Leia agora
Contos Infantis em Verso e Prosa

Universo da obra

Contos Infantis em Verso e Prosa

Capítulo 41 · Contos Infantis em Verso e Prosa

XLI - O Natal

41 de 60 ≈ 3 min de leitura

O Natal

A MINHA PRIMINHA ISOLINA LUIZA DA MOTTA CARDOSO

— Quantos dias ainda passaremos
à espera do Natal?
Tu dizes sempre: Poucos, esperemos...
Estou cansada afinal.

— Falta apenas um mês, minha Luizinha.
— Custa tanto esperar!
Já sei de cor os versos à avozinha,
e a festa sem chegar!

Vejo, sonhando, os mimos, as estrelas,
que enfeitarão da árvore sagrada
os ramos refulgentes, por mil velas
de luz ora vermelha, ora azulada!

Depois... repartirei os meus brinquedos
pelos primos, amigas, convidadas...
— São doze ao todo, não,
entre primas e amigas? Que folguedos!

Que alegrias sem fim! Que criançadas!
— Não contaste, mamãe, os órfãozinhos.
com quem divido o pão
da merenda? São três, pobres anjinhos!

E não têm mãe nem pai!
Convidei-os também. Tu, que és tão boa,
dá-lhes uns fatos novos, sim? Perdoa...
ter-lhes feito a promessa de...

— Luiza!

És um anjo do céu, filha adorada,
és perfume ideal que aromatiza
desta existência a fadigosa estrada!
Vai, minha filha, vai!

O repartir o pão com os órfãozinhos
não basta, meu amor!
Dá-lhes também os maternais carinhos,
que é a esmola maior.

Queres?

— Oh! minha mãe! vou já buscá-los,
vou vesti-los de novo, penteá-los,
e comprar-lhes brinquedos... Que alegria!

— É santo esse alvoroço, mas repara
ser agora... impossível! É tão cara
a vida, filha!... o pão de cada dia!

Dei para a tua festa tudo; espera
que eu possa juntar mais. Ah! se eu pudera?
— Podes sim, mamãezinha, desconfio
que achei um meio.
— Qual?
— Dou-lhes o teu presente: renuncio
à festa do Natal.

— E era o teu belo sonho, Luizinha!
Como bendigo a Deus
por me haver feito mãe! Ouve, filhinha,
se não puderes ver o arbusto santo,
ofuscante de luz,
fita o celeste olhar, limpo de pranto,
no infindo azul dos céus,
e lá verás, olhando-te contente,
o teu doce Jesus;
como tu pequenino e sorridente.

As estrelas virão, como em cortejo,
saudar-te, minha flor!
E sentirás, um como suave beijo
de maternal amor
roçar-te a fronte pura; e a voz plangente
da mãe dos órfãozinhos meigamente
murmurará: — Bem hajas tu, querida,
a um tempo mãe e irmã!

Que maior festa queres, minha vida?
— Os teus beijos, mamãe!

Contos Infantis em Verso e Prosa

Sinopse

Coletânea infantil brasileira de 1886, em verso e prosa, de Adelina Lopes Vieira e Júlia Lopes de Almeida, restaurada em português brasileiro moderno a partir do fac-símile de domínio público.

Contos Infantis em Verso e Prosa

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Ir para o carrinho
Mercado de Contos Infantis em Verso e Prosa

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Contos Infantis em Verso e Prosa Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 41 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Contos Infantis em Verso e Prosa

Todos os capítulos 60 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir