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Cruel Amor

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Cruel Amor

Capítulo 10 · Cruel Amor

Parte 10

10 de 24 ≈ 17 min de leitura

braços amorosos em busca da felicidade, da gotta de água indispensável á sua sede insoffrivel! Era isso que ella percebia com um vislumbre de triumpho irradiando-lhe entre as meiguices do olhar e da voz. Ah! o velho tonto, o velho orgulhoso, abrir-lhe-ia um dia por suas próprias mãos, para recebel-a como filha, a porta de que a expulsara com tão criminosa brutalidade ! Esse desafio ella o atirava agora ao destino, do fundo da sua alma, na certeza de vencer. A belleza assegurava-lhe a victoria, a vontade atiçava4he o animo. Foi no fim da visita que Rolinha, sentando-se ao pé de Ruy, lhe disse com modo grave, em que fluctuava a sombra de üma grande tristeza : r — Tive muita alegria em vêl-o hoje; mas peço-lhe que não volte a minha casa... Adda ergueu-se de um salto. r — Oh ! mamai, não diga isso ! Rola repetio, calcando as palavras : —- Não volte a minha casa. Seu pai;considera-nos como inimigas.

Não deve eontrarial-o. E\ Gedo para resistir á sua vontade. Espere. — Meu pai convencer-se-á de que não tem razão... — Mas elle tem razão; conhece a minha historia e sabe que esta menina não tem nem origem nem fortuna. Não é a noiva que lhe convém. Adda avançou, com os lábios trêmulos e as sobrancelhas contrahidas. — A senhora está louca? ! exclamou ella com raiva. — Não, filha, não estou louca. Escute, Ruy. Pense bem : freqüentar a minha casa é comprometter esta menina, com quem vOcê não casará nunca. Adda ergueu a cabeça com um sorriso de profunda ironia. Ruy balbuciou muito pallido : — Meu pai terá de submetter a sua vontadff á minha... A senhora verá como ha de ser elle quem lhe venha pedir a mão de Adda... Rola teve um gesto de incredulidade. — Pois só depois desse dia você poderá voltar a esta casa. — Assim... despede-me?... — Despeço-o... com muito desgosto. Bem sabe quanto sou sua amiga...

como se fosse meu filho... Isto não quer dizer qüe não nos fallemos em qualquer parte onde nos vejamos... Adda continha a custo uma grande revolta e antes que Ruy sahisse ella murmurou-lhe rente ao hombro, rapidamente : — Amanhã á tarde, em casa do João Sérvulo... Foi ella quem lhe fechou a porta desabridamente, voltando-se logo para a mãi, numa fúria : — Como a senhora gosta de me humilhar! Não tenho origem ! e a delle ? ! Parece que tem prazer em lembrar a todo o mundo que sou uma engeítada! Antes a senhora não me tivesse apanhado da rua, e me deixasse á chuva, para os cães famintos ! — Adda ! — E' isto mesmo. Seria mais caritativo deixar-me na lama para onde me atiraram, do que recolher-me para isto! Para quem me destina a senhora? Para algum filho engeitado, como eu? Procure-o então já, para se ver livre desta peste ! — Adda! — Eu não tenho culpa do crime de meus paispara arrastar toda a vida a sua responsabilidade, Tenho jús a viver e a ser amada, como as outras mulheres.

Sou bonita, sou moça ! E' o principal. — Você não faria a felicidade de Ruy... — Mas elle fará a minha. — Não basta. E' precizo que ambos sejam felizes. Você é dominadora e amiga do luxo. Deve procurar um homem rico. — Não tenho origem. — Tem belleza, é o principal. Ruy é um nervoso e um ciumento. Tudo nelle é espirito. Vocês não se entenderiam. — Mas que tem a senhora com isso? — Tudo, visto que sou sua mãi. Se Ruy conseguir que o pai venha pedir-me a sua mão, você me agradecerá esta açção. . — Elle não virá. — Quem sabe?... — A senhora, que parece ter interesse em não me casar com Ruy. — Ah! ingrata... Adda sahio da sala, batendo com a porta. — Ahi está a recompensa de se criarem filhos alheios... criticou a viuva, do canto em que permanecera como espectadora. 'l — Cale-se, D. Ricarda, cale-se ! supplicou Rola, com os olhos rasos.de água. — Sim, agora não ha outro remédio; é agüentar...

