Leituras e conversas

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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#OônibusdeRosa</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1338'><strong>O ônibus de Rosa</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a vida de um homem se confunde com a luta de um povo, e a biografia se torna espelho da história.<br /> <br /> Sacanagem, né? A vida de um homem? Vou indicar este livro aqui, em que a vida de uma mulher se confunde com a luta de um povo e sua biografia se torna espelho da história. 😌<br /> Muito usei este livro em contações de história na biblioteca. Um avô é o narrador, ele conta para seu neto que presenciou quando Rosa Parks se negou a levantar para dar lugar a um branco no ônibus. Claro que uma simples negativa silenciosa acabou gerando uma imensa repercussão e, depois de muito movimento da população negra, foi extinta a segregação nos ônibus nos EUA. <br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 231</p>
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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#Amordeadolescente?</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1337'><strong>Amor de adolescente?</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a adolescência aparece como espaço de descobertas e conflitos.<br /> <br /> Já tinha indicado o 3º desta trilogia no desafio (o meu preferido). Mas o primeiro é também muito legal. O livro foi escrito quando a própria autora era adolescente e a história cresceu com ela. É um romance muito lindo.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 230</p>
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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#Ménageatrois</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1336'><strong>Ménage a trois</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a poesia ousa cantar o desejo em sua forma mais livre, transformando afetos em gesto estético e resistência.<br /> <br /> Acho que ainda não terminei a leitura deste livro, sempre pego e meio uns poemas. Preciso terminar. Gosto das temáticas e da linguagem poética dela. <br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 229</p>
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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#Enquantoeurespirar</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1335'><strong>Enquanto eu respirar</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a solidão se transforma em voz poética.<br /> <br /> Este livro tem contos e poemas escritos a partir da dor da perda e do luto, dois tipos de solidão que conheço bem. É um livro muito bom e muito triste. <br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 228</p>
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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#Meapaixonandopelomeuchefeinsuportável</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1334'><strong>Me apaixonando pelo meu chefe insuportável</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde existem culturas em conflito.<br /> <br /> Não consegui encontrar nenhum livro com culturas em conflito que eu tenha lido e que não tenha usado neste desafio. Então vamos focar no conflito, que, nesse caso, é entre chefe e secretária. E tem bastante conflito, claro, e bastante hot. É um livro interessante, mesmo clichezão.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 227</p>
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@CrisRibeiro há 1 ano
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#Desafio 276
Traduzido automaticamente do inglês.
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#Desafio 276
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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#Achefe:faíscasdeumamor</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1332'><strong>A chefe: faíscas de um amor</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a dor da perda se transforma em recomeço.<br /> <br /> Foi o livro mais recente que li. A protagonista, Mel, parte de uma grande perda: a morte de seu irmão, João. Mas, antes de morrer, João deixou tudo encaminhado para que Mel se reencontrasse com Gus, seu primeiro amor. Claro que o recomeço não é nada fácil, marcado por segredos e mágoas, mas a vida de Mel não será mais a mesma depois desse reencontro.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 226</p>
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@fksilvain há 1 ano
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<h5><span style='color: red;'>#OesplendordePortugal</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1331'><strong>O esplendor de Portugal</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro que trate de aspectos da colonização portuguesa.<br /> <br /> Não é sobre a colonização portuguesa no Brasil e sim em Angola. Mostra toda a violência cotidiana, o racismo e, por fim, a revolução que levou à independência do país africano. Não é tão bom quanto "Os cus de Judas", mas é bem interessante.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 225</p>
