#Desafio 050
Despedida
Oco.
Vazio.
Um sopro. Frio.
Quase nada.
Um arrepio.
Uma lâmina na pele do dia.
Queria tudo,
queria mais.
Mas foste sombra,
eco,
vão…
Nem um olhar,
nem um adeus:
Partiste.
Rasgo no vento.
E eu?
Fiquei aqui.
No dentro do dentro.
No nunca.
Na fome de ti.
Crs Ribeiro
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Alberto Knobbe Busquets
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#Desafio 049
Amor Psicodélico
Desaprende os mapas
desenlaça os fios da lógica
caminha torto
de pés descalços
na contramão do tempo.
Vento sem dono
tremor sem cura
arde em surto:
sol desobediente
na palma da mão.
Chove cor no peito
faz o coração dançar
sem música
sem chão
sem medo…
É dor que ri
loucura que brilha
vaga-lume bêbado de lua.
Deus menor
deslembrado de si
errante, errando
inventando morada.
Bate, explode
entre a carne e o cosmos
no exato lugar
onde se rasga e se refaz.
Pobre mente fria
atada a normas
engavetando explicações…
O amor é bicho faminto:
morde, lambe, fere, sara.
É sopro profano
saliva em cio
um grito preso
que escapa pelos furos
pelas frestas
pela imensidão.
Ou talvez nem escape.
Só fique ali,
respirando,
esperando fazer sentido.
Crs Ribeiro
Amor Psicodélico
Desaprende os mapas
desenlaça os fios da lógica
caminha torto
de pés descalços
na contramão do tempo.
Vento sem dono
tremor sem cura
arde em surto:
sol desobediente
na palma da mão.
Chove cor no peito
faz o coração dançar
sem música
sem chão
sem medo…
É dor que ri
loucura que brilha
vaga-lume bêbado de lua.
Deus menor
deslembrado de si
errante, errando
inventando morada.
Bate, explode
entre a carne e o cosmos
no exato lugar
onde se rasga e se refaz.
Pobre mente fria
atada a normas
engavetando explicações…
O amor é bicho faminto:
morde, lambe, fere, sara.
É sopro profano
saliva em cio
um grito preso
que escapa pelos furos
pelas frestas
pela imensidão.
Ou talvez nem escape.
Só fique ali,
respirando,
esperando fazer sentido.
Crs Ribeiro
#Desafio 048
Fila do Pão
O cheiro dourado
passeia no ar,
quadro recém-pintado
por mãos invisíveis do dia.
O sol na vitrine
realça o vidro.
A fome brilha
entre o querer e o nada.
Na fila, cores e vidas:
olhos de café,
bocas de goiaba,
mãos de trigo,
sonhos de açúcar
e muito suor.
Eu,
entre paciências e risadas,
espero.
O pão ainda não veio,
mas o vazio
já pediu a senha.
Fecho os olhos,
pinto na mente o teu rosto.
Mordo tua ausência
antes mesmo do pão,
antes mesmo de saber
se haverá café
para me consolar.
Crs Ribeiro
Fila do Pão
O cheiro dourado
passeia no ar,
quadro recém-pintado
por mãos invisíveis do dia.
O sol na vitrine
realça o vidro.
A fome brilha
entre o querer e o nada.
Na fila, cores e vidas:
olhos de café,
bocas de goiaba,
mãos de trigo,
sonhos de açúcar
e muito suor.
Eu,
entre paciências e risadas,
espero.
O pão ainda não veio,
mas o vazio
já pediu a senha.
Fecho os olhos,
pinto na mente o teu rosto.
Mordo tua ausência
antes mesmo do pão,
antes mesmo de saber
se haverá café
para me consolar.
Crs Ribeiro
#Desafio 047
Leve
Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.
O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).
Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.
Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.
Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.
Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.
Crs Ribeiro.
Leve
Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.
O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).
Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.
Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.
Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.
Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.
Crs Ribeiro.
#Desafio 046
Rosa Fora do Tom
no meio das vermelhas
uma amarela
tão só
tão sem jeito
tão errada? Destoada?
Ventava pra ser vista
chovia pra crescer
abria o peito ao sol
mas ninguém a escolhia.
Até que um olhar
sem pressa,
sem lógica,
a acolheu:
“nem ouro, nem prata
nem rosa qualquer:
para um amor assim raro
uma flor que também o é.”
E a rosa entendeu:
não é falta ser diferente.
Ser única
é o jeito mais bonito
de ser.
Crs Ribeiro
Rosa Fora do Tom
no meio das vermelhas
uma amarela
tão só
tão sem jeito
tão errada? Destoada?
Ventava pra ser vista
chovia pra crescer
abria o peito ao sol
mas ninguém a escolhia.
Até que um olhar
sem pressa,
sem lógica,
a acolheu:
“nem ouro, nem prata
nem rosa qualquer:
para um amor assim raro
uma flor que também o é.”
E a rosa entendeu:
não é falta ser diferente.
Ser única
é o jeito mais bonito
de ser.
Crs Ribeiro
#Desafio 45
Meu Gozo
Começa no teu olhar:
lâmina afiada
rasga-me devagar
saboreando a própria fome.
Tua língua
lufada quente
desfolha minha pele
toma, exige,
não pede licença.
Árvore em cio
explora cada fresta
disseca segredos
saliva minha boca
até que eu me renda.
Teus dedos
raízes rebeldes
escavam, invadem
com a precisão de quem vive o vício
o tormento de ser o toque.
Fazem de mim terra úmida
fértil ao plantio.
