#Desafio 123
Jaz
Já é jaz,
mas
jaz com pulso.
finge-luto,
veste-susto,
dribla-cruz,
engana-lápide.
viva no escuro:
olhos de farol quebrado,
unhas sujas de amanhã,
veias batucando segredo
que ninguém traduz.
cuspe de relâmpago.
o fígado,
em braile,
escreve epitáfios
de bocas
que o grito
perdeu.
o verbo na carne
acende cigarro
em vela gasta,
risca poema erótico
nas pétalas mortas
da flor de plástico
que adorna
a coroa.
jaz que não jaz;
é pausa.
descanso com dentes.
um coração
mastigando reza,
um útero
cuspindo silêncio
em brasa.
tem jaz
que não deita.
tem jaz
que range.
que rosna.
que morde
com a lembrança
presa na garganta,
com cicatriz
feita a ferro
nas paredes
da costela.
e sangra.
Crs Ribeiro
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*Palavras cruzadas*
Tenho palavras cruzadas
borbulhando dentro da boca,
descendo pela garganta,
rodeando o meu umbigo
e se alastrando entre minha pena.
Aqueço um texto
em fogo alto…
Quase me queimo,
fervendo um poema.
Escrevo sorvendo o texto
na ponta da minha língua,
lambendo página por página,
salivando nas letras maiúsculas,
em pulsares dentro das rimas.
Alinho meu corpo num trecho,
montando forte no parágrafo.
Encaixo entre poemas e mexo,
subindo e descendo a caneta
num papel improvisado.
MarU
#
Tenho palavras cruzadas
borbulhando dentro da boca,
descendo pela garganta,
rodeando o meu umbigo
e se alastrando entre minha pena.
Aqueço um texto
em fogo alto…
Quase me queimo,
fervendo um poema.
Escrevo sorvendo o texto
na ponta da minha língua,
lambendo página por página,
salivando nas letras maiúsculas,
em pulsares dentro das rimas.
Alinho meu corpo num trecho,
montando forte no parágrafo.
Encaixo entre poemas e mexo,
subindo e descendo a caneta
num papel improvisado.
MarU
#
#Desafio 121
*Linhas abertas*
Escrevo
de alma nua,
completamente exposta,
desnuda de amarras,
sem borrachas,
desmunida de respostas,
aberta em linhas e rimas.
Escrevo
palavras honestas,
verdades floreadas
para se tornarem digestas.
Escrevo
o que a boca não fala,
o que a alma cala…
Escrevo
porque sinto,
até mesmo
o vazio do nada!
Escrevo
como quem se lê,
e, lendo a mim mesma,
sei que também
escrevo você.
Escrevo
tudo isso,
e sei
que não escrevi nada.
É ínfimo
o que tenho produzido.
Mesmo escrevendo bonito,
ainda tenho muito
que escrever…
Traduzindo
meu caminho
em letras,
fluindo no papel
o caminho
que a caneta
quiser escrever.
MarU
*Linhas abertas*
Escrevo
de alma nua,
completamente exposta,
desnuda de amarras,
sem borrachas,
desmunida de respostas,
aberta em linhas e rimas.
Escrevo
palavras honestas,
verdades floreadas
para se tornarem digestas.
Escrevo
o que a boca não fala,
o que a alma cala…
Escrevo
porque sinto,
até mesmo
o vazio do nada!
Escrevo
como quem se lê,
e, lendo a mim mesma,
sei que também
escrevo você.
Escrevo
tudo isso,
e sei
que não escrevi nada.
É ínfimo
o que tenho produzido.
Mesmo escrevendo bonito,
ainda tenho muito
que escrever…
Traduzindo
meu caminho
em letras,
fluindo no papel
o caminho
que a caneta
quiser escrever.
MarU
#Dia 321
Peregrinidade
É do passo, não do chão,
É da estrada que se desfaz.
Peregrinidade, contradição:
Raiz que brota no que jaz.
Não busca pátria, nem abrigo,
Mas o risco que deixa ao partir.
Fluxo do tempo em desabrigo,
Toda certeza de prosseguir.
Na bagagem, memórias líquidas,
Na alma, uma geografia viva.
Não pertence às moradas obtidas,
Seu destino é o movimento que cativa.
É quem crê na travessia,
Mesmo sem saber onde termina.
Peregrinidade é ponte da poesia
De quem viaja pra longe... na esquina.
Eder B. Jr.
#Neologismo
Peregrinidade
É do passo, não do chão,
É da estrada que se desfaz.
Peregrinidade, contradição:
Raiz que brota no que jaz.
Não busca pátria, nem abrigo,
Mas o risco que deixa ao partir.
Fluxo do tempo em desabrigo,
Toda certeza de prosseguir.
Na bagagem, memórias líquidas,
Na alma, uma geografia viva.
Não pertence às moradas obtidas,
Seu destino é o movimento que cativa.
É quem crê na travessia,
Mesmo sem saber onde termina.
Peregrinidade é ponte da poesia
De quem viaja pra longe... na esquina.
Eder B. Jr.
#Neologismo
Meu coração sangra
Sempre que te vejo dizendo
palavras que precisa ouvir;
as quais eu não consigo dizer,
pois sou tão quebrada quanto você.
Sinto medo de reviver
todas as dores que acumulo
debaixo do tapete.
Eu te olho e vejo um lembrete
de que a vida não é tão fácil,
não é como eu gostaria que fosse.
#desafio 365/124
Sempre que te vejo dizendo
palavras que precisa ouvir;
as quais eu não consigo dizer,
pois sou tão quebrada quanto você.
Sinto medo de reviver
todas as dores que acumulo
debaixo do tapete.
Eu te olho e vejo um lembrete
de que a vida não é tão fácil,
não é como eu gostaria que fosse.
#desafio 365/124
Esta semana
eu recebi as melhores notícias
esta semana
eu descobri que aprender a ser uma pessoa melhor vale a pena
esta semana
o afeto floriu em resposta a tudo que plantei
esta semana
eu não sou poeta
eu sou poesia
Edu Liguori
eu recebi as melhores notícias
esta semana
eu descobri que aprender a ser uma pessoa melhor vale a pena
esta semana
o afeto floriu em resposta a tudo que plantei
esta semana
eu não sou poeta
eu sou poesia
Edu Liguori
E quem disse que o #sexxxtou acaba!? Mas só vale ler devorando bem devagar cada... palavra.
Proibido,
Que palavra de gosto amargo
Um doce convite
Estar diante das portas do céu
Desejando intensamente
Ver as aréolas caindo
Imaginar buracos escondidos
Querendo entrar em todos eles
Alimentar a fama de bandido
Distribuir palmadas leves
Até receber pedidos de mais força
Convite a ser dos prazeres submisso
Proibido,
Paredes já não existem no ali contido
Rapto da realidade da carne
Imaginação segue longe
Precisa de um freio
Pra não ultrapassar a libido
Um jogo de poder delirante
A gritos que revelam o enlevo
De ser e estar embalado pra presente
Incêndio que arde
Evapora cada líquido
Recende os cheiros e acende cada sentido
O ápice surge,
Proibido dizer não
Ao pé do ouvido
Deliciosa prisão
Estar livre para devorar
Cada centímetro de pele compartido
Proibido,
Que palavra de gosto amargo
Um doce convite
Estar diante das portas do céu
Desejando intensamente
Ver as aréolas caindo
Imaginar buracos escondidos
Querendo entrar em todos eles
Alimentar a fama de bandido
Distribuir palmadas leves
Até receber pedidos de mais força
Convite a ser dos prazeres submisso
Proibido,
Paredes já não existem no ali contido
Rapto da realidade da carne
Imaginação segue longe
Precisa de um freio
Pra não ultrapassar a libido
Um jogo de poder delirante
A gritos que revelam o enlevo
De ser e estar embalado pra presente
Incêndio que arde
Evapora cada líquido
Recende os cheiros e acende cada sentido
O ápice surge,
Proibido dizer não
Ao pé do ouvido
Deliciosa prisão
Estar livre para devorar
Cada centímetro de pele compartido
#Desafio 111
*Liberdade*
Não verás
Mais o caos
Que há em mim.
(Vou escondê-lo,
mantê-lo preso.)
Vestirei
Uma máscara
De alegria
E guardarei,
Atrás dela,
A agonia.
Não terás,
Mais de mim,
Nenhum
Desassossego.
Praticarei
O desapego,
Como você,
A um tempo,
O tem feito.
Serei
A imagem oculta
Da causa
E efeito.
Sentirá raiva
De mim,
Ao me ver
Como você?
Ou sentirá dúvidas,
Por não saber
O que fazer?
Terá que escolher
Uma nova vítima,
Para testar
Seus métodos,
Já que,
A mim,
Não terás mais
O acesso.
Serei a miragem
Do seu manifesto,
A figura
Do seu fracasso,
Seu retrocesso…
Vou fingir
Que esqueci você,
Que não me aflige,
Nem me atinge…
Assim,
Quem sabe,
Eu me veja livre!
Quem sabe,
Fingindo,
Se corrige
Tudo aquilo
Que permiti
Deixar você
Me fazer!
Quem sabe,
De tanto fingir,
A mentira
Se torne
A verdade!
E, alforriada,
Eu enfim
Corra livre
Em liberdade.
MarU
*Liberdade*
Não verás
Mais o caos
Que há em mim.
(Vou escondê-lo,
mantê-lo preso.)
Vestirei
Uma máscara
De alegria
E guardarei,
Atrás dela,
A agonia.
Não terás,
Mais de mim,
Nenhum
Desassossego.
Praticarei
O desapego,
Como você,
A um tempo,
O tem feito.
Serei
A imagem oculta
Da causa
E efeito.
Sentirá raiva
De mim,
Ao me ver
Como você?
Ou sentirá dúvidas,
Por não saber
O que fazer?
Terá que escolher
Uma nova vítima,
Para testar
Seus métodos,
Já que,
A mim,
Não terás mais
O acesso.
Serei a miragem
Do seu manifesto,
A figura
Do seu fracasso,
Seu retrocesso…
Vou fingir
Que esqueci você,
Que não me aflige,
Nem me atinge…
Assim,
Quem sabe,
Eu me veja livre!
Quem sabe,
Fingindo,
Se corrige
Tudo aquilo
Que permiti
Deixar você
Me fazer!
Quem sabe,
De tanto fingir,
A mentira
Se torne
A verdade!
E, alforriada,
Eu enfim
Corra livre
Em liberdade.
MarU
Poema em homenagem ao nosso amigo @literunico, um verdadeiro pavimentador de caminhos e laços.
>> Seresta Maraviósa
Num faz um tempo,
Conheci um amigo de seresta
Proseemo e cantemo,
Até fizemo uns verso bom a beça
Mas como tudo que é bom
Dura pouco,
A vida chamou
E tivemo de correr às pressa
A amizade não se apagou,
Pelo contrário, mesmo longe só se alargou
E a admiração, coisa mútua
Mesmo na labuta, se fincou
E as raiz cresceu e cresceu
E num é que assim se sucedeu
E mais amigos se apercebeu
E foram chegando e chegando,
Até que viremo um bando
Um desajuste perfeito,
Eita som gostoso de afinado
Cada um compondo uma nota
Dessa seresta, mais que maraviósa
>> Seresta Maraviósa
Num faz um tempo,
Conheci um amigo de seresta
Proseemo e cantemo,
Até fizemo uns verso bom a beça
Mas como tudo que é bom
Dura pouco,
A vida chamou
E tivemo de correr às pressa
A amizade não se apagou,
Pelo contrário, mesmo longe só se alargou
E a admiração, coisa mútua
Mesmo na labuta, se fincou
E as raiz cresceu e cresceu
E num é que assim se sucedeu
E mais amigos se apercebeu
E foram chegando e chegando,
Até que viremo um bando
Um desajuste perfeito,
Eita som gostoso de afinado
Cada um compondo uma nota
Dessa seresta, mais que maraviósa