A Dona Morte estava cansada. Quantas vidas já havia levado durante toda a eternidade? Algumas tão fáceis, outras difíceis demais. Resolveu observar; entender o porquê disso.
E percebeu que a chave estava nos hábitos. As vidas sedentárias, com maus hábitos alimentares e vícios de todos os tipos eram as mais fáceis de tirar.
Então, para facilitar seu trabalho, começou a divulgar. Usando as redes sociais, postou vídeos viralizantes ensinando como viver "melhor".
Logo fechou um contrato milionário de "publi" com uma grande indústria de alimentos. Salgadinhos, bolachas recheadas, refrigerante. Tudo cheio de açúcar e sódio, do jeitinho que a Morte gosta.
Se dedicou tanto ao novo trabalho de influencer que esqueceu que, sem seu trabalho de levadora de vidas, nada faria sentido.
Todos começaram a segui-la, venerá-la. Comeram o que queriam, as academias fecharam, as drogas se tornaram tão populares quanto a Morte.
Depois de um tempo, os seguidores da Morte começaram a adoecer gravemente, mas sem a esperança de um fim que os tirasse daquela tortura.
Genial, Mari! Realmente, seria um martírio e ao mesmo tempo é viceral pensar nisso. Não somente os “bons” nunca morressem, mas os “maus” os enfermos terminais. Realmente, fico no dilema egoísta de querer a todos poupar vida, mas reconheço o papel da finitude no equilíbrio da vida. Maravilhosa! Adorei.
A voz que dizia: Desista!
Hoje uma voz veio até mim, e me disse: Desista!
E ela se repetiu, se repetiu e se repetiu, e eu, já casando da jordana, cometi o erro de ouvi-la
E olhei para mim mesmo e olhei para o meu entorno, e pensei, é talvez eu devesse!
E por um instante decidi acabar com tudo, mas minhas pernas decidiram outra coisa e meus braços preferiram criar do que desistir!
E quando vi, lá estava eu sentado em frente a tela pronto para escrever novo, a voz continuava insistindo e implorando: Desista!
Mas dessa vez não cometi o mesmo erro, dessa vez decidi escrever, até que ela se calasse
A brevidade do sopro
Que quebra na pele
Que deita os pêlos
E que aquece.
O fôlego, de vida
Que sopra ao falar
Que tem cheiro,
Paladar, num beijo.
E que marca
A existência
Que ao findar
Por um instante
Apaga a luz daquele olhar.
E que não percamos
O amar
Antes de tudo acabar.
Eliz Leão
Por Que Estudamos Acidentes?
Entender os acidentes vai muito além de contar o que aconteceu. Eles nos oferecem uma janela para compreender comportamentos sociais e culturais. Que lições você acha que podemos aprender com eles? Compartilhe nos comentários!
#Educação #Sociologia #ComportamentoHumano #Reflexão
É definitivo que amo tanto a ti
como amo a este que aqui escreve
e portanto de ti não mais preciso
a ver que só com a tinta sou feliz
pois amo o poeta que se fez em mim
é virtude permanente que nasceu
hoje sou teu e também sou meu
amanhã assim contente permanece
pois nada em mim um momento esquece
o que já se provou e já se viveu
se por ventura houver comunhão
teus caminhos cruzarem minha volta
não permitirá tristeza nem mata-borrão
apagar a construção deste amor sem fim
que ausente em corpo e tatuado em alma
sobreviveu calado por tantas horas
mas possa enfim iniciar outra história
se sou tão eu aqui a sonhar sorrindo
imagina-te unidos o que seria bem vindo
se vens cravos vermelhos no jardim
se ficas flores brancas de jasmim
não importa quem se importa
um poema é sempre assim
definitivo em sua declamada glória
no esplendor de um único amor
que se realiza em carne e gozo
ou em fantasias que constrói
felicidades amada
onde quer que você vá
por fim repito que te quero
sempre livre a escolher
entre cravos e jasmim
Edu Liguori
#desafio 365 dias
Dia 50 - Fale sobre um livro que você nunca leu, mas gostaria.
Que tipo de pergunta é esta? A minha lista de livros que nunca li, mas que gostaria de ler é muito maior do que a lista de lidos! Tem tantos de literatura, mas, ainda mais, de filosofia e de teoria.
Vou citar aqui "Corte de Espinhos e Rosas", de Sarah J. Maas, porque eu nunca li "romantasia" - o que é muito louco, porque tenho um livro inacabado bem dentro dessa gênero. Então fico sempre sentindo que estou em dívida de ler algo do tipo. Aceito outras sugestões de títulos relacionados!
#desafio 365 dias
Dia 49 - Fale sobre um livro que seja peça teatral.
Sabe um daqueles livros que você lê, esquece o nome das personagens e até mesmo a maior parte do enredo, mas, em contrapartida, NUNCA esquece? Então...
Li a peça "Uma Casa de Bonecas" de Henrik Ibsen em 2005 (último período da faculdade) e lembro-me muito bem do incômodo que me foi ler uma peça de 1879, porém que me parecia tão atual.
A peça é sobre como mulheres são excluídas da sociedade, às vezes com uma roupagem de cuidado e afeto.
Livro: Carta de um Defunto Rico
Autor: Lima Barreto
Lançamento: 1920
Neste conto satírico, Lima Barreto dá voz a um falecido milionário que escreve uma carta do além, refletindo sobre sua vida e os valores da sociedade. Com ironia e crítica mordaz, o autor aborda temas como a busca desenfreada por riqueza, a hipocrisia da elite e a efemeridade do poder material. A narrativa faz parte do estilo característico de Barreto, sempre questionando as desigualdades sociais e a falsa moralidade da época.
#domíniopúblico
#Clássicos
(Manhã)
- E aí cara, trouxe a parada?
- Tá aqui!
- Cara! Que legal! Isso é a coisa mais legal que eu já vi na minha vida!
- É mesmo. Não te falei que era maneiro?
- Hehe. Demais cara! Mas como que a gente vai fazer pra detonar ela?
- Acho que vou bater nela com uma pedra.
- Mas e se ela explodir e te machucar?
- Explode nada, a gente mira pro outro lado e tá tranquilo.
- Cê tem certeza?
- Claro! Cê tá com medo, cara?
- Não, claro que não! Só tô preocupado com você.
- Pode ficar tranquilo que não vai acontecer nada comigo.
- Beleza então. Vai lá!
- Porra! Essa merda não detona.
- Cê não deve tá batendo com bastante força.
- Então olha agora. Vou bater com toda a minha força.
- Ah! Cê tá muito fraquinho. Me dá essa pedra aqui!
- Ué! Cê não tava com medo?
- Já falei que não! Eu só tava preocupado.
- Então toma aqui! Quero ver se cê é mais forte que eu.
- Cê não tava batendo direito. Vou te mostrar como que eu tava falando pra bater.
- Vai lá, fortão!
- Vou mesmo!
- Ih! Alá! Não é de nada também! Tirou a maior onda e na hora H nada.
- Ah! Vai a merda!
- Como que a gente vai fazer pra essa porra atirar?
- Sei lá, caralho!
- Que que cê acha da gente pôr na linha e esperar o trem passar em cima?
- É! O trem tem mais força que essa sua mãozinha de boiola. Hahaha.
- E a sua?! Cê também não conseguiu, sua bichona. Hahaha.
- Vamo deixar de bobeira e vamo pro centro pôr essa merda na linha do trem logo!
- Beleza! Vamo lá!
- Agora não, vamo depois do almoço. Já tá quase na hora, senão minha mãe vai me encher o saco.
- Beleza! Vou almoçar também.
- Então a gente encontra depois do almoço na pracinha.
- Tranquilo. Falou!
- Falou!
(Tarde)
- E aí? Vamo lá?
- Porra! Cê demorou pra caralho! Já tem meia hora que eu tô aqui!
- É que depois do almoço tive que dar uma cagada.
- Hahahaha! Cagão!
- Cê não caga, não, porra!
- Tô zoando, cara! Cê pega pilha fácil, hein?!
- Bora pra lá então!
- Bora!
- É aqui ó! Melhor lugar pra pôr. O barulho do trem e a buzina não vai deixar ninguém ouvir.
- Vem cá pra trás do muro, mas despista pra ninguém perceber.
- Esse trem tá demorando muito. Será que hoje ele não passa?
- Passa sim. É que a gente tá nervoso, aí parece que demora mais.
- Mas eu não tô nervoso. Eu sou macho.
- Até parece.
- Sou mesmo! Mais macho que…
- Olha lá ele!
- Até que enfim!
- Não fica olhando. Faz de conta que a gente tá fazendo outra coisa.
- Não tô olhando.
- Tá sim! Cê tá dando na pinta pra caralho!
- Tá chegando!
- Vou ficar olhando pro outro lado.
- Eu não. Quero ver o que vai acontecer.
- Porra! Que barulhão! E aí, como foi? Deu pra ver?
…
- Responde cara! Levanta cara! CARAAAAAAAAAAAA!
