A História de Sidi Brahim de Massat
A História de Sidi Brahim de Massat
Traduzido a partir da versão inglesa de René Basset e Chauncey C. Starkweather.
I
O taleb Sidi Brahim, filho de Amhammed, de Massat, na província de Sous, conta a seguinte história a respeito de si mesmo. Quando ainda era criança na casa de seu pai, foi à mesquita para estudar com um taleb. Estudou com ele durante doze anos e meio. Seu pai lhe dava pão e cuscuz, e ele consumia oito deniers por dia.
Farei conhecer o país de Massat. Ele contém dezessete povoados. No centro deles há um mercado. Os judeus têm refúgio na aldeia do chefe chamado Mobarek-ben-Mahomet. Este vive com um xeique chamado Brahim-Mahomet-Abon-Djemaa. Esses dois chefes cobram imposto dos judeus. Recebem deles quatro onças por família no começo de cada mês. Se a festa dos muçulmanos coincide com o sábado dos judeus, estes pagam a cada um dos chefes uma onça por judeu ou judia, menino ou menina, pequeno ou grande.
Estes são os detalhes da população de Massat. Ela inclui mil e setecentos homens. Quanto às mulheres, meninos e meninas, só o Senhor conhece seu número. Há mil duzentas e cinquenta casas. Os cavalos chegam a cento e oitenta. Montam-nos e também os fazem trabalhar como bois e mulas. Combatem, além disso, a cavalo.
O país possui árvores, vinhas, figueiras, cactos, tâmaras, laranjas, limões, maçãs, damascos, melões e oliveiras. Há um rio que corre dali para o mar. O comércio é considerável. Há judeus e muçulmanos. O número de livros na mesquita é desconhecido, a não ser por Deus. Numerosos são os mestres, assim como os peregrinos, os descendentes de Maomé e os santos. Que Deus nos auxilie com sua bênção.
Falaremos agora do tributo que o povo de Massat paga anualmente ao príncipe Mouley-Abd-Er-Rahman. Até nossos dias, durante cinquenta e um anos, tinham-lhe dado cinco mil libras de prata. O príncipe disse: "Deveis pagar mil libras a mais." Eles responderam: "Pelo Senhor, só vos daremos como antes: cinco mil libras, um escravo, um servo e um cavalo."
O kaid Abd-el-Cadik, califa do rei de Taroundant, apressou-se a enviar contra eles quarenta e cinco cavaleiros e lhes disse: "Deveis dar-me seis mil libras de prata, e mais um escravo, um servo e um cavalo." Eles recusaram e expulsaram a cavalaria, dizendo: "Voltai ao kaid que vos enviou contra nós e dizei-lhe que não aumentaremos nosso tributo como ele exige."
Os cavaleiros voltaram e chegaram a Taroundant. O kaid perguntou: "Dizei-me o que vos aconteceu com o povo de Massat." Responderam: "Eles leram na assembleia a carta que lhes enviastes e nos mandaram voltar, dizendo que não pagariam soma maior."
O kaid convocou um conselho e perguntou o que seria melhor fazer com o povo de Massat. Os xeiques dos Achtouks responderam: "Apresentai queixa ao sultão em Marrocos." Ele escreveu ao sultão, pedindo-lhe que enviasse um exército para destruir os rebeldes de Massat.
O sultão enviou uma força de três mil e quinhentos cavaleiros, aos quais deu por chefe Ettaib Eddin, que se reuniu a eles perto do khalifah do rei em Taroundant. Quando as tropas reais chegaram, na quarta noite, ele partiu e as conduziu ao taleb Mahomet dos Aggars, no meio do país dos Achtouks. O taleb lhe disse: "Voltai a Taroundant. Que vosso tenente vá com eles, e falaremos sobre isso." O kaid respondeu: "Muito bem."
Os chefes dos Achtouks montaram seus cavalos e conduziram o exército para o país de Hama, na montanha entre os Achtouks e Ida-Oultit. As tropas apressaram-se para o pé da montanha, perto do rio Alras, no país de Takourt. Os montanheses marcharam contra elas e combateram durante três dias, até que os homens santos e os xerifes chegaram e os acalmaram.
Os montanheses desceram em direção ao exército. O kaid os traiu. Prendeu quatorze de seus líderes e os enviou ao kaid em Taroundant. Este lhes cortou as cabeças e as pendurou no portão.
Quanto ao exército que estava acima do rio Alras, atacou o povo de Massat por causa do tributo exigido pelo kaid. Investiu com cavalaria e devastou o país. Os nativos o receberam com pólvora, e combateram por meio dia. Os nativos levaram vantagem na luta. O inimigo abandonou seus canhões. Os nativos os mataram até que as tropas do sultão recuassem. Capturaram setecentos cavalos. As tropas do sultão abandonaram a bagagem, exceto seis cofres de prata. Muitas armas se quebraram naquele dia, até que os invasores em fuga alcançaram o país dos Achtouks.
O povo de Massat tinha por aliados as tribos de Aglou e Tizpit, iguais a ele em número. Quanto aos canhões abandonados no dia da batalha, os vencedores levaram dois deles para seu país. Guardaram-nos até serem reembolsados das seis mil e quinhentas libras de prata que lhes haviam sido tomadas. Então devolveram os canhões. Tal é a história completa do que aconteceu entre a tribo de Massat, o khalifah do rei e as tribos vizinhas.
II
Informação sobre o país de Tazroualt. O taleb Sidi Brahim, filho de Mahomet, de Massat, em Sous, conta o seguinte. Partiu para a zaouiah de Tazroualt, para estudar ali durante sete meses com o taleb Sidi Mahomet Adjeli, uma das maiores luzes. O número de estudantes era setenta e quatro. Quarenta e dois estudavam a lei. Os outros liam o Corão.
Nenhum dos estudantes pagava por seu sustento. Este era fornecido pelo chefe do país, Hecham. Ele deu à zaouiah mencionada seis servos e seis escravos para cozinhar a comida dos estudantes. O número de aldeias desse país é nove. A kashlah de Hecham fica no centro do país. O bairro judeu está à esquerda. O mercado se realiza todos os dias à entrada do forte. Este é construído de pedra, cal e tábuas e vigas de pinho.
As riquezas abundam. Caravanas seguem dali para Timbuctu, o Sudão, o Saara e Agadir-Ndouma. Vão a esses países comprar marfim, penas de avestruz, escravos, ouro e prata. Se vai depressa, uma caravana consome um ano inteiro para visitar esses lugares. Os povos dos diversos países compram deles e dão em troca outras mercadorias, como linho, algodão, sedas, ferro, aço, incenso, corais, cravos, nardo, miudezas, cerâmica, vidro e tudo que vem, como dizem, do país dos cristãos.
Quando essas mercadorias enumeradas chegam, os comerciantes, judeus e muçulmanos, apresentam-se e as compram conforme as necessidades de seus negócios. Acrescentarei aqui, com mais detalhes, algumas palavras sobre Hecham. Ele tem doze filhos, todos cavaleiros, que possuem trinta e seis cavalos. Quanto a bois, ovelhas e camelos, só Deus poderia dizer o número. O número de esposas que Hecham tomou é quatro brancas e seis escravas negras. Seu único filho tem tantas esposas brancas quanto o pai, mas mais negras.
Os homens de Tizeroualt são mil e quatrocentos. Quanto às mulheres, meninos e meninas, só Deus conhece o número. Possuem duzentos cavalos, além dos de Hecham. Há setecentas e cinquenta casas; o número de livros na mesquita é cento e trinta, na língua chelha.
III
O xeique Sidi Hammad, filho de Mahomet Mouley Ben-Nacer, escreveu seu livro em amazir. Ele se intitula Kitab-amazir. Essa obra trata das obrigações e tradições relativas às coisas permitidas e proibidas.
IV
Há três mil e quinhentos homens no país de Aglou. Eles têm duas mil e duzentas casas e novecentos e sessenta cavalos. Esse distrito fica na costa do mar e possui um porto de pedra. Há barcas usadas na pesca.
Os habitantes viviam tranquilos quando, certo dia, ao saírem para pescar, chegou um navio ao largo. Fugiram com medo e o deixaram no mar. O navio esperou até a meia-noite. Então entrou no porto e içou uma bandeira vermelha. Permaneceu ancorado por quinze dias.
O povo de Aglou se reuniu dia e noite diante dele: grandes e pequenos, até os cavaleiros. Ninguém faltou. Os chefes da cidade escreveram cartas e as enviaram a todas as aldeias. Mandaram uma a Sidi Hecham nestes termos: "Vinde imediatamente. Os cristãos fizeram uma expedição contra nós e tomaram este porto."
Sidi Hecham enviou mensageiros a todas as províncias sobre as quais governava e disse em suas cartas: "Deveis acompanhar-me ao país de Aglou, pois os cristãos fizeram uma expedição contra nós." Todas as tribos vizinhas se reuniram para marchar contra os cristãos. Quando Sidi Hecham se juntou a elas, disse: "Deveis erguer uma bandeira vermelha como a deles."
Eles a ergueram. Quando foi vista pelos que estavam no navio, um marinheiro veio à terra num pequeno barco e aproximou-se dos muçulmanos reunidos. "Que ninguém insulte o cristão", disse Sidi Hecham, "até sabermos o propósito de seu desembarque."
Perguntaram-lhe: "Que quereis?" O cristão respondeu: "Queremos receber, em nome de Deus, garantias de segurança." Todos os presentes disseram: "Deus vos concede segurança entre nós."
O cristão continuou: "Meu objetivo é comerciar convosco." "Isso nos é inteiramente agradável", respondeu Hecham. Então Hecham perguntou ao cristão o que desejava comprar. "Óleo, manteiga, trigo, bois, ovelhas e galinhas", disse ele.
Quando os muçulmanos ouviram isso, reuniram trigo, óleo, bois e tudo que ele mencionara. Ele fez suas compras e foi bem abastecido. O mestre do navio disse então: "Nosso negócio terminou. Devemos voltar para casa. Mas retornaremos a vós."
Hecham respondeu: "O que fiz por vós não agrada ao povo de Aglou. Foi apenas por causa da garantia de segurança que pude contê-los. Dei-vos tudo que pedistes. Da próxima vez que vierdes, trazei-nos cinquenta canhões e dez obuses."
"Muito bem", respondeu o cristão, "voltarei nesta mesma época no próximo ano." "Fazei como prometeis", replicou Hecham, "e eu vos darei tudo que quiserdes no país dos muçulmanos."
V
Uma História Sobre o País de Ait-Bamouran
Chegou a esse país, no começo do ano, outro navio, que parou num lugar chamado Ifni, na tribo de Ait-Bamouran, e ali permaneceu três dias. Então um dos marinheiros entrou num pequeno barco, veio à terra e disse aos habitantes: "Comprarei de vós pão, carne e água."
Os muçulmanos lhe trouxeram pão, figos e água, dizendo: "Deveis enviar dois de vossos homens à terra enquanto vamos convosco a bordo do navio." "Está bem", respondeu o cristão. Foi buscar dois de seus homens, trouxe-os à terra e disse aos muçulmanos: "Deveis dar-me um de vossos homens."
Deram-lhe um refém para permanecer a bordo do navio cristão. Depois encheram um barco e subiram eles mesmos ao navio para entregar o que haviam vendido. Correram por todo o navio, olhando tudo. Então disseram: "Vinde conosco à fonte, e tiraremos água."
Os cristãos os acompanharam à fonte para encher os tonéis de água. Os outros nativos, em número de quinze, entraram num barco e foram ao navio. Com o grupo da água e os reféns em terra, havia apenas quatro cristãos no navio quando os muçulmanos subiram a bordo.
"Não subais a bordo até que nossos homens tenham voltado", disseram os cristãos. "Subiremos à força", foi a resposta, e o ataque começou. Um dos cristãos matou um nativo com uma arma. Então combateram até que os cristãos fossem vencidos. Dois cristãos foram mortos, e o restante capturado, levado à terra e aprisionado com os outros do grupo da água.
O navio foi vendido por cento e oitenta mithkals. Todos os cristãos foram vendidos e dispersos entre as tribos. A notícia disso espalhou-se até Taccourt. Os mercadores dali enviaram gente a Ait-Bamouran e compraram todos os cristãos por qualquer preço. Conseguiram sete. Três estavam desaparecidos: dois deles no país de Ait-bou-Bekr, com o chefe da tribo chamado Abd-Allah, filho de Bou-Bekr; o terceiro, um menino, estava com o xeique de Aglou.
Este disse: "Não venderei este, pois se tornou para mim tão querido quanto um filho." Depois, dirigindo-se ao jovem, disse: "Quero converter-te; sê muçulmano." O menino consentiu e abraçou o islamismo. No dia de sua abjuração, o xeique matou em sua honra um boi para uma festa e deu ao convertido o nome de Mahomet. Depois mandou dizer a toda a tribo: "Vinde à minha casa. Preparei um banquete."
Os muçulmanos vieram e se divertiram com seus cavalos e pólvora. O chefe lhes disse: "Dei um quarto de meus bens, um escravo e um servo a este jovem." Acrescentou: "Ele viverá com meu filho." Ambos ocuparam o mesmo quarto, e o senhor ensinou ao jovem convertido todo o Corão. Os muçulmanos chamaram-no Sidi Mahomet, filho de Ali. Sete cristãos foram resgatados e enviados de volta ao seu país.
VI
Informação sobre o país de Tiznit. Esse lugar é uma espécie de cidade cercada por todos os lados por uma muralha e com apenas dois portões. A água fica no centro, numa fonte. A fortaleza foi construída acima da fonte, no meio da cidade. É inteiramente feita de argamassa, pedra talhada, mármore e vigas, tudo vindo de países cristãos.
Foi residência do khalifah do rei no tempo de Mouley-Soliman. Quando esse príncipe morreu, o povo de Tiznit se revoltou, expulsou o tenente e fez um ataque combinado à cidadela, que destruiu por completo. Tomaram as pedras e vigas e construíram uma mesquita no local, perto da fonte de que falamos.
Mas quando Mouley-Abd-Er-Rahman subiu ao trono, enviou um califa a Tiznit. Deu-lhe trezentos cavaleiros. Quando o califa chegou perto da cidade, esperou três dias, e lhe deram comida e cevada. Ao fim desse tempo, fez uma proclamação convocando todo o povo. Quando vieram, leu-lhes o edito real e disse: "Devo entrar em vossa cidade para ocupar a fortaleza do rei."
Eles disseram: "Não. Voltai de onde viestes e dizei a vosso senhor: 'Não governareis sobre nós. Vossa fortaleza está totalmente destruída, e com o material construímos uma grande mesquita no meio de nossa cidade.'"
O príncipe Mouley-Abd-Er-Rahman enviou imediatamente contra eles seu filho Sidi-Mahomet, com o khalifah e seis mil cavaleiros. O povo de Tiznit foi informado da aproximação do exército sob o filho do sultão e de que a vanguarda estava perto.
Os soldados chegaram ao meio do país dos Achtouks e acamparam na cidade de Tebouhonaikt, perto do rio Alras. Havia uma jornada de marcha entre eles e Tiznit. Assustados, os habitantes enviaram deputados aos outros distritos, dizendo: "Vinde ajudar-nos, pois o filho do sultão chegou e nos ordenou construir-lhe um forte no prazo de um mês; caso contrário, cairá sobre nós, abrirá passagem e destruirá nossa cidade."
As tribos em torno de Tiznit se reuniram e marcharam contra o exército real. O filho do sultão permaneceu vinte e dois dias em Tebouhonaikt. Depois atravessou o rio Alras e marchou contra os rebeldes. Cercou Tiznit por todos os lados. Os habitantes fizeram uma sortida, travaram batalha e combateram até a estrela da manhã. Ao cair do dia, a batalha recomeçou. O exército real foi derrotado e expulso para além do rio Alras. O filho do sultão matou oito rebeldes e trinta e cinco cavalos, mas muitos de seus soldados caíram. Ele se retirou para Marrocos.
VII
Informação sobre o país de Taragoust. Trata-se de um distrito singular, situado perto da nascente do Ourd-Sous. Fica a cerca de um dia e meio de marcha de Taroundant. Quando um jovem atinge a maioridade, seu pai lhe compra uma arma e um sabre. O mercado fica no meio do país, mas nenhum homem vai até lá sem suas armas.
Os xeiques julgam cada pessoa no mercado durante quatro meses do ano, por turno e durante seu período de ofício. Decidem quem é culpado e exigem preço de sangue por aqueles que foram mortos no mercado. Um deles disse: "Nada darei. Encontrai o assassino. Ele vos dará o preço de sangue."
O xeique respondeu: "Prestai atenção. Dai-nos parte de vossos bens." "Nada vos darei", ele respondeu. Desse modo discutiram até começarem a lutar com armas de fogo. Cada um tentava roubar à noite os cavalos e bois do outro e matar o dono. Continuaram a agir assim uns contra os outros até que Ben-Nacer veio examinar as aldeias onde tantos crimes eram cometidos e restabeleceu a paz e a ordem.
VIII
Sobre armas de fogo e sabres. Todos foram trazidos à cidade de Adjadir no governo de Sidi Mahomet-ben-Abd-Alla. Introduziram armas de fogo, punhais, sabres, pólvora inglesa e tudo que se pode mencionar vindo do país dos cristãos.
Sidi Mahomet-ben-Abd-Allah enviou para lá seu khalifah, chamado Ettaleb Calih. Ele se ocupou, durante sua administração, em acumular grande fortuna. As armas importadas para as províncias eram chamadas mercadoria do taleb Calih. Esse oficial revoltou-se contra o sultão, não lhe enviou mais dinheiro e já não o consultava na administração dos negócios.
Quando o príncipe lhe ordenava fazer tal ou tal coisa com cristãos, muçulmanos ou outros, ele respondia: "Farei como me aprouver, pois todo o povo de Sous está sob minha mão. O resto deixo a vós."
O sultão enviou muito dinheiro a Sidi Mahomet-ben-Abd-Allah e ordenou-lhe marchar com tropas contra o rebelde. Este combateu contra o divã até ser capturado e posto em grilhões e correntes. Os partidários do imperador lhe disseram: "Capturamos vosso khalifah Ettaleb Calih e seus cúmplices."
O príncipe respondeu: "Fazei-lhe um gorro de ferro e uma camisa de ferro, e dai-lhe apenas um pão por dia." Numa carta que enviou, disse também: "Recolhei todos os bens que puderdes encontrar e deixai que os navios cristãos levem tudo para Taccourt, sem nada deixar."
Armas, sabres, pólvora, enxofre, linhos, algodões: tudo foi transportado. Durante o reinado de Sidi Mouley Soliman, ele construiu a cidade como ela existe hoje. Aumentou-a e disse aos cristãos: "Deveis trazer-me canhões, morteiros e pólvora, e eu vos darei em troca trigo, óleo, lã e o que desejardes."
Os cristãos responderam: "Com toda boa vontade, voltaremos com nossos produtos." Trouxeram-lhe canhões, morteiros e pólvora. Em troca, ele lhes forneceu tecidos de lã, trigo, óleo e tudo que desejaram.
Os ulemás o censuraram, dizendo: "Não estais cumprindo a lei ao dar aos cristãos trigo, óleo e tecidos de lã. Estais enfraquecendo os muçulmanos." Ele lhes respondeu: "Devemos sacrificar esses bens por dois ou três anos, até que os cristãos nos abasteçam de canhões, pólvora e assim por diante. Colocarei esses recursos nas cidades costeiras para repelir os infiéis quando chegarem."
IX
Mais palavras sobre armas de fogo. Elas só são fabricadas em três cidades do interior de Sous. Os operários são muito numerosos. Fazem também canos de armas, pistolas, fechos de espingarda e todas as coisas desse tipo. Quanto aos sabres e punhais, são feitos por armeiros árabes. Produzem pólvora em todas as províncias, mas apenas em pequenas quantidades.