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Cruel Amor

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Cruel Amor

Capítulo 23 · Cruel Amor

Parte 23

23 de 24 ≈ 17 min de leitura

Hi'.', do o silencio foi absoluto, ella levantou-se devagarinho, accendeu a vela e começou a vestir-se, com precaução. Tirou do bahú a mais bonita camisa, empapou os cabellos dos seus perfumes, calçou os sapatos dos dias de festa. As suas saias brancas, o seu vestido de cassa foram enfiados com extrema cautela, num susto; não fosse o rumor da gomma forte despertar a família mal adormecida... Poz anneis, os seus anneis de turco, em Jtodos os dedos, amarrou um laço de fita branca ria trança, entalou o lenço no cinto e, abrindo docemente a janella, saltou, como Adda tinha saltado, para o campo deserto. Os cães correram para ella, ganindo, aos pulos. Maria Adelaide aquietou-os, colheu as saias e, pé ante pé, rodeou a casa e tomou depois afoitamente o caminho da estrada. Percebia que fechava com aquelle acto um período da sua vida. Outra mulher, mais decidida, mais forte, ia começar nella outra existência.

O anceio que a perturbava, suffocado até então por escrúpulo, ia ter emfim doce termo ! Dentro daquella hora cheia de estrellas, da musica das ondas e do aroma das plantas) ella colaria a sua boca sequiosa á boca de Marcos o faria ella mesma a confissão que tanto e tão inutilmente esperara delle ! Era a primeira vez que sahia sozinha por aquelles caminhos, na escuridão. Não tinha medor nem lhe passava pela idéa que em qualquer volta.pudesse esbarrar com o noivo... Em todo o ' mundo não havia agora senão ella e Marcos !... A sua intelligencia parecia-lhe despertada de um entorpecimento... Era como uma resurreição! 1S !!l i O exemplo de Adda animava-a, assegurando-lho êxito. Ella não era feita de cera, mas de carne c de osso. como a outra: não se sujeitaria a ser só o que o Flaviano quizosse ! A s onze horas divisou a casa do Marcos, já fechada na paz do somno... approximou-se devagarinho o.

batendo com os nós dos dedos na janellinha baixa, sem eaíxilhos, suspirou collanrfo os beiços á frincha das duas folhas mal ajustadas : Seu Marcos ! A alma da noite palpitava nas estrellas, na viração branda que agitava na trova a folhagem do arvoredo e enfumeeia as ondas do mar. Maria Adelaide sentia uma energia extranha, nada a impediria de ir até ao fim. Percebia agora ter vivido sempre sob a pressão de um erro hypocrita, na atonia dos resignados. ArtTes ipie acabassem de afogal-a, batcndo-lhe com a ultima pancada de remo na cabeça, bracejaria para aquelle porto de salvamento. A reacção da sua apathia era tão forte que não experimentava nenhum vislumbre de timidez, e foi até com certa impaciência que tornou a bater corri os nós dos dedos na janellinha, e a dizer : — Seu Marcos !... Desta vez ouvio passos, depois a voz do pescador, extremunhada, perguntou de dentro : — Quem é? ! — Sou eu...

Maria Adelaide!... Os passos precipitaram-se; Marcos abrio a porta e Maria Adelaide entrou. Olharam-se; elle cheio de espanto, ella ousada. Ferido por urna superstição, Marcos approximou do vulto da moça a vela que ardia numa palmatória de agatha. Não seria uma visão, um aviso de desgraça a que elle pudesse acudir? A moça não pestanejou. Elle tocou-lhe com a ponta dos dedos trêmulos nas mãos impassíveis : sentio-lhe a carne, o calor da vida e não ousou perguntar nada, sem comprehender o que seus olhos viam. Num movknento delicado, de pudor, Maria Adelaide apagou a vela com um sopro ligeiro e logo num sussurro de palavras precipitosas, contou-lhe tudo. Era bem ella. Fugira do seu quarto, para vir ter com elle e"alli ficar para sempre, como sua companheira ou como sua esposa, o que elle determinasse. Com tanta força arfava o peito do pescador, tal era a sua sorpresa e o seu enleio, que a língua lhe negava a articulação das palavras que desejava dizer.

A moça teve de esperar longamente por uma resposta, que parecia estrangulada por um poder superior. Por fim elle murmurou apenas : — Mas a senhora é noiva do Flaviano... Foi como se lhe tivessem aberto o peito e dado com força uma pancada no coração... Maria Adelaide começou a chorar. Não amava ó noivo; nem saberia nunca explicar a razão por que se deixara comprometter assim... a vida tem desses enredos... mas a sua consciência acordara : a quem ella amava era ao Marcos, e bem percebia que elle lhe queria também... Ninguém a tinha visto saltar pela janella do seu quarto nem caminhar sozinha por aquelles lugares até alli; vinha livremente, por seus pés, e já se arrependia de não ter escolhido a hora do sol, em que toda a sua responsabilidade ficasse bem patente !... 1 6 CRUI.L AMOR Em frente delia, de braços cabidos, olhar cliamuiejanto, Marcos contemplava-» na penumbra do quarto mal alumiado pela porta completamente aberta.

A pouco e pouco a razão ia-so-lhe aclarando, máo grado a perturbação dos seus sentidos. O desejo impulsionava-o a unir ao coração o vullo branco da moça, por quem vivia a suspirar, havia tão largos dias, como por um bem inaltingivel. Ella alli estava agora, sozinha, alta noite, no seu quarto estreito e solitário, <• elle não fazia um gesto para focar-lhe nem de leve o vestido... Eslava só em casa; a mãi sahira para velar um morto. As circumstancias do acaso favoreciam o seu amor... Maria Adelaide supplicou pela verdade. Ter-se-ia ella enganado? não a amaria elle? Com a sua linguagem rude, elle disse-lhe que desde uma certa tarde em que a vira no Ipanema não pensava em outra cousa na vida senão nella... e que por sabel-a noiva de um companheiro, um pescador corno elle, não se tinha atrevido a dizer nada... Agora sim, logo que o dia alumiasse, elle iria procurar o Flaviano, contar toda a verdade e pedir-lhe que desistisse da felicidade, em seu favor...

Se a mãi estivesse em casa já a teria chamado; mas a sua velha estava velando um morto... As lagrimas de Maria Adelaide tinham seccrfdo e ella olhava agora fixamente para o peito de Marcos, mal coberto pela camisa de meia. — Não vá fallar com Flaviano. — Por que? elle é meu companheiro : não posso ser desleal... E a senhora vá-se embora, senão eu fico maluco!... —• Então não quer que eu fique !?... — Não. Quero que entre por esta porta com o seu véo de noiva... minha mulher! Então elle approximou-se d'ella e repetio com extrema doçura : —- Minha mulher!... Maria Adelaide ergueu para elle o rosto, á espera do beijo tão profundamente desejado. Marcos fechou os olhos e repetio numa supplica : — Vá-se embora... Amanhã minha mãi irá conversar com sua mãi... e eu irei fallar ao Flaviano... — Não! Elle insistio : —• E' o meu dever. — Tenho medo!.'.. .,--;A[ — Medo de que? ..'?, — De Flaviano... — Eu me encarrego de tudo; vá descançada...

— Adeus... — Espere! a noite está escura... como ha de ir sozinha?... — Assim como vim. Mais triste... Eu queria ficar de uma vez... o senhor não gosta de mim ! —- Maria Adelaide ! — Se gostasse não me maridava\]embora... — Eu já lhe* disse tudo... não sei fallar de outra maneira... Um pescador não pôde trahir um companheiro... Os outros todos ^me ^desprezariam e^a senhora não havia nunca de ser feliz... Flaviano... *^ 18. 1 8 ' RI Kl AMOR Maria Adelaide interrompeu com vivacidade : — Flaviano é um negro. — E' um homem como eu o um pescador como eu. Deus quer a nossa felicidade. Quando o dia clarear conto tudo a sua mãi. Eu na mesma hora irei fallar a Flaviano... o de tardinha, Maria Adelaide, já seremos noivos !... As palavra serenas de Marcos contrastavam com a expressão illuminada do seu longo rosto tostado de sol. —MVolte para casa, aconselhou elle ainda. Não quero que me vejam a esta hora em sua companhia...

