as várias cenas da natureza? Tão longe estamos de ter consciência dessa energia na vontade que é necessária uma experiência tão certa quanto aquela que possuímos para nos convencer de que efeitos tão extraordinários alguma vez resultam de um simples ato de volição.

54. A generalidade dos homens jamais encontra qualquer dificuldade em dar conta das operações mais comuns e familiares da natureza, como a queda dos corpos pesados, o crescimento das plantas, a geração dos animais ou a nutrição dos corpos pelo alimento; antes supõe que, em todos esses casos, percebe a própria força ou energia da causa, pela qual ela está conectada ao seu efeito e é para sempre infalível em sua operação. Adquirem, pelo longo hábito, tal disposição da mente que, ao aparecer a causa, imediatamente esperam com segurança seu acompanhante habitual e mal concebem possível que qualquer outro evento possa resultar dela. É somente ao descobrir fenômenos extraordinários, como terremotos, pestilências e prodígios de qualquer espécie, que se veem incapazes de designar uma causa adequada e de explicar o modo pelo qual o efeito é produzido por ela. Nesses embaraços, é habitual que os homens recorram a algum princípio inteligente invisível[13] como causa imediata daquele evento que os surpreende e que, pensam, não pode ser explicado pelos poderes comuns da natureza. Mas os filósofos, que levam um pouco mais longe seu exame, logo percebem que, mesmo nos eventos mais familiares, a energia da causa é tão ininteligível quanto nos mais incomuns, e que aprendemos apenas pela experiência a frequente conjunção dos objetos, sem jamais podermos compreender algo semelhante a uma conexão entre eles.

[13] [Grego: theos apo maechanaes.]

55. Aqui, então, muitos filósofos pensam ver-se obrigados pela razão a recorrer, em todas as ocasiões, ao mesmo princípio ao qual o vulgo só apela nos casos que parecem milagrosos e sobrenaturais. Reconhecem a mente e a inteligência como não apenas a causa última e original de todas as coisas, mas a causa imediata e única de todo evento que aparece na natureza. Pretendem que aqueles objetos que comumente se denominam causas são, na realidade, apenas ocasiões; e que o verdadeiro e direto princípio de todo efeito não é qualquer poder ou força na natureza, mas uma volição do Ser Supremo, que quer que tais objetos particulares sejam para sempre conjugados uns com os outros. Em vez de dizer que uma bola de bilhar move outra por uma força que recebeu do autor da natureza, é o próprio Deus, dizem eles, que por uma volição particular move a segunda bola, sendo determinado a essa operação pelo impulso da primeira bola, em consequência daquelas leis gerais que estabeleceu para si mesmo no governo do universo. Mas os filósofos, avançando ainda mais em suas investigações, descobrem que, assim como somos totalmente ignorantes do poder do qual depende a operação mútua dos corpos, não somos menos ignorantes daquele do qual depende a operação da mente sobre o corpo, ou do corpo sobre a mente; nem somos capazes, quer por nossos sentidos, quer pela consciência, de atribuir o princípio último em um caso mais do que no outro. A mesma ignorância, portanto, os reduz à mesma conclusão. Afirmam que a Divindade é a causa imediata da união entre a alma e o corpo; e que não são os órgãos dos sentidos que, agitados por objetos externos, produzem sensações na mente, mas uma volição particular de nosso Criador onipotente, que excita tal sensação em consequência de tal movimento no órgão. De igual maneira, não é qualquer energia na vontade que produz o movimento local em nossos membros: é o próprio Deus, que se agrada de secundar nossa vontade, impotente em si mesma, e de comandar esse movimento que erroneamente atribuímos ao nosso próprio poder e eficácia. Nem os filósofos se detêm nessa conclusão. Às vezes estendem a mesma inferência à própria mente em suas operações internas. Nossa visão mental ou concepção de ideias nada mais é do que uma revelação feita a nós por nosso Criador. Quando voluntariamente voltamos nossos pensamentos para algum objeto e fazemos surgir sua imagem na fantasia, não é a vontade que cria essa ideia: é o Criador universal que a descobre à mente e a torna presente a nós.