Desidrato
fraquejo, cambaleio.
Arrancas-me do chão
desapareces entre minhas coxas
desfazes-me
gota a gota.
Bebo-te
deixo me beber.
Levantas o rosto
olhar de predador
bicho que não se satisfaz.
Lábios úmidos
marcados de mim.
Puxo-te de volta
sugo, mordo.
Sinto meu gosto em tua boca
tua marca de posse
tatuagem que arde na língua.
Quero ver-te derramar,
meu nome escapando rouco
de tua garganta
quantas vezes couber em nós.
E, em cada espasmo teu,
reinvento o prazer e o castigo
porque sabes:
não há redenção
sem pecado.
Crs Ribeiro
Meu Gozo
Começa no teu olhar:
lâmina afiada
rasga-me devagar
saboreando a própria fome.
Tua língua
lufada quente
desfolha minha pele
toma, exige,
não pede licença.
Árvore em cio
explora cada fresta
disseca segredos
saliva minha boca
até que eu me renda.
Teus dedos
raízes rebeldes
escavam, invadem
com a precisão de quem vive o vício
o tormento de ser o toque.
Fazem de mim terra úmida
fértil ao plantio.
Desidrato
fraquejo, cambaleio.
Arrancas-me do chão
desapareces entre minhas coxas
desfazes-me
gota a gota.
Bebo-te
deixo me beber.
Levantas o rosto
olhar de predador
bicho que não se satisfaz.
Lábios úmidos
marcados de mim.
Puxo-te de volta
sugo, mordo.
Sinto meu gosto em tua boca
tua marca de posse
tatuagem que arde na língua.
Quero ver-te derramar,
meu nome escapando rouco
de tua garganta
quantas vezes couber em nós.
E, em cada espasmo teu,
reinvento o prazer e o castigo
porque sabes:
não há redenção
sem pecado.
Crs Ribeiro
É belo, é sensível, é elegante…
É ele: @literunico.
Declamação: setembro de 2024
É ele: @literunico.
Declamação: setembro de 2024
Há uma tempestade, sempre há
sem trovões que avisem
sem relâmpagos que expliquem
só um vento varrendo tudo
tenta levar até a esperança, astuta.
No peito é como se o ar
tivesse desistido de mim
talvez fosse melhor assim
O tempo, esse traidor
se arrasta lento
faz de cada segundo um espinho.
Eu me encolho
tento caber no espaço mínimo
onde a dor não me alcance
mas ela sempre acha um jeito.
Ainda assim,
há algo que insiste, resiste, tenta.
Uma fagulha tímida
que não sabe ser chama
mas também não sabe morrer.
Talvez amanhã
o vento mude
Talvez amanhã
eu consiga respirar direito.
Ou não, todo dia espero
esse amanhã que não chega.
Só me resta esperançar,
como diz um amigo.
sem trovões que avisem
sem relâmpagos que expliquem
só um vento varrendo tudo
tenta levar até a esperança, astuta.
No peito é como se o ar
tivesse desistido de mim
talvez fosse melhor assim
O tempo, esse traidor
se arrasta lento
faz de cada segundo um espinho.
Eu me encolho
tento caber no espaço mínimo
onde a dor não me alcance
mas ela sempre acha um jeito.
Ainda assim,
há algo que insiste, resiste, tenta.
Uma fagulha tímida
que não sabe ser chama
mas também não sabe morrer.
Talvez amanhã
o vento mude
Talvez amanhã
eu consiga respirar direito.
Ou não, todo dia espero
esse amanhã que não chega.
Só me resta esperançar,
como diz um amigo.
#desafio 44/365
Dependente
Se eu te procuro
E me entrego,
Além daquilo que recebo
Se eu imploro,
Se eu choro,
Me humilho e nem percebo
Peço que me deixes,
Mas não me julgues.
Não me entenda mal assim
Estou fazendo tudo o que posso
Para te apagar
De mim.
Jusley Naiane
Dependente
Se eu te procuro
E me entrego,
Além daquilo que recebo
Se eu imploro,
Se eu choro,
Me humilho e nem percebo
Peço que me deixes,
Mas não me julgues.
Não me entenda mal assim
Estou fazendo tudo o que posso
Para te apagar
De mim.
Jusley Naiane
#Desafio 044
Dias de Aquarela
Dias azuis e olhos oceano
sol amarelo
dourando os meus planos
fiando o tempo na pele da luz.
Lábios vermelhos
pincel de fogo
Faber Castell aos saltos
rabisca o instante que virá
pincela arco-íris no ar.
De mansinho
te imagino ninho:
céu aberto
alma nua
voo alto
sabor de vento e sal.
Pés na areia,
morada no mar.
Colho você nas mãos:
um pedaço de céu.
Mas céu se prende?
Céu se tem?
Antes que se perca
antes que me perca
entre os teus dedos,
na falta de um chão que nos segure.
Crs Ribeiro
Dias de Aquarela
Dias azuis e olhos oceano
sol amarelo
dourando os meus planos
fiando o tempo na pele da luz.
Lábios vermelhos
pincel de fogo
Faber Castell aos saltos
rabisca o instante que virá
pincela arco-íris no ar.
De mansinho
te imagino ninho:
céu aberto
alma nua
voo alto
sabor de vento e sal.
Pés na areia,
morada no mar.
Colho você nas mãos:
um pedaço de céu.
Mas céu se prende?
Céu se tem?
Antes que se perca
antes que me perca
entre os teus dedos,
na falta de um chão que nos segure.
Crs Ribeiro