Leia agora
Cruel Amor

Universo da obra

Cruel Amor

Capítulo 16 · Cruel Amor

Parte 16

16 de 24 ≈ 18 min de leitura

1 5 affirmal-o? E d'ahi, filha de rico ou de pobre, de criminoso ou de innocente, elle não deixava por isso de ser quem era : a preferida de Ruy, o grande amor de Ruy. OíCiume qúe lhe tinha escaldado a alma na mocidade, reacendeu-lhe as brasas no fundo do peito desde o dia em que verificou já não ser elle, mas essa mulher, o idojo do filho. Jurou então que a guerrearia a ferro e a fogo, incessantemente. Se ao menos ella fosse rica, se tivesse um nome, se se apresentasse na sociedade como alguém ! Logo que se fez dia o coronel levantou-se. Cessara a chuvaj a madrugada promettia um bom dia. Ruy tinha o quarto fechado por dentro; o pai atravessou o corredor em pontas de pés e foi para o quintal tratar dos pombos. Aquelle homem rancoroso e calado tinha um sentimento amável : proteger as aves... O(6 XAr No dia do anniversario de João -Sérvulo, Fortunata tinha'tombinado que Rubião trouxesse a sanfona e o compadre Rufino o violão.

Hortensia cantaria modinhas. Seu Freitas emprestava para a festa o telheiro da arrecadação. Maria Adelaide e as irmãs viriam dançar com os pescadores, da Guanabara e da Camponeza e Rola não deixaria dê comparecer á brincadeira com a formosa Adda. A's dez horas estaria tudo acabado. Um pão de lot e uns kilos de biscoitos da padaria, contentariam os convidados. Fortunata era alegre e fazia a vida fácil. Arranjou tudo de relance. Queria festejar o marido. — Pescador também é gente ! costumava ella dizer com arrogância. Na véspera do folguedo quiz o tempo contrarial-a. Vendo cahir as bátegas de chuva grossa a mulata olhava enfurecida para o céo que lhe transtornava os projectos. Mas nem todos ps dias são 1 ' iguaes; no dos annos do pescador o sol reappareceu radiante. Ajudada por Hortensia e Pedro mudo, Fortunata desatravancou o barracão dos remos, cabaria e velas que se accumulavam nelle, arrcdando tudo para um canto do fundo.

Depois encheu as vigas de festões de lanternas de papel e galhos de pitangueira e folhagens do mato. Bié e Nita, que andavam arredios, appareceram como por encanto, carregados de flores. . A menina tinha agora no olhar uma expressão pensa tiva. A mãi, cançada das suas" vagabundagens por montes e valles, determinara leval-a. para uma costureira da cidade, onde ella iria servir de copeira e aprender officios domésticos. Nita não se resignava, mas curtia em silencio o pavor da próxima separação do seu camarada. Bié emmagrecera'também; trazia pontos falsos ria testa, de uma pancada do Pedro mudo, qu_ando, no desespero de ser roubado, o pequeno o interrogava sobre o paradeiro do'seu thesouro. Percebendo a impertinencia e a raiva do sobrinho, o mudo atirara-lhe com o tamanco, abrindo-lhe um golpe fundo na fronte. Bié cahira desmaiado. QuandoN acordou vio-se nos braços de Rola, dentro de uma pharmacia.

Não sabia explicar aquülo : a sua memória fixaFa-se no" desgosto inolvidavel do seu lindo thesouro, para sempre perdido. A presença do tio irritava-o; já não podia toleral-o, certo de que elle era o causador da sua desgraça, e exaelamenle agora obrigavarri-n-o a mais demo13 radas estatuas a seu lado. sob o pretexto de apprendor a fabricar redes e tarrafas, para ajudar a viver os outros de casa. Com o ler enunagrccido, parecia também ter crescido muito em poucos dias, o que ajudava a família a sobrecarregal-o de responsabilidades. Como o olhar de Nita, o seu turbara-se pela sombra do irremediável o incomprehendido desgosto, como o de vêr fugir para sempre a alegre quadra da infância. O homem e a mulher eram uelles chamados antes de tempo para as rudezas do trabalho sacrificador. Nesse dia de Novembro, que a grande chuva da véspera adoçara numa frescura de Abril, elles tinham corrido ao barracão, a chamado da Fortunata, que sabia aproveitar serviços e favores e escolher com geilo os seus auxiliares dentro de uma classe tanto ou ainda mais modesta cio que a sua.

