Ato V — Cena II. Cela de Frei Lourenço. Romeu e Julieta · Capítulo 25 de 26
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Ato V — Cena II. Cela de Frei Lourenço.

Ato V — Cena II. Cela de Frei Lourenço.

Entra Frei João.

FREI JOÃO.

Santo frei franciscano! Irmão, olá!

Entra Frei Lourenço.

FREI LOURENÇO.

Esta deve ser a voz de Frei João.

Bem-vindo de Mântua. Que diz Romeu?

Ou, se seu pensamento está escrito, dá-me sua carta.

FREI JOÃO.

Ao ir procurar um irmão descalço,

Um de nossa ordem, para acompanhar-me,

Aqui nesta cidade, visitando os enfermos,

E tendo-o encontrado, os guardas da cidade,

Suspeitando que ambos estivéssemos numa casa

Onde reinava a peste infecciosa,

Selaram as portas e não nos deixaram sair;

Assim minha pressa para Mântua ficou ali detida.

FREI LOURENÇO.

Quem levou então minha carta a Romeu?

FREI JOÃO.

Não pude enviá-la — aqui está ela de volta —

Nem conseguir mensageiro que a trouxesse a ti,

Tanto temiam eles a infecção.

FREI LOURENÇO.

Desditosa fortuna! Por minha irmandade,

A carta não era coisa leve, mas cheia de incumbência,

De caro peso; e negligenciá-la

Pode trazer muito perigo. Frei João, vai daqui,

Arranja-me uma alavanca de ferro e traze-a sem demora

À minha cela.

FREI JOÃO.

Irmão, irei e ta trarei.

Sai.

FREI LOURENÇO.

Agora devo ir sozinho ao monumento.

Dentro destas três horas a bela Julieta despertará.

Ela me amaldiçoará muito, porque Romeu

Não teve notícia destes acidentes;

Mas escreverei de novo a Mântua,

E a guardarei em minha cela até que Romeu venha.

Pobre cadáver vivo, encerrado no túmulo de um morto.

Sai.

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