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Contos Infantis em Verso e Prosa

Capítulo 24 · Contos Infantis em Verso e Prosa

XXIV - Ariel

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Ariel

A MEU AMIGUINHO TIM TIM (VALENTIM MAGALHÃES)

Lúcia tinha um cãozinho gracioso,
um galgo tão bonito,
negro como o azeviche e tão nervoso,
que parecia elétrico.
Pedrito
tinha uma bela espada
e um ar de mata-mouros.
Tinha olhos azuis cabelos louros.

Eram gêmeos, mas Lúcia delicada,
a uma flor de estufa semelhante,
parecia mais nova e mais franzina:
Devia ser assim, se era menina!
Pedrito sempre armado, ia arrogante
desafiando a todos, céus e terra,
e ninguém respondia à voz de guerra.
Só o galgo, Ariel, numa surdina,
rosnava ao avistar a barretina,
do indômito guerreiro;
e o nosso general, brioso em tudo,

obrigava o cãozinho a ficar mudo
com um golpe certeiro
da espada sobre o lombo luzidio.
Lúcia chorava e o meigo Trinca-fio
implorava o perdão dizendo: — E esta!
não querem ver a Lúcia, que eu adoro,
a lastimar um cão, que me detesta!
Se choras mais ó Lúcia, eu também choro!
Uma tarde Ariel não aparece,
roubaram-no talvez, Lúcia enlouquece,
fala em morrer, tem febre e nem os beijos
dos pais, nem as carícias e gracejos
do padrinho, que é médico, alcançaram
que ela sorrisse.
Pedro, assim que entraram
para o quarto da irmã, silencioso
tomou o cinto, a barretina, a espada,
e saiu sem ser visto; entrou medroso
num bazar e vendeu por quase nada
toda a sua ventura.
Então voltou a casa alegremente,
chegou-se à pobre Lúcia, consternada,
beijou-lhe a fronte pura...
e pousou sobre a cama alvinitente
o preço do seu bem, e comovido
murmurou: — Não perdeste, anjo querido,
o teu negro Ariel, eu vou ligeiro
em busca do cãozinho, que amas tanto.
Achá-lo-ei, bem vês, temos dinheiro.
— Ó fraternal amor, és belo és santo!

Contos Infantis em Verso e Prosa

Sinopse

Coletânea infantil brasileira de 1886, em verso e prosa, de Adelina Lopes Vieira e Júlia Lopes de Almeida, restaurada em português brasileiro moderno a partir do fac-símile de domínio público.

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