Pingou nanquim no lençol
Ou era minha lágrima,
meu desatino carnavalesco?
Eu, que sou oposta ao próprio tempo,
Contrária ao meu sorriso,
Diminuta.
Vazia.
Pingou nanquim no lençol,
Meu sangue aquarelado
Da vida em preto e branco -
- os sons do meu segredo:
"Tenho medo de morrer
Por minhas próprias mãos"
Deus já me salvou tantas vezes
Que passei a ser grata aos anjos
E a todos os seres sagrados
De todos os credos do mundo
Eu oro para quem estiver ali
Me oferecendo atenção.
Pingou nanquim do céu
E uma mãe toda virgem
Me redesenhou inteira.
Não é dessa vez que eu parto.
Carla Jaia
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Carla Torres Pereira Carrion
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Inspiração Enterna
O seu rosto é meu alento,
Seu olhar, minha proteção
Meu desejo vem da paz
Que o seu remanso traz
(Você é meu pedaço de mar)
O seu rosto é meu alento
Sua língua, perdição
Minha boca, seu sabor
Meu sabor na sua boca
O seu rosto é meu alento
Seu olhar, a minha paz
Mas no segredo do quarto
Sou ruína, danação.
Somos.
Carla Jaia
Seu olhar, minha proteção
Meu desejo vem da paz
Que o seu remanso traz
(Você é meu pedaço de mar)
O seu rosto é meu alento
Sua língua, perdição
Minha boca, seu sabor
Meu sabor na sua boca
O seu rosto é meu alento
Seu olhar, a minha paz
Mas no segredo do quarto
Sou ruína, danação.
Somos.
Carla Jaia
Eis que me deito na tua cama
O calor me toma
A paixão me chama
Aspiro tua alma, sinto teu cheiro
O amor sempre vem primeiro
Meu amor
Certeiro
Eis que me deito na minha cama
A paixão, com sua lânguida voz,
É quem me chama.
Carla Jaia
(Exercício de poesia com rimas)
O calor me toma
A paixão me chama
Aspiro tua alma, sinto teu cheiro
O amor sempre vem primeiro
Meu amor
Certeiro
Eis que me deito na minha cama
A paixão, com sua lânguida voz,
É quem me chama.
Carla Jaia
(Exercício de poesia com rimas)
Lorena, a protagonista do meu conto Restos, é uma mulher marcada por perdas violentas. Por isso, não se entrega com facilidade. É por isso que, na visão dela, a maior traição é a desconfiança. Lorena é, nesse recorte, um pouco da resposta de Capitu. E de todas nós. É a nossa recusa a bisbilhotar o outro, porque não queremos também ser invadidas. Mas, bem, isso é apenas um recorte. Lorena é mais que isso. Quando eu disponibilizar o conto, adorarei ser lida por vocês.
Terminei meu quarto conto. Trechinho abaixo. Chama-se Restos. É o primeiro que escrevi narrado em primeira pessoa. Um grande desafio.
Tenho muoto a revisar ainda.
Tenho muoto a revisar ainda.
Às vezes, na escrita, faço um caminho que parece ser inverso. Em vez de pesquisar antes, escrevo livremente. Depois começo o processo de pesquisa e vou adequando os detalhes da história à realidade mais concreta. Acho que isso funciona porque trabalho mais com o psicológico dos personagens e com um fluxo mais livre de escrita. Como funciona seu processo?
Vim dizer uma coisa, meu amor
O fogo pede passagem
O meus pés agora pisam a brasa
Cantando tristezas de um samba-menino
(Só sei dançar na poesia
pois que meu corpo real
mal nasceu e já foi logo enclausurado
Em nome da lei
e da feminilidade)
Clausura do meu corpo:
"Fecha essas pernas
Fala mais baixo
Evita fazer
Perguntas demais!
Cala a boca, menina,
Come direito
Para de comer
Fecha a boca"
Em boca fechada
a mosca não entra.
Vim dizer uma coisa, meu amor
O fogo pede passagem
Essa queimadura na boca do meu estômago é só o começo
de uma gargalhada infernal que me foi ensinada por uma sábia cortesã.
Lá no cais
Lá no cais
Lá no cais
O fogo pede passagem, amor
Vem brincar.
Vem queimar.
Vem arder em mim
Carla Carrion
O fogo pede passagem
O meus pés agora pisam a brasa
Cantando tristezas de um samba-menino
(Só sei dançar na poesia
pois que meu corpo real
mal nasceu e já foi logo enclausurado
Em nome da lei
e da feminilidade)
Clausura do meu corpo:
"Fecha essas pernas
Fala mais baixo
Evita fazer
Perguntas demais!
Cala a boca, menina,
Come direito
Para de comer
Fecha a boca"
Em boca fechada
a mosca não entra.
Vim dizer uma coisa, meu amor
O fogo pede passagem
Essa queimadura na boca do meu estômago é só o começo
de uma gargalhada infernal que me foi ensinada por uma sábia cortesã.
Lá no cais
Lá no cais
Lá no cais
O fogo pede passagem, amor
Vem brincar.
Vem queimar.
Vem arder em mim
Carla Carrion
Escrever em primeira pessoa é desafiador para mim. Minha protagonista é uma mulher arrogante, um tanto quanto elitista, tem pensamentos inconfessáveis. É uma sobrevivente de trauma que endureceu pra seguir em frente. É tentador usar palavras na voz dela para redimi-la. Temo que o leitor possa pensar que eu concordo com os pensamentos que ela exprime. Escrever em primeira pessoa é expor uma personagem ao risco de ser odiada. Por dentro, temos sombras. Estou amando a experiência. Lorena é uma personagem do meu mais novo conto da série de contos que estou escrevendo. Em breve falo mais sobre ela.
Meu novo conto se chama Restos.
Será o primeiro narrado em primeira pessoa e vou precisar me empenhar mais, pois acho esse tipo de narrativa difícil. É fundamental, nesses casos, a gente separar a narradora de quem a gente é. Lorena não pode ser Carla.
Conto mais sobre a história depois.
E vocês? Como é a experiência de vocês na escolha do narrador?
Na imagem, um trechinho!
Será o primeiro narrado em primeira pessoa e vou precisar me empenhar mais, pois acho esse tipo de narrativa difícil. É fundamental, nesses casos, a gente separar a narradora de quem a gente é. Lorena não pode ser Carla.
Conto mais sobre a história depois.
E vocês? Como é a experiência de vocês na escolha do narrador?
Na imagem, um trechinho!
Mais um carinho de uma leitora beta maravilhosa, a Fran. Sobre meu conto "Cachorros mutilados não conseguem se queixar".
Em breve falo melhor para vocês como pretendo publicar. Ainda estou planejando.
Mas esses retornos são deliciosos.
Em breve falo melhor para vocês como pretendo publicar. Ainda estou planejando.
Mas esses retornos são deliciosos.