mas não tem medo de andar sozinha por aquelles inatos? — Não... eu não tenho medo de nada. Adeus ! E ella partio apressada, numa confusão de resentimento e de ventura. As noites de Fevereiro são curtas. A's quatro horas já ha claridades de dia. Maria Adelaide pensou nisso quando entrou pelo atalho novo, junto da toca do Machado. De que lhe servira ter empapado os cabellos de óleo cheiroso e ter posto um annel em cada dedo, se o Marcos nem ao menos cedera á tentação de a beijar?... Era todo de escrúpulos... lealdades... Que lhe responderia o Flaviano? A essa idéa a moça parou, interrogando a treva com uiri olhar de susto. O Flaviano, estava bem certa, não a cederia ao outro... Que se passaria então entre os dois? ! Vagavam no ar pios de aves nocturnas e perfumes de mato e flor de fruta. Do jambeiro, do angulo da estrada, motejou o canto de uma coruja. Maria Adelaide não era tão tola que não percebesse que o noivo desconfiava já do Marcos; a confirmação agora de uma suspeita não poderia determinar nelle um acto de selvageria?

Começou a esboçar-se no seu espirito uma scena terrivel, em que a paixão indomável do mestiço se vingasse do pescador branco... A essa idéa a moça inteiriçou-se, como nas suas crises de hysterismo. Tinha errado nos seus desígnios; fora ao encontro da felicidade e só tinha conseguido atirar dois inimigos um contra o outro... Deveria ella ficar impassível ante tal perspectiva? Assaltoua a vontade de enfrentar ella mesma o perigo, correndo á casa do noivo antes da chegada do Marcos, para lhe dizer toda a verdade dolorosa. Já que se precipitara na aventura, iria até ao fim ! Marcos esperava pela manhã; seria precizo que ella faliasse ao noivo de madrugada... antes das cinco horas... Uma ^espécie de febre activava-lhe o sangue, determinando-lhe deliberações rápidas. Não valia a pena ir para casa; mais acertado era dirigir-se logo para a do Flaviano. Esperaria no terreiro, entre as carroças do Mamede, que o dia abrisse os olhos.

Perturbava-a um medo horrível de se achar só com o noivo, quando se lembrou da mãi delle, a preta velha, sua encarniçada inimiga, que a ajudaria a defender-se do amor do filho... Que trágica noite era aquella, que a empurrava a tantas peripécias nunca antes imaginadas ! A'quella hora a mãi e as irmãs, adormecidas no quarto ao lado do sou, se nella pensassem seria para imaginal-a em baixo das mesmas telhas, na mesma quielação... Nunca em sua vida puzera os pés na rua desacompanhada, e agora andava noite alfa. sem medo, completamente só, por estradas e ruas desertas... vestida com a sua roupa de festa... como uma doida ! Seu corpo, sacudido nos derradeiros tempos por tantos ataques consecutivos e que se endurecia todo a qualquer temor ou qualquer duvida, agia agora nessa crise de allucinação com absoluta calma. A casa do Flaviano, de paredes côr de barro, mal se adivinhava no escuro, sob a amendoeira enorme e entre um grupo de carroças desalrelladas, de varaes erguidos para o ar.

Maria Adelaide conhecia o caminho a palmos. Iria de olhos fechados serpeando pelos carreirinhos, por todos aquelles atalhos que a tinham levado de casa á escola nos dias da sua infância. A' sua approximação rompeu um coro de latidos dentro da casa do Flaviano. A velha gostava de dormir com os seus dois cachorros ao pé da cama/Maria Adelaide sentou-se na trazeira de urna carroça e quedou-se de face para a casa do noivo, ardendo na impaciência de ver abrir-se aquella porta antes da chegada de Marcos. Flaviano tinha-lhe contado muitas vezes que a mãi era madrugadora. Ainda havia estrellas no céo e ella já sahia á roda da habitação, a catar gravetos para acender o fogo. MariajAdelaide, que tivera sempre por essa mulher uma repugnância instinetiva, esperava agora por ella com anciedade, morta por contar-lhe tudo antes de fallar ao noivo, na certeza de que a velha a ajudaria a transpor o perigo.

Não tinha sido sempre esse o seu maior desejo? Não sabia toda a gente que a preta daria a própria vida para a separar do filho? Sentimentos e idéas atropellavam-se em Maria Adelaide, cuja intelligencia, sacudida pelo exemplo de Adda, acordava de um lethargo longuissimo, com" uma lucidez admirável. Os cães continuaram a latir com tamanha fúria, que se levantaram vozes lá dentro, a apazigual-os. Elles serenaram por alguns instantes, depois a agitação recomeçou, intervallada, ora sopitando-se a custo, ora explodindo em latidos irreprimíveis. Impassível, com as mãos cheias de pedras falsas dos anneis de turco cahidas sobre a cassa engommada do seu vestido branco, o seu vestido das procissões, a moça não desviava a vista da massa escura e mal definida da casa do noivo. Pouco a pouco os seus olhos foram-lhe delineando os contornos; a sua fôrma baixa e quadrada... as suas duas janellas pequenas, sem caixilhos, seguras a paredes mal rebocadas, de casa do matto, de gente pobre.

Agora divisava já, tenuemente, a linha do telhado... Cantou um gallo a distancia... outro mais perto. A viração fez-se-mais fresca... Percebia agora duas tumefácções no angulo direito^do casebre... eram dois cestos de cipó-úna pendurados na esquina e alli esquecidos... A luz vinha vindo suave, mansa, num palor de luar que parecia surgir da terra... Cantavam passarinhos na amendoeira e ainda luziam eslrellas no céo, quando uma das janellinhas se abrio. Maria Adelaide encolheu-se num sobresalto brusco. Flaviano vestia-se para ir á pesca. Ficara combinado com João Sérvulo irem de madrugada para a praia. Elle gritou para a mãi no fundo da casa que aviasse o café, e chegando á janella olhou para o céo, consultando o tempo. A sorte desprotegia os planos de Maria Adelaide; uma impressão momentânea paralysoiu-lhe os membros. Os olhos alargaram-sc-lhe nas faces pallidas e só por um esforço quasi sobrehumano conseguio erguer-se e caminhar para o noivo.

Ella ia toda branca na luz branca da madrugada. Flaviano correu para a porta, e, puxando-a para dentro, perguntou-lhe espantado : — Você a estas horas ! morreu alguém lá em casa?! -— Não morreu ninguém... eu vim bem cedinho só para dizer que não quero me casar com você; precizo dizer já, antes de ter pena. A culpa não é de ninguém; tenha paciência e procure outra mulher melhor do que eu... Flaviano tremia, de olhos esbugalhados. Ella continuou : — Não é de hoje nem é de hontem que eu me arrependi de ser sua noiva; me faltava a coragem para contar aos outros e a você meus pensamentos; mas chegou a hora. — Você está doida ! — Não estou, não. Doidice é a gente fazer as cousas contra a sua consciência. Se eu casasse com você... era para enganar... Nãoé melhor assim? Flaviano não voltava a si do espanto, e, sentindo uma nuvem opaca diante da vista, encostou-se ás costas da cama, como se temesse cahir.

A vertigem durou o que dura um relâmpago; elle estendeu logo os braços, segurou com força nos hombros de Maria e disse, sacudindo-a com brutalidade : — Foi Marcos, diabo, que andou te desinquietando, não foi? ! «J — Fui eu que desinquietei Marcos. Fica sabendo ! Esta noite, antes de vir para aqui, eu fugi para casa delle e fui-me offerecer para sua companheira, porque é delle que eu gosto... é delle só !... Foi um tolo... não me recebeu... disse que um pescador não atraiçôa a outro pescador e que só será meu marido se você não quizer mais saber de mim... Elle vem cá logo mais, para combinar com você essas cousas... mas eu corri adiante, com medo que elle soffresse alguma desfeita sua, e, desde noite escura que estou esperando alli fora que abrissem a porta, para eu entrar e contar tudo de- uma vez !... Com um repellão brusco, Flaviano puxou Maria Adelaide para si e unindo-a ao peito, que arquejava violentamente, bafejou-lhe o rosto, repetindo-lhe rente á boca : — Você é minha !

— Não! • — E' minha! aquelle cachorro nunca será seu marido, ouvio? — Cachorro é você ! Largue-me ! - 1 'l (RUIU. AMOli — Pôde dizer o que quizcr; não me imporia : você agora daqui não sae, é minha, é minha ! Maria Adelaide debalia-se, gritando pela mãi de Flaviano, que assomara á [torta do fundo do quarto e assistia impassível á luta I remenda, com os beiços arregaçados numa expressão de desprezo... — Pensa que por Marcos ser branco é melhor do que ou? ! Elle me paga !... você, está nas minhas mãos !... — - Negro ! — Agora sounegro... mas antes bem que você me queria. — Eu não gostava de você como gosto de... — 'Cala a boca, diabo !. — Sou noiva de Marcos ! —- Cala a boca, ou te mato ! — Pôde matar, mas é só delle que eu gosto, ouvio bem? Só, SÓ, só ! Era demais! cego de raiva, Flaviano sacou a faca do cinto e cravou-a repetidas vezes no coração de Maria Adelaide. 0 sangue esguichou com um calor de labareda; ondulou, num gemido rouco, uma syllaba de queixa e fez-se o silencio.

A mãi do mestiço entrou então no quarto, apanhou a faca do chão, depois tornou a sahir, fechando a porta, para rondar a casa no terreiro. Em uma dessas rondas foi á cozinha, lavou a faca, que ainda tinha estupidamente nas mãos, enxugou-a na barra da saia e tornou a sahir para o seu posto de vigia. Eram perto de sete horas quando Flaviano appa- receu, com os olhos vermelhos, muito inchados de «horo e lhe disse : — Se Marcos vier,, me procurar, diga a elle que Maria Adelaide está na minha cama e que é minha mulher. Accenda uma vela lá dentro. Eu vou dizer a mãi delia para vir fazer o enterro... —!• E depois? I inquirio a mãi, numa primeira manifestação de anceio. Elle levantou os hombros e sahio sem responder. 19 CRUBL AMOR XXI Já vai longe o verão. O dia de S. Pedro tinha rompido todo azul e ouro. Ainda era madrugada e já os pescadores preparavam na praia a sua grande festa, armando o coreto para o leilão de prendas, especando bambus para lanternas e galhardetes, adornando a canoa designada para o lançamento do arrastão ás quatro horas da tarde, em que o peixe que viesse seria distribuído gratuitamente pelos circumstantes...

João Sérvulo fora eleito thesoureiro par unanimidade de votos. Era elle quem arrecadava o dinheiro das subscripções edas esmolas, para pagar aos padres a missa das onze horas na Igrejinha e dar-lhes depois almoço do mais fino, no restaurante; era elle quem satisfazia as despezas da musica, do leiloeiro, dos fogos de artificio e da illuminação durante a noite. Muito grave, senhor da sua importância, elle tinha enfiado desde cedo o seu terno de casimira e andava de grupo em grupo, vigiando, aconselhando, sorrindo. Para a commemoração do dia estreara um par de

Cruel Amor

Sinopse

Leia gratuitamente Cruel Amor, de Júlia Lopes de Almeida, romance brasileiro em domínio público publicado em folhetim em 1908. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 24 partes, capa nova no padrão Literunico, fonte BBM/USP validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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