Leia agora
Contos Infantis em Verso e Prosa

Universo da obra

Contos Infantis em Verso e Prosa

Capítulo 14 · Contos Infantis em Verso e Prosa

XIV - O Anginho

14 de 60 ≈ 3 min de leitura

O anginho

AO MEU PRIMINHO MANOEL DA MOTTA CARDOSO

Vestiram-na de branco como a neve,
e cobriam-lhe o corpo feiticeiro
com um véu de gaze transparente e leve.

Sobre as rendas do fofo travesseiro
espalharam-se os seus cabelos de ouro!
Parecia dormir, e que fagueiro,

um sonho a visitava. Ouvia o coro
dos anjos seus irmãos no Paraíso,
a chamá-la; quem sabe? Que tesouro

de amor prometeria aquele riso,
que em seus lábios ficara? Que alvorada
contemplaria? Alberto, com juízo,

andava em volta a olhá-la — Estás calada
há tanto tempo, Lena! Vais-te embora
para o céu, minha irmã? Estás cansada

de brincar só comigo? E quem agora
me fará companhia? Se eu pudesse
ir contigo, irmãzinha! — Oh Deus! implora

a pobre mãe, oh Deus! se ele morresse,
o que me restaria neste mundo?
Não o escutes, Senhor! Filho, anoitece,

vem dormir nos meus braços: tão profundo
é teu amor por mim que me deixavas?
— Oh não, mamã, perdoa; bem do fundo

do coração te adoro. Tu amavas
tanto Lena também, e a morte veio,
deixando-a fria e pálida; choravas,

apertando-a com força contra o seio,
e o Pai do Céu não quis ouvir teu pranto.
Agora, dize, mãe, quem há de, em meio

da noite, ir sossegar a Lena, enquanto
eu te espero a tremer, cheio de medo?
Quem a leva ao pomar, ouvir o canto

do triste sabiá? quem, logo cedo,
vai beijá-la? quem há de, coitadinha,
ser mãe de minha irmã?! Dize, em segredo,

o que a espera no céu? Vai tão sozinha,
e eu tenho tanto dó, tanta saudade!
— Helena, a minha angélica filhinha,

(forças, meu Deus!) entrou na Eternidade,
levada pelos anjos, que, voando,
espargiam jasmins. A Caridade

ia a seu lado, uns cantos entoando
de suavíssima e plácida harmonia,
e uma estrela sem par ia guiando

o cortejo de um anjo, que subia
entre lumes, cantares e fulgores...
— Mas lá não terá mãe! — Oh! sim, Maria,

a mãe de Deus, dos bons e pecadores,
a que, em meio à procela, ouve o vagido
da infância desvalida e calma as dores.

Lena tem melhor mãe.

— Melhor?! Duvido.

Contos Infantis em Verso e Prosa

Sinopse

Coletânea infantil brasileira de 1886, em verso e prosa, de Adelina Lopes Vieira e Júlia Lopes de Almeida, restaurada em português brasileiro moderno a partir do fac-símile de domínio público.

Contos Infantis em Verso e Prosa

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Ir para o carrinho
Mercado de Contos Infantis em Verso e Prosa

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Contos Infantis em Verso e Prosa Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 14 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Contos Infantis em Verso e Prosa

Todos os capítulos 60 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir