#Desafio 056
Teus olhos
clareiras de urgência
penhascos do céu onde me lanço
sem medo
com ânsia do fim.
Minhas mãos
raízes em busca de terra
fome que clama teu nome
aves inquietas
querendo pouso
no teu incêndio.
Tua boca
verso, pranto, naufrágio.
Me embriaga,
me leva,
me perde…
Me jogo.
Teu peito
templo onde me desfaço
onde o silêncio exala
prece e perdição:
eu rezo tua pele
com a língua.
Pelas veias
vida, vertigem
me arrasto
te subo
te habito…
me calas.
As pernas
pilares do desejo
me prendem
me quebram
me oferecem o cárcere
onde quero morrer
e renascer,
no instante eterno
do nosso ardor.
E o meu amor por mim,
por ti…
é só um eco
(só um eco)
do que nos consome
do que nos cria
do que somos juntos
do que, em tempo algum,
ousaremos deixar de ser.
Crs Ribeiro
@albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
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#Desafio 055
O rosto chamuscado
no papel gasto:
um retrato sem nome,
um passado apagado.
Nessa foto, não sou eu.
nem a menina de riso leve,
nem a que desaprendeu a chorar.
O medo?
Já não me veste.
Deixei de ser tua,
deixei de ser minha.
Não sei quem sou
(e que alívio).
Sigo sem malas,
sem raízes,
sem a mentira de um amanhã.
Sou o instante,
a fumaça breve,
o grito que o vento engole
e depois esquece.
Acalanto? Revolta?
Quem precisa de palavras
quando o silêncio sangra mais?
Eu sou o que escapa,
não o que fica.
Nunca a mesma de ontem,
nem a de amanhã.
Sou este segundo,
já sou outro,
e já não sou mais.
A poeira da terra,
o suspiro das folhas,
sou só isso:
sem nome, sem rosto, sem marca.
Talvez um fio de linha
que o vento solta
e nunca mais vê.
Crs Ribeiro
O rosto chamuscado
no papel gasto:
um retrato sem nome,
um passado apagado.
Nessa foto, não sou eu.
nem a menina de riso leve,
nem a que desaprendeu a chorar.
O medo?
Já não me veste.
Deixei de ser tua,
deixei de ser minha.
Não sei quem sou
(e que alívio).
Sigo sem malas,
sem raízes,
sem a mentira de um amanhã.
Sou o instante,
a fumaça breve,
o grito que o vento engole
e depois esquece.
Acalanto? Revolta?
Quem precisa de palavras
quando o silêncio sangra mais?
Eu sou o que escapa,
não o que fica.
Nunca a mesma de ontem,
nem a de amanhã.
Sou este segundo,
já sou outro,
e já não sou mais.
A poeira da terra,
o suspiro das folhas,
sou só isso:
sem nome, sem rosto, sem marca.
Talvez um fio de linha
que o vento solta
e nunca mais vê.
Crs Ribeiro
Segunda de primeira:
@Albertobusquets e uma de suas obras mais belas: “Jardineiro”
Declamação: setembro de 2024
@Albertobusquets e uma de suas obras mais belas: “Jardineiro”
Declamação: setembro de 2024
#Desafio 054
Efêmero?
Oi.
Você vem sempre aqui?
— Não vinha…
Mas agora, nem saio mais.
E foi só isso:
um início clichê
um dedo perdido no cabelo
um sorriso enviesado que convida
e também sentencia.
E eu, que sempre fui tão dona de mim
virei chão
virei espera.
Porque tem olhares que são armadilhas.
E tem você.
Crs Ribeiro
Efêmero?
Oi.
Você vem sempre aqui?
— Não vinha…
Mas agora, nem saio mais.
E foi só isso:
um início clichê
um dedo perdido no cabelo
um sorriso enviesado que convida
e também sentencia.
E eu, que sempre fui tão dona de mim
virei chão
virei espera.
Porque tem olhares que são armadilhas.
E tem você.
Crs Ribeiro
A ousadia de declamar a declamista mais bela: @MarU e seus múltiplos talentos. Te admiro demais!
Declamação em setembro de 2024
Declamação em setembro de 2024
#Desafio 053
Ensinas-me a amar?
No exato suspiro do teu sonho,
com a febre ou a brandura
que teus olhos rogam;
seja incêndio ou brisa,
conforme o vento
que teu corpo semeia sem saber.
Acolhes-me em teu colo?
Afasta o medo,
sela minha alma num beijo
e diz que me amas ainda mais
quando eu não mereço
nem o pouso do teu olhar.
Sê tudo, sê nada,
mas não me deixa no meio.
Sê o gesto, o corte,
alma lavada
estendida no varal do tempo,
onde a carne cria raiz
e o desejo, cicatriz.
Já és isso tudo?
Tens razão…
És mesmo:
Tradutor juramentado
das minhas sombras mudas,
das esquinas onde meu coração
se perde só pra lembrar de voltar.
Como não te amar, então?
Se és rio
e também a sede.
Se és abrigo
e também ausência.
Se és gozo e corte,
presença e saudade.
Se, mesmo sem querer,
és o quase que nunca chega,
o sempre que sempre vai,
a falta que nunca passa.
E o abismo para o qual,
louca e feliz,
eu salto.
Sem hesitar…
Crs Ribeiro
Ensinas-me a amar?
No exato suspiro do teu sonho,
com a febre ou a brandura
que teus olhos rogam;
seja incêndio ou brisa,
conforme o vento
que teu corpo semeia sem saber.
Acolhes-me em teu colo?
Afasta o medo,
sela minha alma num beijo
e diz que me amas ainda mais
quando eu não mereço
nem o pouso do teu olhar.
Sê tudo, sê nada,
mas não me deixa no meio.
Sê o gesto, o corte,
alma lavada
estendida no varal do tempo,
onde a carne cria raiz
e o desejo, cicatriz.
Já és isso tudo?
Tens razão…
És mesmo:
Tradutor juramentado
das minhas sombras mudas,
das esquinas onde meu coração
se perde só pra lembrar de voltar.
Como não te amar, então?
Se és rio
e também a sede.
Se és abrigo
e também ausência.
Se és gozo e corte,
presença e saudade.
Se, mesmo sem querer,
és o quase que nunca chega,
o sempre que sempre vai,
a falta que nunca passa.
E o abismo para o qual,
louca e feliz,
eu salto.
Sem hesitar…
Crs Ribeiro
#Desafio 052
NU
Me olhas.
Sorriso afiado nos lábios,
segurança cravada no gesto.
Sabes o que queres,
e tomas.
Teu corpo ordena.
Teus pensamentos?
Açoites.
Você se toca,
só para me torturar.
O tônus do braço me domina:
a firmeza,
o controle,
o fogo contido
na carne que exige.
Decoro teus gestos,
memorizo o ritmo.
Suplico em silêncio.
Te falo indecências,
desenho promessas com a língua.
Provoco,
mas és tu quem dita.
O som do momento me fere,
minha boca seca,
meus sentidos gritam.
Estou molhada:
aumento o ritmo.
Te obedeço.
Me devoras.
O mundo silencia
quando gozas.
Te sigo.
Me desfaço.
Bruto
Sagrado
Meu.
Crs Ribeiro
NU
Me olhas.
Sorriso afiado nos lábios,
segurança cravada no gesto.
Sabes o que queres,
e tomas.
Teu corpo ordena.
Teus pensamentos?
Açoites.
Você se toca,
só para me torturar.
O tônus do braço me domina:
a firmeza,
o controle,
o fogo contido
na carne que exige.
Decoro teus gestos,
memorizo o ritmo.
Suplico em silêncio.
Te falo indecências,
desenho promessas com a língua.
Provoco,
mas és tu quem dita.
O som do momento me fere,
minha boca seca,
meus sentidos gritam.
Estou molhada:
aumento o ritmo.
Te obedeço.
Me devoras.
O mundo silencia
quando gozas.
Te sigo.
Me desfaço.
Bruto
Sagrado
Meu.
Crs Ribeiro
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
51- Fale sobre um livro que você não entendeu ou teve bastante dificuldade para entender.
#Link365TemasLivros
51- Fale sobre um livro que você não entendeu ou teve bastante dificuldade para entender.
#Link365TemasLivros
#Desafio 051
O Amor entre o 5 e o 7
Não se dividem por outros,
mas sabem somar.
Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.
Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.
O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.
Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.
E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,
desafiando a lógica:
“O amor é primo…
E primo é para sempre.”
Crs Ribeiro
O Amor entre o 5 e o 7
Não se dividem por outros,
mas sabem somar.
Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.
Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.
O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.
Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.
E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,
desafiando a lógica:
“O amor é primo…
E primo é para sempre.”
Crs Ribeiro
O encantamento e a profundidade de @eliz_leao. Lindeza que fala?
Declamação: setembro de 2024
Declamação: setembro de 2024