Leia agora
Cruel Amor

Universo da obra

Cruel Amor

Capítulo 15 · Cruel Amor

Parte 15

15 de 24 ≈ 18 min de leitura

dar a moléstia da mãi... aquillo eram fantasias do Ruy ! Bem sabia o coronel que o cérebro da mulher adoecera pelos martyrios que elle lhe infligira e mal diria ella que havia de chegar um dia, em que tivesse necessidade de provocar uma entrevista com aquelle homem, que jurara evitar a todo o transe. E desde que tinha concebido essa idéa, já não pensava em outra cousa. Só via um meio para obter do coronel uma meia hora de conferência : a intervenção da mulher do senador Guidão. Esse velho, que era um bruto para toda a gente, desmanchava-se em formalidades e delicadezas para com a Sra. D. Delfina e não se negaria a um pedido seu... Mas em Rola a coragem dessa resolução embaraçava-se num medo quasi invencível e ella refleCtia, procurando orientar-se melhor e acabando sempre por entender que teria de affrontar essa hora de imprevistos e de desgostos.. A felicidade da filha e de Ruy exigiam-lhe tal sacrifício...

Atravez dos sapatos rotos, que tinha forrado em casa com palmilhas de papel, sentia a areia do chão escaldante e áspera. Contava justamente com o dinheiro da Maria Adelaide para um par de botinas e eis que elle ia servir para um véo... Quem tem filhos é assim, suspirava ella, accrescentando què se a alegria também se pudesse comprar com dinheiro, acharia talvez geito de a comprar para Adda... A casa de Flaviano ficava retirada do caminho, pegada a outra igual, do Mamede carroceiro; ambas acalcanhadas pelo uso do tempo e cercadas de um terreiro, onde duas carroças repouzavam nos varaes, á sombra de uma grande amendoeira. Era assim : os 0 2 pescadores queixavam-se de que a gente da cidade lh s ia invadindo o bairro, lomando-Ihes as casinhas da praia, obrigando-os a afastarem-se do mar para tocas rústicas do mato, menos caras... oniquanlo das suas antigas habitações ella fazia chalels e palae.cl.es, O pescador estava sentado numa esteira, ao pé da porta escancarada, trançando cipó cerejeira para uma tampa de mercado.

Sabia do officio desde mocinho, quando por morte do avô, pegador de cobras, a mãi o entregara á madrinha, moradora no Curral de Fora. Vivera alli, no município de S. Gonçalo, ora de facão em punho, abatendo cipó-una no mato, para fabrico de tampas de camarão e ostas, ora vadiando pelas restingas abrazadas ou atolado até ao pescoço nos brejos, cortando o páo molle de tabebuia, para boias de redes e para tamancos, que era uma das industrias do lugar. Aprendera depressa a fazer esteiras de tiririca para cangalhas e de tabúa para forrar barcos e tapar mercadorias que vinham para o mercado, nas canoas; reunia, brincando, grandes feixes de junco e distinguia de relance o cipó-una preto, reputado o melhor, do cipó-una branco, do carneiro, ou de qualquer outro. Tinha sido isso dos doze aos dezeseis annos, entre.o tempo da escola ao lado da Maria Adelaide e o dia de lançar a primeira tarrafa na praia do Leme.

Rola quiz saber quem o tratava e o que dizia o medico; se elle voltaria depre ssaa andar e se ficaria sem defeito. Confiando pouco na habilidade da mãi do Flaviano, ella fora até alli com a intenção de prestar algum ser- viço e indagou logo do doente se elle carecia de alguma cousa. Elle explicou que o vizinho Mamede tinha remediado tudo. Um homem valente, aquelle! Tendó-o encontrado a gemer, sentado sem alento na beira do caminho, tinha-o carregado ao collo e posto dentro de uma carroça de areia, que ia conduzindo para a cidade. Por amor disso tivera de voltar pela estrada velha e atrazar o seu trabalho... Fora ainda o Mamede quem chamara o doutor e incumbira a mulher, sua vizinha, de velar por elle, quando a mãi sahia para as suas voltas... O que vale é que no mundo ha muita gente boa. Rola estava alli, dando uma prova disso. João Sérvulo também estivera de manhã. Desesperava-se por não poder sahir...

exactamente agora que o Marcos voltara da cidade e que elle estava morto por abordal-o! Parecia um castigo do céo ! Sahira da casa da noiva um pouco arreliado, porque ella não lhe apparecera e tão distraindo vinha com um pensamento máo na cabeça, que ao passar rente á toca do Machado, não dera fé num buraco do chão e bumba ! destroncára alli um pé! Queixava-se ainda; tinha mandado pelo Mamede vários recados á noiva, contando o desastre,. e nem ella nem nenhum dos diabos da casa vinham vel-o... Desconfiava que Maria Adelaide não se quizesse encontrar com a velha... quem lhe podia valer agora era Rola, que intercedendo pelos namorados, abrandasse o coração da mãi e procurasse uma solução feliz... Elle amava Maria Adelaide como um doido ! Muito constrangida, Rôlajarocurou desviar a conversa para outro assumpto. Onde estava a mãi? 'l Sahira, mal lhe dera de almoçar... nunca dizia para onde ia, nem quando voltaria...

e se estava em casa era para fallar sozinha... Se elle tivesse dinheiro, prescindiria da acquiescencia da mãi, mulher teimosa e impertinente, apezar de que a noiva se oppunha a casar contra a vontade de alguém ! Queixava-se da sorte. Se em vez de o terem mandado rapazinho para as restingas do Curral de Fora, o tivessem apertado num trabalho duro, elle teria tomado outra direcção e não dependeria de ninguém... Só para que elle não casasse, a mãi negava-lhe até os tostões para cigarros... mas o tempo não passa atoa, ella havia de vêr ! Ao despedir-se, Rola offereceu-se : — Você disse que queria fallar ao Marcos; se quer algum recado para elle eu vejo-o todos os dias... Flaviano mudou de aspecto. — Não. O que eu tenho para dizer a elle não pôde ser dito por mais ninguém... — Elle é um bom rapaz... — Será, será. Adeus, D. Rola. Lembranças a D. Adda. XIV Chovia a cântaros e Ruy ainda não entrara da rua.

Sahira mal agazalhado de casa nessa tristonha manhã de segunda-feira. O pai pensava nisso, passeando no corredor da saleta á cozinha. Era uma das suas manias andar, calado, pela casa, horas inteiras, de cá para lá, num abominável arrastar de chinellos. O filho chegava a entontecer com a monotonia regular daquelle movimento. Tia Antonia mesmo, mais indifferente, impacientava-se ás vezes de vêr o patrão naquellas idas e vindas continuadas. Nesse dia a agitação era maior. Ruy deveria estar como um pinto! Se adivinhasse onde encontral-o... Quem sabe? Talvez em casa daquella peste de rapariga, que ainda na véspera, á tarde, passara por alli de automóvel, toda enfeitada, como uma filha de doutor! Não fora tão tolo que não percebesse que Ruy tivera um abalo fortíssimo ao vel-a sentada ao lado do Guedes, como se fosse sua mulher ou sua irmã. Por si, tinha gostado; tomara elle vêl-a casada 12 0 6 com o outro...

mas tal milagre não o podia esperar. Espantava-o comtudo a aceitação que aquella moça e a mãi tinham na casa do senador, um homem tão rigoroso e tão sensato... em fim, era das faes facilidades do Rio de Janeiro, que o revoltavam até á medula. Se não tivesse medo de ser descoberto, escreveria uma carta anonyma ao Dr. Guidão, abrindo-lhe os olhos, para que elle fechasse para sempre a porta da sua casa honesta áquellas duas especuladoras... Desgraçadamente, o filho não se poderia ter engraçado por cousa peor! Como sempre, as suas locubrações acabavam por fixar-se na filiação de Adda, de quem toda a gente cantava a belleza em prosa e verso e que no seu ódio elle chegava a achar feia. Daria alguns annos da sua vida para saber de quem tinha nascido essa creatura e desesperava-se por não ter tido a mesma curiosidade no dia em que se tinha espalhado por toda a Copacabana que apparecera uma criancinha na porta da Rola.

Então talvez não tivesse sido difficil saber a verdade... A figura de Adda passava-lhe e repassava-lhe agora pela cabeça, tal e qual como a vira na véspera de tarde : com o seu véo branco ao vento e o rosto voltado para as suas janellas, em ar de provocação, ao mesmo tempo que parecia sentir ainda o movimento de espanto e de desgosto do filho, todo inclinado e sorprendido para o automóvel que ia correndo... voando! Prouvéra a Deus que nunca mais voltasse... Tanto a tarde da véspera fora linda e luminosa quanto a manhã desse dia apparecera escura e tempestuosa... e Ruy lá se demorava sob a chuva grossa ! Se ao menos lhe pudesse mandar pela Antonia o sobretudo e as galochas... Mas a preta, interrogada, não soube dizer onde estaria aquella hora o moço, e o coronel, contrariado, cocando a cabeça grisalha, recomeçou no seu passeio silencioso, enfadonho, interminável. O seu terror era que o filho adoecesse, mal precavido sob o aguaceiro.

Achava-o cada dia mais indifférente e distrahido... O que o impressionava mais que tudo era um certo modo que aprendera agora de mover a cabeça numa oscillação quasi imperceptível e que reproduzia absolutamente um gesto preferido da mãi... Como estas cousas se transmittem através do tempo, senhor ! Na solidão daquella casa, entre o rumor da chuva continuada e a bulha rythmada de seus passos, o coronel fazia e desmanchava planos de futuro, com que pudesse salvar e defender o filho das garras de duas ameaças terríveis : a loucura da mãi e o amor de Adda... Magro, com os olhos claros pequenos, de um azul que tomava- differentes gradações, conforme o pensamento que lhe atravessasse o cérebro; de fartos cabellos finos e grisalhos e uma barbinha espumosa e leve cercando-lhe o queixo em ponta, elle tinha um aspecto concentrado de homem triste. Fora assim toda a vida. Em pequeno martyrisava os amigos, zangando-se por cousa nenhuma.

O pae morrera de um desastre, deixando-o com treze annos e 0 8 pouca instrucção. Aos dezoito annos já elle ora empregado publico. Aos vinte, o padrinho puzera-o na Guarda Nacional, de que tinha hoje o posto do coronel... A imagem mais viva do seu passado era Angola... achara-a linda, com o seu rosto pallido, os seus negros olhos avelludados, os seus cabellos selinosos e tão longos que lhe serviriam de corda, se se quizesse enforcar !... A sua consciência accusava-o de ter maltratado aquella mulher submissa, que o amara ao principio, que o tolerara depois, e que dos seus braços sahira aos gritos, numa explosão de cansaço que lhe alterara por fim o cérebro. Julgara elle que a historia do seu ciúme tivesse acabado nessa hora triste, e eis que ella continuava agora no filho, que elle amava mais do que julgara possível poder-se na vida amar a alguém, mais do que amara a mãi, o pai, a Angela, a todos juntos !

Quando ás cinco horas Ruy bateu, o coronel simulou com esforço serenidade e foi abrir-lhe a porta. — Muito molhado, hein? — Um pouco... O coronel não se contentou com a resposta : passou as mãos nervosas pelo fato enxarcado do filho. — As botinas devem estar cheias d'agua... vai para o quarto... já lá está um par de meias em cirna da cama e a roupa branca... a Antonia arranjou tudo.. A humidade nos pés é uma cousa terrível... talvez seja melhor calçar meias de lã... — Não... Ruy furtou-se ás mãos do pai, que lhe examinava até o collarinho, e fechou-se dentro do quarto. Estava bem certo de que não fora Antonia quem lhe preparara a roupa, bem se importaria ella ! Sentia-se fatigado, cheio de tristeza. Adda passeara-lhe o dia inteiro', de automóvel, ao lado do Eduardinho Guedes, pela imaginação. Que idéa absurda fora aquella! Arrependia-se da sua fraqueza : melhor seria não ter tornado a vêl-a e deixal-a definitivamente com o outro...