Livro: A Nova Califórnia
Autor: Lima Barreto
Lançamento: 1910
A Nova Califórnia é um conto satírico de Lima Barreto, publicado originalmente em 1910. A história se passa em uma pacata cidade do interior, onde a tranquilidade dos moradores é abalada por um forasteiro misterioso que chega com uma proposta inusitada: transformar ossos humanos em ouro. O conto critica a ambição desmedida e a hipocrisia da sociedade, explorando com ironia a cobiça e o oportunismo das pessoas diante da possibilidade de riqueza fácil.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: Uma Lágrima de Mulher
Autor: Aluísio Azevedo
Lançamento: 1879
Uma Lágrima de Mulher é o romance de estreia de Aluísio Azevedo e se diferencia de suas obras posteriores por ter uma abordagem mais sentimental e romântica, em contraste com o naturalismo que marcaria sua carreira. A narrativa acompanha a trajetória de um jovem apaixonado que enfrenta desafios e desilusões amorosas, explorando temas como idealização do amor, sofrimento e sacrifício. A obra reflete influências do romantismo e revela o talento inicial do autor, que mais tarde se destacaria por suas críticas sociais mais incisivas.
#domíniopúblico
#Clássicos
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
50- Fale sobre um livro que você nunca leu, mas gostaria.
Li a versão adaptada infantojuvenil desse livro na adolescência e adorei. Depois, na faculdade, li alguns capítulos na disciplina de Leituras Orientadas quando me formei em Português e mais tarde outros capítulos quando me formei em Espanhol. Mas ler de cabo a rabo ainda está na minha lista (imensa e interminável).
#Link365TemasLivros
Livro: O Mulato
Autor: Aluísio Azevedo
Lançamento: 1881
O Mulato é considerado o primeiro romance naturalista do Brasil. A obra denuncia o racismo estrutural e os preconceitos da sociedade maranhense do século XIX por meio da história de Raimundo, um jovem mulato que retorna da Europa para São Luís e enfrenta discriminação e perseguição ao tentar viver um romance com Ana Rosa. Com uma crítica social contundente, Aluísio Azevedo expõe as injustiças e hipocrisias da época, consolidando-se como um dos principais nomes do naturalismo na literatura brasileira.
#domíniopúblico
#Clássicos
O que eu faço
Com esse laço
Que me ata à você?
Fico a mercê
Das suas mentiras
Presa em uma armadilha
Manipulada por palavras,
Chantagem psicológica.
Qual é a lógica
De adoecer alguém,
Que você diz
Querer tão bem?
#desafio 50/365
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
49- Fale sobre um livro que seja peça teatral.
Gosto bastante desse livro, principalmente na tradução de Millôr Fernandes. Ele mantém o humor de Shakespeare e uma linguagem próxima, porque na época o dramaturgo não era elitista como dão a entender as traduções atuais.
Dia desses recomendei a versão quadrinhos desse livro para um aluno que adorou.
#Link365TemasLivros
Livro: O Japão
Autor: Aluísio Azevedo
Lançamento: 1894
O Japão é um livro de memórias e impressões de viagem escrito por Aluísio Azevedo durante sua estadia no Japão como diplomata. Diferente de seus romances naturalistas, essa obra traz uma visão detalhada sobre a cultura, os costumes e a sociedade japonesa no final do século XIX. O autor descreve sua experiência com curiosidade e fascínio, oferecendo ao leitor um retrato vívido do Japão daquela época, misturando observações históricas, sociais e pessoais.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: O Homem
Autor: Aluísio Azevedo
Lançamento: 1887
O Homem é um romance naturalista de Aluísio Azevedo que aborda a influência do meio sobre o comportamento humano. A história acompanha um protagonista envolto em dilemas morais e sociais, explorando temas como instintos, desejo, hipocrisia e os impactos das convenções sociais. Com sua característica crítica à sociedade da época, o autor constrói uma narrativa intensa e reflexiva, reforçando os ideais do naturalismo ao mostrar personagens que lutam contra suas próprias naturezas e circunstâncias.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: O Esqueleto
Autor: Aluísio Azevedo
Lançamento: 1890
O Esqueleto é um romance que mistura elementos do realismo e do mistério, abordando temas como ciência, morte e obsessão. A trama acompanha um médico obcecado pelo estudo da anatomia humana e pela ideia de preservar um esqueleto perfeito. À medida que a história avança, o livro explora questões filosóficas sobre a vida e a morte, além de trazer uma crítica sutil à sociedade da época. Com uma narrativa envolvente e um tom sombrio, Aluísio Azevedo conduz o leitor por uma história intrigante e reflexiva.
#domíniopúblico
#Clássicos
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