Universo da obra
Universo da obra
Pergunte então a ellâ onde é que as andorinhas se escondem quando faz frio ou quando faz calor ! — Pois ella contou isso também : As andorinhas diz que voam uma milha em um minuto... — Que é uma milha? — Não sei... e que adivinham os lugares bonitos no tempo das flores... Eu gostava de ser andorinha... — Eu também... ao menos mamai não me batia... —- Nem tio Pedro me maltratava... —- Maltrata porque você é tolo. Se fosse eu, fugia. — Qual... Escuta agora ! — E'um periquito.' — Boba ! periquito não canta : é como tio Pedro. Aquillo é um colleirinho maóho. Nita foi encaminhando o companheiro para os lados de um velho sitio abandonado, onde existiam apenas quatro pilares arruinados de tijolos, sustentaculos talvez de algum telheiro destruído pelo tempo, c uma ou outra arvore de pomar, embaraçada pelas lianas da herva de passarinho ou do cipó-chumbo. — Você ha de me dar seu chapéo para eu botar as amoras dentro, ouvio Bié?
— Sim... Tinham alcançado um ponto de repouso, de vegetação baixa e um ou outro pedregulho encravado no solo. Um fervilhar de sons de azas é pios enchia o espaço límpido. Nunca os olhos do Bié se tinham maravilhado ante tamanha variedade de passarinhos. Andorinhas voltejavam em delírio, mais baixo, 10. mais alto, despedindo reflexos de lapis-lazuli das pennas dos dorsos. numa vertigem entontecedora. Tico-ticcs e eamaxilras côr de greda saltilavam airosamente, petulantemente, entro canarinhos da torra o viuvinhas escuras. Outubro regia a sua orcheslra, tendo por batuta um galho de laranjeira em flor. As aves que mais alegravam as crianças eram as sahyras, faiseanles corno se fossem feitas de saphiras. Nita, sempre mais aeliva, marinhou depressa pela amoreira, de grossas varas carregadas. Havia abundância : poderia fartar-se e ainda levar muitas amoras para o templo da pedra rachada... — Apara com o chapéo, Bié...
gritou ella de cima, alvoroçando o passarodo. Mas o pequeno, que estava morto por poder reunir as radiosas pennas de pavão, que lhe aqueciam os dedos, ás outras preciosidades de que não desviava o senlido, zangou-se por fim. Que maçada ! havia já quatro dias que não via nem apalpava as suas. collecções e a gulosa da Nita nada de querer descer dos galhos, toda encarrapifada como um macaco ! — Fingir que eu sou a cozinheira, gritava ella rindo. Estou fazendo as compras para o jantar... E simulava diálogos com a arvore : -— isso é muito caro !... não dou mais de dez mil réis pelo frango... Tome duzentos réis pelo queijo... e dois mil réis pelas laranjas!... Mas Bié impacientou-se e ella teve de descer. Elle fizera entretanto uma gaitinha de taquara e ensaiava o canto do jacú... Quando chegaram ao bosque da pedra, perceberam logo á entrada que alli tinha estado alguém... Havia agora no chão, estendido sobre o tapete de folhas de cajueiros, um tronco de arvore cortado a machadadas, e ramos lascados á mão.
Nita sorrio, apontando para o tronco : —•' E' o meu sofá !... . Mas Bié saltou, com um presentimento horrível no coração, e, colando o rosto á abertura da pedra, olhou para o esconderijo do seu thesouro. Nada ! tudo vazio, o próprio limo da pedra fora raspado por unhas ávidas. O pequeno voltou-se livido, com a boua aberta, sem poder, suffocado de espanto, articular uma única syllaba! mas quando por fim a voz lhe irrompeu da garganta, foi num grito tão estridente e tão doloroso, que toda a mata pareceu estremecer á vibração daquelle espanto. Nita acercou-se com medo, acreditando que o com panheiro tivesse sido mordido por alguma cobra. — Que foi... Bié... que bicho te mordeu? Falia !... Vamos embora d'aqui... O menino, apontando com a mãozinha tremula para a concavidade da pedra, desatou num pranto sem consolação. Ella olhou receosa e, percebendo tudo, atirou os bracinhos magros ao pescoço do companheiro, affectuosamente : —• Não chora, Bié...
eu sei onde estão muitas conchas, bonitas... mais bonitas do que as outras... Sei também de ninhos que você ainda não vio... eu vou procurar tudo... não chora... quem roubou as suas collecções ha de ir p'ra o inferno... D. Rola me prometi eu uma eslrella do mar... é p'ra você... Eu lenho uma cigarra lá em casa... Não chora assim... era tudo tão bonito... Quem seria? ! Bié arrepellou-se, atirando-se no chão, num choro convulso, como se lamentasse a morte de um oiile amado. 0 seu thcsouro representava grandes sacrifícios, sustos, investidas pelo mato a dentro, horas de fome, quedas, arranhões, trabalhos atrevidos, pei;- tinazes, de mezes e me/.es consecutivos, por montes, praias e restingas. A seu lado, magrinha, morena, desgrenhada, a infeliz Nita repetia afilieiivãmente promessas sobre promessas de lindas dádivas precios"as, como se bastara a vontade do seu coraçãozinho para fazer cahir nas mãos do camarada as mais raras preciosidades do mundo.
