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Capítulo 2 · Clemência

Capítulo II: O mês de dezembro de 1863

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Capítulo II: O mês de dezembro de 1863

Estávamos no fim do ano de 1863, ano desgraçado em que, como os senhores hão de recordar, o exército francês ocupou o México e foi-se estendendo pouco a pouco, alargando o círculo de sua dominação. Começou pelos Estados centrais da República, que ocupou também sem disparar um só cartucho, porque nossa tática consistia apenas em nos retirarmos para tomar posições nos Estados distantes e preparar neles a defesa. Nossos generais não pensavam em outra coisa, e talvez tivessem razão. Estávamos em nossos dias nefastos, a desgraça nos perseguia, e cada batalha que tivéssemos apresentado em semelhante época teria sido para nós um novo desastre.

Assim, pois, nós nos retirávamos, e as legiões francesas, acompanhadas de seus aliados mexicanos, avançavam sobre povoações inermes que muitas vezes se viam, obrigadas pelo terror, a recebê-los com arcos triunfais; e pode-se dizer que nossos inimigos marchavam guiados pelas colunas de poeira do nosso exército, que se replegava diante deles. Dessa maneira, as três divisões do exército franco-mexicano, comandadas por Douay, Berthier e Mejía, saídas nos meses de outubro e novembro do México em diferentes direções, a fim de envolver o exército nacional e apoderar-se das melhores praças do interior, ocuparam sucessivamente Toluca, Querétaro, Morelia, Guanajuato e San Luis Potosí.

Como o general Comonfort fora assassinado em Chamacuero pelos Troncosos, precisamente quando vinha pôr-se à frente do exército nacional, seu imediato, o general Draga, ficou com o comando em chefe de nossas tropas.

Draga determinou evacuar as praças que ocupava, seguramente com o desígnio de cair depois sobre qualquer uma delas que o inimigo houvesse tomado, e saiu de Querétaro com o grosso do exército, ordenando ao general Berriozábal, governador de Michoacán, que desocupasse Morelia e se retirasse a Uruapan para depois reunir-se a ele.

Os franceses então se apoderaram de Querétaro e Morelia. O grosso do nosso exército, com Draga à frente, dirigiu-se a La Piedad, no Estado de Michoacán. Poucos dias depois, Doblado evacuou Guanajuato e dirigiu-se a Lagos e a Zacatecas. O governo nacional também se retirou de San Luis Potosí, que Mejía ocupou, e encaminhou-se para Saltillo depois do desastre sofrido pela divisão de Negrete ao tentar o assalto daquela praça.

Assim, pois, em poucos dias, em menos de dois meses, o invasor se havia estendido pelo coração do país, sem encontrar resistência. Faltava-lhe ocupar Zacatecas e Guadalajara. Isso se fez um pouco mais tarde, e todo o círculo que se havia conquistado ficou livre quando Draga, depois de ter sido repelido da praça de Morelia, defendida por Márquez, viu-se obrigado a dirigir-se ao sul de Jalisco, onde ainda pensou fortificar-se nas Barrancas e resistir. Quando Draga tomou essa direção, o general Arteaga evacuou também Guadalajara com as tropas que ali tinha e retirou-se para Sayula, incorporando-se depois a Draga. Bazaine, general em chefe do exército francês, ocupou a capital de Jalisco.

Devo agora voltar um pouco atrás, aos dias em que nosso exército se dirigia a La Piedad, no mês de novembro, para dizer aos senhores que eu, bastante enfermo e sem colocação no Corpo Médico-Militar, consegui licença do quartel-general para dirigir-me a Guadalajara, e aproveitei a saída de um pequeno corpo de cavalaria que o general enviou a Arteaga para incorporar-me a ele. Esse corpo escoltava um comboio de fardamento e armamento que se julgou conveniente mandar a Guadalajara, onde o general Arteaga poderia utilizá-lo.

Marchávamos, pois, os soldados desse corpo e eu, grandemente contrariados por não podermos assistir às ações de armas que evidentemente se realizariam dentro de pouquíssimos dias.

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Sinopse

Tradução literária em português-BR do romance mexicano de Ignacio Manuel Altamirano, preparada pelo Literunico a partir do texto em domínio público para a Copa do Mundo Literunico.

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