56. Assim, segundo esses filósofos, tudo está cheio de Deus. Não contentes com o princípio de que nada existe senão por sua vontade, de que nada possui poder senão por sua concessão, despojam a natureza e todos os seres criados de todo poder, a fim de tornar sua dependência em relação à Divindade ainda mais sensível e imediata. Não consideram que, por essa teoria, diminuem, em vez de engrandecer, a grandeza daqueles atributos que tanto fazem questão de celebrar. Certamente demonstra maior poder na Divindade delegar certo grau de poder a criaturas inferiores do que produzir tudo por sua própria volição imediata. Demonstra maior sabedoria projetar desde o princípio a estrutura do mundo com tão perfeita previsão que, por si mesma e por sua própria operação, possa servir a todos os propósitos da providência, do que se o grande Criador fosse obrigado a cada instante a ajustar suas partes e animar com seu sopro todas as rodas dessa estupenda máquina.

Mas, se quisermos uma refutação mais filosófica dessa teoria, talvez bastem as duas reflexões seguintes.

57. Primeiro, parece-me que essa teoria da energia e operação universais do Ser Supremo é ousada demais para levar convicção a um homem suficientemente ciente da fraqueza da razão humana e dos estreitos limites a que ela se acha confinada em todas as suas operações. Ainda que a cadeia de argumentos que conduz a ela fosse a mais lógica possível, deve surgir forte suspeita, senão absoluta certeza, de que nos levou inteiramente além do alcance de nossas faculdades, quando conduz a conclusões tão extraordinárias e tão remotas da vida comum e da experiência. Entramos no reino das fadas muito antes de alcançar os últimos passos de nossa teoria; e ali não temos razão para confiar em nossos métodos comuns de argumentar, nem para pensar que nossas analogias e probabilidades usuais tenham qualquer autoridade. Nossa linha é demasiado curta para sondar abismos tão imensos. E, por mais que nos lisonjeemos de ser guiados, em cada passo que damos, por uma espécie de verossimilhança e experiência, podemos estar certos de que essa suposta experiência não tem autoridade quando assim a aplicamos a assuntos que jazem inteiramente fora da esfera da experiência. Mas sobre isso teremos ocasião de tocar depois.[14]

[14] Seção XII.

Em segundo lugar, não percebo força alguma nos argumentos sobre os quais essa teoria se funda. Somos ignorantes, é verdade, do modo como os corpos operam uns sobre os outros; sua força ou energia é inteiramente incompreensível. Mas não somos igualmente ignorantes do modo ou força pelos quais uma mente, mesmo a mente suprema, opera seja sobre si mesma, seja sobre o corpo? De onde, pergunto, adquirimos alguma ideia disso? Não temos nenhum sentimento nem consciência desse poder em nós mesmos. Não temos ideia do Ser Supremo senão aquela que aprendemos refletindo sobre nossas próprias faculdades. Se, portanto, nossa ignorância fosse boa razão para rejeitar alguma coisa, seríamos levados ao princípio de negar toda energia no Ser Supremo tanto quanto na matéria mais grosseira. Certamente compreendemos tão pouco as operações de um quanto as do outro. É mais difícil conceber que o movimento possa surgir do impulso do que que possa surgir da volição? Tudo o que sabemos é nossa profunda ignorância em ambos os casos.[15]

[15] Não preciso examinar longamente a vis inertiae de que tanto se fala na nova filosofia e que se atribui à matéria. Encontramos pela experiência que um corpo em repouso ou em movimento continua para sempre em seu estado presente até ser afastado dele por alguma nova causa; e que um corpo impelido tira tanto movimento do corpo que o impele quanto ele próprio adquire. Estes são fatos. Quando chamamos a isso uma vis inertiae, apenas assinalamos esses fatos, sem pretender ter qualquer ideia desse poder inerte; do mesmo modo que, quando falamos de gravidade, queremos dizer certos efeitos, sem compreender esse poder ativo. Nunca foi intenção de Sir Isaac Newton despojar as causas segundas de toda força ou energia; embora alguns de seus seguidores tenham procurado estabelecer essa teoria com base em sua autoridade. Ao contrário, esse grande filósofo recorreu a um fluido etéreo ativo para explicar sua atração universal; embora fosse tão cauteloso e modesto a ponto de admitir que era mera hipótese, na qual não se devia insistir sem mais experimentos. Devo confessar que há algo um tanto extraordinário no destino das opiniões. Descartes insinuou a doutrina da eficácia universal e única da Divindade sem insistir nela. Malebranche e outros cartesianos fizeram dela o fundamento de toda a sua filosofia. Ela não tinha, contudo, autoridade alguma na Inglaterra. Locke, Clarke e Cudworth nem sequer a mencionam, mas supõem por toda parte que a matéria possui um poder real, embora subordinado e derivado. Por que meios ela se tornou tão prevalente entre nossos metafísicos modernos?

Parte II

58. Mas, para apressar a conclusão deste argumento, já estendido em excesso: procuramos em vão uma ideia de poder ou conexão necessária em todas as fontes das quais poderíamos supor que ela se derivasse. Verifica-se que, em casos singulares da operação dos corpos, jamais podemos, por nosso mais extremo escrutínio, descobrir qualquer coisa além de um evento seguindo outro, sem sermos capazes de compreender qualquer força ou poder pelos quais a causa opera, ou qualquer conexão entre ela e seu suposto efeito. A mesma dificuldade ocorre ao contemplarmos as operações da mente sobre o corpo, quando observamos o movimento deste último seguir-se à volição da primeira, mas não somos capazes de observar nem conceber o vínculo que une o movimento e a volição, ou a energia pela qual a mente produz esse efeito. A autoridade da vontade sobre suas próprias faculdades e ideias não é nem um pouco mais compreensível; de modo que, no conjunto, não aparece em toda a natureza um único caso de conexão que nos seja concebível. Todos os eventos parecem inteiramente soltos e separados. Um evento segue outro; mas jamais podemos observar qualquer vínculo entre eles. Eles parecem conjugados, mas nunca conectados. E, como não podemos ter ideia de algo que jamais apareceu a nosso sentido externo ou sentimento interno, a conclusão necessária parece ser que não temos ideia alguma de conexão ou poder e que essas palavras ficam absolutamente sem significado quando empregadas tanto nos raciocínios filosóficos quanto na vida comum.

59. Mas ainda resta um método para evitar essa conclusão e uma fonte que ainda não examinamos. Quando algum objeto ou evento natural é apresentado, é impossível para nós, por qualquer sagacidade ou penetração, descobrir, ou mesmo conjecturar, sem experiência, que evento resultará dele, ou levar nossa previsão para além do objeto que está imediatamente presente à memória e aos sentidos. Mesmo após uma única instância ou experimento em que observamos um evento particular seguir-se a outro, não temos o direito de formar uma regra geral ou predizer o que ocorrerá em casos semelhantes; sendo justamente reputada imperdoável temeridade julgar todo o curso da natureza por um único experimento, por mais exato ou certo que seja. Mas, quando uma espécie particular de evento sempre foi, em todos os casos, conjugada com outra, então já não hesitamos em predizer uma pelo aparecimento da outra e em empregar aquele raciocínio que sozinho pode assegurar-nos de qualquer questão de fato ou existência. Chamamos então o primeiro objeto de Causa e o outro de Efeito. Supomos que haja alguma conexão entre ambos; algum poder no primeiro pelo qual ele produz infalivelmente o outro e opera com a maior certeza e a mais forte necessidade.

Parece, então, que essa ideia de uma conexão necessária entre eventos surge de certo número de casos semelhantes em que ocorre a conjunção constante desses eventos; e essa ideia jamais pode ser sugerida por qualquer um desses casos, examinado sob todas as luzes e posições possíveis. Mas nada há num número de casos que difira de cada caso singular, suposto exatamente semelhante, exceto apenas isto: que, após a repetição de casos semelhantes, a mente é levada pelo hábito, ao aparecer um evento, a esperar seu acompanhante habitual e a crer que ele existirá. Essa conexão, portanto, que sentimos na mente, essa transição costumeira da imaginação de um objeto para seu acompanhante habitual, é o sentimento ou impressão a partir dos quais formamos a ideia de poder ou conexão necessária. Nada mais há no caso. Contemplai o assunto por todos os lados: jamais encontrareis outra origem dessa ideia. Esta é a única diferença entre um caso singular, do qual jamais podemos receber a ideia de conexão, e um número de casos semelhantes, pelos quais ela é sugerida. A primeira vez que um homem viu a comunicação de movimento por impulso, como no choque de duas bolas de bilhar, ele não pôde pronunciar que um evento estava conectado ao outro, mas apenas que estava conjugado com ele. Depois de observar vários casos dessa natureza, então pronuncia que eles estão conectados. Que alteração ocorreu para dar origem a essa nova ideia de conexão? Nada além de que agora ele sente esses eventos conectados em sua imaginação e pode prontamente prever a existência de um a partir do aparecimento do outro. Quando dizemos, portanto, que um objeto está conectado a outro, queremos dizer apenas que adquiriram uma conexão em nosso pensamento e dão origem a essa inferência pela qual se tornam provas da existência um do outro: conclusão um tanto extraordinária, mas que parece fundada em evidência suficiente. Nem sua evidência será enfraquecida por qualquer desconfiança geral do entendimento ou suspeita cética acerca de toda conclusão nova e extraordinária. Nenhuma conclusão pode ser mais conforme ao ceticismo do que aquelas que fazem descobertas acerca da fraqueza e dos estreitos limites da razão e da capacidade humanas.

60. E que exemplo mais forte pode ser produzido da surpreendente ignorância e fraqueza do entendimento do que o presente? Pois certamente, se há alguma relação entre objetos que nos importe conhecer perfeitamente, é a de causa e efeito. Nela se fundam todos os nossos raciocínios acerca de questão de fato ou existência. Só por meio dela alcançamos alguma segurança acerca de objetos afastados do testemunho presente de nossa memória e de nossos sentidos. A única utilidade imediata de todas as ciências é ensinar-nos a controlar e regular eventos futuros por suas causas. Nossos pensamentos e investigações, portanto, estão a todo instante empregados acerca dessa relação; e, contudo, tão imperfeitas são as ideias que formamos dela que é impossível dar qualquer definição justa de causa, exceto a que é tirada de algo extrínseco e alheio a ela. Objetos semelhantes são sempre conjugados com objetos semelhantes. Disso temos experiência. De acordo com essa experiência, portanto, podemos definir uma causa como um objeto seguido por outro, e tal que todos os objetos semelhantes ao primeiro sejam seguidos por objetos semelhantes ao segundo. Ou, em outras palavras, tal que, se o primeiro objeto não tivesse existido, o segundo jamais teria existido. A aparição de uma causa sempre conduz a mente, por uma transição costumeira, à ideia do efeito. Disso também temos experiência. Podemos, portanto, de acordo com essa experiência, formar outra definição de causa e chamá-la de um objeto seguido por outro, e cuja aparição sempre conduz o pensamento a esse outro. Mas, embora ambas essas definições sejam extraídas de circunstâncias alheias à causa, não podemos remediar esse inconveniente nem alcançar definição mais perfeita que aponte aquela circunstância na causa que lhe dá conexão com seu efeito. Não temos ideia alguma dessa conexão, nem mesmo noção distinta do que desejamos saber quando procuramos concebê-la. Dizemos, por exemplo, que a vibração desta corda é a causa deste som particular. Mas o que queremos dizer com essa afirmação? Queremos dizer ou que esta vibração é seguida por este som e que todas as vibrações semelhantes foram seguidas por sons semelhantes; ou que esta vibração é seguida por este som e que, ao aparecer uma, a mente antecipa os sentidos e forma imediatamente uma ideia do outro. Podemos considerar a relação de causa e efeito sob qualquer dessas duas luzes; mas, além delas, não temos ideia alguma dela.[16]

[16] Segundo estas explicações e definições, a ideia de poder é relativa tanto quanto a de causa; e ambas têm referência a um efeito, ou a algum outro evento constantemente conjugado ao anterior. Quando consideramos a circunstância desconhecida de um objeto pela qual o grau ou quantidade de seu efeito é fixado e determinado, chamamos isso de seu poder; e, consequentemente, é admitido por todos os filósofos que o efeito é a medida do poder. Mas, se tivessem alguma ideia de poder como ele é em si mesmo, por que não poderiam medi-lo em si mesmo? A disputa sobre se a força de um corpo em movimento é proporcional à sua velocidade ou ao quadrado de sua velocidade não precisaria ser decidida comparando seus efeitos em tempos iguais ou desiguais, mas por uma mensuração e comparação diretas.

Quanto ao uso frequente das palavras Força, Poder, Energia etc., que ocorrem por toda parte na conversa comum, assim como na filosofia, isso não prova que conheçamos, em qualquer caso, o princípio conector entre causa e efeito, ou que possamos explicar, em última instância, a produção de uma coisa por outra. Essas palavras, tal como comumente usadas, têm significados muito frouxos ligados a elas; e suas ideias são muito incertas e confusas. Nenhum animal pode pôr corpos externos em movimento sem o sentimento de um nisus ou esforço; e todo animal tem um sentimento ou sensação do golpe de um objeto externo que está em movimento. Essas sensações, que são meramente animais e das quais não podemos a priori tirar inferência alguma, somos inclinados a transferi-las para os objetos inanimados e a supor que eles tenham sentimentos semelhantes sempre que transferem ou recebem movimento. Quanto às energias que são exercidas sem anexarmos a elas qualquer ideia de movimento comunicado, consideramos apenas a conjunção constantemente experimentada dos eventos; e, como sentimos uma conexão costumeira entre as ideias, transferimos esse sentimento para os objetos, pois nada é mais usual do que aplicar aos corpos externos toda sensação interna que eles ocasionam.

61. Para recapitular, portanto, os raciocínios desta seção: toda ideia é copiada de alguma impressão ou sentimento precedente; e, onde não podemos encontrar nenhuma impressão, podemos estar certos de que não há ideia. Em todos os casos singulares da operação dos corpos ou das mentes, nada há que produza qualquer impressão, nem que, consequentemente, possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária. Mas, quando aparecem muitos casos uniformes e o mesmo objeto é sempre seguido pelo mesmo evento, então começamos a entreter a noção de causa e conexão. Então sentimos um novo sentimento ou impressão, a saber, uma conexão costumeira no pensamento ou na imaginação entre um objeto e seu acompanhante habitual; e esse sentimento é a origem daquela ideia que buscamos. Pois, como essa ideia surge de um número de casos semelhantes e não de qualquer caso singular, ela deve surgir daquela circunstância na qual o número de casos difere de cada caso individual. Mas essa conexão costumeira ou transição da imaginação é a única circunstância em que diferem. Em todos os demais aspectos, são iguais. O primeiro caso que vimos de movimento comunicado pelo choque de duas bolas de bilhar, para retornar a essa ilustração óbvia, é exatamente semelhante a qualquer caso que agora possa ocorrer-nos; exceto apenas que não podíamos, de início, inferir um evento do outro, o que hoje somos capazes de fazer após tão longo curso de experiência uniforme. Não sei se o leitor apreenderá prontamente esse raciocínio. Temo que, se multiplicasse palavras a seu respeito ou o lançasse sob maior variedade de luzes, ele apenas se tornaria mais obscuro e intricado. Em todos os raciocínios abstratos há um ponto de vista que, se conseguirmos atingi-lo felizmente, nos fará avançar mais na ilustração do assunto do que toda a eloquência e copiosidade de expressão do mundo. Devemos esforçar-nos por alcançar esse ponto de vista e reservar as flores da retórica para assuntos mais adaptados a elas.

Investigação Sobre o Entendimento Humano

Sinopse

Ensaio filosófico de David Hume sobre experiência, ideias, causalidade, crença, probabilidade, milagres e os limites do entendimento humano. Tradução brasileira Literunico em andamento a partir do texto inglês original em domínio público.\n\nTexto original no Aurora: An Enquiry Concerning Human Understanding - https://literunico.com.br/aurora/93441\nFonte-base: https://www.gutenberg.org/ebooks/9662

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