Mudada a roupa branca, estirou-se na cama. Sahira para a cidade, para a sua aula de Deirito e nem puzera pés na Escola. O seu amor absorvia-o de tal modo, que tudo o mais perdia para elle o interesse... A própria carreira, escolhida com enthusiasmo, pezava-lhe agora como uma aborrecida obrigação. Se fosse rico voltaria as costas ao estudo das leis e, casado com Adda, iria estudar todo este bello littoral do Brasil, armando tendas aqui e além, sondando águas, examinando areias, sorprendendo na alma viva do oceano os seus mysterios mais deslumbrantes ou mais tenebrosos. Longe cfa sociedade perturbadora, Adda seria unicamente sua. As gentes simples das povoações praianas com que convivesse e que observasse, completar-lhe-iam as alegrias do coração. De praia em praia, ora numa barraca de lona, ora numa cabana de' sapé, colleccionando os productos do oceano ou descrevendo as paizagens marítimas, procurando interpretar todos os segredos das águas o das terras ribeirinhas, tão lindas umas, tão desconhecidas outras, elle iria espalhando a gloria da sua felicidade e Adda o esplandor da sua formosura !

lá. 1 0 Tinham ambos nascido á beira-mar. O mar ora um pouco a sua pátria. Elle não poderia adormecer sem ouvir o marulho das ondas. Fora essa a cantiga que lhe embalara o somno desde o berço. Adda já lhe dissera a mesma cousa... Tivera elle fortuna e se aperceberia para essa vida independente e errante, com bons livros, bons apparelhos e commodidades para a companheira que desejava isolar sem sacrificar. Emquanto a imaginação tecia a tela dourada desses sonhos, o seu critério ia-os atirando para o ridículo. O dinheiro era escasso. Com medo do esfravagancias e desperdícios, o pai contava os tostões que lhe punha no bolso. Elle submeltia-se sem queixa, sabendo que não eram ricos, mas irritava-se. A vida afligurava-se-lhe cousa bem mesquinha. O coronel, já inquieto e cansado de esp -rar pelo filho, bateu á porta : — Ruy? — Senhor?! — Vem tomar um prato de sopa. — Não tenho vontade. — Embora.

Eu não quero jantar sozinho. Ruy levantou-se amuado, vestio-se ás pressas e foi para a mesa com olhos de somno e de aborrecimento. O pai inspeccionou-o da cabeça aos pés : — Não seria bom vestir um sobretudo? — Não estou com frio. — O ar está muito humído... — Se chove !... mas o senhor também não está agazalhado!... — Ah ! eu !... não andei pela chuva nem estive doente ha pouco tempo... Os olhos do coronel mediram a quantidade de vinho que o filho vasou no copo. Coritrariava-o que Ruy não dispensasse vinho ao jantar; e não se cohibia de aconselhar que misturasse água, para quebrar effeitos nocivos. O álcool é o maior inimigo dos nervos excitaveis, dissera-lhe um dia o medico da sua confiança; desde então, para evitar que o filho tomasse vinho, elle mesmo se abstivera delle ao almoço, consentindo em servir-se ao jantar parcimoniosamente. Ruy percebialhe a vigilância e constrangia-se. O coronel obstinava-se em fazer-lhe o prato.

Dir-seia que os quinhões vinham pesados, como se se tratasse de um doente. Chegada a hora da sobremesa sim, elle empurrava a fruteira para perto do filho e fechava os olhos. Folheara almanaks e livros de medicina e capacitarase de que a alimentação do filho devia ser constituída de um certo modo de que nunca mais se afastou. Ruy aceitava algumas cousas com modo distrahido, mas regeitava diariamente vários copos de leite que a diversas horas o pai queria obrigal-o a ingerir. O coronel não desanimava, e todas as noites a Antonia deitava na pia .leite azedo, resmungando contra o desperdício. O barulho da chuva era agora ensurdecedor. Na pequena sala de jantar, de janellas fechadas, os dois homens sentiam-se morrer de aborrecimento. Os cigarros eram permitfidos com avareza. A refeição terminara entre uma ou outra phraso curta, que vagava sem interesse no ambiento melancólico. Foi já ao accender do gaz que O coronel disse, olhando de soslaio, como se temesse contemplar o filho de face : — D.

