Universo da obra
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Os Ingratos
De Luiz Ratisbonne
A MEU PRIMINHO E AFILHADO ARNALDO COSTA
— Mamãe, dizia Edgard, as aves são cruéis!
Todos os dias eu lhes dou, sem me esquecer,
migalhinhas de pão.
Elas, muito depressa, acabam de comer,
e ei-las a voar, por campos e vergéis:
Vê tu que ingratidão!
Assim as andorinhas,
louquinhas!
que, no estio, se aninham no telhado,
se chega o frio, fogem sem cuidado,
nem pena dos que ficam.
— Tens razão:
mas são aves, bem sabes: têm perdão.
Há nesta vida ingratos,
a quem damos amparo, amor, conselho e nome;
que vêm ao nosso lar comer em nossos pratos,
e fogem sem saudade, assim que não têm fome.
Esses, sim, são os maus; e não as andorinhas.
Ingrato é o homem, só. Enluta as nossas casas
sem que tenha, contudo, a desculpa das asas.
Coletânea infantil brasileira de 1886, em verso e prosa, de Adelina Lopes Vieira e Júlia Lopes de Almeida, restaurada em português brasileiro moderno a partir do fac-símile de domínio público.
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