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@novidadesliterunico há 1 ano
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"✨ Eduardo Guerra Carneiro (1942–2000) foi escritor e pensador espiritual brasileiro, autor de obras que unem fé, reflexão e busca interior. Em livros como Princípios do Fogo Espirituais, explorou a força transformadora da espiritualidade e da consciência, propondo caminhos de autoconhecimento e renovação. Sua escrita é marcada pelo desejo de iluminar a vida cotidiana com profundidade e esperança. 📚✨ <a href="https://www.literunico.com.br/books/1282">Aqui!</a> #EduardoGuerraCarneiro #literunico #espiritualidade"
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@rosana858 há 1 ano
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Primavera — Tempo de Recomeçar Nasci na primavera — e talvez por isso ela desperte em mim a lembrança de que a vida sempre pode desabrochar outra vez. Essa estação não é apenas um espetáculo de cores: é uma lição silenciosa, uma metáfora viva do que significa recomeçar. As árvores se desfazem do que já não serve, como quem entende que o passado não pode aprisionar o presente. O velho cai, o novo se veste. Há sabedoria nesse gesto simples: só floresce quem tem coragem de deixar ir. A renovação exige desapego. Os dias se alongam e a luz se multiplica. Não é acaso: é o tempo nos presenteando com mais energia para criar, arriscar, inventar. A natureza desperta — pássaros, animais, insetos, flores. Tudo conspira para o movimento, convidando-nos a sair da hibernação interior. Sentada no jardim, vejo um joão-de-barro erguendo sua morada. Ele sente o vento, antecipa a chuva, calcula a direção certa para proteger seus filhotes. Não discute com a Criação, não se rebela contra o destino: age em harmonia com ela. E me pergunto: por que nós, humanos, resistimos tanto? Por que insistimos em levantar nossas casas — e nossas existências — contra o fluxo natural dos seres, quando poderíamos aprender a dançar com o mundo? A primavera não é apenas estação: é símbolo. É convite. É espelho. Cada botão de flor que se abre parece sussurrar que também nós podemos florescer. O equinócio traz equilíbrio entre luz e sombra. Talvez a lição seja essa: cultivar pensamentos mais iluminados e evitar caminhos demasiadamente escuros. Despeço-me do pássaro com a promessa de levar sua mensagem adiante. A natureza cumpre seu propósito — e nós, muitas vezes, esquecemos o nosso. Mas se ouvirmos com atenção, ela nos dirá: o tempo é agora. O tempo é sempre. O tempo é de recomeçar. Vamos? Instagram: @rschumaher “Incentivando a leitura com histórias que refletem a vida”
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@literunico há 1 ano
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<h5><span style='color: #00aaff;'>💡 Ideia:</span> Eleições 2026: Serão dois Bolsonaros candidatos contra Lula?</h5><p>Leia a ideia completa: <a href='https://www.literunico.com.br/ideas/eleicoes-2026-serao-dois-bolsonaros-candidatos-contra-lula-68e11db4de573'>Clique aqui</a></p>
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@chico-viana-lwd0u há 1 ano
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A NAMORADA Nós brigávamos muito. Os amigos nos viam mais afastados do que juntos, e quando encontravam um dos dois a primeira pergunta que faziam era: “Vocês ainda estão namorando?”. O motivo das brigas era banal, irrelevante, mas comumente (coro em o dizer) estava ligado ao meu ciúme. Eu era um adolescente inseguro. Tinha pouca experiência em namoros e vivia empaturrado de literatura e filosofia mal assimilada. Ela tinha olhos verdes. Além de verdes, inquietos, como aliás era ela toda. Gostava de olhar a rua, os carros, as pessoas com uma avidez que me parecia suspeita. Ciumento vê ameaça em tudo. Eu queria deter aquela onda magnética, canalizá-la só para mim. Como não conseguia, arranjava pretextos para cobranças e brigas. Ficávamos um tempo sem nos ver, e nesse período eu lhe mandava cartas. As cartas eram uma tentativa de explicação, um meio de pedir a ela que me perdoasse. Escrevia-as num estilo que eu hoje chamaria “desesperado-incandescente”. Era tudo iluminado com metáforas, amplificado com hipérboles, recheado de citações pretensamente doutas sobre a vida e o amor. Eu queria com toda essa retórica impressioná-la, é óbvio, e parece que a coisa funcionava. Dias depois nos reconciliávamos por entre beijos tórridos e juras eternas (com todos os adjetivos a que uma paixão adolescente tem direito). Essa alternância entre brigas e cartas durou um bom tempo. Devo ter escrito umas 15 ou 20, sempre caprichando na forma e achando que, quanto melhor escrevesse, mais eu a impressionava e retinha. Um dia tivemos uma briga mais séria, por motivo tão bobo que a enfureceu. Afastei-me por uns dias e tratei de providenciar mais uma torturada missiva, na qual arderia de novo o meu coração. Não foi preciso. O fogo dessa vez veio do outro lado, e nada metafórico. Quando liguei para lhe informar que iria levar a carta, ela me disse que isso era inútil; já queimara todas as outras. Mal acreditei no que tinha ouvido. Cheguei a pensar que era mentira, ela não podia ter sido capaz de tanta maldade. Mas fora, sim. Incinerara os meus sofridos textos. Se eu queria confirmar, que fosse lá ver as cinzas... Não fui, é claro. E naquela noite me revirei na cama cheio de ódio e frustração. Ao mesmo tempo que a amaldiçoava, eu me achava um imbecil. Por que não tinha feito como Sartre (então meu ídolo), que tirava cópia das suas cartas de amor? Com o tempo passei a avaliar melhor o episódio, que não deixou de encerrar uma lição – uma das muitas que eu aprenderia com as mulheres. As cartas nada mais eram do que um monumento à minha vaidade. Querer suprir por meio delas falhas pessoais era um equívoco que só poderia destruir a relação. À namorada não interessava o escritor, e sim o homem, que não precisava ser “inteligente” para se fazer amar. Bastava ser menos complicado, mais confiante e capaz de demonstrar que gostava mesmo dela. Não guardo mágoas, mas devo confessar que vez por outra penso nas cartas. Bem que eu gostaria de as reler agora e reencontrar nelas o adolescente ansioso, que procurava num estilo trêmulo confessar o seu amor. Talvez – quem sabe? – até tivessem algum valor literário... Não sei se perdoei de todo aquela namorada. Às vezes acho que me casei com ela por uma espécie de vingança. (Em “A idade do bobo”)
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@MarU há 1 ano
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#Desafio 238 *Toque de amor* E num suspiro profundo, te sinto me abrindo por dentro… entrando lentamente… tomando meu ventre, preenchendo meu íntimo, invadindo meu sexo. Fecho os olhos com os arrepios… e vislumbro seu toque macio, queimando minha pele, acendendo meu cio, derramando-me entre as pernas o néctar doce do desejo que sinto. Te sinto tão vívido dentro de mim, que até esqueço o entorno… em que estou. Me perco em desejos, ardendo… meu corpo corresponde ao pensamento, reagindo ao pulsar intenso, clamando pelo seu toque de amor. MarU
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@chico-viana-lwd0u há 1 ano
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CASO SÉRIO – Pai, urge que o senhor aumente a minha mesada. – “Urge”?! O que é isso? – A professora de redação ensinou que a gente deve dizer “urge”. Tem mais força do que “é preciso”, “é necessário”. Parece, tipo assim, o rugido de uma fera. URRRGEEE! – Calma, tudo bem. Não precisa me morder. E pra que é que você quer mais dinheiro? – Vou fazer o Enem, não vou? Preciso ler, me informar. Destarte... – “Destarte”? – Sim. Destarte, dessarte... A professora falou que é melhor do que “então”, “logo”, “diante disso”. Ela quer que a gente arrase na prova. E quer, outrossim, um pouco de fama para ela também, claro. – “Outrossim”? – O senhor não conhecia? – Não. Conhecia “outro não”. Era o que eu ouvia de sua mãe toda vez que lhe pedia um beijo. Ela dizia: “Outro não, Valfredo. Por hoje basta.”. – Ah, pai, o senhor é mesmo ignorante. Não é “outro sim”; é “outrossim”, entendeu? – Não estou vendo diferença, mas entendi. O contrário, então, deve ser “o mesmo sim”. E não outro! – Caramba, pai! Achei massa essa história do beijo. Então ela lhe dava um fora... Que sádica! E o senhor, entrementes, o que fazia? – “Entrementes”? Deixe eu ver... Primeiro preciso saber o que é “entrementes”. É alguma coisa como “escorraçado”? – Nada a ver. Significa “nesse espaço de tempo”. – E por que você não falou isso? – Porque a professora disse que “entrementes” impressiona mais. – Nesse caso, pode entrementar à vontade. O importante é que você arrase na redação. – Esse é meu desiderato. – Como? – Desiderato, objetivo, pô! Também o senhor não saca nada da língua portuguesa! – Desculpe, ando meio desatualizado. Embora, aqui pra nós, esses termos que você está usando sejam um tanto serôdios. – “Ser” o quê? – Serôdios! Sua professora não mandou você usar essa palavra no lugar de “antigos”? Se ela ainda não fez isso, vai fazer. Com certeza. – Epa! Nada de “com certeza”. É “indubitavelmente”. E sabe de uma coisa? É mister que eu não converse mais com o senhor. – “Mister”?! – Isso mesmo. E não fale mais da minha professora, viu? Não quero ouvir. Se fizer isso, que seja à sorrelfa. – “Sorrelfa”!? Essa também veio da professora? – Negativo. É contribuição minha mesmo. Pesquei no dicionário para fazer uma surpresa a ela. – “Sorrelfa”... Socorro, Alaíde! Vem cá ouvir teu filho. Alguma coisa muito séria está acontecendo com ele!
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@chico-viana-lwd0u há 1 ano
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A BELA E FERA Filmes como “King Kong” despertam a criança adormecida em cada um de nós. Retornamos à infância naqueles instantes mágicos em que a tela exibe aventuras impossíveis. Elas podem ser de bruxos, cavaleiros medievais, seres intergalácticos, monstros pré-históricos, enfim, é extremamente variado o acervo desses entes fabulosos, que nos causam fascínio e medo. Diante deles regredimos à nossa desprotegida inocência e encontramos nisso um tipo especial de prazer. Esse prazer deriva da catarse, termo com que Aristóteles designa a liberação de tensões mentais. A catarse é uma purificação racional das emoções. Ela ocorre quando constatamos, por exemplo, que estamos imunes aos acontecimentos horríveis que se passam num palco, num livro ou numa tela de cinema. Vivenciamos como espectadores dramas e tragédias, e saímos da experiência incólumes. Aliviados. O alívio que experimentamos em King Kong vem de um simbolismo mais ou menos óbvio: o gorilão é a porção instintiva de cada um de nós. Vampiros como Drácula ou monstros como Frankenstein, nascido em laboratório, são produtos de cérebros torturados. Refletem um dilema ético. King Kong não é “construído”, não resulta de nenhuma perversão mental. É pura força da natureza. Seu urro prodigioso é um eco de nossos impulsos ancestrais. Ele não tem bondade nem maldade – tem desejo. E tem também sensibilidade estética, a ponto de se comover com a loura de beleza angelical que lhe fora oferecida em sacrifício. Ela o seduz com poses e trejeitos engraçados, e o desperta para a beleza do crepúsculo. Tal como ocorre entre homem e mulher, envolve-o num jogo poético de sedução. O único defeito do filme é o exagero de monstros pré-históricos, como se quisesse fazer concorrência a “Parque dos Dinossauros”. A despeito disso, ele comove e encanta ao contar a velha história do sacrifício por amor. Ou da bela que domina a fera.
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@chico-viana-lwd0u há 1 ano
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A BATERIA Semana passada a bateria do meu carro pifou. Como eu estava no subsolo de uma agência bancária, tive que ligar para o seguro a fim de solicitar um mecânico. Uns 30 minutos depois o rapaz veio, examinou o artefato avariado e o condenou. - Aqui só outra. - E agora? Onde posso mandar buscar uma? - O senhor liga para a loja Tal - e me passou o telefone. Quando eu lhe pedi uma sugestão de marca, ele me perguntou se eu pretendia vender o carro. - Não. Por quê? - Se for vender compre esta, que é mais barata (e me indicou o nome). Agora, se for ficar com o carro por mais um tempo, leve esta (citou outro nome). É um pouco cara, porém bem mais econômica e difícil de quebrar. Duvido que deixe o senhor no prego. Escolhi a segunda, pois não pretendia tão cedo vender o automóvel. Bateria instalada, voltei para casa pensando na alternativa que o mecânico tinha me apresentado. A escolha fora fácil pois, como disse, o carro ainda iria ficar comigo por um bom tempo. Mas... e se eu fosse me desfazer dele? Qual das marcas teria escolhido? Comecei a pensar nisso e senti um arrepio. A pergunta do rapaz tinha implicações profundas; envolvia um dilema moral. Pensei em Kant, que fundamenta sua ética na máxima: “Não faças a outrem o que não queres que te façam.” Se eu escolhesse a bateria mais barata e dispendiosa, que além disso podia quebrar, estaria fazendo a outrem (o eventual comprador do meu carro) o que não queria que me fizessem. O curioso foi a maneira objetiva, prática, direta, com que o mecânico me fizera a pergunta. Não havia hesitação nem escrúpulo, como se a proposta fosse muito natural. Ele sempre devia apresentar essa opção aos clientes. Alguns até lhe dariam uma gorjeta pela dica, mesmo que isso reduzisse a vantagem obtida com a escolha do produto ruim. O importante era o pequeno lucro imediato, acrescido do indizível prazer de enganar o outro. Pois esse tipo de escolha não vale só pelo dinheiro; vale também (ou sobretudo) pela sensação de ter sido esperto. Já chegando em casa, me dei conta de que a sugestão do rapaz diz muito de nós. No trabalho, no comércio, na política e mesmo nas relações interpessoais, nos comportamos como o sujeito que passa a bateria ruim sem considerar o que isso pode trazer para o outro. Tudo fica ótimo até o momento em que somos nós esse outro. E quando nosso carro quebra no meio de uma viagem noturna e ficamos com a família ao relento, protestamos contra o egoísmo do ser humano e lamentamos pertencer a espécie tão mesquinha. Esquecemo-nos de que dela fazemos parte e não raro somos nós a protagonizar a trapaça. Talvez seja por isso que este carrão chamado Brasil não anda - ou anda muito desigual. Falta em sua “bateria” a corrente do interesse pelo bem comum. Somos antikantianos por atavismo e convicção, fazendo sempre que possível aos outros o que nunca desejamos para nós.
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@chico-viana-lwd0u há 1 ano
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O COLECIONADOR DE PALAVRAS O hábito começou muito cedo. Dizia papá e mamã com um prazer especial em jogar com as sílabas. Pa... pá, mã... mã – os sons iam e voltavam até que ele os guardava para depois, quando quisesse, brincar de novo. Com o tempo foi juntando outros fonemas (bu... bu, pi... pi, ta... ta). Um dia teve febre e ouviu dodói; enamorou-se da palavra e ficou repetindo-a em seu delírio. Cresceu e foi refinando as escolhas. Agora prestava atenção não apenas aos sons, mas também ao casamento que havia entre eles e o sentido. Às vezes a união lhe parecia perfeita, como em croque (sentia o atrito de um fonema no outro), bafo (a palavra terminava num sopro) ou empecilho (pronunciar essa foi um obstáculo que venceu a duras penas). Noutras vezes, achava que palavra e som eram como estranhos. Erisipela, por exemplo. Ficaria bem para designar um metal precioso (“Usava um colar de erisipela legítima”), mas não para indicar uma doença. O mesmo se diga de faniquito, que mais parecia nome de passarinho (“Na manhã ensolarada, faniquitos em bando cortavam o azul do céu”). Teve pena da tia por ela sofrer de uma doença cujo nome não combinava em nada com as ulcerações que havia em suas pernas. Descompassos como esse lhe deram uma vaga ideia das incoerências do mundo. Havia palavras bonitas para coisas feias e palavras feias para coisas bonitas, assim como há pessoas lindas com uma alma escura, e outras, de rosto nada atraente, com um espírito luminoso. O mais das vezes – foi aprendendo – o nome era uma falsa aparência das coisas. Isso não o levou a desistir da coleção, só que agora ele tinha um critério; passou a dividir as palavras conforme a semelhança que tinham com os objetos ou seres que designavam. Agrupou de um lado, por exemplo, sanfona, crocodilo, miosótis, turmalina (se bem que essa mais parecesse nome de mulher) – e do outro presidente, cadeira, promotor, recurso (palavras que não excitavam a língua e que a gente, quando as ouvia, não tinha a curiosidade de saber o que significavam). À medida que envelhecia, tornava-se mais exigente com a sua coleção. Algumas palavras lhe pareciam insípidas, por isso ele resolveu esvaziar parte do baú. Uma das primeiras que jogou fora foi jucundo, cuja hipocrisia não mais suportava (parecia designar algo triste, mas significava alegre). Trocou jucundo por meditabundo, palavra mais honesta e de acordo com seu atual estado de espírito. Jogou fora também vagar, flanar, leviano, e por pouco não se livrava de paciente (prudência, que entrou no lugar, parece que o aconselhou a esperar mais um tempo). A coleção agora tinha pouquíssimos termos, mas cada um pesava tanto que o homem não conseguia transportar o baú. Deixou-o embaixo da cama e nele foi inserindo, sem muito entusiasmo, as palavras que ainda o impressionavam (sabia que, se parasse de colecionar, morria). Um dos novos termos foi achaque, que vagamente lhe soou como uma dança fúnebre de tribo africana (riu ao perceber que ainda tinha imaginação poética). Outro foi próstata, que lhe pareceu o som de uma chicotada (ta-ta). E um dos últimos foi tumor, que ele sem graça botou no lugar de humor. Depois que morreu, os amigos e parentes ficaram intrigados com aquele baú embaixo da cama. Abriram-no e nada encontraram em seu interior. “Ele era meio tantã”, comentou a mulher. “Passava horas diante desse baú vazio.” Resolveu guardá-lo, como lembrança, e aos poucos foi metendo nele os objetos inúteis da casa.
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@deivesferraz há 1 ano
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Em breve lanço meu terceiro livro! Aqui vai uma degustação desse mistério de causar arrepios!! 😈 Encruzilhada: ESCULPIDO
EPUB
Publicação Literunico
401759526026afaohvhbrfvocczeo2lr.epub
Gratuita · pode evoluir para coleção e Aurora
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@Cilene há 1 ano
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Gol Contra Comecei cedo a faxina decidida a pôr ordem em tudo: no armário, nos papéis, nas fotografias, na poeira dos cantos, no chão do quarto. Uma mancha vermelha escorria do assoalho em um pulso próprio. Fiquei do joelhos e contra-atacamos - éramos um time: eu e o balde, água e sabão. Esfreguei até os nós dos dedos arderem. O líquido pegajoso sumia, mas logo voltava - mais vivo, mais escuro. Substituí os jogadores. Tentamos desinfetante, vinagre, álcool de posto que usava para limpar os espelhos. A cada produto, um breve alívio: o horizonte de uma superfície inócua. Porém, bastava levantar os joelhos e o líquido retornava, insistente, zombando de mim. Exausta, chorei sobre aquele chão. Minhas lágrimas mal se misturaram ao vermelho plasmático. A mancha não desistia. Meu time sucumbiu. Eu, ali, ajoelhada em prece há horas e a mancha cuspia de volta o que eu tentava apagar. Deixei-a. Deitei naquele chão, quem sabe se ignorar, ela vai embora. O vermelho, no entanto, escorreu-se rapidamente para todos os cômodos. A mancha estava vencendo, ela me afogaria contente, ali, sem memória de minha posição fetal. Um jogador que assistia do banco, me ativou uma ideia - completamente desesperada, alucinada, uma última tentativa: um acendedor de velas quebrado na minha cômoda. Convoquei novamente o álcool - definitivamente não era uma partida normal, dava pra substituir as tentativas quantas vezes eu aguentasse. Molhamos a cortina, os lençóis da cama, o abajur, o pufe de crochê feito pela minha bisavó… eu e meu jogador que, esgotado, pediu pra sair. Ah! Mas tinha ainda meia garrafa de Vodka, que não dei conta na noite passada. Substituição! Absolutamente para a sala. Taquei, também, o Gim na cozinha. Obrigada meninos, vocês jogaram muito bem! A torcida na minha cabeça gritava o nome dele. Era chegada sua hora. Já estava fora da gaveta, no aquecimento, sobre a pia. Acompanhei-o até a porta, na beira do campo. Enquanto ele alongava a cabeça, orientei: “vai com tudo, artilheiro”. Risquei o fósforo. O fogo subiu em espirais, queimando madeira, paredes, cortinas, lembranças — queimando também a esperança. Do lado de fora, os vizinhos viam apenas uma casa em chamas. Por dentro, era o meu coração que ardia, e, infelizmente, ainda escorria em meus seios, incapaz de se limpar, condenado a sangrar para sempre. Perdi outra vez. —————————————— Cilene Resende @seria.uma.sereia
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@novidadesliterunico há 1 ano
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✨ Henri Alain-Fournier (1886–1914) deixou sua marca na literatura francesa com o romance O Bosque das Ilusões Perdidas, obra que captura a beleza e a melancolia da juventude, dos sonhos e das desilusões. Sua escrita delicada e poética transformou um único livro em um legado duradouro, lembrado até hoje como uma joia da sensibilidade literária. 📚✨ O Bosque das Ilusões Perdidas: <a href="https://www.literunico.com.br/books/1281">Aqui!</a> #HenriAlainFournier #literunico #literatura

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