Delfina Guidão mandou-me pedir ainda agora pelo padeiro para eu ir lá amanhã. Saberás do que se trata? — Não... E' exquisilo... — Supponho que precize de alguma informação... — Informação de que? ! — Não sei... naturalmente da Rola... — Ella sabe muito bem quem é a Rola. — Talvez não saiba... — Mas que vai o senhor dizer? —- A verdade. — A verdade é que ella é uma mulher digna de respeito... O coronel rio-se e levantou-se para o seu passeio no corredor. Ruy tremeu de raiva, percebendo a ironia do pai e amarfanhou a ponta da toalha que a Antonia, relaxada, ainda não viera tirar da mesa. Mil pensamentos cruzavam-se-lhe no espírito. A approximação de Adda com o Eduardinho Guedes acaBara de convencêl-o de que eram elles dois o assumpto da entrevista solicitada por D. Delfina Guidão ao Coronel. Toda a gente alli sabia do seu amor pela moça; a bôa senhora quereria incumbir talvez o-pai de desvanecer nelle esse sentimento, solicitada pelo neto...

Adda passeara com elle de automóvel... dançava com elle nas suas salas... elle era rico... audacioso... elegante... Cada vez que o coronel chegava á porta da sala, lançava ao filho um olhar rápido e tímido. Arrependia-se de o fazer soffrer e não sabia como remediar a sua imprudência. O moço parecia abstracto. Só as narinas lhe arfavam e os olhos chispavam como se tivessem fogo. Nessa noite elle não dormio. Sentou-se á secretária e escreveu a Adda uma carta de vinte paginas. Da sua alcova entreaberta, o coronel desesperava-se, olhando para a bandeira de vidro illuminada do quarto do filho. A's duas horas não se conteve : foi-lhe bater á porta. A penna de Ruy rangia no papel. —, Já são duas horas ! — Eu sei... — Então?-! — Vou-me deitar... — As noites são para dormir... isso faz mal... Ruy não respondeu. A penna corria desesperada, nervosamente. O pai voltou suspirando para o quarto, mas só se deitou quando ás três horas o filho apagou a luz.

A chuva diminuía; a casa estava agazalhada nojtorpor do silencio. Tudo seria doce se o pensamento maldito não perturbasse a paz dos homens. O coronel revolvia na mente as attitudes do filho; suas palavras, a expressão do seu olhar ardente de moço apaixonado... Que fim teria aquillo tudo? 'l D. Delfina vinha por sua voz perturbal-o com aquelle recado seeeo transmittido pela boca do padeiro commum nessa feia tardo de chuva. Que lhe quereria ella? Era evidente que se tratava de Adda... Passou-lhe então pela cabeça que o Dr. Gu%Jão o a sua gente soubessem alguma cousa sobre, o passado d'aquella moça faceira e sem vintém, o o mandassem chamar para o persuadirem de que devia consentir no casamento delia com o filho... Que se ninassem ! Talvez elles entendessem que o Ruy não merecia nada superior, por ser filho de um homem solitário o sem outra fortuna que a aposentadoria do seu emprego... Mas elle punha o filho em mais alta* esperanças.

Se o que queriam delle era isso, estavam bem enganados; diria mesmo que dava a Adda de presente ao Eduardinho Guedes e reservaria o Ruy para mulher de outra ordem. A sua vontade não recuaria; saberia mantêl-a. Arrastado pelas suas idéas obc •- cantes tornou a cogitar nos moradores antigos de Copacabana pelo tempo do nascimento de Adda, a vêr se á força de investigar descobriria quem eram os pais delia. Nesses dias aquelle sitio era apenas uma praia de pescadores, sem ruas. sem chalets, sem os palacetes e sem a população variada de agora... comtudo, a tarerefa só teve um resultado : prolongar-lhe a insomnia. Oh, se elle pudesse arrancar a língua inútil áqull bruto do Pedro mudo, e espiar-lhe no coração a verdade daquelle segredo que o torturava ! Fora Pedro, diziam todos, quem depuzera na porta da Rola a engeitada... Mas quem vira isso, para poder

Cruel Amor

Sinopse

Leia gratuitamente Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida, romance brasileiro em domínio público publicado em folhetim em 1908. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 24 partes, capa nova no padrão Literunico, fonte BBM/USP validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Cruel Amor

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Cruel Amor

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Cruel Amor

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Cruel Amor Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 15 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir