Universo da obra
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CRUEL, AMOR lír ..—• Pergunto-lhe, tornou João Sérvulo formalisado : o senhor tem mãi? ,-— Tenho ! Bem sabe que tenho ! — Como jujga então todas as mulheres mentirosas? Assim dizendo, repare que injuria aquella que lhe deu o ser! < Quando João Sérvulo fallava com aquelles modos, todos se humilhavam. Flaviano, vingado, contentou-se com levantar os hombros, resmungando num tom de lastima : — Deixe elle... Marcos guardou o seu azedume. Ao pé do Sérvulo nem se podia fallar. Elle media as phrases aos centímetros e pesava as palavras' ás grammas ! Valeu-lhe a chegada do Antonico e da mãi, a Fortunata, uma parda gorda, muito risonha, de rosto picado das bexigas. A mulher do Sérvulo exclamou alto, olhando para o peixe : — Virgem Nossa Senhora, que boniteza ! Viva a Guanabara, hein seu Freitas? Seu Freitas agradeceu com os olhinhos commovidos a homenagem e disse baixo : — Se fosse sempre assim ! — Até haverá de aborrecer, atalhou ella; que neste mundo mesmo o que é bom enjoa quando é demais !
Depois agachou-se e, com as mãos papudas, de unhas roxas, separou do quinhão do Sérvulo o melhor badejete e entregando-o ao filho, disse, sem mesmo consultar o marido : . 1U EI. \MOU - Corre. Antonieo; leva este peixe de presente a D. Rola ! - Escolha agora para nós, que o Rubião vai-se embora, antes que o sol esquento. Pôde levar tudo, Rubião; venda bem vendiilinho. Fico com esles paratys, que dão menos dinheiro... Veja lá se engana meu marido! hein? Engano mesmo... Porque é que elle não vai? quem manda elle ser preguiçoso ! E a pena que eu tenho é que você não queira enganar elle também... — Uê! você tá ouvindo só, João? ! João Sérvulo fez que sim, sem interromper o trabalho em que se empenhava de contar o peixe que o Rubião teria de levar ao mercado, ás bancas da sua íreguezia. Os outros riram. — Ninguém se conhece neste mundo ! concluio ella com uma gargalhada. Flaviano resmungou entre dentes : — Confiado !
e a Fortunata, para abafar-lhe a censura, lamentou alto : — Coitados dos peixes ! inda nem acabaram de. morrer... estão penando... Bem dizem que a desgraça de uns faz a fartura de outros... olha, o Flaviano está sujo de sangue. Que afflicção ! Mal comparando parece que matou gente ! Flaviano e Marcos trocaram um olhar de tão incomprehensivel expressão e tão rápido, que a mulata estremeceu, como se tivesse visto um raio. Seu Freitas, magro, baixinho, trefego, com o rosto enrugado sumido sob as largas abas do chapéo de palha de coqueiro, vigiava a divisão do peixe, dando ordens para que andassem depressa. Estava ahi o sol e ainda era mister pôr o peixe na canoa para leval-o ao mercado por mar. — Marcos ! ordenou Sérvulo, amanhã de madrugada venha lavar commigo a canoa e estender o arrastão nas pedras. Toma conta dos remos, mais o compadre Lino. Rubião vai de proeiro... Seu Freitas dera alguns punhados de paratys á gente pobre que tinha corrido a vêr o lançamento da rede e partio para casa, morto pelo almoço.
A Guanabara, carregada de peixes, impellida valentemente pelos remos dos pescadores, deixou de novo a praia, com o rumo para o Pão de Assucar, que ia contornar para entrar na bahia. Os curiosos foram-se sumindo da praia. Só João Sérvulo, Fortunata e Flaviano quedavam-se ainda com os olhos fixos nesse pequeno casco alvadio que diminuía na distancia e brilhava como um beijo de sol no anil profundo das ondas... O vigia Baptista tirava caraças do copio da rede e recolhia-a com dois companheiros para junto das canoas adormecidas. Flaviano excusou-se do fim do serviço. Elle já ia distante quando a Fortunata gritou : — Diga a Maria Adelaide que não é só o seu coração que anda penando por amor delia... ouvio? ! Flaviano voltou-se, com ar assustado. — O meu também tá cheio de saudades! concluio cila com uma gargalhada. João Sérvulo advertio baixo : — Cuidado com a lingua; você não perde o cos- r u u i : i .
AMOU turno de ser falladeira. Eu já tenho dilo que aquelle diabo é ciumento como quê ! — Por isso mesmo é que eu gosto de bulir com elle... que não seja bobo ! Uê ! — Elle tem sua razão... — Porque ella é branca? — - Então?! — - Você acredita que Maria Adelaide goste de verdade de Flaviano? Eu não. Aquillo foi bobagem de criança, de quando andavam os dois no mesmo eollegio... ou foi obra de feitiçaria... a mãi delle é capaz de tudo... Eu já disse a ella uma vez : — menina, branca com branco, mulata com mulato, negra com negro. Não suje sua raça. — Para que é que você se mette onde não é chamada? ! Que diabo de costume ! Flaviano sabe disso e depois... — Vem me comer, não é? Eu mesma é que hei de ter medo delle ! Aqui a única paixão que me faz mesmo pena, é a de Ruy pela Adda... Está consumido... magrinho... D. Rola disse que elle sabe fazer versos... e está ahi! não tem orgulho nenhum. Foi um milagre não ter vindo hoje ver a pescaria...
Coitado do Ruy ! — Coitado, não ! Coitados, só os que não têm onde •cahir mortos. Elle tem pai que lhe dá tudo ! — Que pai! um unhas de fome... um rabugento... E' elle que está espremendo o coração do filho até ver cahir a ultima gottinha de sangue... — Ora! — E' sim; não quer que o Ruy se case com Adda... — Faz elle muito bem; aquella menina tem pinta. Para mim é uma viborasinha que D. Rola está criando no peito... Mas deixa lá a vida dos outros e vamos embora... Iam andando e a Fortunata continuava : — Se Adda fosse filha de verdade, não havia de ser tão estimada... é toda cheia de não presta... vá ver que nasceu ahi em qualquer batelão de pescador. Mas você tá vendo só o Antônio onde está? ! O pai rio-se, olhando para o filho, dentro do mar, com água até ás virilhas. Fortunata exasperou-se : — Pucha para casa, ladrão ! — Deixa.o pequeno... — Deixa, deixa ! você é um molenga, por isso é que.Antonico tá tão levado!
Caminha! Antonico sahio da água; mas em vez de entrar em casa, atirou-se a correr como um doido para os lados do Ipanema, ao encontro de duas crianças que divizara ao longe : um rapazinho de tez cobreada, redondinho e baixo para os seus dez annos, e uma menina espigadinha, de olhos garços e cabellos castanhos claros, cahindo-lhe sobre os hombros estreitos em falripas mal tratadas. — De onde é que vocês vêm? ! perguntou-lhes Antonico, mal se approximou. — Do mato. Olha aqui! respondeu o rapaz mostrando-lhe dois ovos côr de mostarda no fundo do seu velho chapéusinho de feltro russo. — São de andorinhas? — Deste tamanhão? ! Você está tolo ! Quem vio primeiro foi Nita. Ella mostrou, eu apanhei. CRI I I AMOR — Eu lambem gostava de ir... confessou o Antonico. Nita exclamou rindo : Não vê mesmo que você agüentava ! Eu e Bié sim !... A gente andou lá no meio dos espinhos; olhe para minhas pernas, como estão arranhadas !
Bié olhou contristado para as perninhas magras da companheira. — Vai lavar as feridas na praia. A água do mar cura tudo. Eu vou lá em casa guardar os ovos na minha collecção... Agora precizava de achar uns côr de rosa... Nita abaixara-se para enxugar as pernas nos molambos da saia de chita, já muito suja. Depois, para Bié : — Vai depressa! você hão tem medo que seu tio lhe dê uma sova? ! Eu fico esperando ria praia... Os rapazes deixaram-na. Fortunata á porta de casa esguelava-se pelo Antonico. Quando se vio só, Nita sentou-se na estrada e estirou as pernas Ianhadas, por onde o sangue corria em fiosinhos delgados. Doiam-lhe. Ella molhou os dedinhos na saliva e perpassou-os pelos arranhões. Desde pela madrugada que andava pelo mato, sem alimento, só para acompanhar o Bié. Tinha muita fome, mas o seu corpinho de gafanhoto, resistia a todas as provações. Depois de estar agachada uns minutos, ergueu-se e foi para a beira do mar esperar o amigo.
Elle tardou. Encontrara talvez o tio mudo em casa, aquelle terrível tio mudo, e foram precizos grandes disfarces para guardar os ovos sem que o outro lhe percebesse as mano- bras... Só por maldade já não lhe destruirá elle duas collecções? O sol aquecia a areia, mas Nita tinha a pelle affeita a tudo, e estirou-se na praia, com o rosto para a? ondas. Tinha pena de não ter assistido á pescaria... talvez lhe tivessem dado um peixe, que ella cozinharia com o Bié, nas pedras da Igrejinha... Ficava para outra vez... Por gosto delia não se teria arredado naquella manhã, da praia; mas o Bié estava com tanta scisma nos ovos!... E se o mudo prendesse o sobrinho em casa? Ella teria de ficar alli á sua espera todo e santo dia o com aquella fome? ! Mas não. O companheiro chegou, esbaforido, côr de pitanga madura, com os cabellos empastados de suor e um grande pedaço de pão nas mãos sujas. — Quem foi que deu?
perguntou ella risonha, socjrguendo-se nos cotovellos. — D. Rola. Eu não pedi... Ella é boa. Estava na porta quando eu passei... Nita estendeu os dedos ávidos. Havia pão, não lhe importava o resto... Bié dividio-o em duas metades. Cada um pegou na sua e deitados á beira-mar, com a pelle quente, os olhos cheios de claridade azul, começaram a comer, muito calados, muito pensativos... & CRUEL AMOU íl Rola subio apressada o outeiro da Igrejinha. Tinham-lhe dito que o Pedro mudo estava pescando nas pedras e ella queria chamal-o para mandar entregar uma costura á cidade antes da noite. Colhendo a saia de alpaca, já esgarçada, até acima dos tornozellos magros, seguio em direcção aos arrecifes, onde o mudo costumava, agachado e immovel, consumir as horas na sua profissão. Mas do mudo já nem havia signal e ella voltou contrariada, pensando nos trabalhos da sua vida, quando no alto, perto da igreja, esbarrou com o Ruy.
— A senhora por aqui! — Vou-me embora já. — Não : fique, eu precizo muito fallar-Ihe. — Imagino ! — E' serio. A tarde no ocaso resplandecia em maravilhosos recamos de ouro e prata. Sob o céo lilaz, fulgidíssímo ra^avam-se nuvens illuminadas. CRUIiT, AMOR 27 — Que esplendor! Tem reparado como i.4o enreda a gente? ás vezes venho para aqui estar cinco minutos e fico horas inteiras ! Ella abanou que sim com a cabeça e ficaram ambo.- calados, olhando para a luz. A seus pés o mar estendia-se extatico, traspassado de fulgores crepusculares. Rola era uma mulher de trinta e oito annos, alta e esguia, de olhos tristes e cabellos lisos, de um castanho aloirado. O tom pardo de uma blusa de linho accentuava-lhe a pallidez do rosto oval, assignalado por meia dúzia de sardas. A saia preta escorria-lhe da cintura sobre os quadris chatos; tinha os dedos picados da agulha e a voz doce e fraca. Ruy, de estatura mediana, era um moço magro, de mãos pequenas, queixo quadrado, movimentos febris e um fino buço negro ameigando-lhe a boca rubra e forte.
Andava vadiamente no seu terceiro anno de Direito. — O que você tem a dizer-me é a respeito de Adda? — Não. E' sobre outro assumpto muito grave... — Que será!... Diga! — Deixe-me descançar primeiro... tomar fôlego! Olhe antes para o mar... que côr é aquella? — Se quer que lhe diga... nem sei! — Pois os seus olhos estão da mesma côr... côr de saudade... —-r Adeus, adeus ! lá começa você pom as suas fantasias. Diga depressa o que tem a dizer, que eu precizo ir-me embora. Ruy ia a fallar, mas logo hesitou; os cantos da bocca tremeram-lhe. Uma angustia palpitou célere- •_!S O R i r . l . AMOR mente no negror das suas pupillas o encolheu-se num movimento de arrepio. Rola percebeu a sinceridade daquella eommoção o acariciando-lhe o hombro. procurou animal-o maternalmente : Ajudei sua mãi a carregal-o ao collo... cantei cantigas para o adormecer... Se a raiva de seu pai agora nos separa, a memória de sua mãi nos une.
Pôde confiar em mim, Ruy ! - E' por isso. A outra qualquer eu não diria nada, nada ! Somente, é difficil, muito penoso... Mas antes, diga-me, com franqueza : a senhora também me considera doido, como toda a gente? ! — Que idéa ! — A opinião dos outros pouco me^importa. Emquanto me considerarem tal, permittirão que eu fique horas inteiras deitado naquellas pedras, olhando para estes deslumbramentos. Acharão natural que eu vá um dia á pesca com o João Sérvulo e o Marcos, outro, de casaca, a um baile; que me eternize no meu terceiro anno de Direito e que faça versos á lua ! Mas a sua opinião, Rola, interessa-me mais do que pôde pensar... muito mais! — Era essa criancice que tinha para me dizer? ! — Não; mas é o caminho. — Continue; sempre quero vêr aonde vai parar. — A senhora pão me respondeu; nem me responderá... Vale mais olhar para o céo, não é? Veja como está bonito ! No alto, numa trama de ouro enredava-se uma nuvem da fôrma e da côr de uma rosa immensa, que toda se desfolhava, fragmentando-se pelo céo illuminado.
Rola conservou-se algum tempo calada, presentindo o constrangimento de Ruy. Que teria elle? Como decidil-o a dizer aquelle segredo que parecia queimar-lhe o peito como uma braza viva? Também ella agora se sentia embaraçada ; mas, para precipitar a situação, declarou : 1— Já que você não quer fallar, vou-me embora. — Espere um instanlinho... veja como o m,ar está roxo aqui e verde acolá... » — Não dissimule. O que tem a dizer é. mesmo a respeito de Adda; já adivinhei. Elle, sem desviar o olhar das águas, murmurou : — Adda nunca será minha mulher... é muito vaidosa. — Vaidosa, coitada ! ella está na idade em que a mulher não pensa senão em si. Olhe, Ruy, tenho imaginado muitas vezes que effectivamente vocês não nasceram um para o outro. Para que teimarem numa idéa que não os pôde fazer felizes? Você bem sabe : Adda... — Deixemos a Adda em paz, interrompeu elle bruscamente. Falle-me de minha mãi.
Rolihha estremeceu, voltando-se espantada para o moço. Elle estava livido. — Era isto que eu lhe queria pedir. Diga-me tudo que souber, com toda a sinceridade. E repetio, martellando as syllabas : com ioda a sinceridade. Comece : ella era bonita ou feia? :j() CRUEL AMOU — Nem bonita nem feia. Mas não será melhor deixar em paz os mortos? — Não. A senhora conheceu-a de perto, eslava dentro dos seus segredos; pôde esclarecer-me. Continue : nem bonita nem feia. Clara? — E muito pallida. Era do meu corpo, mais ou menos : tinha os olhos rasgados,muito escuros o umas trancas... — Não me falle das trancas, interrompeu Ruy com um gesto nervos* E' a única cousa que eu conheço delia. Meu pai guarda-as debaixo de chave c pensa que eu não as vi. Já as molhei com as minhas lagrimas; são lindas. Como havia de ter ficado desfigurada no dia em que lhe cortaram os cabellos... Sonho muitas vezes com a scena da tosquiação de minha mãi no hospício...
— Oh ! Ruy! — Pensava também que eu não soubesse? ! Ouça tudo : meu pai julga-me predestinado ao fim de minha mãi. A minha menor extravagância é logo para elle um indicio de loucura... Julgo que sou já aos seus olhos um doente, um irresponsável. Não o diz mas pensa-o; lá bem no fundo da sua alma, como uma pedra, pesa sobre elle essa convicção "horrível. Se dou um grito, se tenho uma insomnia, se fallo ou se me calo, se faço um movimento mais brusco ou se, por um instante,- me altero, eil-o todo agitado, todo afflicto ao redor de mim ! — Não diga ia»o ! — Mas se era isto que eu tinha para lhe dizer? '.} I Sabe o que receio? E' que os cuidados de meu pai acabem por suggerir-me a mesma idéa terrível. — Não pense nisso!... — E' impossível deixar de pensar; meu pai lá está ao pé de mim para lembrar-m-o, apalpando-me o pulso, investigando-me o olhar, arredando-me do estudo, fazendo-me desperdiçar as minhas melhores faculdades, com medo de que a sua applicação determine...
o primeiro accesso ! o primeiro accesso ! —- Seu pai adora-o... — De mais. Espreita-me, cerca-me, aperta-me num circulo de cuidados nunca enfraquecido. Debato-me, á procura de um pouco de liberdade, ma^ é vã a esperança; elle vai commigo para toda a parte, penetra nos mais insignificantes actos da minha vida, sabe tudo, adivinha tudo, receia tudo ! Ç' um inferno ! — Elle não teria resistido a uma tal preoccupação, se ella fosse tão exaggerada... — Resiste. Elle é de ferro. O que lhe supplico é que me esclareça sobre a origem da doença de minha mãi... — Não sei... — Não quer dizer. — Talvez; e nesse caso seria inútil teimar. — A senhora é piedosa TBasta responder a isto : os ciúmes de meu pai eram... eram... infundados? — Absolutamente infundados. — Logo, a sua crueldade nem tinha essa desculpa ! — Filho !de que vale fallar nisso? O que passou, passou. Não ha quem não tenha o seu quinhão de soffrimento neste mundo.
Não procure indagar do O l t U E I . AMOU passado e afa.sle os máos peusamenlos. A vida ê lão curta!... \ amo-nos embora? Espere. Abri-lhe o meu coração numa confidencia que nunca fiz a ninguém. Tenha paciência, já agora ouça até ao fim. Se a procurei de preferencia <'• porque da senhora depende a minha felicidade futura, o a senhora, melhor do que ninguém, conhece os meus antecedentes. Quero lambem saber se a loucura de minha mãi foi occasional ou hereditária, porque eu lenho a convicção de que é o remorso da desgraça de minha mãi que gera em meu pai o receio da minha... Não ! seu pai não pôde ler nem uma nem outra 1'ouxi. Se elle não foi um marido exemplar, também não foi um marido péssimo. Pelo amor de Deus, fuja dessas idéas. pense que a mocidade é corno aquella nuvemzinha que me mostrou ha pouco : desfolha-se depressa. Aproveite-a. Olhe, amanhã ha festa na casa do smador Guidão... - Tenho pensado muitas vezes que a sua opposição ao meu casamento com Adda se apoia nessa razão.
E seria justa. Sendo um mal hereditário eu posso ser um condemnado... um marido perigoso... s . — Que tolice ! Não me opponho ao seu casamento... embora não o deseje; elle não faria a felicidade de ninguém... ma.s creia que os motivos são muito differentes ! Na família de sua mãi a primeira louca foi ella. Loucura accidental... teria ficado boa se vivesse mais alguns mezes... Sabe que nas mulheres essa e?pecie de doença tem varias explicações...
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