Universo da obra
Universo da obra
Desde Eva, que num estremecimento de maravilhosa surpreza olhou para o seu primeiro filho acabado de nascer sobre urzes bravas, até a mulher que ainda hoje em' casas, palácios ou palhoças, dá com! a mesma dor mais um homem ao mundo c mais uma aálma á imortalidade, quantas têm morrido ou visto morrer os filhos recem-nascidos, por falta de carinho e de elucidação cuida
dosa! As civilizações seculares têm tornado a vida humana por tal modo útil, e por tal modo frágil, que ela exige cada vez mais O amparo e a observação da sciencia. Foi para isso que os homens de coração; e de patriotismo instituiram as casas de Maternidade, verdadeiros pórticos do tuturo, em cujo cimo deveriam resplandecer, ao inverso das palavras de Dante na porta do Inferno: Lasciate ogni speranza ó voi che ntrate, estas outras de mais sublime significação: «Trazei toda a esperanca, ó vós que entrais!» Na sociedade moderna, essa instituição desempenha dous papeis admiraveis: tratar ao mesmo tempo do físico e do mo
ral das mãis. É uma enfermaria e uma escola, um albergue de caridade e um ino de patriotismo um conforto para o presente e uma promessa para o futuro! Data de pouco tempo a fundação da primeira maternidade. Pouco tempo, porque um século ou dous são, em relação á historia do mundo, o mesmo, ou menos, do que uma ou duas horas são na historia de um dia. E só em 1794, por um decreto da Convenção, foi criada em Paris a primeira Maternidade. Em épocas anteriores a sala a isso destinada na Salpetriére era abaixo do nível do chão, recebendo luz fraca pot janelas rentes á agua do Sena.
O que seria essa enfermaria não é talvez facil de imaginar. Não se pensava então ainda em dar á mulher na hora da sua maior angústia e mais alta significação moral o conforto de uma assistência que lhe assegurasse, a ela e ao filho, de si nascido, condições especiais de segurança, de vida e de relativo bem estar. Organizadas quasi sempre por particulares, de tal modo são essas casas indispensaveis ás classes pobres que deveriam fazer parte das obrigações de todos os vermos para com Os seus respectivos municípios. Das suas práticas de higiene, dos habitos que aconselha, dos males sociais que transforma em fon
tes de prosperidade, elas garantem a robustez da gente de amanhã e com isso a felicidade da patria que repousa principalmente na boa saude e no bom senso da sua população. De mãis depauperadas ou inconscientes não podem nascer filhos sãos nem cidadãos perfeitos, e quantas pessôas ha inteligentes, mas incapazes de qualquer esforço, e quantas aleijadas e imbecis só por não terem vindo ao mundo em condições favoraveis e não terem recebido cuidades equivalentes durante a primeira infância?
Maternidade, de Júlia Lopes de Almeida, é uma obra clássica brasileira em domínio público disponível gratuitamente no Literunico para leitura online em HTML. Esta edição digital organiza 22 capítulos com fonte pública consolidada no Internet Archive, capítulos publicados, espelhos de conteúdo completos e metadados preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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