Universo da obra
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Chuva e Sol
A MINHA AMIGUINHA MARIA JOSÉ C. DE SOUSA DANTAS
Estar no pendor do abismo e suster-se sozinha,
quase a tombar no mal, lutar vencendo o mal,
é difícil, é belo! Eu vi exemplo igual
na ingênua candidez de linda criancinha.
Disse a mamãe, um dia, à loira Georgiana:
— Se até anoitecer, eu não te ouvir chorar,
nem dar gritos, prometo, amor, ir-te comprar
uma nenê gentil, de olhos de porcelana.
Apenas isto ouviu, a bela pequenita
dança e salta a cantar com tal sofreguidão,
que entontecendo, cai, ao comprido, no chão.
Esqueceu-lhe a promessa. Ei-la que chora e grita.
— Prantos? adeus boneca. Ouvindo esta ameaça,
ergue-se Georgiana e diz, muito ligeira,
mudando o choro em riso e com imensa graça.
— Chorei... por brincadeira.
Coletânea infantil brasileira de 1886, em verso e prosa, de Adelina Lopes Vieira e Júlia Lopes de Almeida, restaurada em português brasileiro moderno a partir do fac-símile de domínio público.
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