#Desafio 128
Coração Desalojado
Meu peito:
um quarto vazio.
Vivo
por teimosia.
É certo:
aqui não mora mais
coração.
Músculo ingrato.
De tanto pulsar por outro,
abandonou-me.
Sem mais.
Sem bilhete.
Sem cerimônia.
Sem olhar para trás.
Mudou de corpo
como quem muda de estação:
satisfeito.
Morando no leito
de quem tanto desejou.
Fiquei eco.
Ausência.
Poema.
Não julgo
a sua ousadia
(invejo).
Quisera eu,
todo dia,
domada por encantos
e alegrias miúdas,
descansar
onde mora a poesia.
Onde mora ele.
Onde repousa
e suspira
aquele que não soube
ficar.
Crs Ribeiro
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# Desafio 129
❤️❤️
Um olhar
me come,
uma boca
me despe:
lenta,
desarmada.
Um cheiro
enxerga
cada desejo
desatinado
que se abre
no leito
quando
me sinto
em teu peito:
frágil,
mas inteira.
Uma mão
me aspira,
uma língua
me ausculta;
uma voz
rouca
arranha
suspiros,
gemidos;
ferroa
prazer.
Só eu
e você.
Toda
noite,
a noite
toda.
Vais
querer?
Crs Ribeiro
❤️❤️
Um olhar
me come,
uma boca
me despe:
lenta,
desarmada.
Um cheiro
enxerga
cada desejo
desatinado
que se abre
no leito
quando
me sinto
em teu peito:
frágil,
mas inteira.
Uma mão
me aspira,
uma língua
me ausculta;
uma voz
rouca
arranha
suspiros,
gemidos;
ferroa
prazer.
Só eu
e você.
Toda
noite,
a noite
toda.
Vais
querer?
Crs Ribeiro
#Desafio 125
Te encontro
no espaço
entre versos perdidos:
pausa precisa,
vírgula
depois do suspiro.
Sem rima,
ainda assim
melodia.
Teu som
me atravessa
antes da tua pele.
Tua boca
é vanguarda.
É linguagem.
Tece fonemas na minha carne,
sem consoantes,
com o sal do desejo.
Tu és verso solto
em corpo de homem.
Devasso no detalhe,
terno
por perversão.
Sou tua página arrancada.
Metáfora suada.
Rastro
de palavra entreaberta.
Te ler
é ir embora de mim.
Te ouvir
é retorno
com febre.
Escreve em mim, poeta:
com tua letra indecente,
tua fome antiga,
tua culpa
de quem goza doído.
Serei teu pergaminho.
Mas aviso:
textos eternos
também queimam
se a mão versa demais.
Sob o risco de nos consumir,
te peço:
fica.
Até teu cheiro,
tua escrita,
grudarem
na curva
da minha nuca.
Crs Ribeiro
Te encontro
no espaço
entre versos perdidos:
pausa precisa,
vírgula
depois do suspiro.
Sem rima,
ainda assim
melodia.
Teu som
me atravessa
antes da tua pele.
Tua boca
é vanguarda.
É linguagem.
Tece fonemas na minha carne,
sem consoantes,
com o sal do desejo.
Tu és verso solto
em corpo de homem.
Devasso no detalhe,
terno
por perversão.
Sou tua página arrancada.
Metáfora suada.
Rastro
de palavra entreaberta.
Te ler
é ir embora de mim.
Te ouvir
é retorno
com febre.
Escreve em mim, poeta:
com tua letra indecente,
tua fome antiga,
tua culpa
de quem goza doído.
Serei teu pergaminho.
Mas aviso:
textos eternos
também queimam
se a mão versa demais.
Sob o risco de nos consumir,
te peço:
fica.
Até teu cheiro,
tua escrita,
grudarem
na curva
da minha nuca.
Crs Ribeiro
#Desafio 124
Pelos Teus Pelos
Vai chegar o dia
em que o desejo,
inflamado no peito,
se sufoque no leito
em gemidos.
Mais de nós.
Ah!
Vai chegar com pressa…
E o corpo,
farto de se prometer,
vai gozar
a paz quente
da pele encostada.
O amor
ensandecido,
entre tantos gemidos,
sorrirá aliviado.
Sim.
Simples.
Suado.
Sem dor.
Sem palavras.
Serei só
calmaria:
saudade
exorcizada,
nos teus pelos
enraizada.
Não sou mais eu,
sou você.
De carne
e alma,
cama
e calma.
Em mim,
enfim,
o todo.
Crs Ribeiro
Pelos Teus Pelos
Vai chegar o dia
em que o desejo,
inflamado no peito,
se sufoque no leito
em gemidos.
Mais de nós.
Ah!
Vai chegar com pressa…
E o corpo,
farto de se prometer,
vai gozar
a paz quente
da pele encostada.
O amor
ensandecido,
entre tantos gemidos,
sorrirá aliviado.
Sim.
Simples.
Suado.
Sem dor.
Sem palavras.
Serei só
calmaria:
saudade
exorcizada,
nos teus pelos
enraizada.
Não sou mais eu,
sou você.
De carne
e alma,
cama
e calma.
Em mim,
enfim,
o todo.
Crs Ribeiro
#Desafio 123
Jaz
Já é jaz,
mas
jaz com pulso.
finge-luto,
veste-susto,
dribla-cruz,
engana-lápide.
viva no escuro:
olhos de farol quebrado,
unhas sujas de amanhã,
veias batucando segredo
que ninguém traduz.
cuspe de relâmpago.
o fígado,
em braile,
escreve epitáfios
de bocas
que o grito
perdeu.
o verbo na carne
acende cigarro
em vela gasta,
risca poema erótico
nas pétalas mortas
da flor de plástico
que adorna
a coroa.
jaz que não jaz;
é pausa.
descanso com dentes.
um coração
mastigando reza,
um útero
cuspindo silêncio
em brasa.
tem jaz
que não deita.
tem jaz
que range.
que rosna.
que morde
com a lembrança
presa na garganta,
com cicatriz
feita a ferro
nas paredes
da costela.
e sangra.
Crs Ribeiro
Jaz
Já é jaz,
mas
jaz com pulso.
finge-luto,
veste-susto,
dribla-cruz,
engana-lápide.
viva no escuro:
olhos de farol quebrado,
unhas sujas de amanhã,
veias batucando segredo
que ninguém traduz.
cuspe de relâmpago.
o fígado,
em braile,
escreve epitáfios
de bocas
que o grito
perdeu.
o verbo na carne
acende cigarro
em vela gasta,
risca poema erótico
nas pétalas mortas
da flor de plástico
que adorna
a coroa.
jaz que não jaz;
é pausa.
descanso com dentes.
um coração
mastigando reza,
um útero
cuspindo silêncio
em brasa.
tem jaz
que não deita.
tem jaz
que range.
que rosna.
que morde
com a lembrança
presa na garganta,
com cicatriz
feita a ferro
nas paredes
da costela.
e sangra.
Crs Ribeiro
#Desafio 122
Se acaso me perco,
é no teu corpo que me acho.
Cada investida
(ousadia sagrada)
acende a fome do inacabado.
Tuas carícias dissolvem
medos e abismos.
Nos teus beijos:
duas mentes febris,
em fusão, em simbiose.
Tuas mãos
(altar do meu culto)
guiam as minhas
ao teu sexo:
impávido,
teso,
cobiça de todos os meus lábios.
Dançamos
(saliva e suspiros)
num compasso suado de delírio.
Gozo concupiscente
de amor real.
Mas há ternura no torpor,
e verdade em cada gemido.
Sem regras. Sem grades.
Carnal. Espiritual.
Um êxtase que liberta
ao invés de prender.
Crs Ribeiro
***Revisado
Se acaso me perco,
é no teu corpo que me acho.
Cada investida
(ousadia sagrada)
acende a fome do inacabado.
Tuas carícias dissolvem
medos e abismos.
Nos teus beijos:
duas mentes febris,
em fusão, em simbiose.
Tuas mãos
(altar do meu culto)
guiam as minhas
ao teu sexo:
impávido,
teso,
cobiça de todos os meus lábios.
Dançamos
(saliva e suspiros)
num compasso suado de delírio.
Gozo concupiscente
de amor real.
Mas há ternura no torpor,
e verdade em cada gemido.
Sem regras. Sem grades.
Carnal. Espiritual.
Um êxtase que liberta
ao invés de prender.
Crs Ribeiro
***Revisado
#Desafio 121
Amor Âncora
Me ataste sem nó.
Ainda assim,
fiquei.
Não por prisão;
por ternura.
Não por querer,
mas por medo
de não saber voltar.
Presa para não sumir.
Presa demais para seguir.
Meu casco rangia distância.
Sonhava correntes selvagens,
ventos com nomes
que não eram o teu.
Há chamados
que não se negam.
Não fugi de ti.
Só precisei
voltar para mim.
Sou mar que ama o cais,
mas não pertence.
Feita de travessias,
trago a alma
em estado líquido.
Livre por urgência,
sou voo que se lança
mesmo sem céu.
Há quem nasça farol,
eu nasci tempestade.
E ainda permaneço.
Com âncora no peito
e a bússola apontando
para o norte
que arde em mim
feito estrela
que nunca dorme.
Crs Ribeiro
Amor Âncora
Me ataste sem nó.
Ainda assim,
fiquei.
Não por prisão;
por ternura.
Não por querer,
mas por medo
de não saber voltar.
Presa para não sumir.
Presa demais para seguir.
Meu casco rangia distância.
Sonhava correntes selvagens,
ventos com nomes
que não eram o teu.
Há chamados
que não se negam.
Não fugi de ti.
Só precisei
voltar para mim.
Sou mar que ama o cais,
mas não pertence.
Feita de travessias,
trago a alma
em estado líquido.
Livre por urgência,
sou voo que se lança
mesmo sem céu.
Há quem nasça farol,
eu nasci tempestade.
E ainda permaneço.
Com âncora no peito
e a bússola apontando
para o norte
que arde em mim
feito estrela
que nunca dorme.
Crs Ribeiro
#Desafio 119
Cinco Marias
Pedrinhas dançam no ar,
pequenas luas de quintal.
Saquinhos cheios de lembrar,
soprando infância no final.
Maria no vento lançada.
Maria no susto,
encantada.
Maria que escapa ligeira.
Maria que some na beira:
do vão,
da rua,
da vida inteira.
Tocar
sem deixar cair.
Apanhar
sem hesitar.
Cair,
sem doer demais:
é o que se aprende no ar
sem ninguém
nunca ensinar.
O chão vira céu
(por um triz).
A mão vira sopro
feliz.
O olho
espera,
feito janela
de primavera.
É dança.
É jogo.
É risco.
É sonho
num traço arisco.
Cinco pedras…
e o tempo
brincando no contratempo,
jogando
de ser poesia.
E se a pedra
despenca,
não é perda,
é sentença
do chão
sussurrando baixinho:
“Menina,
recomeça o caminho.
A vida é jogo,
é errar
com carinho.”
Porque,
para ser inteira,
de fato,
tem que perder
um pedaço.
Deixar ir…
sem alarde.
Fruta da vez
(tão madura)
que cai
quando
já é tarde.
Crs Ribeiro
Cinco Marias
Pedrinhas dançam no ar,
pequenas luas de quintal.
Saquinhos cheios de lembrar,
soprando infância no final.
Maria no vento lançada.
Maria no susto,
encantada.
Maria que escapa ligeira.
Maria que some na beira:
do vão,
da rua,
da vida inteira.
Tocar
sem deixar cair.
Apanhar
sem hesitar.
Cair,
sem doer demais:
é o que se aprende no ar
sem ninguém
nunca ensinar.
O chão vira céu
(por um triz).
A mão vira sopro
feliz.
O olho
espera,
feito janela
de primavera.
É dança.
É jogo.
É risco.
É sonho
num traço arisco.
Cinco pedras…
e o tempo
brincando no contratempo,
jogando
de ser poesia.
E se a pedra
despenca,
não é perda,
é sentença
do chão
sussurrando baixinho:
“Menina,
recomeça o caminho.
A vida é jogo,
é errar
com carinho.”
Porque,
para ser inteira,
de fato,
tem que perder
um pedaço.
Deixar ir…
sem alarde.
Fruta da vez
(tão madura)
que cai
quando
já é tarde.
Crs Ribeiro
#Desafio 120
Para “Quartar” com gosto de:
# ☯️輦
Benzem,
tocam,
pecam;
acalmam.
Mãos que inflamam,
que tremem
ao limite da febre.
Tua carícia,
meu elixir:
o sopro
que me arranca do vazio.
Mãos que deslizam,
exploram,
prendem
atadas
na urgência do instante.
Atrevidas,
invasivas,
digitais
que decifram,
mapeiam;
se perdem
e encontram
o prazer.
Meu toque,
teu toque:
um desabrochar lento,
um mergulho
sem volta
no gozo.
Um querer
sem fim.
Um querer
só meu.
Selvagem.
Sem controle.
Ai de mim!
Entregue,
à mercê
da palma
da tua mão.
“Ais” de nós!
Que deixam eco,
deixam silêncio
e o vão imenso
das ausências…
Crs Ribeiro
Para “Quartar” com gosto de:
# ☯️輦
Benzem,
tocam,
pecam;
acalmam.
Mãos que inflamam,
que tremem
ao limite da febre.
Tua carícia,
meu elixir:
o sopro
que me arranca do vazio.
Mãos que deslizam,
exploram,
prendem
atadas
na urgência do instante.
Atrevidas,
invasivas,
digitais
que decifram,
mapeiam;
se perdem
e encontram
o prazer.
Meu toque,
teu toque:
um desabrochar lento,
um mergulho
sem volta
no gozo.
Um querer
sem fim.
Um querer
só meu.
Selvagem.
Sem controle.
Ai de mim!
Entregue,
à mercê
da palma
da tua mão.
“Ais” de nós!
Que deixam eco,
deixam silêncio
e o vão imenso
das ausências…
Crs Ribeiro
#Desafio 118
Solstício dos Corpos
■ ■ ■ ■ ■
Em meio às noites profundas
de crepúsculo infinito:
uma ausência doída,
um colo que se oferece.
Picos de luz rompem o frio,
rasgam a sombra estendida;
fim do solstício sofrido,
do inverno sem sentido.
No entrelaçar dos opostos,
a tênue linha do equilíbrio:
luminosidade harmônica
em polos que se convergem,
vivendo estações de um amor
que não se cansa de ser.
Dois meses. Três. Seis.
O verão anunciado se aproxima,
trazendo em si o calor
de um desejo indomável:
a transição definitiva,
o realinhamento dos corpos
no espaço-tempo comum
onde explode o sentimento.
Par de almas destinadas,
em urgência aflita,
caem de joelhos
sem rogar perdão.
Clamam por comunhão.
Crs Ribeiro
Solstício dos Corpos
■ ■ ■ ■ ■
Em meio às noites profundas
de crepúsculo infinito:
uma ausência doída,
um colo que se oferece.
Picos de luz rompem o frio,
rasgam a sombra estendida;
fim do solstício sofrido,
do inverno sem sentido.
No entrelaçar dos opostos,
a tênue linha do equilíbrio:
luminosidade harmônica
em polos que se convergem,
vivendo estações de um amor
que não se cansa de ser.
Dois meses. Três. Seis.
O verão anunciado se aproxima,
trazendo em si o calor
de um desejo indomável:
a transição definitiva,
o realinhamento dos corpos
no espaço-tempo comum
onde explode o sentimento.
Par de almas destinadas,
em urgência aflita,
caem de joelhos
sem rogar perdão.
Clamam por comunhão.
Crs Ribeiro