#Desafio 055
O rosto chamuscado
no papel gasto:
um retrato sem nome,
um passado apagado.
Nessa foto, não sou eu.
nem a menina de riso leve,
nem a que desaprendeu a chorar.
O medo?
Já não me veste.
Deixei de ser tua,
deixei de ser minha.
Não sei quem sou
(e que alívio).
Sigo sem malas,
sem raízes,
sem a mentira de um amanhã.
Sou o instante,
a fumaça breve,
o grito que o vento engole
e depois esquece.
Acalanto? Revolta?
Quem precisa de palavras
quando o silêncio sangra mais?
Eu sou o que escapa,
não o que fica.
Nunca a mesma de ontem,
nem a de amanhã.
Sou este segundo,
já sou outro,
e já não sou mais.
A poeira da terra,
o suspiro das folhas,
sou só isso:
sem nome, sem rosto, sem marca.
Talvez um fio de linha
que o vento solta
e nunca mais vê.
Crs Ribeiro
@albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
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Segunda de primeira:
@Albertobusquets e uma de suas obras mais belas: “Jardineiro”
Declamação: setembro de 2024
@Albertobusquets e uma de suas obras mais belas: “Jardineiro”
Declamação: setembro de 2024
#Desafio 054
Efêmero?
Oi.
Você vem sempre aqui?
— Não vinha…
Mas agora, nem saio mais.
E foi só isso:
um início clichê
um dedo perdido no cabelo
um sorriso enviesado que convida
e também sentencia.
E eu, que sempre fui tão dona de mim
virei chão
virei espera.
Porque tem olhares que são armadilhas.
E tem você.
Crs Ribeiro
Efêmero?
Oi.
Você vem sempre aqui?
— Não vinha…
Mas agora, nem saio mais.
E foi só isso:
um início clichê
um dedo perdido no cabelo
um sorriso enviesado que convida
e também sentencia.
E eu, que sempre fui tão dona de mim
virei chão
virei espera.
Porque tem olhares que são armadilhas.
E tem você.
Crs Ribeiro
A ousadia de declamar a declamista mais bela: @MarU e seus múltiplos talentos. Te admiro demais!
Declamação em setembro de 2024
Declamação em setembro de 2024
#Desafio 053
Ensinas-me a amar?
No exato suspiro do teu sonho,
com a febre ou a brandura
que teus olhos rogam;
seja incêndio ou brisa,
conforme o vento
que teu corpo semeia sem saber.
Acolhes-me em teu colo?
Afasta o medo,
sela minha alma num beijo
e diz que me amas ainda mais
quando eu não mereço
nem o pouso do teu olhar.
Sê tudo, sê nada,
mas não me deixa no meio.
Sê o gesto, o corte,
alma lavada
estendida no varal do tempo,
onde a carne cria raiz
e o desejo, cicatriz.
Já és isso tudo?
Tens razão…
És mesmo:
Tradutor juramentado
das minhas sombras mudas,
das esquinas onde meu coração
se perde só pra lembrar de voltar.
Como não te amar, então?
Se és rio
e também a sede.
Se és abrigo
e também ausência.
Se és gozo e corte,
presença e saudade.
Se, mesmo sem querer,
és o quase que nunca chega,
o sempre que sempre vai,
a falta que nunca passa.
E o abismo para o qual,
louca e feliz,
eu salto.
Sem hesitar…
Crs Ribeiro
Ensinas-me a amar?
No exato suspiro do teu sonho,
com a febre ou a brandura
que teus olhos rogam;
seja incêndio ou brisa,
conforme o vento
que teu corpo semeia sem saber.
Acolhes-me em teu colo?
Afasta o medo,
sela minha alma num beijo
e diz que me amas ainda mais
quando eu não mereço
nem o pouso do teu olhar.
Sê tudo, sê nada,
mas não me deixa no meio.
Sê o gesto, o corte,
alma lavada
estendida no varal do tempo,
onde a carne cria raiz
e o desejo, cicatriz.
Já és isso tudo?
Tens razão…
És mesmo:
Tradutor juramentado
das minhas sombras mudas,
das esquinas onde meu coração
se perde só pra lembrar de voltar.
Como não te amar, então?
Se és rio
e também a sede.
Se és abrigo
e também ausência.
Se és gozo e corte,
presença e saudade.
Se, mesmo sem querer,
és o quase que nunca chega,
o sempre que sempre vai,
a falta que nunca passa.
E o abismo para o qual,
louca e feliz,
eu salto.
Sem hesitar…
Crs Ribeiro
#Desafio 052
NU
Me olhas.
Sorriso afiado nos lábios,
segurança cravada no gesto.
Sabes o que queres,
e tomas.
Teu corpo ordena.
Teus pensamentos?
Açoites.
Você se toca,
só para me torturar.
O tônus do braço me domina:
a firmeza,
o controle,
o fogo contido
na carne que exige.
Decoro teus gestos,
memorizo o ritmo.
Suplico em silêncio.
Te falo indecências,
desenho promessas com a língua.
Provoco,
mas és tu quem dita.
O som do momento me fere,
minha boca seca,
meus sentidos gritam.
Estou molhada:
aumento o ritmo.
Te obedeço.
Me devoras.
O mundo silencia
quando gozas.
Te sigo.
Me desfaço.
Bruto
Sagrado
Meu.
Crs Ribeiro
NU
Me olhas.
Sorriso afiado nos lábios,
segurança cravada no gesto.
Sabes o que queres,
e tomas.
Teu corpo ordena.
Teus pensamentos?
Açoites.
Você se toca,
só para me torturar.
O tônus do braço me domina:
a firmeza,
o controle,
o fogo contido
na carne que exige.
Decoro teus gestos,
memorizo o ritmo.
Suplico em silêncio.
Te falo indecências,
desenho promessas com a língua.
Provoco,
mas és tu quem dita.
O som do momento me fere,
minha boca seca,
meus sentidos gritam.
Estou molhada:
aumento o ritmo.
Te obedeço.
Me devoras.
O mundo silencia
quando gozas.
Te sigo.
Me desfaço.
Bruto
Sagrado
Meu.
Crs Ribeiro
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
51- Fale sobre um livro que você não entendeu ou teve bastante dificuldade para entender.
#Link365TemasLivros
51- Fale sobre um livro que você não entendeu ou teve bastante dificuldade para entender.
#Link365TemasLivros
#Desafio 051
O Amor entre o 5 e o 7
Não se dividem por outros,
mas sabem somar.
Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.
Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.
O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.
Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.
E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,
desafiando a lógica:
“O amor é primo…
E primo é para sempre.”
Crs Ribeiro
O Amor entre o 5 e o 7
Não se dividem por outros,
mas sabem somar.
Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.
Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.
O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.
Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.
E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,
desafiando a lógica:
“O amor é primo…
E primo é para sempre.”
Crs Ribeiro
O encantamento e a profundidade de @eliz_leao. Lindeza que fala?
Declamação: setembro de 2024
Declamação: setembro de 2024
Um dos meus poemas preferidos dele.
Toda a grandeza de @Albertobusquets!
Declamação em setembro de 2024
Toda a grandeza de @Albertobusquets!
Declamação em setembro de 2024