Mal a mulata lhes disse : — Crianças, vocês vão buscar flores rio mato para mim; elles, que por prohibiçâo dos pais viviam afastados desde a catastrophe do Bié, atiraram-se como llechas para as sombras da sua predilecção. Sem se consultarem, correndo ao lado um do outro, foram até ao lugar da pedra rachada, que intitulavam ainda : — nossa casa. Desde o dia maldito do roubo que lá não tinham posto os pés e este agora seria o da ultima visita, pois que já estava marcada a hora da partida da menina para a cidade, para uma casa, como lhe dissera a mãi, onde não havia quintal para as suas cabritadas e onde a janellinha do seu quarto se abria entre grades de ferro sobre as telhas negras de um telhado velho... Chegararh anhelantes ao recinto da pedra. Nita, de relance, notava o abandono do seu famoso salão de columnas, encimado pela larga cúpula de ouro, de bronze e de esmeraldas dos cajueiros ainda em flor.

A sua vassourinha de ménagere lépida desapparecera abafada pela espessura das folhas, largas, cahidas com a tempestade; e o fogãozinho de pedras alli estava desabado pela ponta de algum pé irreverente ou de alguma pata. Nas sombras azues e côr de ouro velho, projectadas pelos cajueiros, voavam borboletinhas brancas e a água da montanha, engrossada pelas chuvas da véspera, rumurejava com mais força, lambendo os cordões de avencas e de musgos que desciam do mysterio de um cipoal e vinham pela encosta rodear a lagôazinha e emmoldurar a pedra côr-de violeta, laivada de negro e de branco. Num dos ramos mais baixos do cajueiro, Nita amarrara um trapinho á guiza de rede, que representava o berço da filhinha na modesta pessoa de uma bruxa de pannos. A rêdo pendia, presa por um lado só, como um lenço cançado, empapado pelas lagrimas de um ultimo adeus. A filha, essa desapparecera enterrada na lama e no húmus espesso do chão.

Bié olhava em redor, attonito, como um sacerdote poderia olhar para o 'templo de que tivesse sido banido. "Nunca a belleza casta daquelle lugar lhe parecera tão enternecedora. As largas folhas metallicas dos cajueiros incrustavam o solo aqui de ouro, alli de granadas, acolá de ferro oxidado; e as enormes plumas dos bambuaes agitavam-se docemente, vagarosa- mente, fazendo dançar sombras s uaves sobre esse tapete polichromo. Bié caminhou calado para a pedra e olhou para a cavidade onde tanto tempo escondera o seu thesouro adorado. Uma largatixa correu aO presentil-o, subindo rapidamente pela rocha. Nada mais; a mão criminosa não se arrependera. Nem uma simples concha... nem uma aza de inseclo nem uma esquirola sequer das suas pedras e dos seus caramujos... Estoicas, as duas crianças continuavam caladas, pequeninas, attonitas, para a bclleza imperturbável daquelle canto de floresta, onde a sua infância e a liberdade do seu pensamento ficavam para sempre sepultados.

A vida reclamava-as, tinham de obedecer á vida-. Nita, sempre mais atrevida, sacudio o torpor que lhe amollccia os hombros sem ella perceber porque, o incitou o amigo a fugirem dalli para sempre, sem voltar a cabeça para trás. Era precizo apanhar as flores para a mulher do pescador... Como as cigarras chiavam ! Dizia a mãi que na cidade não havia cigarras... Que se lembrasse também o Bié que ainda tinham de ir, por mandado da mesma Fortunata,'visitar Flaviano... Emquanto andavam, elle mais contemplativo, ella mais viva, confidenciavam um ao outro as amarguras daquelles dias passados. Ella ficara presa pela mãi, depois de ter levado uma surra de vara de marmello, como cúmplice das diabruras do Bié e causa indirecta do ferimento que lhe fizera o tio. A lógica'determinara que, sem o concurso de Nita, o pequeno teria sido um santo, e que era assim o diabo, merecedor do castigo que soffrera. Bié sentia-se ineompatibilizado com o tio; affirmava que não dava um passo sem sentir a sua vigilância e que os olhos do mudo escarneciam delle...

Era crença sua que o ladrão escondera o thesouro em outro sitio qualquer, na areia ou na montanha, e que. o segredo morreria com elle... A partida de Nita enchia-o de saudades. Não via nada no futuro. Até ás vozes sentia vontade de morrer... Fallando assim, chegaram á casa do Flaviano, que estava ainda de perna estendida, sentado na esteira, entrançando cipó-una. — D. Fortunata mandou perguntar se o senhor está melhor... Se já puder andar, para ir lá, que ella dá uma festa no barracão de seu Freitas... Flaviano levantou a cabeça admirado. Uma festa ! Que festa? — Um baile, logo de noite... Era impossível. Elle não podia andar ainda. Mas que esperassem os pequenos; queria mais informações. Quem ia á festa? — Todos... As figuras de Marcos e de Maria Adelaide apresentaram-se, erileadas na dança, á imaginação esquentada do mestiço. Atirou os cipós para longe, num arremesso de raiva e quiz levantar-se; mas os ossos do tarso causaram-lhe uma dôr horrível e elle recahio na esteira, banhado em suor.

2 2 — Sabiam se Maria Adelaide ia também? Os pequenos encolheram os hombros, na ignorância. O pescador desentranhou um nickel do fundo do bolso o, entregando-o a Bié, supplicou : — Você corra e vá pedir a Maria Adelaide que não vá logo de noite dançar... que seu noivo está morrendo numa esteira, abandonado... que se ella fôr, se arrepende... Escutou bem? ! Os pequenos sahiram assustados pela expressão angustiosa do mestiço, que repetia em voz alta atraz dos seus hombros : — Você escutou bem, Bié?' Era mais uma volta : ir á casa de Maria Adelaide, passar pelo mais querido trecho da estrada velha, ora ao sopé do morro dos Cabritos, ora onsombrada pelas jaqueiras da fazenda abandonada de D. Constança, entre penhascos, piteiras e cercas de arame arrebentadas, naquelles verdes caminhos, onde a voz do mar chegava e onde se ouvia também a voz dos passarinhos ! Nita olhava para tudo com o olhar' da saudade de que não tinha consciência, mas que a fazia sofTrer.

Bié estava como alguém condemnado a uma operação inevitável, que lhe ha de decepar um membro e alterar as funeções do organismo. Continuaria a viver, . mas de outro modo, menos intenso e menos livre ! — Nosso mamoeiro tem uiri mamão maduro. Olha lá! Bié olhou. Elles chamavam suas todas as arvores fruetiferas de terrenos incultos e sem dono conhecido. Seriam os senhores absolutos de toda a mata de Copacabana, se não considerassem os pássaros e os insectos como seus sócios. Colheram e comeram a fruta em silencio. Depois espalharam as sementes ao redor da planta, para que nascessem outras e ficasse uma lembrança do seu ultimo repasto em commum. \ Não passavam como ingratos através da alma adorada do mato tranquillo. Como os insectos e as aves transportam pollen de flores ou sementes de frutas que enfeitam montes e campos solitários, elles espalhavam com as suas mãozinhas trefegas, o germen das arvores que tantas vezes lhes mataram a fome.

Maria Adelaide eslava engoinmando perto da janella. Preparava o seu vestido branco de laços côr de rosa para a festa da Fortunata. As saias das irmãs já resplandeciam, brunidas, no quintal, penduradas ao sol, para seccar e endurecer a gomma. Maria Aurora cantava alto, prelibantlo o gozo do baile. A mãi estendia roupa na corda. m Logo que souberam que os pequenos traziam um recado do Flaviano, correram todas a rodeal-os. — Pois sim ! se a gente deixava de aceitar um convite por amor delle ! exclamou a mãi de .Maria Adelaide, indignada. Se elle está doente que se trate. Não foi minha filha que lhe quebrou o pé! Depois conversaremos. Vão embora. E voltando-se para as filhas : — Amanhã eu vou explicar tudo a Flaviano... não tenho mesmo remédio senão fazer-lhe uma visita! ;24 Ora se Maria Adelaide havia de ficar sozinha em casa ! Maria Adelaide não dissera nem uma palavra. Levantara os hombros e depois de unia ligeira interrupção no serviço, recomeçara a engominar.

Tinha uma expressão abslraeta : com a magreza o seu rosto parecia mais longo e os olhos maiores. 0 convite da Fortunata'alvoroçara-lhe o coração. Marcos estaria lá, com certeza. Talvez dançasse com ella ! A idéa de que a mão grande e calosa do pescador locasse na sua mão, que o seu braço enlaçasse a sua cintura delicada e os seus olhos se fixassem demoradamente nos s( us, dava-lhe desmaios de gozo. Flaviano estava doente, estava longe, não veria nada. Era um ausente, um morto. Se elle morresse daquella forcedura do pé... ella ficaria livre, como aquelles passarinhos que andavam voando diante da janella ! Após uma longa concentração, indagou : — Que é cjue a senhora vai dizer amanhã a Flaviano, mamai? — Ué ! que você não podia ficar sozinha de noite em casa ! Era o que faltava, que elle te desse leis antes do casamento... Cruzes ! As horas daquella tarde voaram ligeiras. Fortunata rabiava de casa para o barracão e do barracão para casa, varrendo, limpando, enfeitando.

Para cumulo de felicidade, João Sérvulo viera dizer que o arrastão da Guanabara colhera mais de mil cavallas, fora um cardume de pescadinhas bicudas, tão apreciadas no mercado. Chegava o tempo da fartura, o abençoado tempo das cavallas, que vão .") á mesa de toda a gente! Pois admirava, com aquella temperatura suave, que mais parecia de Abril que de Novembro... Que fosse ver na praia como os peixes se debatiam num montão, reluzindo ao sol ! ,., Fortunata achou geito de interromper o trabalho e correr até á beira do mar. Uns pescadores, agachados contavam o pescado. João Baptista, em pé, na canoa, ao lado do Lino, que segurava os remos, colhia a rode vasia para leval-a a estender nas pedras da Igrejinha. Os seus movimentos eram rythmados e harmoniosos. Com a boina achatada sobre os cabellos crespos, a camisa preta de meia degollada até á raiz do pescoço e as calças enroladas pelos joelhos, elle desenhava-se na luz forte do dia, como uma figura creada do propósito para completara bclleza e a poesia do quadro.

Uma viração branda, impregnada do cheiro de maresia, parecia desplumar com mão leve o flanco das ondas mansas e espalhar pennugens brancas pela orla do mar. Na linha do horizonte, muito ao longe. uma facha de luz polvilhada de ouro e de violeta unia as águas ao céo. Os pescadores acolheram a mulata com immenso agrado. — Então vamos ter festa? Que milagre! Ella, cada vez mais risonha, affírmava que sim; que daria uma festa de estrondo; e recommendavalhes que se lavassem com muito sabonete, e umas gottas de Água Flórida, porque o diabo do cheiro do peixe entra na pelle e ella não queria saber de morrinha de pescado em seu salão. . 18. 2 6 Fossem dispostos a brincar até a meia noite. Não queria casmurros ao pé de si... já linha mandado chamar as moças... Rubião que requebrasse a viola e a sanfona; Ruíino tocariadambem. Até se haveria de ajuntar gente da cidade na porta, só para espiar... Era pena que o pobre Flaviano não pudesse vir; mas á Maria Adelaide não faltaria.

Fallando na noiva do outro, ella olhou para o Marcos. Os seus olhares trocaram-se rapidamente; houve um estremecimento entre ambos e logo a Fortunata se apressou em mudar de assumpto, pedindo ao marido que não fosse sovina e lhe levasse peixe bom para casa; ella ia dalli arranjar uns caixotes vazios com seu Pedro do restaurante, para representarem de sofás no barracão... mandara chamar Rolinha, que era a mãi dos afflictos, para ajudal-a, e o Bié e Nita lá andavam pelo mato colhendo flores... Que não faltasse ninguém. A figura musculosa do vigia João' Baptista gravara-se na imaginação da Fortunata, .a ponto que, mesmo entretida com os preparativos da sua festa, ella pensava que assim bonito e desembaraçado seria um esplendido marido para Hortensia, sempre tão serviçal e bondosa. Admirava-se de não ter pensado nisso ha mais tempo. Que faziam os tolos, que se não namoravam? Resolveu de si para si fazel-os.