Aquella menina... aquella menina tem pinta; eu nunca me enganei... Deus queira que... D. Ricarda resmungava, muito indignada. Rola, fincando o queixo na palma da mão, procurou encaminhar seus pensamentos para uma solução definitiva. Era ella, afinal, quem tinha a obrigação moral de esclarecer, de dirigir... A cada resolução, o seu passado saltava para diante delia, como uma.barreira insuperável. Só via um meio : tentar ainda', fosse como fosse, uma entrevista com o pai do Ruy, supplicarTlhe misericórdia a affirmar-lhe .que desappareceria daquelle lugar para sempre no próprio dia do casamento de Adda. Se a sua.pessoa era o que servia de embaraço, esse embaraço sumir-se-ia como, por encanto... Lá fora erguera-se bruscamente uma forte ventania, que fazia tremer os-caixilhos das janellas, como se também a casa comparticipasse da crise que fazia estremecer as moradoras. ' Fora no meio de uma confusão igual, a que-se juntara o barulho calamitoso de grandes vagalhões, que uma certa noite, havia dezenove annos, ella ouvira quasi indistinctamente QS vagidos de -uma criança junto á sua porta.

Abrira apressada. Na soleira estava uma menina recemnascida, enrolada em flanellas usadas. Rola erguera-se espantada, aconchegando a pequenina ao seio magro; depois tornou CRUEL-AMOR 135 a fechar a porta, muito calada, transida de frio e de" piedade. — Que é isso? ! inquirira a viuva, já então sua companheira. •• — Uma filha, D. Ricarda; veja! A viuva, mais pratica, menos sentimental, revoltára-se. —'- Que! era urgente ir fállar á policia. Que não fosse tola. Adoptar a pequena seria comprometter-se. Todos sabiam da historia ainda recente dos seus amores, e de como-o amante lhe fugira dos braços; julgariam a criança fructo dessa ligação transitória, que era precizo esquecer. A criança lembral-a-hia eternamente. Que não fosse idiota. Que ia fazer? — Dar-lhe leite e cuidar delia. Fora a sua resposta. Com a criança no regaço, já aquecida no seu chalé, já confortada por umas colherinhas de leite, ella reconstruía o seu-passado, enuque o abandono predominava em tudo.

O Destino fizera-a para a tristeza. Ficara Orphã cedo e como orphã fora educada num collegio de Irmãs, em que a Caridade não dissimulava a esmola... Depois, o tio recolhera-a e cubiçara para si a esbelteza do seu corpo de lírio... fora então que ella vivera na visinhança dos pais-de Ruy, vendo soffrer a D. Angela, fugindo da casa do tio para o quintal da-visinha, onde passava os' dias com o pe-;" quenito no collo, já toda maternal e carinhosa. De-r pois... depois o scu.arnor pelo guarda-marinha que morava defronte, aquella paixão embriagadora, a sua fuga com elle numa-noite escura... Depois... 0 abandono d'elle. a sua partida para uma' CRUBL AMOR viagem de que nunca mais voltou, e os dias sem fim que ella passara voltada para o mar, numa esperança irrealizada, numa saudade tão dolorida e tão longa... que a cobrira de lucto como a das viuvas... Vinha-lhe dahi uma grande sympathia pelos desherdados da ventura.

A criança atirada á sua porta trazia o nome cosido aos cueiros : — Adda. — Era pouco, mas era alguma cousa. Com o rosto cheio de lagrimas, Rola ergueu a criança á altura do rosto e beijou-a longamente. O vento reunia as sementes da mesma planta — o abandono; não era uma filha que lhe vinha para o regaço : era uma irmã ! Desde essa hora,, nada faltara á linda creaturinha, que foi crescendo a seu lado, como uma rosa junto a uma sepultura. De que lar tinha vindo aquella menina? Diziam uns terem-n-a visto como um embrulho nas mãos do Pedro mudo. Em vão Rola lhe supplicou que lhe aclarasse o mysterio. A cada um dos seus rogos elle uivava como um cão, relanceando olhares intraduziveis. Diziam outros que a pequena era filha de uma italiana de theatro, ave de arribação que alli tinha pousado por alguns mezes e que fugira deixando a filha fora do seu caminho. Mas o pai... quem seria o pai, indagava agora Rola de si para si, morta por ir pedir-lhe como soccorro para a felicidade da filha — o seu nome...

A idéa dessa exigência do Coronel, fel-a sorrir de ironia. No miio da sociedade contradictoria, desordenada em que viviam, aquella imposição não representava um escrúpulo, mas uma arma. — Chegou o dia que eu esperava com medo, mas que era inevitável, suspirou D. Ricarda do seu canto. Rola voltou para ella um olhar transfigurado, muito pallida, numa inquirição muda. — O dia da ingratidão, affirmou a velha, dando o nó á linha da costura. f? CRUhL AMOR .i:>y,ry IX Assim que vio Flaviano na cancellinha do quintal, Maria Adelaide fugio para os fundos da casa o foi esconder-se atrás do gallinheiro. — Maria Augusta ! supplicou ella á irmã, diga que eu estou na cidade. N O mestiço recebeu o recado,mas teimou por entrar mal convencido, affirmando não vir vêr a moça, mas fallar com a mãi a seu respeito. A viuva andava desconfiada com a tristeza da filha e attribuia-a a arrufos com o noivo. Com os braços enterrados na gomma até aos cotovellos, gritou da janella ao rapaz que entrasse.

Não era de cerimonias ; ella não podia interromper o trabalho. Elle entrou, relanceando a vista pelos cantos. — Que novidade.... gentes ! por aqui a estas horas !... Flaviano desabafou logo ; vinha decidido a uma deliberação : marcar o dia do casamento è acabar com essa historia de uma vez. Até já tinha vergonha; toda a gente lhe perguntava : — quando C~RUEL'-ÁMOR' 139 Casa?... você dasa mesmo? Parecia caçoada... Pedia urgência. ' • ''.""- Â viuva '' tôrnóu-se séria, chamou a outra filha, Maria" Aurora, para continuarJo'seu serviço, que não devia ser interrompido e, enxugando as mãos e os braços rosados pelo calor da gOmma cozida,rvèio Sentar-se diaíite do pescador. '- - - • Houve uns momentos de silencio, em que só sé ouviam b chapinhar das niãos^ de Maria Aurora na bacia da gomma e o cacarejar das. gallinhas fora, no quintal. A viuva começou pausadamente, fixando compenetração os olhos de Flaviano:' — No dia ém que o senhor veio.

me pedir a mão de Maria Adelaide, sé alémbrã do que eu lhe respondi?... Respondi que ella havia de sahir de casa de sua hiãiJpará entrar na casa de seu marido. Quando o senhor tivesse com que sustentar família, então casasse. Só assim. Sabe que eu sou pobre, não posso com mais ninguém..Deus sabe já o que me custa carregar com o meu fardo. Sua mãi tem muito dinheiro, mas não dá nada; .quer o seu socego..." e não atura nem o ouvir falla.r no nome da minha..filha . .— Todo o mundo diz que minha mãi tem muito dinheiro, mas ninguém vio o dinheiro delia... . . - —: Não fui eu que inventei essa riqueza. Só sei que-este casamento"nãò ata nem desata; a •oülpã é sua, è quem mais soflre é minha filha, que emquanto espera pódè perder outro casamento, -vque èlla não é nenhum peixe podre...' Os olhos de Flaviano fuzilaram de raiva. Elle julgara perceber a intenção das ultimas palavras. Já se pensava em outro casamento e era isso que elle queria obstar!

Com todo o corpo a tremer-lhe, protestou : —- Isso não! Ella é minha noiva, é o mesmo que ser minha mulher. Ninguém pôde voltar com a palavra atraz... — O mesmo do que ser sua mulher... não... Ha muita differença... A observação fez explodir o ciúme do mestiço. Queria vêr só, se tinham coragem para romper um pacto tão sério. Veriam que. desgraça succederia, se tal se desse. A verdade é que eram todos egoístas e contra elle. Se, casado com Maria Adelaide, viesse morar com a sogra e as cunhadas, seria um elemento de prosperidade no lar. Elle ajudaria a manter a casa, com o seu trabalho. A viuva a isso é que não queria ceder, conhecia as pessoas e não se fiava em promessas. Confessava ter aceitado a proposta do casamento, pensando que elle se realizasse cedo e estar nesse tempo desanimada e com dividas deixadas ainda por seu defunto marido. A vida apavorava-a. Mas o caso mudara de figura. Com a ajuda de Nossa Senhora, já pagara tudo e agora, mais desafogada, não se precipitaria numa resolução tão grave...

Era prudente era pratica, e não queria criar embaraços futuros... Elle que montasse casa, e então lhe fallasse ! E que não perdesse tempo em conversas; ella tinha um montão de camisas na gomma e queria aproveitar o sol; era natural que elle também quizesse aproveitar as horas... As cousas eram ditas clara e chatamente, sem reticências nem rodeios. Se quer é assim, se não quer vá-se embora ! Flaviano farejava o ar com o sentido na noiva, adivinhando perfídia. Por vezes como que aspirava o cheiro de lima e óleo de coco com que ella amollecia os cabellos, e lhe ouvia o ruído das chinellinhas no chão arenoso do quintal. Do canto da sala, perto da janella, Maria Aurora espreitava o pescador, disfarçando a custo a vontade de rir. Era bem feito. Por seu gosto a irmã não se casaria nunca com tal sujeito. Só a idéa de um sobrinho mulato!... Quando elle por fim sahio, com assomos mal-criados, ella correu a avizar Maria Adelaide, que podia entrar, que o cabra já se tinha ido embora.

Maria Adelaide é que não ria. Estava livida. Entrou pela porta da cozinha, onde a outra irmã preparava o feijão e foi para o quarto sentar-se calada no seujsahú, aos pés da cama. Não saberia explicar o que sentia nem por que se transformara em medo a confiança que desde os tempos da escola depositara em Flaviano! A sua presença agora aterrorizava-a, como se delle tivesse recebido alguma offensa grave. A sua imagem tomava proporções grotescas e a sua pelle, a cuja côr se habituara desde menina, repugnava-lhe agora... não saberia tampouco explicar porque o pescador Marcos lhe occupava coiíi tanta insistência o espirito. Querendo pensar em Flaviano, só pensava nello.- Marcos enxotava o outro, oeeupando já todo o seu coração. Seria um grande crime aquillo? Parecia-lhe que sim," Com elle nunca fallára, só tinha trocado olhares; mas pelo Flaviano... até se deixara beijar uma voz,- na volta da estrada, á sombra do cajueiro...

A' lembrança desse beijo torpe, toda arrepiada <• enojada, a moça esfregou a face no hombro, em movi-, mentos consecutivos, até sentil-a arder. Seria crivei que só o olhar do Marcos lhe tivesse, posto n alma aquella inquietação?- Que rumo daria agora á sua vida? Casar com Flaviano, nunca, antes morrer... um pouco de kerozene, nas saias, um phosphoro aceso, e o fogo purificaria a traição nas châmmas, a carne ftas cinzas e só delia ficariam fluctuàndo na memória dos outros as syllabas doces do seu nome... No turbilhão de angustias em que se agitava luzia a ventura de uma esperança... Amal-a-ia Marcos? Sim. Diziam q.ue elle era brincalhão, volúvel com as outras, mas percebera, com ó seu instíneto de mulher, que por ella o sentimento era outro, muito verdadeiro, muito dolorido... Como havia de ser? ! Flaviano era vingativo... Marcos não' teria coragem de se declarar... sabia-a noiva do outro...

Demais a mais, eram ambos pescadores... Com os olhos parados, fixos na nudez dó quarto,- Maria Adelaide voltava a pensar em cousas já bem: pensadas, morta por fugir dos braços do Flaviano, 4 3 v doida por alcançar com a sua boca fremente de virgem amorosa, a boca do pescador branco... . A irmã espreitou-a duas vezes, sem ser percebida. Na meia obscuridadeda alcova, o rosto comprido de Maria Adelaide pa-reoia feito de pedra branca, varada de luar... O seu corpo delgado, apenas coberto com uma saia e um paletósinho de chita desbotada, torcia-se sobre o bahú em contorsões lentas e nervosas. Toda a família se entreolhava com certo espanto, sem poder penetrar no segredo daquella affíicção. .Que teria dito o Flaviano á noiva, para fazel-a zangar assim? Ella era sempre de um natural tão calado, que .ninguém se gabava em casa das suas confidencias. .0 tempo esclareceria o caso; já agora que a situação se modificara para melhor, ninguém se entristeceria se o casamento fosse desmanchado.

Nesse dia Maria Adelaide não quiz jantar. A mãi zahgou-se : —- que não fosse tola dê se matar por um homem. Bem se importam elles! Com o alvoroço da chegada do noivo e aquelles amuos idiotas de sinhásin-ha rica, até se esquecera dentro do tanque de um grande naco de sabão que se teria derretido todo se não fosse ella ! Aquillo era o mesmo que pôr dinheiro fora. Alli estava a negra para o ganhar. Tomasse juizo. Ella também fora moça, também namorara e casara, mas nunca fizera semelhante figura! Pobre não tem luxos ! Maria Adelaide parecia surda. Estava agora como se talhada em granito. As palavras da mãi vinham em ondas, sem lhe causarem o menor abalo. Nem uma resposta, nem um estremecimento... l i i Constara-lhe que estava combinada para essa noite uma pescaria entre o pessoal da Guanabara. E de repente, acudio-lhe a idéa do ir á praia provocar um encontro com o Marcos... Já uma grande saudade a impellia para esse desejo c uma absoluta necessidade de o ver...

Era a ultima prova; queria sentir os olhos delle nos seus olhos, lêr-lhe a alma na expressão do seu rosto. Decidiria tudo depois... bem podia ser que ella estivesse enganada e que o Marcos fizesse tanto caso delia como da primeira camisa que tivesse vestido... Se nessa noite percebesse isso, apressaria no dia seguinte o~ casamento com o outro, para castigar o coração maluco e fugir daquelle pensamento. Ao anceio de ver Marcos, juntava-se-0 pavor de um encontro com o noivo, que havia de estar tàmbem na pescaria e talvez abandonasse o trabalho para vir pela noite escura acompanhal-as até a casa... Acontecesse o que acontecesse, ella veria o Marcos. A' noite influio toda a gente para"o passeio; calçou meias e sapatinhos amarellos; tirou do bahú a saia nova, pôz fitas no cabello e Água Flórida no lenço... — Uê ! como Maria se enfeitou ! exclamou attonita uma das irmãs, acostumada a vêl-a mais singela nos seus passeios nocturnos; e concluio : — Mal empregados sapatinhos...

agora que nínguerrt vê! Eu cá, vou com as botinas rotas... A noite estava calada e cheirosa. Os cajueiros começavam a florir e o seu aroma de mel aveludava a atmosphera mórbida. Pyrilampos verdes abriam pon-

Cruel Amor

Sinopse

Leia gratuitamente Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida, romance brasileiro em domínio público publicado em folhetim em 1908. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 24 partes, capa nova no padrão Literunico, fonte BBM/USP validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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