Elle parecia surdo; ella recomeçava, ameigando-lhe o hombro com pancadinhas leves : — Escuta, amanhã cedinho eu saio; na Praia de Fora, bem lá no fim, eu vi uma concha de ouro... seu Flaviano vai-me dar um periquito... Rubião me prometteu uma arvore do mar... Tudo é para você... não chora... eu sei de um besouro verde... escuta... em vez de chorar não era melhor a gente ir procurar o ladrão? Eu cá não tenho medo. Aposto que foi o Antonico ! Elle é mais pequeno do que nós, com um tapa eu derrubo elle no chão... Bié sentou-se; as lagrimas seccaram-se, como por encanto, e elle, voltando-se para a companheira, murmurou aterrorizado : — Foi tio Pedro ! Nita encolheu-se, como uma ostra sob uma gotta de limão. •— Foi tio Pedro, sim !... você outro dia disse na vista delle onde a gente escondia o thesouro... —• Elle não escuta ! — A culpa é sua ! — Seu Pedro... não escuta... repetia ella engasgada, já toda trêmula.
— Foi elle! foi elle!... foi elle!! Bié levantou-se resolutamente e deitou a correr como um louco. Nita seguia-o apavorada. CRUI 1. AMOU XII Eia a hora do plenilúnio. A praia do Arpoador isl alia-se em claridades brancas. A água, rooamada de florões argenleos e movediços, dislendia-se em dobras fundas o marulhosas. A maré vasava, espalhando plumas de neve por toda a beira do mar. Entre o céo ah adio, que as estrellas pontilhavam fervilhando, e as ondas illuminadas, fluctuava um nevoeiro delicado, escumilha de prata diluída, que envolvia os montes da Tijuca e da Gávea e mal velava além o olho inquieto, ora azul, ora rubro, do pharol da Rasa. Entre a estrada do Ipanema e a orla inclinada do mar, cipós negros, vassourinhas e cactus rasteiros punham no chão tapetes mosqueados como pelles de tigres. Sozinho no meio daquella immensidade, Ruy ia e vinha, á espera de Adda, que lhe promettera dar volta •pela praia, quando viesse de casa do Dr.
Guidão. Ella tardava. Talvez se tivesse esquecido da promessa, embebida na palestra do Eduardinho... porque era provável que esse enfatuado estivesse lá. Não se podia esquecer dos seus olhares atrevidos, escorregando pelos braços e os hombros nús de Adda, naquella maldicta noite do baile, e tremia á idéa da intimidade que já por certo se teria feito entre ambos, conquistada pela audácia de um e a condescendência da outra... A seus pés o ervaçal rasteiro, eriçado de cardos espinhentos, cipós e cabeças-de-frade, desenhavam sombras exquisitas, de animaes fantásticos, aranhas negras, tarantulas formidáveis, polvos estendidos sobre o leito frio do chão... A cada passada, Ruy julgava vêr moverem-se á roda de seus pés esses seres extranhbs, numa ameaça silenciosa e terrível. De longe em longe, detritos trazidos pela enchente da ultima maré desprendiam um cheiro forte, de salsugem. Parando de vez em quando para desenrolar com a ponta da bengala as fitas enovelladas de algas ou traçar na areia molhada, distrahidamente, um arabesco qualquer, Ruy pensava obstinadamente nos olhares que talvez estivessem trocando entre si naquella hora a sua noiva e ovneto do Dr.
Guidão. Desesperado, subia então até á beira da estrada, para espreitar para os lados do Ipanema, e tornava logo a descer, na anciã do minuto que tardava.. Desde que Rola o prohibira de visitar Adda, elle vivia naquella consumição, vendo-a fugitivamente, em encontros de acaso simulado, em que mal tinham tempo ás vezes de articular novas combinações... Ruy scismava em como poderia o pai ter já*percebido isso mesmo. Ainda poucas horas antes, durante todo I8() o jantar, a conversa, testemunhada pela tia Antonia, fora toda de indirectas. Por entre meias palavras e reticências, o coronel tinha allirmado (pie Adda não era mulher talhada para esposa, para os sacrilieios de um lar de pobre e as grandes abnegações da maternidade. Toda ella era leviandade, um canteiro de llôres que rescendia veneno... E repisara na grande culpa: ella era a incógnita, sahida de um ventre impuro e atirada como um sobejo para a porta de uma mulher deshonesta.
Ruy sentia ainda arrepiado a voz do pai, apresentando taes idéas em termos curtos, por entre goles do água e um impertinente barulho de mastigação. Oh, como se lhe escaldava o sangue nesses instantes de brutalidade, que elle não podia reprimir... Agora sozinho procurava justificar todas as attitudcs da acusada. Se ella fosse a mulher puramente vaidosa e de máos instinetos, como dizia o pai, não se sujeitaria a viver tão pobremente, usando vestidos já aproveitados por dona Leonor e concertados todos pelas suas próprias mãos... Submettia-se sem queixa ao seu destino e não era responsável pela belleza daquelles olhos tenebrosos e daquella pelle de setim. A verdade, que elle sentia, é que voltara para ella definitivamente. Agora era para sempre. Resistira por longos dias; senão fora a doença... se ella o não tivesse procurado e o pai não a tratara tão brutalmente... tudo pareceria extineto, embora no fundo do seu coração o fogo ardesse sempre.
Ella não tinha culpa de ser bella, não tinha culpa de ser pobre, não tinha culpa de não ter família... Com o seu grande amor elle redimiria um passado in- grato e injusto. Os terrores do pai, que o tinham contagiado um dia, eram um insulto para a moça, que elle defenderia a todo o custo, com o seu nome, com o seu corpo, com o seu sangue. Aperfeiçoaria o coração de Adda com a constância da sua supplica e do seu amor... Ella era uma alma generosa... por que não havia de crêl-o? Na areia pallida as nodoas negras do ervaçal cada vez se moviam mais sob o clarão das estrellas. A onda estendia-se num suspiro lento e Ruy sentia-se feliz em sonhar com a mais formosa das mulheres naquella noite formosíssima... Quando divisou um grupo de pessoas na praia, caminhou ao seu encontro. Adda, distanciada dos outros, vinha muito na frente, sobraçando um embrulho. Os outros eram Rola e um velho, cunhado do Dr.
Guidão, que a caminho da própria casa se prompti ficara a acompanhar as senhoras á sua e que satisfazia o capricho da moça, perdendo pasmos por aquellas areias. — Por que te demoraste tanto, Adda? Indagou Ruy, já com uma pontinha de censura. — Estávamos conversando. As horas passaram tão depressa!... — Se me amasses como eu te amo as horas de ausência te pareceriam infindáveis, como me parecem a mim ! Não sei que feitiçaria me fizeste, que não cesso de pensar em ti. Chega a ser um martyrio ! Ella sorrio, volvendo para elle um olhar apaixonado. li — Amas-me? tu nunca dizes que me amas, Adda !... Estava morto de saudades ! — Eu também. E a prova é que vim correndo adiante de mamai por este caminho todo, só para estarmos juntos mais um bocadinho... Nem queriam vir por aqui. Pudera ! Mas eu não me importei e vim andando... — Meu amor ! Rola e o velhote alcançaram-n-os. Ruy affirmou que andava por alli admirando a noite.
Rola disfarçou um sorriso triste e disse : — Sabe do que eu me espanto? é de não ter lido ainda versos seus nos jornaes. Você sempre foi poeta. Olha para a natureza com uns olhos tão apaixonados... O velhote interveio, affirmando que o sentimento poético nem sempre se revelava na forma estreita do verso. Ha espíritossrebeldesá métrica e que são todavia de verdadeiros poetas, assim como ha outros , de menos imaginação e menos pensamento para quem essa cousa é familiar e até espontânea. Como elle se voltasse para Rola e começasse a propósito a contar a historia de um amigo seu da mocidade que não conseguira nunca fazer uma estrophe, apezar de ter sempre o cérebro escaldado por grandes ideaes, Ruy, caminhando ao lado de Adda, recomeçou baixinho o dialogo interrompido : — O Eduardo estava lá? — O Eduardinho?' Esteve, mas sahio cedo... tinha um compromisso. — Elle está apaixonado por ti... Ella não disse que não.
Ruy tirou-lhe o embrulho das mãos e continuou baixinho : — Elle ainda não te disse nada? — ...Não... A voz delia escorregou numa negativa molle. — Dize a verdade, elle já se deve ter declarado, que não tèm nada de tímido nem de respeitoso; bem vejo pelo modo por que te aperta as mãos, por que te olha, por que falia comtigo. Chega a ser insolente. Não sei como toleras. — Que culpa tenho eu que elle goste de mim? I —• Isso tens... — Como, meu Deus do céo? ! — Bem o sabes. Eu não queria repetir-te o que já uma vez le disse; mas se finges não te lembrar, a culpa será tua... — Cada vez entendo menos... — È' isto : o Eduardo ama-te porque tu provocas a sua admiração. — Que idéa! — Idéa bem justa; não serias tão linda se não quizesses ser bonita, não atrahirias a attenção de ninguém se fosses simples e modesta... Lembras-te agora de que já te pedi, já te suppliquei que te fizesses feia, feia para os outros, bella só para mim?
— Mas, Ruy, eu não me pinto, não finjo o que não sou. Não sei se sou bonita, sei que não posso ser outra cousa. — Podes, porque a tua perfeição não é só do corpo : vem de dentro, da tua vontade. E's pobre e vestes-te como uma mulher de sociedade; o teu penteado, o teu sorriso, o teu andar, o decote dos teus vestidos, o polimento das tuas unhas, denotam a proooeupaç.ão de seduzir. Desejava que fosses mais simples, mais socegada, porque tenho ciúmes... sim, tenho ciúmes, porque tenho medo o sobretudo porque le quero para minha mulher. — Então casa-te commigo. 0 que eu te promoflo é depois não sahir de casa... — Mas eu não quero isso ! — Nesse caso não te entendo. Dizes que tenho a preoecupação de agradar c que me visto corno uma moça rica ! Sabes o que vai nesse embrulho? Um vestido velho de Leonor, que ella me deu para eu ir ao baile do Dr. Guedes ! — Um vestido de seda? — Um vestido de seda que ella fez o anno passado e com que já foi a três ou quatro festas !
Parece mais rico do que é; vou fazel-o para mim. Ahi está a minha vaidade ! Ruy tremia. f — Adda, tu não vestirás este vestido... — Por que? Se eu não aceitasse favores das amigas, que seria de mim? — Não irias aos bailes... — Nem sahiria de casa ! — Para sahir de casa ha sempre uma saia de lã ou um casaco modesto... mas quem não tem fortuna para vestir velludos e rendas, não as veste de favor! — Ora, quem poderá imaginar que o vestido de seda que vir em meu corpo já pertenceu a outra pessoa ! — Tanto peor. Todos sabem que és uma moça o pobre; se te virem coberta de setins vistosos, darão ao teu vestido uma origem ainda menos digna. — Com o que os outros pensam é que eu não me importo. — Adda ! -— Que é? — Promette-me que mandarás amanhã outra vez este vestido a D. Lftonor... —- Não posso fazer semelhante desfeita... depois, já prometti a D. Mariquinhas Guedes ir ao baile... não devo falhar...
precisas ser razoável; amor não é escravidão. Eu sou moça, gosto de me divertir, não tenho fortuna para comprar vestidos, mas desde que uma amiga generosa me offereça um, não sei porque não hei de acceitar. Não sou pobre soberba... — Adda, tu bem me entendes ! D. Leonor não te presenteou com um vestido, dá-te os seus vestidos velhos. Tu, pobre e como pobre devendo usar roupas modestas, ostentas sedas amarrotadas por outro corpo e que pela magia da tua habilidade parecem novas no teu. Sei o que dizem por ahi... A lingua do Rio de Janeiro é p*erfida e eu quero-te acima de toda suspeita o de todo commentario, porque te amo e desejo dar-te o meu nome. Entendes agora? •—s- Se me amasses deverias desejar a minha felicidade; mas a verdade é que só pensas em ti. E's um ciumento. — Sou, e queria que o fosses também e que renun ciasses a tudo só para seres minha ! — Mas eu não sou de mais ninguém !
----- Es de toda a gente... — Ruy ! — Porque desejas agradar a Ioda gente. E' isso que me desespera, não le bastar o meu amor o a minha admiração. Nunca me esquecerei do desgosto que me eausasfe no dia da procissão, a que alludi agora. Lembras-te? Pedi-te para disfarç.arcs a tua belleza, pedi-te que não andasses com o pescoço descoberto, como andavas nesse dia, até na igreja ! E tu prometteste-me que farias tudo que ou pedi, para nessa mesma noite appareceres decotada o de braços nós em uma reunião familiar e onde todas as senhoras estavam de vestidos afogados ! Como hei de eu agora acreditar nas tuas promessas? ! — Eu não tinha outro vestido... — O que não tinhas era coragem para cumprir o sacrifício que te pedi. Talvez não tenhas culpa. A tua natureza exige homenagens de todo o mundo. Nem todos podem ser modestos... — Pois se não tenho culpa, não me censurem. E' preciso acostumares-te. Eu gosto de dansar.
— E eu não quero que danses... — Gosto de bailes, gosto de andar bem vestida, e não tenho vergonha de vestir os restos de uma amiga bôa e discreta como Leonor, já que não tenho dinheiro para comprar vestidos. Quando eu me casar comtigo, cessarei de receber... esmolas; por emquanto preciso dellas. — Adda ! és má ! bem sabes que não depende de mim casar-me agora... Vê que não te quero offender, o que eu quero é que me ames, e que renuncies a tudo pelo meu amor; o que eu quero é que ninguém
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