dançar juntos nessa noite e dizer uma pilhéria que atiçasse o fogo... As vezes está em tão pouca cousa a gente gostar de alguém... olhassem para o Mareo», pensava ella, como se apaixonara pela molenga da Maria, uma mulher já com dono... e como Ruy bebia os arespela Adda, sem vintém, elle que podia aspirar até a D.'Leonor, ou outra qualquer assim !... E' verdade ! e ella que ainda não tinha avizado o Ruy, tão condescendente e amigo dos pescadores! Elle não deixaria de vir, e... quem sabe? talvez até recitasse alguns versos, que não tinha orgulho nenhum ! um anjo, aquelle mocinho... Havia pouco, quando fora combinar as compras na padaria, vira passar o coronel para o Ipanema, todo recostado e pensativo no banco de um bond. Que iria fazer aquella hora para aquelles lados o magricella do velhote?... Esse é que não mostrava os dentes a ninguém. Talvez pensasse que ser coronel da Guarda Nacional, fosse o mesmo, pouco mais ou menos, que ser imperador!

Até parecia mentira que aquelle branco atrevido fosse o pai de Ruy !... Toda a vizinhança da Fortunata ardeu naquelle dia na fogueira do seu enthusiasmo. Não só a gente do lugar, a Hortensia, que nem tempo teve de comer socegada una, esc a Ida d o e uma posta de cavalla, como também uma família que alli estava a banhos e que morava ao pé da Igrejinha, puderam tratar de outra cousa que não fosse a lesta do João Sérvulo ! Nita e Bié, vermelhinhos, suados, iam e vinham do mato, carregando grandes feixes de plantas — bromelias, lianas, gramineas empenachadas; hastes de murtha agreste, galhos de pitángueiras salpicados de frutas. A mulata corria a recebêl-os, enchia-lhes as mãos de biscoitos, passava-lhes carinhosamente òs dedos pelos cabellos sujos de folhas seccas e de pó dos vege- 2 8 taes, e induzia-os a novas caminhadas, apontandoIhes com a grave recompensa de um tostão ! Gostava da balburdia, de ver gente correndo com irtedo das horas que não esperam.

As suas gargalhadas fariam estremecer as ondas, se o mar não estivesse já um tanto crespo; e confessava que, de tanto gesticular para o Pedro, na intenção de se fazer comprehenilida, já os hombros lhe doiam que não era graça ! O barracão, illuminado por dentro com lanternas de papel e velas de cebo, entre festões de folhagens, suspensas das traves, pareceu-lhe a ella como a imagem do próprio paraizo. Cobertos com colxas e cortinas de chita e alinhados junto ás paredes, os caixotes emprestados pelo restaurante esperavam os convidados... Ao fundo, a canoa Sereia — já velha e pr'alli á espera de concerto, servia de coreto, na alegre expressão da mulata, aos violeiros e ao mestre da sanfona. — Até Pedro mudo há de dança o maxixe, aflirrnava ella rebolando os quadris. Mas nisso é que não consentiria o João Sérvulo, homem de moral rígida e costumes severos, todo cheio de praxes... A's oito horas estava armada a primeira quadrilha.

Fortunata juntara as mãos do João Baptista com as da Hortensia, piscando para o marido, a quem já fizera as. suas confidencias... Maria Aurora e Maria Augusta, todas empavezadas de fitas e cassas bem engommadas, dansavam com pescadores da Camponeza — Fortunata e o marido tomavam a cabeceira, para dar o exemplo aos convidados; velhos e moços tinham de entrar na folganca. Sentados só ficaram

Cruel Amor

Sinopse

Leia gratuitamente Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida, romance brasileiro em domínio público publicado em folhetim em 1908. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 24 partes, capa nova no padrão Literunico, fonte BBM/USP validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Cruel Amor

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Cruel Amor

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Cruel Amor

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Cruel Amor Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 16 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir