A solidão Que é sentir-se Em pedaços. Sem mãos Para juntar, Seus caminhos. E carregá-los, Em seus braços, É pesado... E não aguento mais. Longa vida, A quem? Não enxergo mais... Em quem ecôo? Vozes mudas, Alma desnuda, No inverno, Que nunca acaba. Cansei de segurar, Meu mundo em mim. Cansei de dar passos, Em vidros quebrados, Pelo chão. Não quero mais, Ter que me espelhar, Para ser amada. Ter que me calar, Para ser desejada. Ter que me adequar, Ser cordata. Só quero desistir, Mas nem para desistir, Tenho voz.
Vê, a alma que cresce e habita o outro. É igual a tua, em papéis marcados, Engavetados, milimétricamente moldados. Que quando se implodem, Procuram logo, os culpados. Por não seguirem esses papéis marcados, surrados, Com lágrimas e sangue jorrado, Em benefício do mercado. Fábricas de filhos, vivos ou alados. Até quando serás taxado? Até quando seus olhos, Permanecerão vendados? Límpidos olhos de criança, Sujos com lágrimas das matança, De velhos poderosos, Que com uma bomba, Roubam-lhes a vida, os sonhos e seu breve existir. Que destroem, e riem, plantando a pobreza no mundo, Para apenas poucos(eles) usufruir. E aqueles, de grilhões nas mãos, Que defendem esses poucos, Também carregam o mar de sangue, Dispostos a morrer, fãs De quem quer mesmo lhes tirar a vida, Em troca de tudo e de todo poder.
Fios soltos Cabelos ao vento O zéfiro que brinca Sementes do tempo Do tempo Que vê chover Do tempo que vê nascer Dente de leão E suas flores Amarelo madurecer Enquanto passa O firmamento Em infinitos E compassados Tempos Tempo de ver a vida Germinar Levada pela brisa Um sopro a todo momento Dente de leão E seus lindos fios Livres em Fluxos de pensamentos.
Quero deslizar na tua boca Minha língua sedenta. Descobrir no teu gosto A magia do gozo. Do cheiro do teu falo Tomar meu prazer Engolir, ceder Devolver a ti, Vê-lo estremecer. Quero encaixar entre suas pernas Me penetrar, te envolver Até que suor nos embriague Numa nuvem vaporosa de desejos. Meus seios em tuas mãos Meus beijos culminando a invasão Dois corpos em um Almas em tesão.
Arde, pulsa, Teu cerne em minha carne, Esmiúça, o forno. Ascendente, crescente. Impulsa, entre minha coxas, Úmidas. A labareda, que alimenta, Desde o início do dia. E crepitando, escapa entre Os lábios, Os da boca e os do sexo. Latejam, anseiam, Teu falo. Ébria de desejo, Dispo, todas as coisas, Que me tornam Aparte, de ti. E fluo, deliciosamente Meus pensamentos, Cativos do teu gozo, Que acompanha o meu. Meu sexo banha o teu.
Eu que me via gota, De repente desaguei em mar. Me desfiz entre ondas, Só pra te encontrar. Fiz de pedras, pó, Dancei entre seres, a nadar. Cansei, chorei, Me represei em lagos, Tentando em ti chegar. Corri, feito louca, Quebrei-me inteira, Em pedras de corredeiras. Seguindo o coração faceira, Borbulhei a brotar. Nascente novamente, Transbordei, Em teus braços, Me encontrando, Em nossas águas, Enfim, em ti, me libertar.
Tira-se a cortina O espetáculo se avizinha. Ela, que toda tímida, acuada , amarrada, se obrigava a ser cordata, agora se agiganta , brilha! No palco, ela encanta, mostra a que veio, Seus sapatos dourados, vestem os passos acertados, antes incertos, mas agora, completamente embasados. Embasados na sua inteligência e na sua interpretação de mundo. Ela é grande, já extravasou suas viseiras. Viva, repleta, ela não é metade, como a fizeram acreditar . Essa moça, é inteira!
Tua língua brinca Por entre meus pensamentos Tuas mãos sondam Por entre minhas páginas Abrindo espaço pelos arrepios Suspiros e tensões Me lê inteira, Por entrelinhas Me dá prazer Na sua escrita E sente a pele Contrasta a minha. Baixando ao chão Minha calcinha. Morde minha roupa, rasga Fico rouca. E de joelhos Fico indecisa Entre sua poesia E sua espada. Na dúvida Coloco na boca Sentindo na língua Se entoo poemas Ou gozo faminta.
Você está convidado para uma travessia poética por entre fios que entrelaçam sonhos, sentimentos e palavras! Cada poema deste livro é um universo por si só, um fragmento de alma tecido com cuidado, onde a poesia se faz ponte entre o íntimo e o imenso. Este coletivo de autores se uniu para compartilhar versos que falam de amor, dor, esperança e humanidade — um convite à reflexão e ao encantamento. Será uma noite para se emocionar, ouvir poesia ao vivo, conhecer os autores e brindar à literatura que nos une. Traga seu coração aberto e venha fazer parte deste momento inesquecível. Imensidões por um Fio – Antologia Poética Data: 14/06 Local: Rua Domingos de Morais, 439 SP - São Paulo ⏰ Horário: A partir das 17h