Universo da obra
Universo da obra
X(.) e nada ouvia... tentava espiar pelo buraco da fechadura, e nada via ! mas a certeza não o abandonava de que ellas estavam alli, furando com a vista as suas paredes, como dois corvos á espera da morte... Como a situação se prolongasse, elle abandonava o posto para ir de vez emquando, em meias, vêr o doente, adormecido na remissão da febre. Chegou por fim o desanimo; Adda? cedendo a um •olhar supplicante da mãi, levantou-se, dirigio-se á veneziana fechada de uma janella, e, unindo a boca ás fasquias, gritou com toda a alma para dentro : — Ruy ! não querem que eu te veja. Adeus ! A casa estremeceu á vibração daquelle grito. Ruy sentou-se na cama, esgazeando os olhos. Era a voz delia, surgindo dentre a confusão do vento e das águas ! O Coronel, ameaçando com o punho fechado atravéz das paredes mudas as duas mulheres, atirouse para o quarto do filho, certo de o achar despertado. Achou-o sentado na cama, com' os olhos fulgurando-lhe no rosto livido; logo que o viu, Ruy perguntoulhe por aquelle grito.
Era a voz de Adda, queria vêl-a. Sentia que o perdão lhe subia aos lábios. Já perdera a força para o ódio... renascia o amor... O pai titubeou : — Foi sonho... voeê estava dormindo... descance... — Era a voz delia ! — Era o barulho do vento. Os pescadores, coitados... —'• Ella chamou por mim ! — Um restinho de febre... ha de passar. Socegue... durma ! 0 Adda... O Coronel fingiu nãovôr duas lagrimas nas faces pallidas do filho o dou-lhe o remédio, aconselhando-o, mais uma vez : — Durma... socegue !... Foi sonho... Desde osso instante Ruy não teve um só minuto de solidão, em que pudesse olhar para a sua vida. Os olhos do pai fixavam-se perlinazmente nos delle, impondo retrahimenlo ás propias idéas. Quando a mulher do João Sérvulo o ia vêr, o coronel não a deixava só, com medo que trouxesse ou levasse algum recado amoroso... Só a D. Delfina foi concedida essa confiança, que Ruy não aproveitou, porque fingiu dormir...
A' proporção que melhorava avigorava-se-lhe a convicção de que fora realmente a voz de Adda que traspassára a sua casa naquella queixa lancinante : — Ruy, não querem que eu te veja... Adeus ! > Punha-se então a pensar : elle pedira demasiado... Que mulher haveria tão forte, que sacrificasse nunca a belleza nem ao seu próprio amor! De certo nenhuma !... Ella hão fora vaidosa... o vaidoso fora elle, pedindo-lhe que por seu capricho renunciasse á sua graça e á sua formosura. Fora um insensato. Um ciumento. Ella é que estava com a razão. Pobre amor... Doce amor !... querido amor ! Sentindo através das pupillas de Ruy esvoaçar o pensamento de Adda, o Coronel inclinava-se, perguntando com impertinente curiosidade : —. Em que está pensando? Isso faz mal. Deve repousar. — Não penso em nada... respondia-lhe invariavelmente o filho, com a voz enfraquecida e uma expressão vaga na physionomia. Tomou por fim o alvitre de fechar os olhos; mas, mesmo através das palpebras, o pai presentia o vulto de Adda passando e repassando nos olhos saudosos do filho e procurava interromper o devaneio sob qualquer pretexto futi ou despropositado.
O duello estava travado. Sentiam ambos que se guerreavam, temendo-se mutuamente. Quem mais apparecia a visitar o doente era a Fortunata, sempre risonha e tagarella. Agora já levava na cestinha uma ou outra corocoróea ou curvina. que as pescarias desse frio Agosto era o que davam aos pescadores, para a dieta do doente. O Coronel agradecia seccamente. Ruy estendia-lhe a mão, muito magra e perguntava pelos amigos. Uma vez disse : — Estou hoje com uma vontade doida de fallar;. fez bem em vir e preste-se a ouvir-me... Talvez que os meus pensamentos lhe pareçam confusos... pois saiba que são claros como a água da fonte. Agora que estou vadio, aqui nesta cama, parece-me que fixo melhor certas impressões que estavam mal definidas. A minha imaginação é como um espelho, em que não se reproduzem só imagens materiaes. mas também as sensações mais errantes e mais subtis da vida. Creio que vou fazer um romance, Fortunata!
