Universo da obra
Universo da obra
Marina Duarte encontrou a garrafa presa entre duas pedras enquanto recolhia boias soltas depois de uma manhã ruim de passeio turístico. O mar estava baixo, a lancha de sua pequena empresa precisava de conserto, e um casal de São Paulo reclamara porque peixe nenhum aceitou aparecer no horário vendido pelo folheto. Ela ia jogar a garrafa no saco de lixo quando viu o lacre de cera, duro, vermelho, com a marca de uma âncora dentro de um círculo. Não era lembrança de turista. Era coisa guardada por tempo demais.
Dentro havia uma carta enrolada em plástico grosso, escrita com tinta azul desbotada. O texto falava do Santa Ágata, cargueiro desaparecido perto da Ilha do Veado em uma noite de ressaca, quarenta anos antes. Marina conhecia a lenda desde criança. O navio teria levado joias roubadas, mapas de contrabando e uma caixa de vidro que brilhava no fundo da água quando a lua batia certo. O pai dela dizia que lenda de naufrágio sempre começa com marinheiro bêbado e termina com pescador sem motor.
A carta citava o nome de Ernesto Duarte. O pai de Marina. Ela leu de novo, sentada na areia, com o uniforme molhado grudado nas pernas e o coração batendo contra a garganta. Ernesto aparecia como testemunha de uma entrega feita antes do naufrágio. Abaixo, outra frase dizia que ele sabia onde a caixa fora escondida depois que o navio rachou no canal. Marina fechou os dedos no papel. O pai morreu em um mergulho de busca naquele mesmo trecho, e a versão oficial sempre culpou correnteza e imprudência.
Ao voltar para o píer, Marina encontrou um homem parado ao lado de sua lancha, camisa branca dobrada nos antebraços e sapatos caros pisando em madeira cheia de sal antigo. Ele olhava o casco com atenção ofensiva, igual a comprador avaliando defeito antes de pedir desconto. Tinha barba curta, mala pequena e uma beleza séria que combinava pouco com o calor do meio-dia. Quando ela perguntou o que ele queria, o homem respondeu que procurava Marina Duarte e que precisava chegar ao Santa Ágata antes da próxima maré baixa.
Marina pensou em mandar o desconhecido procurar passeio em agência com ar-condicionado. Então ele tirou do bolso uma foto de Ernesto usando roupa de mergulho ao lado de outro homem, muito jovem, com o mesmo rosto do visitante. No verso, havia uma data, o nome Raul Sardenha e uma frase escrita pelo pai dela. Se meu filho vier, não entregue a caixa a ninguém. Marina ergueu os olhos. O homem diante dela se chamava Raul também, e parecia ter acabado de descobrir que herdara uma história sem pedir licença.
Marina Duarte conhece cada pedra da Ilha do Veado e evita turistas ricos desde que um acidente tirou seu pai do mar. Quando Raul Sardenha chega com uma carta antiga e uma proposta alta demais para recusar, ela aceita guiá-lo até o naufrágio do Santa Ágata, navio que sumiu com joias, documentos e o segredo de uma família inteira. A maré revela caminhos de vidro no fundo da enseada, e cada mergulho aproxima Marina de Raul, da verdade sobre o pai e de gente disposta a matar para manter o passado enterrado.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias do Livro como colaboração ao autor e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.