um_ -grande romance em que cada creatura será um symbolo. Não sou gente para entender d'essas historias... 'Jl? — Não faz mal; nem todos que ouvem historias sabem entendel-as; ha até pouco quem as entenda... 0 que eu ia dizer-lhe é isto : nas minhas horas de insomnia eu via a vocês todos mais com a expressão espiritual do que com a corporal. Olhe, por exemplo, a Hortensia. No espelho da minhha imaginação a Hortensia anda sempre vestida de azul, como a flor do seu nome. Um céu de Maio! Hei-delhe fazer versos; muitos versos novos. Os pequenos, sabe, o Bié e a'Nita, mal fecho os olhos, transformam-se logo em gaivotas. Ella é uma devotada, elle é um poeta... não conhecerão a felicidade. Agora, a impressão mais original, e portanto a mais exacta> é a de Rola. Essa é a Saudade — a superfície intermina do oceano á hora crepuscular, uma doçura infinita, em que alveje a vela branca de um barco de salvação...
Agora, a outra... a outra é a Onda, que ora se ergue como uma torre, ora se desfaz como uma renda... Ella mata... ella enleia, ella sed"uz... Mas de todos os symbolos, sabe qual é o mais perfeito? E'o Pedro. — O mudo? ! — Sim. Esse é o fundo do Mar, o que todos ignoram. Os seus cabellos sãó algas, as suas unhas conchas, o ruido dos seus grunhidos — musica de caramujos... O Coronel, que ouvia tudo com as sobrancelhas contrahidas, cortou as pálavrasdo filho, resmungando: — Fantasias... tolices... Trate de déscançar! Fortunata sahio aturdida, e nessa tarde segredou a João Sérvulo que o pobre do Ruy ficara sofírendo da eabeça. 3 VI A resaca durava havia uma semana. Com a tempestade viera o frio. Os pescadores aproveitavam os lazeres forçados, para remendar velas ou apanhar malhas cabidas dos arrastões. A' tardinha reunia-se um grupo á porta do João Sérvulo. Para não perder horas. Rubião movia uma lançadeira de páo nos fios de tucum de uma tarrafa destinada ás suas manhãs de domingo na praia de fora.
João Sérvulo fumava e a mulher provocava a conversa dos outros com ditinhos e risadas. — Flaviano tá hoje de cara á banda, que nem linguado... que assucedeu? — Tou amolado lá com a baleia... Todos sabiam que a baleia era a viuva Tobias, mãi da Maria Adelaide. — Uê, gente ! por quê? — Tá se fazendo agora de manto de seda, toda cheia de não prestas... Maria já não tem licença de vir fallar commigo na cerca, nem nada; anda esquiva Ü-'l CRUEL AMOU como a sardinha no inverno... Se minha mãi quizesso me ajudar...mas não quer! —: E Marcos? que fim levou, que não tem apparecido, hein? indagou Fortunata. — Por que é que a senhora foi se lembrar de Marcos? replicou Flaviano com vivacidade. A tôa... é um companheiro. Não foi á tôa. A senhora teve um pensamento... - Eu não... — Diga porque. — - Sei lá ! Ora essa ! .-— Nunca briguei com pescador... mas... João Sérvulo interveio : - Nem brigará. A pessoa de um pescador, haja o que houver, é sagrada para um companheiro.
Não seja desconfiado. Marcos é seu amigo. - — Será... — E\ — A s vezes os olhos delle cahem em cima de mim como o arpão; parece mesmo que querem arrancar, puxar qualquer cousa de dentro do meu peito... Outras vezes sinto que me rodeia, como se me quizesse contar uma historia, mas mal procuro prestar attenção, onde é que elle está? ! arrependeu-se... fugio !... A modos... — A modos o quê, homem de Deus? ! — Cá me entendo. Tá hi porque eu ando com cara de linguado... Rubião soltou uma gargalhada e concluio : — 0 diabo tá scismado mesmo ! A tarde cahia rapidamente. Fortunata, sem se le vantar da soleira da porta, onde estava sentada, provocando conversas, chamou o filho, o Antônio e agazalhou-d nas dobras da saia. Entretanto não cessava de fallar : — Bem diz João Sérvulo que pescador tem pelle de cortiça, tanto faz que haja vento como que haja sob para elle tudo é o mesmo; o que quer é o ar livre...
Hortensia ajudava o pai a desembaraçar uma meada de linha hamburgueza, ella sentada num caixote, com as mãos estendidas parallelamente, elle de pé, enrolando o novello. Fortunata animava a roda; — Conta um caso, Rubião! historia de verdade, ouvio? não venha com as suas mentiras, que eu já estou farta de caraminholas... E desembuche, que seu Clarindo quer ir dormir cedo para vêr amanhã a briga de gallos e Flaviano tá morto p'ra ir conversar com Maria Adelaide. Que signal você dá para ella apparecer? — P'ra que é que a senhora quer saber? — Ora, p'ra me lembrar dos meus tempos, quando João Sérvulo andava rondando a casa de minha mãi... aquillo era cada trillo que nem os do Baptista annunciando peixe... elle está fingindo que não escuta... depois de velho ficou sonso... — O meu signal é um assobio imitante ao da graúna, informou Flaviano. —• Ella vem logo correndo? — Qual! antigamente era assim, mas a baleia agora não deixa; tá com luxos...
Rubião pigarreou : ia começar o conto, mas Fortunata interrompeu ainda, com um gesto vivo : 6 — Espera um pouco, deixa chamar a visinha; ella gosta de ouvir tudo desde o principio. Detrás de uma canoa surgiram as duas sombrinhas do Bié e da Nita, que se approximaram correndo e se deixaram cahir na areia, perto dos pescadores. A vizinha acudio ao chamado. Fortunata ordenou : — Pôde contar, Rubião. — « Conheço esse littoral todo, como a palma de minha mão. Nasci mesmo na areia de uma praia do norte e a bem dizer pelas areias vim, de pé no chão, parando aqui, parando acolá, comendo do que pescava, ajudando uns, pedindo a ajuda de outros, té perto de vocemecês. O caminho é comprido, mas meu pensamento .não cessa de correr por elle todo com muito gosto e um pouco de saudade... Não sei para que choupaha de pescador tem porta ! Mal eu batia era só ouvir dizer : — entre! e se havia fartura logo me davam uma cuia de farinha e um bocado de peixe e toca a conversar até a'hora de dormir...
Alma de pescador é mesmo aberta como rancho de tropeiro ; não esconde nada de ninguém. O que ha para um, ha para todos; extranhos ou filhos de casa todos são como um só ! Não têm conta as pousadas que fiz e os dias que passei com este, com aquelle, ou com outros mais. Em toda a parte vi sempre a mesma paciência e a mesma franqueza; somente, ellas foram tantas, as famílias por onde andei, que sempre ha um ou outro caso dellas para contar... Vancês querem um caso de pescaria, ou querem um caso de amor?... — Um caso de amor! optaram as mulheres. 7 — Pois lá vai um caso de amor! Siá Hortensia. abra bem os ouvidos... Olhe que não é mentira nenhuma ! — Anda com isso, Rubião ! exclamou Fortunata já impaciente. —- Lá vai : — Um dia eu andava lenhando lá para o extremo sul da Ilha de Marambaia, perto da Pedra do Sino, quando topei com uma caboclinha sentada num páo de mangue derrubado na praia. Ella estava tão séria olhando para o mar; que nem estremecia quando o vento fazia vibrar a pedra num dobre tão forte como uma badalada de bronze.
Era tão bonitinha, o diabo da pequena, que nem sei que fraqueza me deu nos joelhos, que assentei de andar devagar com o serviço, como se quizesse tar espiando a coitadinha da moça... A pobre devia estar beirando os seus quinze annos... era espigadinha e estava se vendo bem que pobre como a mim; não tinha meias nem sapatos e a saia de chita parecia ter mais idade do que a dona... Eu andei... eu tossi... e nada da menina me prestar attenção... Vai senão quando, aponta lá longe na praia um mocinho todo esbaforido, estudaate da cidade ou cousa assim, e ella volta logo a cabeça, treme como uma canna no vento e atira-se para os lados delle, como uma veadinha contente. Abri a boca. O boneco não dera signal de si, nem assobio, nem palmas, nem nada. Como foi que ella adivinhou que elle vinha chegando? ! Andaram por alli de mãos dadas. Pareciam feitos um para o outro... O meu feixe de lenha nunca ficava completo...
O amor sempre accende a curiosidade na C 8 « I t l E L AMOU gente... O que elles diziam não sei; vieram outros lenhadores, pelos modos conhecidos delia, e o easalzinho se separou, foi cada um para seu lado. Nessa noite indaguei no arraial quem era a pequena o me, disseram que era a única filha do pescador Roberto, um magricella barbudo, melhor que um santo... "- O rapaz viera da cidade tomar ares numa chácara de üm tio... Elle era bonitinho, ella era linda; não havia nada que admirar ! Mas Satanaz não descança, e atiçou num primo da caboclinha, meio aluado, uma grande paixão por cila. Também não admirava... a mocidade ia raiando para os três na mesma hora... Tá fácil de perceber : ditos miudinhos como manjubas começaram a ferver em roda da mocinha. O primo, já se sabe, toca que toca avisando o tio, assanhando o tio : que a prima fazia isto, que a prima fazia aquillo, um inferno. De maneiras que o velho pegou e prohibio a filha de ir com as outras meninas buscar água santa na lagoa do Pico da Marambaia, uma aguasinha pura que vem debaixo do mar, vara todo o monte e se despeja lá em cima em cascatinhas frescas, que matam a sede melhor que todas as águas e curam as doenças melhor que todos os remédios.
A pequena costumava ir de longe em longe pescar na lagoa vermelha com outras camaradas; pois também isso elle prohibio, e para maior segurança da filha não pôr pé fora de casa, pèspegou uma comadre velha e muito braba na porta. A menina, coitada, calou a boca muito bem calada, e o que se passou lá dentro do seu coraçãosinho nem eu, nem vancês, nem 9 ninguém sabe. O mocinho também deixou de apparecer, curtindo saudades dentro da chácara do tio. Agora ó primo, esse é que andava saltando, como sapo quando adivinha chuva... A caboclinha não sabia lêr... não sabia escrever... a velha tinha tanto cuidado que nem um gato ou cachorro deixava entrar na porta da cabana... vão vendo só ! Pois uma tarde, o pescador Roberto amarrou a sua canoa num recovão da praia e foi p'ra casa dormir. Não sei que sonhou a caboclinha, que ás tantas da noite, quando a velha dormia, sae da cabana com uma saia pela cabeça e, pé 6á, pé lá, vai até ao recovão onde estava amarrada a canoinha do pai.
A noite estava escura como breu. A menina mesmo se espantava dos passos que ia dando; era a primeira vez em sua vida que sahia sosinha aquella hora ! Roberto tinha levado os remos para casa; vai a filha sungou as saias, entrou na água até aos joelhos e já achou dentro da canoa quem lhe desse as mãos e a suspendesse... O mocinho estava lá dentro esperando por ella !... Mas agora me digam : quem levou a combinação dessa entrevista, se não entrava viv'alma na choupana do pescador? ! Só se fosse o diabo, nas suas artes que os velhos já não entendem... Assim, fora satanaz, que tinha puxado todos pela mão para aquelle sitio... queria levar três almas de uma assentada para o inferno, por isso, mal a caboclinha entrou na canoa e cahio nos braços do dito mocinho, o primo, que estava espreitando tudo, cortou com uma navalha muito afiada a espia da canoa, para que o primeiro beijo de amor dos namorados fosse trocado no caminho da morte...
A canoa foi-se embora. Não se ouvio uma queixa... mas o vento zunio com fúria e então a Pedra do Sino dobrou a finados. Não se espantem, não; lá na Marambaia ha um rochedo que tange como um sino grande, quando o vento passa... Deitado de bruços na orla do mar, tapando os ouvidos para não ouvir essas vozes da pedra bruta, que fallavam na noite como uma alma christã, com o peito enxarcado de .água e salsugem, os olhos em sangue e a boca cheia de espuma, o assassino urrava como um bicho immundo. Quem o tinha avisado também? ! O ódio. O ódio ás vezes é como o amor : adivinha ! Pois ainda era escuro quando o velho Roberto abrio a porta da sua cabana e logo todo se impertigou, muito pasmado. No fundo do horizonte, onde o mar beija o céo, que foi que elle vio? Até fico arrepiado !... Vio a sua canoa vogando... vogando... toda illuminada... com a filha dentro, vestida de noiva... com o mocinho vestido de noivo...
e as portas do céo abertas para os receber... E a Pedra do Sino vibrando... vibrando... Foi por isso que elle não chorou a morte da filha, nem extranhou que ninguém, por mais que procurassem, pudesse nunca encontrar vestígios da embarcação nem dos namorados... O amor tinha seguido o seu destino. O ódio, esse foi para o inferno na alma do assassino, que escabujou no lodo e morreu como um cão damnado, mordendo as mãos... » Rubião fallava ainda, quando João Sérvulo se ergueu de repente, apontando com um gesto tremulo uma luzinha que apparecia e desapparecia na negridão do mar. — Um navio em perigo ! Levantaram-se todos, impellidos pela mesma anciedade, e correram alvoroçados bem para a orla do mar, onde só alvejavam os brancos pennachos da espuma dos vagalhões. — Se a Guanabara agüentasse... aventurou João Sérvulo; mas antes que elle concluísse a phrase, a mulher acúdio : — Não vê que eu deixava !
— Nem eu esperava pela licença de ninguém. Seria a minha obrigação. — Então a obrigação do pescador é se matar pelos outros? E o que fazem os outros por vocês!? - Reboou no espaço o tiro de soccorro. Apertando o braço de Rubião, nervosamente, João Sérvulo exclamou : — E' uma vergonha a gente não fazer nada diante de uma desgraça... — Isso é... — Quem sabe se a Guanabara... — Deixe-se de historias. Aquelle navio está longe... quando é que uma canoa havéra de chegar lá? ! A luz mudava de tamanho e de côr; parecia afogar-se e logo emergia mais intensa do fundo da água. O pharol da Rasa piscava a pupilla rutila em frente aquella estrellinha louca com que as ondas brincavam e que agonizava em lampejos, pedindo nos últimos esforços que a salvassem. 6. Commovidos na sua inércia, os pescadores olhavam afflictos para aquellas águas tumultuosas, que uivavam de incomprehensivel desespero, encrespando-se, alteando dorsos monstruosos, rebentando na praia num estrondo que abalava os aros frios da noite.
No céo escuro, entre nuvens flocosas, de crépe, a lua ia surgindo, sem irradiação. -— O mar já esteve peor... comentou Flaviano. Apparecendo e desapparecendo, a estrellinha doida vinha aos arrancos em demanda da barra. Tinha parlido de terra o aviso de soccorro, mas a luctacom os vagalhões não lhe daria talvez tempo de esperar... Os pescadores subiram á collina da Igrcjinha para vêr melhor. Partiam foguetes de bordo. João Sérvulo conhecia os signaes e traduzia-os gaguejadamente ao mulhcrio assustado, que lamentava a sina das mais das crianças que estavam naufragando... — E' uma vergonha, Rubião ! é uma vergonha, nós não fazermos nada, exclamava ainda o mestre da Guanabara, concluindo que seria impossível resistir um navio desarvorado a tamanhos embates. Foi então que Hortensia, afastando os cabellos que o vento lhe espalhava sobre o rosto, rompeu o coro das lamentações, cantando uma ladainha que sabia de côr : — « Nossa Senhora da Copacabana, tende misericórdia de quem anda por sobre as águas do mar!
» — « Nossa Senhora du Copacabana, tende misericórdia de quem anda por sobre as águas do mar ! »
Leia gratuitamente Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida, romance brasileiro em domínio público publicado em folhetim em 1908. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 24 partes, capa nova no padrão Literunico, fonte BBM/USP validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.